sábado, 16 de setembro de 2017

Mudanças climáticas: “O homem é um estúpido, diz a Bíblia. E assim, quando não se quer ver, não se vê”. Entrevista com o Papa Francisco no voo de volta da Colômbia

Como já é habitual ao finalizar suas viagens internacionais, o Papa Francisco concedeu uma coletiva de imprensa no voo de volta de Cartagena a Roma, após a sua intensa visita à Colômbia, realizada de 6 a 10 de setembro.
Na entrevista, o Santo Padre aborda diversos temas, como a situação da Venezuela, a crise da Coreia do Norte, a realidade dos jovens imigrantes nos Estados Unidos, os desastres naturais e comenta também como está depois da batida que sofreu no papamóvel em Cartagena.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

169 anos de um “martírio sangrento” pelo celibato opcional

Rufo González Pérez
FotoLadislau e esposa Camila
Não podemos esquecer!
“É difícil acreditar que exista na Igreja tal apego a uma lei que produziu tantos desmandos durante séculos”

Um sacerdote da diocese de Buenos Aires (Argentina), Ladislau Gutiérrez e sua esposa, Camilla O’Gorman, foram assassinados pela autoridade civil com a benção da Igreja. O seu crime: abandonar o ministério sacerdotal e formar uma família. Mataram os dois e o filho concebido, no oitavo mês de gestação.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

O Papa Francisco na Colômbia


Eduardo Hoornaert 08/09/2017
A viagem do Papa Francisco à Colômbia é uma ocasião para se rever a posição do evangelho de Jesus de Nazaré diante da espinhosa questão da violência.Efetivamente, durante sua estadia no país, o Papa, antes de se apresentar como líder da Igreja católica, se revela como pacificador de uma nação tragicamente dividida entre vítimas e vitimários.
 
Suas tomadas de posição excedem as de um representante religioso para alcançar a posição de alguém que lembra ao mundo uma filosofia que, de um ou outro modo, interessa a religiosos e não religiosos, crentes e descrentes, ricos e pobres, fiéis e ateus. Sim, trata-se de uma filosofia no sentido próprio do termo, ou seja, da construção de princípios a orientar a compreensão do mundo, da história, da vida.
 
Desenvolvo minhas considerações em três pontos.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

A “emergência dos migrantes” vista pelos olhos dos Padres do Oriente

Gianni Valente –Bose -10/09/17
Foto: Concluído no Mosteiro de Bose o encontro ecumênico internacional sobre “O dom da hospitalidade”.
No Encontro de Bose sobre o “Dom da hospitalidade”, a espiritualidade das Igrejas Ortodoxas mostra a origem do olhar cristão para quem é estrangeiro e pede para ser acolhido.
Fornecendo antídotos contra os identitarismos anti-imigrantes, mas também contra as “síndromes egoístas” do ativismo em busca de aplausos
Tradução: Orlando Almeida
É sempre bom pedir ajuda aos Padres do primeiro milênio cristão para compreender o que está acontecendo no tempo atual da Igreja. Encontram-se sempre tesouros inimagináveis que permitem que escapemos das armadilhas das propagandas retornando às fontes e documentando de onde vem a originalidade do olhar cristão sobre os acontecimentos do mundo.

sábado, 9 de setembro de 2017

A revolução do “não”

Jeffrey Cramer, curador do The Walden Woods Project, analisa o pensamento e a atualidade de Thoreau e sua desobediência civil
Grandes revoluções começam com três letras, cabem na minúscula palavra “não”. No fundo o grande gesto político e transcendental da negação ao que é hegemônico é a base da desobediência civil trazida por Henry David Thoreau, como um gesto político sem par. Mais do que passar a noite em uma prisão, apesar da notoriedade do ato, das desobediências mais importantes de Thoreau está a de “abrigar pessoas escravizadas fugitivas, alimentá-las, cuidá-las para que ficassem saudáveis novamente, comprar as passagens de trem e vê-las seguras em seu caminho para o Canadá – embora tenha ficado mais famosa a noite que passou na cadeia como uma forma de protestar contra um governo que permitiu a existência da instituição da escravidão”, afirma Jeffrey Cramer, um dos maiores especialistas no mundo em Thoreau e curador do The Walden Woods Project. “O que ele escreveu sobre esta experiência no ensaio hoje conhecido como ‘Desobediência Civil’ tem sido uma influência fundamental ao redor do mundo sobre as obrigações do indivíduo de lutar contra a injustiça”, complementa Cramer, que concedeu entrevista por e-mail à IHU On-Line.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Por que a ''confissão'' do pontífice é revolucionária

