quinta-feira, 31 de março de 2011

PADRE JOÃO MENDES DE ANDRADE - Uma vida de fé, doação, exemplo de amor, dedicada ao irmão!

Texto lido na entrega da Comenda Ordem do Mérito do Legislativo, em homenagem aos filhos e pessoas importantes para a história, construção e desenvolvimento do Município de São João do Jaguaribe, na Sessão Solene em homenagem aos cinqüenta anos de Emancipação Política deste Município, em 1º de junho de 2008:
      Nasceu em 07 de outubro de 1930, na cidade de Russas-Ce. Filho de Antônio Nogueira de Andrade e Hermínia Mendes, ambos falecidos.
      Veio de uma família simples, cheia de fé cristã e formada pelos irmãos: Joaquim, Antônio, Afonso, Pedro e José.
      Cursou o primário na sua terra natal e o Ensino Médio em Limoeiro do Norte e em Fortaleza.
      Foi ordenado sacerdote em 12 de dezembro de 1958, com 28 anos de idade na cidade de Limoeiro do Norte, no Seminário Cura D’ars.
       Deus destinou a este homem um currículo ímpar que todo ser humano, ambicionaria ter. fez vários cursos de graduação, cursos de extensão e pós-graduação, mas a sua área privilegiada era História, e por conseqüência, foi um grande historiador da época.
      O seu rebento para esse mundo foi uma benção, pois nasceu para servir e doar-se ao outro, é tanto, que o seu verdadeiro ofício foi o sacerdócio.
      Em seu currículo, encontra-se uma fonte rica, a qual lhe deu uma vasta visão para eternizar os seus passos, os seus feitos, as suas ações.
      Em janeiro de 1960, Padre João Mendes de Andrade se tornou o primeiro Vigário da Paróquia do Município de São João do Jaguaribe e continuou a frente da Paróquia até o ano de 1969.
      Quando chegou a este Município, deparou-se com o arrombamento do Açude Orós. Em virtude do acontecido, participou e colaborou da reestruturação, pois esta terra ficou bastante arrasada com inundação. Neste mesmo período, o Padre João Mendes enviou ao Senado Federal, um documento que relatava a situação econômica e social das vítimas do arrombamento do Açude.
      A sua contribuição para a história do nosso município foi bem mais além deste fato e teve um significado ímpar para todos nós.
      Dentre os seus inúmeros feitos, podemos citar:
·         Organizou um curso de Admissão preparando os alunos para a fundação de um Curso Ginasial em 1964;
·         Fundador e 1º Presidente da Cooperativa Agrícola Mista LTDA em 1965;
·         Fundou o Ginásio São João Batista e foi professor de Matemática, Inglês, História e 1º Diretor em 1966;
·         Construiu o prédio onde funcionou o referido Ginásio em 1966;
·         Assessorou a Prefeitura Municipal de São João do Jaguaribe, cargo exercido a título de colaborar com a Comunidade Municipal de 1960 a 1969;
·         Conseguiu recursos para fazer o saneamento básico da cidade, em 1966;
·         Fundou o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de São João do Jaguaribe, bem como de outros 12 municípios em 1966;
·         Conseguiu recursos para fazer a ligação da cidade de São João do Jaguaribe a BR-116 em 1967;
·         Fundador e 1º Presidente da Associação de Proteção a Maternidade e a Infância;
·         Construiu com a participação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de São João do Jaguaribe e doação da MISEREOR-Alemanha, 50% do prédio do Hospital e Maternidade Nossa Senhora de Fátima de 1968 a 1969;
·         Fundou a Escola Normal de São João do Jaguaribe em 1968;
·         Recebeu o título de Cidadão de São João do Jaguaribe em 1968;
·         Orientou os agrupamentos de pequenos agricultores para produzirem em base de cooperação de 1960 a 1969;
·         Estimulou a Indústria 1964 a 1969;
·         Estimulou os agricultores de São João do Jaguaribe no cultivo do arroz, sua atuação foi ponto decisivo no desenvolvimento social e educacional;
      O Padre João Mendes paroquiou o Município de São João do Jaguaribe durante 09 anos, transferindo-se para a cidade de Fortaleza.
      Em suas atividades como Coordenador do serviço de Sindicalização Rural da Diocese, fez diversas ações, fundando Sindicatos Rurais no Vale do Jaguaribe, movimentos comunitários, Associações Culturais, Cursos de Capacitações, conferências e outros que vieram a contribuir para beneficiar as pessoas do Ceará. Neste momento de sua vida, como Coordenador do Serviço de Sindicalização Rural da Diocese, teve a companhia incansável de sua assessora e futura esposa Rosa Silvério Porto de Andrade.
      Em 1970 solicitou de Roma a dispensa dos votos religiosos, pois desejava casar-se no civil. O casamento aconteceu em 24 de abril do mesmo ano em Fortaleza com a Professora Rosa Silvério Porto de Andrade, a qual foi a grande parceira nas suas atuações sociais e educacionais.
      O Padre João Mendes foi professor da UFC e UECE, nas quais desenvolveu um grandioso trabalho pelo desenvolvimento da educação universitária no nosso estado e no Brasil. Também foi imprescindível a sua participação para o desenvolvimento da educação do Município de Fortaleza e do estado do Ceará (Fundamental e Médio). Esta sua presença e trabalho foram reconhecidos no Governo Municipal de Antônio Elbano Cambraia com a fundação por este prefeito a pedido do Secretário de Educação do Município  da ESCOLA MUNICIPAL PROFESSOR JOÃO MENDES DE ANDRADE, em 22 de novembro 1994 na Rua B, s/n – Conjunto Palmares I – Granja Lisboa, na cidade de Fortaleza-Ce.
      Desse casal que dedicou suas vidas ao bem estar social, surgiu um sucessor: José Carlos Porto de Andrade. O filho que veio dar continuidade a esta grandiosa história. Diga-se continuidade, porque o Pe. João Mendes de Andrade na sua busca incansável, não teve tempo para si, e quando se deu por conta, já tinha contribuído o suficiente para o plano terrestre e Deus achou que este grande Padre, Professor e Historiador, precisaria de um repouso eterno.
      Em 21 de abril de 1990 dia do mártin da Independência, Padre João Mendes de Andrade partiu para o plano espiritual, deixando eternas saudades e realizações invejáveis de um ser humano que soube fazer da vida um exemplo de amor, fé, doação, trabalho e compreensão.
      Por todo este heroísmo, convidamos a Vereadora e Presidente da Câmara Municipal de São João do Jaguaribe Maria Izaulina Chaves Lima, para fazer a entrega da Medalha Ordem do Mérito do Legislativo a Sra. Rosa Silvério Porto de Andrade, viúva do nosso saudoso in memoriam.
      Este texto é apenas um resumo de uma vida de fé, dedicada ao amor, ao trabalho, à família e aos amigos de um grande e inesquecível homem e cristão. Muitos outros trabalhos e projetos foram desenvolvidos pelo Padre João Mendes de Andrade.

