domingo, 29 de abril de 2012

REUNIÃO MFPC CEARÁ - 28 DE ABRIL DE 2012




















No último sábado (28/04/2012) foi realizada mais uma reunião do MFPC CEARÁ. O tema desta reunião foi o XIX ENCONTRO NACIONAL DO MFPC BRASIL, que ser realizará entre 27 de junho a 01 de julho no SESC IPARANA.

Foram discutidas orientações e informações sobre o encontro e foi lido e debatido o texto DEUS CHAMA, MAS A HIERARQUIA DA IGREJA NÃO APROVA de autoria José Lisboa Moreira de Oliveira e publicado na revista ADITAL.

sábado, 28 de abril de 2012

PARA UMA CRISTOLOGIA QUE ENFOCA DE FATO O CRISTO JESUS

“DA IGREJA QUE TEMOS PARA UMA IGREJA
À LUZ DO CONCÍLIO VATICANO II NA AMÉRICA LATINA”

(Texto n.º 6 em preparação ao encontro nacional de MFPC de 2012)

PARA UMA CRISTOLOGIA QUE ENFOCA DE FATO O CRISTO JESUS
(uma voz feminina)

            Dando continuidade à reflexão passada a respeito do seguimento de Jesus como máxima tanto para a vida dos(as) cristãos(ãs), como para a própria salvação da Igreja, conheçamos, em resumo, o pensamento da teóloga Ivone Gebara[1] sobre este assunto, escrito num artigo em homenagem ao teólogo Jon Sobrino[2].
            Quem é Jesus de Nazaré?
As repostas a essa pergunta foram sempre plurais desde os primeiros seguidores de Jesus.
            Para obtermos as nossas respostas, torna-se necessário partir de nós mesmos(as) e fazer-nos perguntas. Como podemos seguir a Cristo, se não ouvirmos quem somos e se não nos dispormos a modificar nossos comportamentos a partir do lugar onde estamos? Como posso segui-lo, se não descubro seu rosto estampado em meu coração através de minha história e da história de meus próximos? Acaso tenho que negar esta experiência fundamental para seguir um Cristo ensinado a partir de fora e do alto dos poderes eclesiásticos? Tenho que trair o rosto do Cristo que vive em mim? Tenho que renunciar à minha cultura, a meu contexto de vida, aos gritos de dor particulares a meu povo, gritos que ressoam em mim e em meus contemporâneos? Essas perguntas que podem parecer pura retórica, não nascem de um pensamento eclesiástico oficial que pretende ensinar a verdade universal válida em todos os lugares e em todos os tempos, mas sim da observação da vida ordinária das pessoas comuns.
            Cristologias plurais respondem ao pluralismo da vida, à sua complexidade, à diversidade de situações em que o amor e a justiça acontecem no meio de nós. Como se pode ousar reduzir a criatividade do amor?
            Desta forma nascem, por exemplo, as cristologias negras que buscam ouvir o clamor dos negros em nosso continente e certificar que têm no interior mesmo de sua vocação humana, para buscar os caminhos de afirmação de sua dignidade e de respeito às suas tradições culturais. Surgem assim também as cristologias feministas que sentem a dor dos corpos femininos excluídos e julgados inferiores. Dominação real na forma de dominação simbólica, econômica, social, familiar e religiosa. Não teríamos nós, mulheres, direito a uma cristologia que levasse em conta a afirmação de nossa dignidade a partir de nossas próprias dores, a partir das formas de cruz que a sociedade patriarcal nos impôs? Não seria este o caminho de ressurreição dentro dos limites da história presente?
            Como não tentarmos ser mil Cristos e cada um buscando respeitar o Cristo irmão, o Cristo irmã com suas dores particulares imersas na dor humana coletiva? Muitas vezes os impérios religiosos pregam e exigem a cristologia da Torre de babel. Constroem torres e do alto supervisionam as ações e os pensamentos dos trabalhadores exigindo que falem a mesma língua, apesar de saberem que são originários de povos diferentes. Ameaçam os que falam sua própria língua com castigos diversos, visto que a diversidade de línguas pode ser ameaça à hegemonia política e religiosa dos que detêm o poder. Tornam-se intolerantes e exclusivistas afirmando a superioridade cristã como pura escolha e decisão divina. Agem como se precisassem resguardar a ortodoxia e a pureza do Cristo afastando dele os mendigos, as prostitutas, as viúvas, os estrangeiros, os camponeses, os pensadores críticos que se sentam à mesma mesa e podem comer iguarias variadas. Os detentores dos poderes político e religioso vivem na maioria das vezes de equívocos e nos ameaçam a partir deles. Levam-nos a crer que o fazem por responsabilidade eclesial, por amor a Cristo e à Verdade.
Mas qual é o seu Cristo na diversidade das cristologias? Creio que, apesar da boa vontade de alguns, afirmam a imagem que têm de Cristo a partir de categorias imperiais e dualistas que garantiram por séculos a superioridade do cristianismo em relação às outras aproximações religiosas. Esquecem, talvez, que a grandeza do cristianismo teve início na manjedoura, na acolhida de uma criança, nascida de uma mulher, na noite escura do povo explorado. Uma criança frágil, vulnerável, desarmada, dependente como todos nós. Mas nela, como em todas as crianças do mundo, nasce a esperança de um mundo melhor hoje e manhã. A criança, Jesus, em seguida, se tornou adulto e aos 30 anos, por seu compromisso com os marginalizados de seu lugar, é crucificada e morta pelos poderes políticos e religiosos. Essa morte injusta foi transformada em memória de vida e de amor que fez renascer para muitos a esperança da vida. Nada de glória imperial, nem fausto, nenhuma riqueza, nenhum controle ideológico! Mas é justamente aí que situamos a originalidade do cristianismo. Não precisamos ser como o Deus todo-poderoso, com imagem masculina, sentado em seu dourado trono celeste. Basta sermos seres humanos – mulheres e homens – e sabermos que Deus é um de nós desde o começo. Por isso, cada um e cada uma de nós somos convidados, a partir de nossas entranhas humanas, a nos aproximarmos do outro, a montarmos nossa tenda perto dele, a tornamo-nos sempre de novo o próximo, a fazer caminho em conjunto, a repartir o pão e o vinho e a dar graças à vida. Isso se chama ser Cristo.