Há algo de revolucionário na confissão do Papa Francisco de ter feito análise, de ter se beneficiado com isso e de ter sido tratado por uma psicanalista. Desde o início do século XX, a Igreja sempre se opôs, com todos os meios, até mesmo “ilegais”, à psicanálise, percebida como perigosa concorrente, como “culpada” de ter quebrado o monopólio católico no confessionário e na introspecção das almas.

A reportagem é de Fabio Martini, publicada no jornal La Stampa, 01-09-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
É claro, a acusação nunca foi declarada explicitamente, mas, durante pelo menos 50 anos, desenvolveu-se uma guerra sem fronteiras contra uma disciplina “herética” fundada pelo judeu Sigmund Freud.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Toda noção de supremacia é tradução da ignorância. Entrevista especial com Marcos Rolim


Por: Vitor Necchi | 02 Setembro 2017
 
 

    Há processos e características do Rio Grande do Sul que remetem à obscuridade de tempos remotos, conforme Marcos Rolim. “O provincianismo é arcaico, assim como o machismo, a misoginia, o racismo e a homofobia. O desprezo pelos ideais republicanos e pela democracia, a facilidade com que o preconceito se transforma em paisagem; a opção pela mitologia e pelo dogmatismo em todas as frentes, à direita e à esquerda, isso também é arcaico”, descreve. Rolim amplia a análise: “O gosto pelas cerimônias e pelos discursos que nada dizem; a opção pela formalidade, pelos rituais e o desprezo pela ciência, tudo isso respira Idade Média”.
    crise se agrava porque a intolerância “passou a se reproduzir também pela ação de agentes do Estado, que tratam as garantias individuais como ameaças e que zombam dos direitos humanos, nos aproximam perigosamente da mentalidade fascista que é profundamente arcaica”.

    Hino e Letra do Grito dos Excluídos 2017


    Essa luta é nossa! Vamos às ruas nesse dia 07 de Setembro e ousemos gritar: “Por direitos e democracia, a luta é todo dia!” e “Vida em Primeiro Lugar!”.
    Concentração: Escola São José do Arpoador (Vizinho ao Seminário Nova Jerusalém – Pe. Caetano) – Rua Francisco Calaça – Bairro Colônia, às 8h – Caminhada segue pela Av. Leste Oeste até o MARCO ZERO.
    PROGRAMAÇÃO DO DIA 07 de SETEMBRO

    quarta-feira, 6 de setembro de 2017

    Dom Roque Paloschi motiva Grito dos Excluídos 2017

    A vigésima terceira edição do Grito  este ano tem como lema “Por direitos e democracia, a luta é todo dia!” e tema “Vida em primeiro lugar”.
    Diante de tantos acontecimentos na atual política de nosso país, em carta, dom Roque Paloschi, arcebispo de Porto Velho destaca a necessidade de organizaçãode rodas de conversas e participação em seminários sobre a temática do Grito deste ano
    Senhores Padres, religiosos e religiosas, agentes de pastorais, lideranças!
    O Grito dos/as Excluídos/as nasceu da Campanha da Fraternidade de 1995, cujo tema era “Fraternidade e os excluídos” e que tinha por lema “Eras tu, Senhor?”.
    Desde aí, a cada ano, na Semana da Pátria, por todo o Brasil, setores ligados às pastorais sociais da Igreja Católica, outras igrejas irmãs, movimentos sociais, sindicatos e várias organizações da sociedade civil organizada vem articulando e realizando o Grito dos/as Excluídos/as.