Rosa Silvério Porto de Andrade – Esposa.
José Carlos Porto Silvério de Andrade – Filho.

COMO SURGUIU A QUARESMA?

Nós sabemos que uma festa não pode ser bem-sucedida se não for cuidadosamente preparada. Aproximadamente duzentos anos depois de Cristo, os cristãos, ansiosos por desfrutar em toda a sua plenitude os frutos espirituais da Páscoa, introduziram o costume  de precedê-la com três dias, dedicados à oração, à meditação e ao jejum, em sinal de luto pela morte de Cristo.
Essa grande festa, porém, não devia ser somente preparada;  era preciso também encontrar uma maneira de prolongar a alegria e a riqueza espiritual da mesma. Foram instituídas então as “sete semanas”, os
50 dias de Pentecostes, que deviam ser celebrados com grande alegria, porque, como dizia um famoso bispo daqueles tempos, chamado Irineu, “constituem como um único dia de festa que tem a mesma importância do domingo”.
Durante os dias de Pentecostes rezava-se em pé, era proibido jejuar e eram administrados os batismos. Praticamente era como se o dia de Páscoa... durasse 50 dias.
Passaram-se mais 150 anos e, por volta dos anos
350 d.C., percebendo que três dias de preparação era pouco demais, os aumentaram para 40... Nascia a Quaresma.
7. Por que exatamente 40 dias?
 
Quando nós falamos de oito galinhas e de sete quilos de arroz, queremos dizer exatamente oito e sete, nem um a mais e nem um a menos.
Quando, ao invés encontramos números na Bíblia, devemos prestar atenção, porque, muitas vezes, os mesmos têm um sentido simbólico. Deste modo, quando está escrito 40 ou um seu múltiplo, não quer dizer que seja mesmo 40, com exatidão, como se falássemos de 40 dólares. Indica um tempo simbólico, que pode ser mais longo ou mais curto. Não é como quando se fala de dinheiro.., este, sim, deve ser bem contado!
Por exemplo, é difícil acreditar que Moisés tenha passado exatamente 40 dias e 40 noites na montanha, sem comer pão e sem beber água (Ex 34,38) e que também Jesus tenha conseguido fazer a mesma coisa (Mt 4,2). Da mesma forma surge também a dúvida se eram exatamente 4.000 os homens para os quais foram multiplicados os pães (Mc 8,9).
Entre os muitos significados que os antigos atribuíam ao número 40, um nos interessa de modo especial: o de indicar um período de preparação (mais ou menos prolongado), em vista de um grande acontecimento. Por exemplo: o dilúvio durou 40 dias e 40 noites... e foi a preparação para uma nova humanidade; 40 anos passou Israel no deserto...  para preparar-se a entrar na terra prometida; durante 40 dias fizeram penitência os habitantes de Nínive... antes de receber o perdão de Deus; durante 40 dias e 40 noites caminhou Elias... para chegar à montanha de Deus; durante 40 dias e 40 noites jejuaram Moisés e Jesus... para preparar-se para a sua missão...
Está claro, agora, o sentido desse número? Então, para preparar a maior de todas as festas cristãs, quantos dias são necessários? Quarenta, naturalmente!

