segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Padres Casados no Mundo!

    Os padres casados do Brasil formaram uma associação, a     Associação Rumos, na década de 80. Como elo de união, mantêm um pequeno periódico, o Jornal Rumos, e celebram cada dois anos um Encontro Nacional.
    A Associação Rumos está integrada na Confederação Internacional dos Padres Católicos Casados.
    Não existem estatísticas atuais sobre o número de padres casados no Brasil. Não as há, porque, aparentemente, nunca interessou ao episcopado analisar a fundo esse problema grave da Igreja. Não as há, porque nós fizemos várias tentativas de estudo no decorrer destes anos, mas quase nenhuma foi avante. Organizamos um catálogo em 1989, incluindo cerca de três mil nomes, mas já então nos demos conta de que o número de padres casados no Brasil era maior. Alguns já morreram, mas, a deduzir da experiência do grupo de Brasília, o êxodo continua e o número de padres que deixaram o ministério continua o mesmo, se não for maior.
    Pela avaliação do Vaticano, deve haver no mundo cerca de setenta mil padres casados. Mas, contando os padres que deixaram o ministério sem pedir dispensa, eles devem andar hoje pelos cento e vinte mil no mundo. Só nos Estados Unidos são vinte mil, na Itália, cinco mil, no Canadá, três mil.

Luís Guerreiro

Manifesto pelos Objetivos Originais do MPC

Aprovado por unanimidade no 8°. Encontro Nacional de 1988, em Brasília, nos 10 anos do MPC, e ratificado no 13o. Encontro Nacional de 2000, em Belo Horizonte
1. O MOVIMENTO DE PADRESCASADOS do BRASIL começou de um pequeno grupo de casais reunidos em Salvador, Bahia, em 1978. Seus objetivos foram se concretizando em 1979 e 1980, nos encontros de Nova Iguaçu, RJ, sendo efetivados nos encontros de 1980 e 1981, em São Paulo, SP, quando foi escolhido o primeiro casal presidente: Leia e Felisbino Chaves.
2. Fruto da identidade dos caminhos percorridos pelos padres afastados do clero (não necessariamente identidade de compromissos religiosos ou político-sociais), o MPC se tomou presente em todo o país, reunindo mais de 100 casais em alguns encontros. Atraiu muitas atenções e conta com apoio de muitos, inclusive de padres, bispos e cardeais que colocam a fraternidade cristã e o Evangelho acima do legalismo eclesiástico e canônico.
3. O MPC deu origem a muitos boletins e jornais: Sinal, de Fortaleza; Sal Terrae, de Natal; Pontapé, de João Pessoa; Caminhando, de Salvador; circulares e relatórios publicados em São Paulo. Assim, o MPC difundiu-se, principalmente após 1982, com a criação do jornal Rumos, lançado em Brasília por nosso colega João Basílio Schmitt. E, para se representar legal e juridicamente, o MPC fundou, em 1986, a Associação Rumos.
4. Hoje, o MPC é um fato, um movimento social consolidado. Somos um grupo responsável por uma causa. Nossos objetivos concretos, colocados nas conclusões de nossos encontros, são os seguintes:
1. Acolhimento fraterno, apoio e ajuda mútua entre nós;
2. Diálogo possível e respeitoso com a hierarquia da Igreja e defesa de uma igreja renovada, mais aberta e democrática;
3. Compromisso e atuação junto ao povo, na busca de justiça, liberdade e cidadania, para construção de uma sociedade mais, humana. Luta por uma nova justiça internacional, contra a violência, os preconceitos, pela paz, a valorização da mulher, á defesa da ecologia e da economia solidária.
5. Com estes objetivos, não reivindicamos a volta saudosista ao passado, a um ministério à moda do Antigo Testamento. Não pretendendo abranger todas as tendências e linhas de pensamento existentes entre os colegas, o MPC é apenas um entre outros movimentos que podem ser criados, com outros nomes e outros objetivos.
6. Desde o início, optamos por um MPC não voltado para si mesmo nem preocupado com seu próprio crescimento, mas presente num contexto em que estão em jogo os direitos humanos e a justiça na Igreja e na sociedade. Um MPC com posição definida diante da realidade do país, da América Latina e do mundo, diante do povo sofrido, frente à necessidade de transformação das estruturas injustas. ‘”Nós, famílias de padres casados, somos parte do movimento geral de libertação”, afirmava o casal argentino, o bispo Jerônimo Podestà e sua esposa Clélia Luro, em Salvador, no 7°. Encontro Nacional, em 1986.
7. O MPC que defendemos está, assim, alinhado com os propósitos do Concilio Vaticano 11, da teologia da Libertação e das Comunidades de Base. Pela continuidade da missão de serviço à comunidade. Contrários ao clericalismo defendemos um MPC que fortaleça o movimento leigo, por uma nova forma de ser Igreja hoje, fazendo valer o fundamento bíblico do sacerdócio do Povo de Deus, que é a Igreja, na definição do Vaticano ll.
8. Manifestamos, por fim, nossa profunda preocupação em se reafirmar o terceiro objetivo. o mais difícil e que, por definir posições e compromissos políticos, corre o risco de nos dividir. Como exemplo, lembramos que houve contestação e discussão no 6°. Encontro Nacional de Volta Redonda, em 1984, quando alguns colegas negaram uma moção de apoio a nossos colegas envolvidos na luta da Pastoral da Terra. Reconhecemos que este objetivo é um desafio que define o caráter de nosso MPC. Este, para nós, tem a missão de unir os colegas, os irmãos, mas para estar presentes, de modo fraterno e crítico na sociedade e na vida da Igreja, Povo de Deus.
Concluímos com as palavras de dom Timóteo Amoroso Anastácio, ex abade beneditino, que foi casado, ficou viúvo e ingressou no mosteiro. Ele esteve no 7°. Encontro Nacional de Salvador e assim terminou sua fala:
“Meus queridos irmãos, ser padre casado hoje é também um dos dons a ser exercido na Igreja’.
Janeiro de 1988.
Assinado por um grupo de casais do MPC São Paulo, Belo Horizonte e Juiz de Fora.