    terça-feira, 5 de setembro de 2017

    “Por direitos e democracia, a luta é todo dia” é o lema do 23º Grito dos Excluídos


    “Por direitos e democracia, a luta é todo dia” é o lema do 23º Grito dos Excluídos


    de Rogéria Araujo
    Defesa dos direitos, democracia, povo, luta cotidiana. Foi permeando estas palavras que a coordenação nacional do Grito dos/as Excluídos/as Brasil, reunida no dia 10 de fevereiro, em São Paulo, chegou ao lema da 23º edição: “Por direitos e democracia, a luta é todo dia”. Com o tema “Vida em primeiro lugar”, a maior articulação popular do Brasil deverá levar milhares às ruas durante a Semana da Pátria.
    Colaboradores de todo o Brasil enviaram sugestões para o lema. De acordo com Karina Pereira, da coordenação nacional do Grito, o lema não poderia deixar de levar em consideração toda a conjuntura política e social em que se encontra o país. “A coordenação levou em conta todo o contexto, a conjuntura em que estamos vivendo, e todas as discussões apontaram para este lema, da importância de lutar pelos direitos básicos, de manter nossa democracia e da luta que fazemos todos os dias”, disse.
    Para o ex-correspondente do Vaticano do Corriere della Sera, a contraposição à figura de Bento XVI é principalmente uma criação política. A novidade, segundo ele, é um pontífice criticado pela direita. Mas Bergoglio tem capacidades contagiantes.
    A entrevista é de Alessandro Franzi, publicada por Linkiesta, 29-08-2017. A tradução de Luisa Rabolini.
    Antigamente os papas eram contestados pela esquerda. Francisco é atacado pela direita, e isso cria polêmica tanto quanto a sua determinação de não mudar de rumo. Ele é atacado porque não defende aqueles que seu predecessor, ainda em vida, Bento XVI, chamava de valores não negociáveis. E também porque, sempre em relação ao outro pontífice, tem uma posição de maior abertura à imigração e às relações com o Islã.

    segunda-feira, 4 de setembro de 2017

    Informações do 23º Grito dos Excluíd@s

    Resultado de imagem para cartaz do grito dos excluídos 2017
     LEMA: “POR DIREITOS E DEMOCRACIA A LUTA É TODO DIA”TEMA: VIDA EM PRIMEIRO LUGAR!
    Os direitos e os avanços democráticos no Brasil, conquistados nas últimas décadas, são fruto das lutas populares. Nossa Constituição Federal de 1988 é um exemplo. Porém, hoje, vários direitos sociais, garantidos pela Constituição, correm o risco de serem usurpados por um congresso, judiciário e executivo que defendem os interesses de bancadas que só pensam em manter seu status quo de poder e de benefícios pessoais.
    A sociedade precisa despertar para a organização popular, a resistência e a solidariedade entre os trabalhadores e trabalhadoras, camponeses e camponesas, comunidades originárias, comunidades tradicionais, que são os seguimentos mais atingidos pelas atuais contra reformas trabalhista, da previdência, terceirização! Precisamos retomar a construção do Projeto Popular para o Brasil Plurinacional, onde um outro jeito ser no mundo é possível: justo e solidário, onde a vida esteja em primeiro lugar.
    Como diz o Papa Francisco: NENHUMA FAMÍLIA SEM CASA, NENHUM CAMPONÊS SEM TERRA, NENHUM TRABALHADOR SEM DIREITOS”! A LUTA É TODO DIA! NENHUM DIREITO A MENOS!

    Bergoglio consultou uma psicanalista. Francisco abre o seu coração em livro-entrevista

    Será lançado nos próximos dias, na França, um livro-entrevista com o Papa Francisco que joga luzes sobre sua intimidade.

    A reportagem é publicada por Le Nouvel Observateur, 31-08-2017. A tradução é de André Langer.