8. O que fazer durante a Quaresma?
     Desde os tempos antigos, a Quaresma foi considerada como um período de renovação da própria vida. As práticas a serem cumpridas eram sobretudo três: a oração, a luta contra o mal, o jejum. A oração para pedir a Deus forças para converter-se e acreditar no evangelho.
A luta contra o mal para dominar as paixões e o egoísmo. Por fim, o jejum. Para seguir o Mestre o cristão deve ter a força de esquecer de si mesmo, de não pensar no próprio conforto, mas no bem do seu irmão. Assumir uma permanente atitude generosa e desinteressada é de fato difícil. Este é o jejum.
Mas pode o sofrimento ser uma coisa boa? Como pode agradar a Deus a nossa dor? Não! Deus não quer que o homem sofra. Todavia, para ajudar o necessitado, é preciso muitas vezes renunciar àquilo que agrada e isto custa sacrifício. Não é o jejum em si que é bom (às vezes é feito por motivos que não têm nada a ver com religião: há quem se alimente com parcimônia simplesmente para manter-se em boa forma física, para tornar-se elegante, para estar com boa saúde). O que agrada a Deus é que, com o alimento que se consegue economizar com o jejum, se alivia, pelo menos por um dia, a fome de um irmão.
Um livro muito antigo, muito lido pelos primeiros cristãos, o Pastor de Hermas, explica deste modo a ligação entre o jejum e a caridade: “Eis como deverás praticar o jejum: durante o dia de jejum, tu comerás somente pão e água; depois calcularás quanto terias gasto para o teu alimento naquele dia e tu oferecerás este dinheiro a uma viúva, a um órfão ou a um pobre; assim tu te privarás de alguma coisa para que o teu sacrifício seja útil para alguém, para poder alimentar-se. Ele rezará ao Senhor por ti. Se tu jejuares desse modo, o teu sacrifício será agradável a Deus”.
Um famoso papa dos primeiros tempos da Igreja, chamado Leão Magno, dizia numa homilia: “Nós vos prescrevemos o jejum, lembrando-vos não só a abstinência, mas também    as obras de misericórdia. Deste modo, o que tiverdes economizado nos gastos normais, se transforme em alimento para os pobres”.
9. A Quaresma e os catecúmenos

Aproximadamente trezentos e cinqüenta anos d.C. a Igreja começou a organizar uma preparação muito cuidadosa para o Batismo. Os catecúmenos deviam passar por um longo período de preparação. Durante dois ou três anos deviam freqüentar fielmente a catequese, depois deviam comprometer-se para levar uma vida honesta para mostrar que seu desejo de  se tornar cristão era sincero.
Cada comunidade celebrava os batizados somente urna vez durante o ano, na noite da Páscoa. Era a famosa vigília sagrada, da qual falava Tertuliano, transcorrida na oração e  na meditação da Palavra de Deus e concluída pela manhã, com a celebração eucarística, da qual participavam pela primeira vez também os recém-batizados.
Sendo que a celebração do batismo constituía a parte central da cerimônia da noite da Páscoa, a Quaresma assumia uma importância especial para os catecúmenos. Para eles constituía a última etapa antes de receber esse sacramento.
Durante esses 40 dias eles recebiam a catequese todos os dias. Quem os instruía não era um catequista qualquer, mas o próprio bispo. Durante esse período participavam também de muitas cerimônias e tinham algumas reuniões, nas quais eram submetidos  a “exames”. Verificava-se se tinham assimilado as verdades fundamentais da fé e avaliava-se se a vida deles era coerente com aquilo que professavam.
O encontro mais importante tinha lugar na quarta-feira da quarta semana. Era chamado “o grande exame”. Nesse dia — dizia-se — “eram abertos os ouvidos”, porque a eles eram ensinados o “Creio” e o “Pai-nosso”, que constituem a síntese de toda a doutrina cristã.
Se não tivermos presente que a Quaresma devia servir como preparação aos catecúmenos,  não conseguiremos entender plenamente o conteúdo das leituras deste período litúrgico.
Os textos bíblicos de fato foram escolhidos sobretudo para aqueles que se preparam para o batismo (falam da água, da luz, da fé, da cegueira, da unção com o óleo, da renúncia  ao pecado, da vitória de Cristo sobre a morte...).
Os catecúmenos são como filhos que estão para nascei A mãe (que é a Igreja, isto é, a comunidade) lhes dedica toda a sua atenção. “Prepara” o alimento da palavra de Deus especialmente para eles, para o seu paladar, para as suas necessidades. E evidente que, por se tratar de um alimento muito bom e saboroso, também os outros filhos são convidados a degustá-lo para se tornarem espiritualmente fortes. A eles é proporcionada a oportunidade para meditar sobre as verdades fundamentais da própria fé e sobre os compromissos (às vezes um pouco esquecidos) assumidos no dia do próprio batismo.
10. A Quaresma, tempo de reconciliação