[1] Ivone Gebara é religiosa, da Congregação das Cônegas de Santo Agostinho. É doutora em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e doutora em Ciências Religiosas pela Universidade Católica de Louvaina (Bélgica). Lecionou filosofia e teologia no Instituto de Teologia do Recife (ITER) e no Departamento de Pesquisa e Assessoria (DEPA). Desde 1990 dedica-se a dar cursos, conferências em diferentes centros de formação popular e universitária.
[2] GEBARA, Ivone. Cristologias plurais. Em Descer da Cruz os Pobres. São Paulo: Edições Paulinas, 2007, p. 165-171

sexta-feira, 20 de abril de 2012

IGREJA CATÓLICA: UMA RENOVAÇÃO É POSSÍVEL?

Do papa, vem um “não” ao sacerdócio feminino, com uma abertura ao diálogo sobre a renovação.
A opinião é do cientista político e leigo católico italiano Christian Albini, em nota publicada no blog Sperare per Tutti, 06-04-2012.
Eis o texto
A homilia de Bento XVI na Missa do Crisma da Quinta-Feira Santa poderia marcar uma passagem-chave do “segundo tempo” do seu pontificado. O fato novo é que ele citou explicitamente a Iniciativa dos Párocos Austríacos que assinaram um Apelo à desobediência para solicitar mudanças na Igreja Católica. O documento teve um grande impacto, causando adesões e iniciativas semelhantes em escala internacional.
Diante da contestação aberta, as reações mais frequentes da instituição eclesial são o silêncio, a deslegitimação de quem contesta e a condenação. Bento XVI não escolheu nenhuma dessas opções.
O fato de citar uma realidade desse tipo em uma ocasião liturgia tão solene é uma novidade que soa como um reconhecimento do seu porte.
O papa não considera a desobediência como um caminho a ser percorrido na Igreja, mas não deslegitimou os padres em questão, nem pronunciou condenações. Ele quis acreditar, ao invés, na sinceridade da sua solicitude pela Igreja. Ele pronunciou um claro “não” à ordenação feminina, mas sem esgotar o assunto, que continua aberto, do papel eclesial da mulher e da ministerialidade feminina (que é muito mais amplo). Ele também não se fechou para as outras questões levantadas pelo apelo.
Em suma, parece que ele se colocou em uma sincera atitude de diálogo, da sua posição de pastor da Igreja universal, como fez também o arcebispo de Viena, que se encontrou mais de uma vez com o porta-voz da iniciativa. Bento XVI não se pôs em nada na estrada da excomunhão, como alguns já invocaram.
De fato, ele reconheceu a renovação como dinâmica essencial da Igreja, afirmando também que, assim como a desobediência, o enrijecimento – que não quer nenhuma mudança – também não é um caminho a seguir. É uma mensagem clara contra o tradicionalismo radical que também foi retomado por um editorial do diretor do L’Osservatore Romano.
Há a possibilidade de abrir na Igreja Católica uma temporada de diálogo para a renovação eclesial? Isso irá depender da boa vontade das partes em causa. A bola passa agora para os padres austríacos e para os seus apoiadores. Eles deverão ter cuidado para não radicalizar a sua própria posição, mas também em não deixar que a sua iniciativa deslize para a insignificância.
Acredito que é importante que eles procurem uma coordenação com iniciativas análogas que surgiram em outros países, tentando se concentrar em dois ou três pontos fortes sobre os quais pode haver uma abertura real do Vaticano (como a questão da comunhão aos divorciados em segunda união) e que podem assumir um valor simbólico.
A tradução é de Moisés Sbardelotto. RETIRADO DO SITE DA ASSOCIAÇÃO RUMOS