    Ele “agradece a Deus por ter conhecido mulheres reais” em sua vida, destaca o lado “comunista” dos cristãos e conta ter recorrido à psicanálise: o Papa Francisco abre o seu coração em um livro-entrevista que estará nas livrarias da França nos próximos dias.
    Capa livro / Divulgação
    Os primeiros extratos da obra intitulada Política e sociedade e que nasceu do diálogo entre o Sumo Pontífice e o pesquisador francês Dominique Wolton, são publicados na edição da Figaro Magazinedesta sexta-feira.

    Francisco reitera as suas primeiras mensagens expressas nos últimos anos sobre uma série de questões sensíveis debatidas na sociedade e na Igreja, especialmente sobre a abertura aos migrantes, o secularismo, os padres pedófilos, o casamento homossexual, as relações com o islã ou a comunhão aos divorciados.

    sábado, 2 de setembro de 2017

    A Inteligência Artificial pode fazer muita diferença em vários campos da nossa vida cotidiana. Entrevista especial com Dante Barone


    Por: João Vitor Santos | Edição: Patricia Fachin | 01 Setembro 2017
     
     

      Embora sistemas de Inteligência Artificial - IA - nos remetam a filmes de ficção científica, nós já vivemos numa sociedade que é permeada por aplicativos e programas que funcionam com base nessa tecnologia, “mas não nos damos conta”, diz o professor do Instituto de Informática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS Dante Barone à IHU On-Line. “Quando queremos acessar um site que tem uma senha, temos que colocar o código de captcha. De certa forma, nós temos que provar para o sistema computacional que somos humanos, ou seja, é uma coisa que fazemos todos os dias. Essa convivência com as máquinas está aí”. Outro exemplo de como a Inteligência Artificial já faz parte do nosso cotidiano é o uso constante de aplicativos. “Hoje em dia, nós usamos vários aplicativos para, por exemplo, ir a um destino usando a melhor rota, como o Waze, que faz uso da Inteligência Artificial. Da mesma forma, através da internet, com o uso de um aplicativo, assistimos a programas, seriados, filmes, os quais vão aparecendo como sugestão aos usuários conforme o próprio interesse deles, através do algoritmo de inteligência artificial”, exemplifica.

      sexta-feira, 1 de setembro de 2017

      Dia da Criação: Francisco e Bartolomeu em defesa do ambiente e dos pobres

      Foi publicada na manhã de sexta-feira (01/09) a mensagem conjunta do Papa Francisco e do Patriarca Ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I, para o Dia Mundial de Oração pela Criação.

      Eis a mensagem.

      “A narração da criação oferece-nos uma visão panorâmica do mundo. A Sagrada Escritura revela que, «no princípio», Deus designou a humanidade como cooperadora na guarda e proteção do ambiente natural. Ao início, como lemos no Gênesis (2, 5), «ainda não havia arbusto algum pelos campos, nem sequer uma planta germinara ainda, porque o Senhor Deus ainda não tinha feito chover sobre a terra, e não havia homem para a cultivar». A terra foi-nos confiada como dom sublime e como herança, cuja responsabilidade todos compartilhamos até que, «no fim», todas as coisas no céu e na terra sejam restauradas em Cristo (cf. Ef 1,10). A dignidade e a prosperidade humanas estão profundamente interligadas com a solicitude por toda a criação.

      Padres e pais: deixar o sacerdócio?

      Samuel Lieven
      Um documento publicado pela Conferência dos Bispos da Irlanda lembra uma série de princípios para os padres que se tornaram pais durante o seu sacerdócio, em particular a necessidade de assumir as suas responsabilidades em relação à criança e à mãe.
      Outros responsáveis pela Igreja, em particular o Papa Francisco, quando ele era ainda arcebispo de Buenos Aires, vão mais longe e consideram que estes padres devem deixar o seu ministério.
      Outros responsáveis pela Igreja, em particular o Papa Francisco, quando ele era ainda arcebispo de Buenos Aires, vão mais longe e consideram que estes padres devem deixar o seu ministério.
      Ser sacerdote e pai de uma ou mais crianças continua a ser um assunto tabu na Igreja Católica, onde os sacerdotes juraram o celibato desde a Idade Média – ao contrário dos seus homólogos orientais que podem se casar e ter filhos.