Quando os cristãos cometiam pecados muito graves e públi avr cos, nos primeiros séculos da Igreja, eram excomungados, isto é, eram excluídos da comunidade. Se mais tarde essas pessoas se arrependessem e quisessem reconciliar-se com Deus e com a Igreja, não eram imediatamente readmitidos na comunidade. Era preciso que antes fizessem uma penitência pública, porque também o pecado deles era conhecido por todos. Esta penitência não era de um só dia, durava bastante tempo.
Quando foi instituída a Quaresma, servia também como tempo de preparação para a reconciliação. Na Quinta-feira Santa, durante a missa presidida pelo bispo, os excomungados, vestindo a roupa penitencial (vestidos de saco) e com a cabeça coberta de cinzas, se apresentavam diante da comunidade e declaravam o seu arrependi am mento e a vontade de converter-se. O bispo ia ao encontro deles e os abraçava, um a um.
Esse costume da penitência pública foi aos poucos desaparecendo (até porque não eram menos pecadores os que conseguiam manter em segredo os próprios pecados...); permaneceu, porém, o significado da Quaresma como tempo durante o qual todos os cristãos são convocados a se aproximarem do sacramento da reconciliação.
 Fernando Armelini         Adapt.: Pe. Antônio     

NOTÍCIA TRISTE

Por telefone, Eduardo Hoornaert, de Salvador, acaba de me dar a notícia da viagem definitiva, ao encontro do Pai, hoje domingo 27 de março 2011, do nosso amigo o Pe. José Comblin, aos 88 anos de idade. Faleceu na cidade de Pedro Simões, perto de Salvador, onde estava ministrando um Curso sobre Comunidades Eclesiais de Base (CEBs).
Ele pediu para ser enterrado no município de Arara, na Paraíba, perto de outro grande apóstolo de sertão, o Dr. e hoje Venerável Pe. Ibiapina, que repousa em Santa Fé, município de Solânea.
Conheci pessoalmente o Pe. Comblin quando, em 2008, em Recife, participou do XVII Encontro Nacional dos Padres Casados e nos ministrou uma excelente palestra (foto acima).
Homem afável, arguto e dotado de uma grande capacidade de fino humorismo. Um dos maiores teólogos da Teologia da Libertação, autor de muitos e bons livros e de muitos excelentes artigos.
Nascido em Bruxelas, Doutor pela Universidade de Lovaina, Comblin chegou ao Brasil em 1958 e, na ditadura militar, foi perseguido e expulso do Brasil em 1972. Voltou, mas para o Chile, onde continuou seu trabalho de teólogo, professor, fecundo escritor e assessor das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) ajudando a fundar várias importantes Associações
Católicas populares para trabalho de evangelização nas bases, a partir da realidade concreta do Povo sofrido.
Profundamente empenhado com o Brasil e a América Latina, uma de suas últimas manifestações, foi um carta a D. Demétrio Valentino sobre a manipulação religiosa   tentada por alguns bispos de S. Paulo sobre as últimas eleições presidenciais no Brasil
A sua última Entrevista,  acaba de ser publicada pela Agência Adital.

João Tavares

TEXTO RETIRADO DO SITE DA ASSOCIAÇÃO RUMOS

segunda-feira, 28 de março de 2011

Celibato na boca de padres casados

Abílio Nardelli, 71 anos, ordenado em 1956, casado 21 anos depois, um filho e dois netos, advogado em Rio do Sul, SC: O celibato é um grande dom que deve ser preservado para aqueles que se sentem capazes de vivê-lo e livre para aqueles que não se sentem capazes para tanto. Isto é, deveria haver opção para o celibato e para o casamento dentro do sacerdócio católico.


Luís Guerreiro P. Cacais, 73, ordenado em 1956, casado 19 anos depois, um filho, tradutor, residente em Brasília, DF: O celibato, conquanto deixe a pessoa vulnerável em muitos aspectos, também deixa o clérigo mais livre para o serviço dos homens. Isto é claro. Mas o casamento humanizaria mais o padre católico, tornado-o mais maduro, acercando-o muito mais dos problemas da comunidade a qual serve. Nesse aspecto, a Igreja Católica, presidida e dominada por celibatários, perdeu muito terreno em relação a outras igrejas.


Silvino Aluísio Werlang, 71, ordenado em 1957, casado 18 anos depois, um filho (adotivo), professor aposentado em Paverama, RS: Sou a favor do celibato opcional, mas o padre casado deve ter uma profissão para não depender em nada da Igreja, em moeda. Os que estão casados e querem voltar, que seja só nos fins de semana.


Guerino Ninim, 65, ordenado em 1964, casado 12 anos depois, sem filhos, professor em Bauru, SP: A ordenação para exercer os ministérios deve ser dada a homens e mulheres, casados ou não, mas que tenham disposição para se oferecerem a Cristo como apóstolos de seu evangelho. Deve ser incentivada a vida de perfeição evangélica a homens e mulheres que queiram se entregar a Cristo para viverem a castidade, a pobreza e a obediência na vida religiosa.


Jorge Solano, 55, ordenado em 1973, casado 10 anos depois, três filhos, professor em Vila Velha, ES: A abolição do celibato, parece-me, não aboliria os escândalos. Sabemos que muitos homens casados são homossexuais e pedófilos. Entretanto, embora considere que tais situações nada tenham a ver com o celibato, penso que a manutenção dessa exigência representa uma grande equívoco histórico da hierarquia católica, que, a despeito de todo seu empenho em promover uma evangelização atenta aos desafios da contemporaneidade, emperrou numa tradição exclusivamente canônica, cuja defesa torna-se cada vez menos convincente.


Thomas Hallan, 60, ordenado em 1981, casado sete anos depois, um filho, administrador e coordenador pastoral, residente em Estância, SE: O problema do celibato é profundo, complexo e abrangente. Qualquer mudança vai mexer com toda a estrutura da Igreja Romana. Não será tão logo. A abertura para o casamento do clero vai abalar o poder e o controle dos bispos sobre o padre.

Carta do Coordenador da Associação dos Padres Casados de Porto Alegre ao Papa João Paulo II

Porto Alegre, 25/04/02

A Sua Santidade o Papa

Joao Paulo II

Cidade do Vaticano


Santidade, nós católicos nos cobrimos de vergonha pelos casos de pedofilia no clero católico. Mas de nada adianta lamentar-se ou denunciar a hipocrisia dos acusadores. São necessárias mudanças efetivas. Esses fatos têm um significado profético, enquanto avisam que alguma coisa no clero católico já não responde aos desígnios divinos e assopra no sentido contrário ao vento do Espírito.

Junto com um grupo de padres casados, todos fervorosos católicos, enviamos-lhe um projeto, surgido das nossas orações e preocupações. Eis o que propomos:

- Difunda-se, com urgência, o diaconato permanente, em toda paróquia e comunidade, com formação diversificada, conforme as características dos candidatos e da comunidade.

- Toda a força e energia sejam usadas para que haja uma Escola Diaconal Diocesana. Cada paróquia tenha um Corpo Diaconal que assessore e ajude o presbítero, de modo que a direção da mesma já não seja pessoal, mas grupal, salvaguardados os direitos da ordem. O tempo e o exercício da liderança colocarão em destaque os diáconos mais aptos a assumir responsabilidades maiores.

- Na falta do presbítero da paróquia por morte ou transferência, o bispo reúna os diáconos da circunscrição, com as lideranças pastorais, e escolha um deles que aceite ser ordenado presbítero.

- Depois de adequada preparação, o diácono escolhido seja ordenado presbítero, o qual será tal de nome e de fato, pois praticamente será quase sempre um "ancião".

- A ordenação presbiteral de um diácono permanente não deve ser influenciada pelo fato de ele estar casado. O matrimônio dele será considerado uma virtude e uma vantagem, e não um defeito, como entende Paulo Apóstolo na carta a Timóteo, quando fala da esposa e dos filhos da pessoa a ser ordenada (1 Tm 3). No fim das contas, a Sagrada Escritura tem valor ou não? Ninguém tem direito de desprezar uma determinação bíblica!

Nós achamos que a abolição repentina do celibato atual seria impensável e desastrosa. Também não propomos o fim dos seminários. Mas propomos a introdução lenta de um novo tipo de sacerdócio ao lado do tradicional. A reforma proposta, além de resolver o angustiante problema das vocações, causaria uma silenciosa e salutar revolução dentro da Igreja, seria mais benéfica que um novo concílio, pelas suas inumeráveis conseqüências, e fecharia com chave de ouro o seu já extraordinário pontificado.

Santidade, pedimos-lhe a audácia de seguir Paulo Apóstolo, no seu projeto de admitir pagãos na Igreja e de rejeitar a posição preconceituosa de Pedro. Tudo isso lhe pedimos e imploramos em nome de Deus e pelo bem da Igreja. E nós nos declaramos seus admiradores, seus seguidores e seus filhos.