      Papa Francisco: ”A reforma litúrgica é irreversível”

      Salvatore Cernuzio –25/08/ 17
      “A reforma litúrgica é irreversível.” Com segurança e com “a autoridade magisterial”, fruto do caminho que brotou a partir do momento histórico que foi o Vaticano II, o Papa Francisco afirmou isso no seu discurso aos participantes da 68ª Semana Litúrgica Nacional [da Itália], reunidos em Roma por ocasião dos 70 anos da fundação do Centro de Ação Litúrgica.
      A reportagem é de Salvatore Cernuzio, publicada no sítio Vatican Insider, 24-08-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

      quinta-feira, 31 de agosto de 2017

      As “mulheres diácono” na era apostólica e subapostólica

      Giancarlo Pani –  Agosto 2017
      Santa Júnia – (Foto: Religión Digital)
      “Não há dúvida de que no século V (cânon 15, Concílio de Calcedônia) a Igreja tinha diaconisas‘ordenadas’. Se tal ‘ordenação’ (cheirotonia) era considerada um sacramento (com a imposição das mãos, cheirothesia) ou apenas uma bênção ou um sacramental, é um problema que terá que ser esclarecido no futuro tendo também em conta a evolução e a precisão da mesma terminologia litúrgica”, escreve Giancarlo Pani, em artigo publicado por La Civiltà Cattolica, 24-08-2017.
      E o historiador jesuíta acrescenta: “A palavra de esclarecimento pode vir do Magistério, intérprete autorizado da tradição. Em todo caso, nem sempre se pode recorrer ao passado, como se só nele houvesse indicações do Espírito. Também hoje o Senhor conduz a Igreja e sugere assumir com coragem novas perspectivas”.

      quarta-feira, 30 de agosto de 2017

      Jesus líquido


      Eduardo Hoornaert 



      O maior erro do conhecimento

      consiste em confundir proposições

      (Wittgenstein)

      Em seu filme ‘Andrei Rublev’ (1966), o cineasta russo Tarkovski conta que Rublev (início do século XV), excelente pintor de ícones bizantinos, ao ser convidado pelo Patriarca de Moscou a pintar o quadro do Último Juízo para a Catedral da Anunciação no Kremlin, não consegue executar a obra. Não consegue pintar um Jesus a condenar os pecadores a um inferno sem fim. Um século depois, em Roma, Michelangelo não vê problema nisso. Convidado a pintar o mesmo quadro para a Capela Sistina no Vaticano, pinta um Jesus que, com um só gesto de seu poderoso braço, condena uma parcela da humanidade ao inferno, enquanto eleva a outra parte à eterna felicidade do céu. Ao contrário de Michelangelo, Rublev não suporta a imagem de um Jesus que condena ao inferno.

      terça-feira, 29 de agosto de 2017

      Reflexões em torno de Comunidades de Base.


      Eduardo Hoornaert.



      Nesses dias caiu-me nas mãos um livro que revisita uma experiência de Comunidades de Base de trinta e sete anos atrás. O interesse do livro não está unicamente na qualidade dessa memória, mas igualmente nas considerações acerca das adaptações necessárias a serem feitas para adequar melhor as CEBs ao contexto que estamos vivendo hoje. Trata-se do livro CEBs, um facho iluminando a história, coordenado por Manoel Beserra Machado e Océlio Teixeira de Souza, publicado pela Imprensa da Universidade Regional do Cariri em Juazeiro do Norte, no ano 2016 (ISBN 978-85-65425-27-8). Resultado de um mutirão de pessoas interessadas nessa memória e que atuou desde 2012, este livro conta as peripécias de Comunidades católicas de Base (CEBs) que operavam na paróquia de Quitaiús, distrito do Município Lavras da Mangabeira, sul do Ceará, e em Grangeiro, município da região do Cariri, entre 1977 e 1980. A experiência foi bruscamente interrompida pela intervenção do Bispo em 1980 e, como se verifica ao longo da leitura do livro, é principalmente o trauma causado por essa intervenção que impulsionou as pesquisas e reflexões contidas neste livro. Daí um livro particularmente instigante, não só porque relata um projeto do passado por meio de depoimentos dos próprios participantes, mas porque descreve o método de trabalho seguido pelo Padre Machado, o principal protagonista da história. Apresentar o método significa elaborar um texto propositivo, voltado para o futuro, não um puro relato.

      segunda-feira, 28 de agosto de 2017

      O DOM CONTINUA VIVO ENTRE NÓS

       
      Há dezoito anos, no dia 27 de agosto, despediu-se de nós
      DOM HELDER CAMARA

      Recordamos a sua infinita CONFIANÇA EM DEUS, que para ele significava “crer na aventura do amor, jogar nos homens, pular no escuro!”. Dom Helder se sustentava por uma profunda espiritualidade. Não uma espiritualidade supranatural e sim aquela que se baseia no Deus que “ouve o clamor e conhece os sofrimentos do povo e por isso desce para libertá-lo.” (cf. Êxodo 3). Essa espiritualidade parte da vida real do povo, principalmente dos empobrecidos e excluídos, que se revigora na sua infinita capacidade de levantar-se sempre, a fim de sair da situação de “sub-habitação, sub-trabalho, sub-diversão, sub-saúde, sub-vida” sub-habitação, sub-trabalho, sub-diversão, sub-saúde, sub-vida” (Sinfonia dos dois mundos de Dom Helder Camara). Espiritualidade esta, inspirada na e fortalecida por uma fé inabalável no Deus–Amor, deixando-se modular por este Deus-Pai carinhoso. Por isso e ao mesmo tempo, no centro do pensar, rezar, sonhar e agir do Dom  estava o ser humano com seus valores e que “ele olha em seu rosto, em especial no rosto dos mais pobres, gastos pela fome, esmagados pelas humilhações, descobrindo neles o rosto do Cristo Ressuscitado!” Aquele ser humano que ele gostava de abraçar para passar-lhe calor e proteção.

      sexta-feira, 18 de agosto de 2017

      Intolerância, racismo às claras e fuzis à mostra: O que vi (e senti) no maior protesto movido pelo ódio em décadas nos EUA

      "Durante quatro horas, homens com suásticas tatuadas no crânio e bandeiras confederadas (símbolo do grupo que lutou na guerra civil americana por manter a escravidão) trocavam socos, pauladas e cusparadas com jovens vestindo máscaras e carregando bastões de madeira e sprays de pimenta", relata em depoimento o jornalista Ricardo Senra para a BBC Brasil, 13-08-2017, sobre os acontecimentos em Charlottesville.

      quinta-feira, 17 de agosto de 2017

      Populismo pós-estrutural de Laclau e Multidão de Negri-Hardt: caminhos para compreender o nosso tempo. Entrevista especial com Bruno Cava


      Por: João Vitor Santos | 14 Agosto 2017
       
       

        Numa primeira incursão na teoria do argentino Ernesto Laclau, é possível associar algumas de suas perspectivas às do italiano Antonio Negri. Afinal, ambos se veem diante de movimentações políticas em que a mobilização de teorias existentes parece não dar mais conta de explicar. É uma associação possível, mas essa aproximação requer que seja feita com mais vagar, como recomenda Bruno Cava: “Máquina-Negri, Máquina-Laclau, operam diferente, fazem coisas diferentes, outros usos e funcionamentos”. Para ele, não é que não haja pontos em comum. “Em geral, dois filósofos são incompossíveis, não porque as respostas e soluções divirjam, mas porque colocam as suas perguntas de maneira diversa, têm inquietações e problemas qualitativamente diferentes”, explica.

        quarta-feira, 16 de agosto de 2017

        Bauman e Francisco, o caminho que leva o mundo globalizado de volta ao Evangelho. Artigo de Alberto Melloni

        “A análise de Bauman sobre a pós-modernidade serve a Francisco porque, nela, ele encontra a dramaticidade do próprio Evangelho.”