Agostino Giacomini

Quem são os padres casados?

Os padres casados estão em toda parte. Formam um exército de pelo menos 100 mil homens, 5% deles no Brasil. Não gostam de ser chamados de ex-padres, por causa da tradição de que "uma vez padre, sempre padre", cuja origem alegam estar na passagem bíblica: "Você é sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedec" (Sl 110.4; Hb 5.6 e 7.17, EP). Por terem contraído matrimônio, com ou sem a necessária dispensa do compromisso do celibato concedida unicamente pelo papa, esses homens foram excluídos do ministério sacerdotal, não por vontade própria, mas por imposição de uma disciplina multissecular. São também chamados de egressos, especialmente quando antes vivam em clausura. Setores da Igreja Católica e o povo de um modo geral continuam a chamá-los de ex-padres. Eles abandonaram a batina, como se dizia antigamente, mas não abandonaram a Igreja, salvo raríssimas exceções. Por terem quebrado o voto do celibato, não são de forma alguma necessariamente homens promíscuos. Ao contrário, submeteram-se à disciplina de exclusão do sacerdócio para se relacionarem com uma mulher exclusivamente sob a proteção do matrimônio, o que não acontece com alguns de seus antigos colegas de ministério. "Não posso acreditar que todos os 100 mil sacerdotes casados ao redor do mundo são superficiais e inconseqüentes", confessa dom Pedro Casaldaliga, bispo de São Félix, aqui no Brasil.

Em quase todos os países existem associações de padres casados, inclusive na Índia, onde a porcentagem de todos os cristãos não chega a 5%. Em âmbito mundial há a Federação Internacional de Padres Casados (a Assembléia Geral se reunirá em Madri em setembro deste ano). No âmbito continental, temos a Federação Latino-Americana para a Renovação Sacerdotal, cujo secretário executivo é o psicanalista brasileiro José Ponciano Ribeiro (padre casado).

Uma das organizações congêneres no Brasil é conhecida pela sigla MPC - Movimento de Padres Casados (a mesma sigla entre os evangélicos tem outro significado: Mocidade para Cristo). O 14º Congresso Nacional do MPC católico acontecerá em São Luís do Maranhão nos próximos dias 11 a 14 de julho.

Por serem muitos, por desejarem ardentemente a abolição do celibato obrigatório e por não terem abdicado, muitos deles, a vocação para servir a Deus, os padres casados estão se organizando cada vez mais.
Entre as associações existentes, é possível mencionar: MOCEOP (Movimento Celibato Opcional, na Espanha), CCC (Catholics for a Changing Church), MOMM (Movement for the Ordination of Married Men), CITI Ministries (Celibacy Is The Issue), Parish Watch, Justice For Priests and Deacons, We Are Church, e assim por diante. Dentro do Movimento dos Padres Casados do Brasil está a Associação Rumos, antes denominada Centro de Padres e Religiosos Egressos. Essa organização publica há vinte anos o jornal Rumos.

A quantidade de padres casados no Brasil é uma das maiores do mundo. O número de egressos (5 mil) é quase igual à terça parte dos padres no exercício do ministério (16 mil). De acordo com Áureo Kaniski, na capital do Espírito Santo vivem 119 padres - 73 na ativa (61,3%) e 46 casados (38,7%). De uma turma de 29 formandos de 1958 do Seminário Maior São José, de Mariana, Minas Gerais, sete já morreram (24,1%), oito se casaram (27,6%) e 14 continuam no sacerdócio (48,3%).

Os padres casados gostam de lembrar que 39 papas foram casados, inclusive (segundo a tradição católica) o primeiro deles, o apóstolo Pedro, cuja sogra Jesus curou (Mt 8.14-15).