        A opinião é do historiador italiano Alberto Melloni, professor da Universidade de Modena-Reggio Emilia e diretor da Fundação de Ciências Religiosas João XXIII, de Bolonha.

        O verão de Bergoglio, lendo Bauman

        Paolo Rodari – 10 Agosto 2017 – Foto: www.newecclesia.it
        Os livros de Zygmunt Bauman acompanham o verão romano de Francisco. O papa, no calor de Roma, ciente das muitas pessoas que veem nele um guia espiritual e moral de autoridade, e entre elas muitos jovens, usa algumas horas livres que a suspensão dos compromissos públicos lhe concede para estudar os textos daquele que, melhor do que outros, segundo ele, pode ajudá-lo a entrar no coração da sociedade atual: Zygmunt Bauman.A reportagem é de Paolo Rodari, publicada por La Repubblica, 09-08-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

        terça-feira, 15 de agosto de 2017

        ENTREVISTA E LIVROS – PADRE LUÍS GUERREIRO

        Francisco Salatiel Alencar Barbosa – 20 de novembro de 2009
        “Quando do Vaticano II, eu era um padre jovem, estudei em Roma e deixei-me embalar, como tantos, com a perspectiva de uma Igreja diferente, renovada, mais viva, e isso não aconteceu. O paquiderme não sentiu ou ignorou a passagem da aragem do Espírito.
        Em vez de uma Igreja participativa, de irmãos, mais consentânea com o Evangelho, ela continuou submissa a um monarca absoluto, dogmático, infalível, monopolizador do Espírito.”
        Os fiéis são os que quase divinizaram o Papa e obedecem cegamente, como eternas crianças. Os bispos esqueceram-se de que são tão sucessores dos Apóstolos como o bispo de Roma e fazem o mesmo: calam-se e obedecem; sob pretexto de preservar a unidade, parecem não notar que o que está em causa muitas vezes é a verdade.
         

        segunda-feira, 14 de agosto de 2017

        Um bispo negro toma a frente e proclama: a homossexualidade é um dom de Deus


        Mauro Lopes – 07 Agosto 2017
        Um bispo negro, no sertão do Nordeste, com uma trajetória entre os pobres do RioMinas e São Paulo, nomeado em 2014 pelo Papa Francisco, chacoalhou a Igreja Católica, abriu os portões de ferro da falsidade e do preconceito e proclamou, profeticamente: a homossexualidade é um dom de Deus.
        Foi dom Antônio Carlos Cruz Santos, religioso da congregação dos Missionários do Sagrado Coração de Jesus, bispo de Caicó, no sertão do Rio Grande do Norte. Ele afirmou que o preconceito contra os homossexuais está em linha direta com o preconceito contra os negros e a escravidão e acusou os conservadores católicos de falta de misericórdia.

        sexta-feira, 11 de agosto de 2017

        O populismo segundo Ernesto Laclau. Conceito-chave para pensar a democracia radical e plural

        A complexa Argentina que levou Perón à Casa Rosada não cabia nas categorias históricas do marxismo. Na tentativa de compreender o fenômeno, Ernesto Laclau(1935-2014) deu um passo adiante nos debates sobre a luta de classes e passou a construir um conceito que o tornou notável: o populismo. É justamente no contexto do peronismo que ele vê emergir um antagonismo pluralista em que os conflitos sociais convivem harmonicamente e, juntos, geram demandas comuns, sendo capazes de se insurgir como alternativa ao poder hegemônico instituído. Laclau passa a perceber na articulação do povo em sua multiplicidade, o desencadeamento de outra perspectiva de democracia. É da resistência e da rebelião, e não da exploração, que começa a política. Enfim, para Laclau, “o populismo é muito mais do que um estigma, uma anomalia, uma saída dos trilhos da normalidade; é um conceito-chave para pensar a política”, constata Myriam Southwell, aluna do sociólogo argentino.