Não é preciso ser padre casado para enxergar a tremenda injustiça que a Igreja Católica Romana comete contra este numeroso grupo de egressos. Além de ordenar homens casados de outros ritos católicos e de outras denominações cristãs não católicas (como os cem pastores que deixaram recentemente a Igreja Anglicana por discordarem da ordenação de mulheres), as autoridades eclesiásticas excluem do sacerdócio os padres que se casam e mantêm no altar aqueles que têm amantes do sexo oposto ou do mesmo sexo, e aqueles que cometem abuso sexual e o crime da pedofilia. Enquanto estes padres celebram a missa, batizam, ouvem confissões e perdoam pecados alheios em nome de Deus e ainda pregam, aqueles que praticam o sexo dentro do sacramento (no caso da Igreja Católica) do matrimônio não podem oficiar cerimônia nenhuma. E o povo católico, em vez de protestar contra isso, "deplora mais o casamento do padre que o seu pecado", como denuncia Marcos Noronha, que foi bispo da Diocese de Itabira na segunda metade da década de 60, no livro Marcos Noronha e a Igreja (p. 59). É por isso que o padre casado Aloísio Guerra, hoje com 72 anos e vigário da Paróquia de São Pedro Apóstolo, da Arquidiocese Ortodoxa Antioquina de São Paulo, em Recife, é obrigado a dizer que Roma valoriza mais o celibato (entendido apenas como ato de não casar) do que a castidade. Curiosamente, enquanto a lei do celibato é dos homens, a lei da castidade é de Deus. Aloísio Guerra ordenou-se padre em 1959. Permaneceu no sacerdócio católico apenas cinco anos, casando-se em seguida, aos 34 anos. Tem dois filhos e quatro netos. Autor do livro Celibato, Santo ou Safado?, Aloísio faz uma mistura de verdade com ironia para afirmar: "O único pecado grave, capaz de afastar o padre do ministério é o sacramento do matrimônio" (p. 30).


MINISTÉRIO CACP

O CACP Centro Apologético Cristão de Pesquisas, fundado em 1998 é uma organização evangélica paraeclesiástica e interdenominacional que promove a fé cristã mediante a produção de pesquisas e informações religiosas.

Nossos objetivos: informar, ensinar e equipar os cristãos sobre as verdades fundamentais do cristianismo bíblico. Visa atender às igrejas evangélicas em suas necessidades, oferecendo uma parceria qualificada na área da Apologética Cristã.

terça-feira, 22 de março de 2011

QUEM SOMOS

O MPC não é uma instituição. É apenas um "movimento" que promove entre os padres casados, suas esposas e filhos, a espontaneidade, liberdade de ação e carater pluralista. Tem três objetivos:
1- APOIO MÚTUO ENTRE SEUS MEMBROS;
2- DIÁLOGO COM A HIERARQUIA CATÓLICA;
3- SERVIÇO ÀS COMUNIDADES.
A Associação RUMOS é o braço jurídico do MPC, seu orgão executivo a nível nacional.

sábado, 19 de março de 2011

REUNIÃO ABRIL - MFPC - CEARÁ

Queridos (as) amigos (as) do MPC, Saúde e Paz!
                Dando continuidade as nossas atividades de 2011, desejamos contar com a mesma alegria e participação ainda maior de todos em nosso próximo encontro. A cada dia se aproxima o Encontro Nacional e necessitamos da participação e disponibilidade de todos, inclusive dos filhos, para que as comissões do evento realmente possam começar a funcionar. O tempo é curto e precisamos do empenho de cada integrante do MFPC - CEARÁ.
Próxima Reunião
Data: 09/04/2011 (sábado)                                                                        Hora: 16:00
Residência do casal: Ozanir e Adriana
Endereço: Rua Miguel Gurgel, 290 - Messejana                       Fone: 32784409 / 88516835

DIRETORIA NACIONAL - MFPC - BRASIL

Diretoria Executiva da Associação Rumos: biênio 2010/2012
Presidente: José Edson da Silva
Vice-Presidente: Maria Lúcia de Moura
1º. Secretário: Enoch Brasil de Matos Neto
2º. Secretário: Maria de Fátima Lima Brasil
1º. Tesoureiro: José Colaço Martins Dourado
2º. Tesoureiro: Maria do Socorro Santos Martins
Conselho Gestor da AR/ Movimento das Famílias dos Padres Casados:
Coordenador da Assessoria Jurídica: Francisco Marcelino Muniz de Medeiros
Coordenador da Comissão de Teologia: Francisco Salatiel de Alencar Barbosa
Delegados internacionais: Armando Holocheski
Moderador do E-Grupo: João Tavares
Coordenador do Conselho Editorial do Jornal Rumos: Gilberto Luiz Gonzaga
Coordenador do site www.padrescasados.org: Enoch Brasil e Fátima
Coordenadores do Encontro Nacional de Fortaleza – CE/ Julho de 2012: José Edson da Silva e Maria Lúcia de Moura
A Diretoria da Associação Rumos é eleita a cada dois anos, durante os encontros nacionais da entidade. O mandato é de dois anos e a diretoria eleita pode ser de qualquer estado. A atual é da cidade de Fortaleza, Ceará.
Associação Rumos:
Anuidade de sócio: R$ 120,00 (Cento e Vinte Reais) com direito a assinatura do jornal
Contribuição para um fundo de ajuda mútua: a partir de R$ 1,00 por mês
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AGÊNCIA  4453
CONTA CORRENTE  07294-6
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José Colaço Martins Dourado
Rua Mário Mamede, 1209 – Aptº 602 – Bairro de Fátima

MANIFESTO NACIONAL DE FUNDAÇÃO DO MFPC

Manifesto pelos Objetivos Originais do MPC
Aprovado por unanimidade no 8°. Encontro Nacional de 1988, em Brasília, nos 10 anos do MPC, e ratificado no 13o. Encontro Nacional de 2000, em Belo Horizonte
1. O MOVIMENTO DE PADRESCASADOS do BRASIL começou de um pequeno grupo de casais reunidos em Salvador, Bahia, em 1978. Seus objetivos foram se concretizando em 1979 e 1980, nos encontros de Nova Iguaçu, RJ, sendo efetivados nos encontros de 1980 e 1981, em São Paulo, SP, quando foi escolhido o primeiro casal presidente: Leia e Felisbino Chaves.
2. Fruto da identidade dos caminhos percorridos pelos padres afastados do clero (não necessariamente identidade de compromissos religiosos ou político-sociais), o MPC se tomou presente em todo o país, reunindo mais de 100 casais em alguns encontros. Atraiu muitas atenções e conta com apoio de muitos, inclusive de padres, bispos e cardeais que colocam a fraternidade cristã e o Evangelho acima do legalismo eclesiástico e canônico.
3. O MPC deu origem a muitos boletins e jornais: Sinal, de Fortaleza; Sal Terrae, de Natal; Pontapé, de João Pessoa; Caminhando, de Salvador; circulares e relatórios publicados em São Paulo. Assim, o MPC difundiu-se, principalmente após 1982, com a criação do jornal Rumos, lançado em Brasília por nosso colega João Basílio Schmitt. E, para se representar legal e juridicamente, o MPC fundou, em 1986, a Associação Rumos.
4. Hoje, o MPC é um fato, um movimento social consolidado. Somos um grupo responsável por uma causa. Nossos objetivos concretos, colocados nas conclusões de nossos encontros, são os seguintes:
1. Acolhimento fraterno, apoio e ajuda mútua entre nós;
2. Diálogo possível e respeitoso com a hierarquia da Igreja e defesa de uma igreja renovada, mais aberta e democrática;
3. Compromisso e atuação junto ao povo, na busca de justiça, liberdade e cidadania, para construção de uma sociedade mais, humana. Luta por uma nova justiça internacional, contra a violência, os preconceitos, pela paz, a valorização da mulher, á defesa da ecologia e da economia solidária.
5. Com estes objetivos, não reivindicamos a volta saudosista ao passado, a um ministério à moda do Antigo Testamento. Não pretendendo abranger todas as tendências e linhas de pensamento existentes entre os colegas, o MPC é apenas um entre outros movimentos que podem ser criados, com outros nomes e outros objetivos.
6. Desde o início, optamos por um MPC não voltado para si mesmo nem preocupado com seu próprio crescimento, mas presente num contexto em que estão em jogo os direitos humanos e a justiça na Igreja e na sociedade. Um MPC com posição definida diante da realidade do país, da América Latina e do mundo, diante do povo sofrido, frente à necessidade de transformação das estruturas injustas. ‘”Nós, famílias de padres casados, somos parte do movimento geral de libertação”, afirmava o casal argentino, o bispo Jerônimo Podestà e sua esposa Clélia Luro, em Salvador, no 7°. Encontro Nacional, em 1986.
7. O MPC que defendemos está, assim, alinhado com os propósitos do Concilio Vaticano 11, da teologia da Libertação e das Comunidades de Base. Pela continuidade da missão de serviço à comunidade. Contrários ao clericalismo defendemos um MPC que fortaleça o movimento leigo, por uma nova forma de ser Igreja hoje, fazendo valer o fundamento bíblico do sacerdócio do Povo de Deus, que é a Igreja, na definição do Vaticano ll.
8. Manifestamos, por fim, nossa profunda preocupação em se reafirmar o terceiro objetivo. o mais difícil e que, por definir posições e compromissos políticos, corre o risco de nos dividir. Como exemplo, lembramos que houve contestação e discussão no 6°. Encontro Nacional de Volta Redonda, em 1984, quando alguns colegas negaram uma moção de apoio a nossos colegas envolvidos na luta da Pastoral da Terra. Reconhecemos que este objetivo é um desafio que define o caráter de nosso MPC. Este, para nós, tem a missão de unir os colegas, os irmãos, mas para estar presentes, de modo fraterno e crítico na sociedade e na vida da Igreja, Povo de Deus.
Concluímos com as palavras de dom Timóteo Amoroso Anastácio, ex abade beneditino, que foi casado, ficou viúvo e ingressou no mosteiro. Ele esteve no 7°. Encontro Nacional de Salvador e assim terminou sua fala:
“Meus queridos irmãos, ser padre casado hoje é também um dos dons a ser exercido na Igreja’.
Janeiro de 1988.
Assinado por um grupo de casais do MPC São Paulo, Belo Horizonte e Juiz de Fora.