quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Faleciment​o de João Batista Schmitt, em Brasília


Comunicamos a triste notícia da repentina partida, dia 26 de agosto, de João Basílio Schmitt, amplamente conhecido pelos padres casados do todos os cantos do Brasil pelo trabalho que fez no MPC e na Associação Rumos
 Schmitt, como era conhecido, e sua esposa Vera, participaram do MPC desde os primeiros encontros realizados em Brasília.
Foi ele quem iniciou a publicação do Jornal Rumos, em 1981, inicialmente rodado no mimeógrafo. Por sua dedicação e competência, o Jornal Rumos ganhou projeção nacional, constituindo-se o elo de contato entre os grupos MPCs dos diversos Estados.
A dupla que formou com o colega e vizinho Felisberto de Almeida, primeiro presidente da Associação Rumos, criada em 1986, se destacou pela compromisso, iniciativas e tempo dedicado à Associação, sobretudo depois de aposentados.
Editora Ser, o Jornal Ciência e Cultura e depois o Linha de Frente foram atividades nas quais acreditava e às quais se dedicou intensamente até a última hora.
Ele estava com 82 anos, bem de saúde, e tinha acabado de chegar de uma viagem de férias com a esposa. Neste último domingo 26, foi vítima de um enfarto. Seu corpo foi cremado, em Brasília.
Nós de Brasília, bem com os demais colegas do Brasil, somos gratos pela convivência e trabalho desenvolvido, particularmente nos primeiros anos de formação e consolidação do MFPC e da Associação Rumos. Acreditamos que ele combateu a Bom Combate. Expressamos também nossos sentimentos e apoio para nossa amiga Vera.
Fernando e Telma Spagnolo

CAROS AMIGOS FERNANDO E TELMA SPAGNOLO TRANSMITAM AOS FAMILIARES DE JOÃO BATISTA SCHMITT A NOSSA MENSAGEM DE CONDOLÊNCIAS E PESAR:

 A família que encontre nas boas lembranças força para continuar a caminhada! A você João Batista Schmitt, que descanse em paz ao lado de Deus e de seus familiares que desta vida também partiram!!! 
  Sabemos que neste momento difícil as palavras pouco confortam, são etapas da vida que nos custam sempre aceitar, mas eternamente ficam as memórias e as infindáveis recordações. As nossas sentidas e sinceras condolências à família e é com muito pesar que expressamos nossos sentimentos e desejos de força para continuar a caminhada da vida.

Carlos e Rosa - Secretaria - MFPC - AR

Queridos hermanos Telma y Fernando:                              

Muchas gracias por su comunicación. Lo haremos del conocimiento de los hermanos de México. Reciban nuestras condolencias por la partida de este hermano, luchador ejemplar, y háganlas llegar a todos los hermanos de Brasil y particularmente a su esposa Vera y a los demás familiares. Elevamos al Señor nuestras oraciones para que les dé el consuelo, así como ahora, estamos seguros, está dándole a Joao el Premio Eterno.                               Fraternalmente:                                Tere y Lauro

Queridos irmãos do MFPC,
Não resta dúvida de que é duro acreditar que nosso amigo e irmão Schmitt tenha partido. Ficamos mais pobres, infelizmente.  Mas ninguém pode contrariar as leis da natureza. Partiu, ou porque estava na sua hora (...) ou porque o Pai o chamou. Ninguém sabe. Este é o grande mistério que nos ronda a todo instante. Tenho certeza de que Schmitt acreditava no que o Senhor nos disse em Jo. 14, 1 e 2: "Na casa do Pai há muitas moradas". Com certeza, depois de cumprir, e bem como todos sabemos, sua missão aqui, foi tomar posse de sua morada junto do Pai, isso é que importa. É certo, também, que ele não chegou lá de mãos vazias porque soube muito bem multiplicar os talentos que recebeu, portanto sua recompensa será grande. Embora nosso coração vá chorar de saudade do grande João Schmitt, agradeçamos a Deus o privilégio de com ele termos convivido, pois ele  deixou um grande exemplo de vida para todos nós do MFPC.
À querida Vera, neste momento de dor,  dizemos o que nos disse o Divino Mestre: "Não se perturbe vosso coração" "Eu sou a ressurreição e a vida". Que Deus fortaleça e aumente a sua fé.
Lino e Beatriz
          Dando continuidade as nossas atividades de 2012, foi realizada no dia 26 de agosto uma reunião de avaliação do Encontro 2012 e confraternização.  Refletimos sobre os encaminhamentos pós-encontro. Foi um momento de Confraternização e comemoração pelo êxito de nosso XIX Encontro Nacional e participaram todos os membros dos diversos grupos do MFPC Ceará: padres, esposas, filhos e viúvas(os).
             Durante a reunião tivemos ainda o lançamento e doação por parte do Pe Dourado de 1 livro de sua autoria para cada participante. Parabéns Dourado!
REUNIÃO
Data: 26/08/2012 (domingo)                           Início: 9h30min e Término: 16 h
Local: No Município de Beberibe – POSTO VENTO LESTE – no salão na parte superior.
            CE-040 – Km 72 – 3 Km antes de Beberibe. 




















segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Dom Hélder Câmara - Em busca da profecia

Dom Hélder Câmara - Em busca da profecia
Próxima exibição
quarta-feira 29/08/2012 - 21h00 -TV APARECIDA - CANAL 38 - FORTALEZA - CE

Ano: 2003.

Gênero: Documentário.

Direção: Erika Bauer.

Elenco: Pedro Domingues.
Sinopse: A história do sacerdote que foi um grande defensor dos
direitos humanos durante o regime militar brasileiro e viu através da
visão dos pobres, um mundo de esperança com a Palavra de Deus. Dom Hélder Câmara foi um dos fundadores da Conferência Nacional dos Bispos  do Brasil e Arcebispo Emérito de Olinda e Recife.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

A última lição de D. Helder

Hoje, 17 de agosto de 2012, na Sé de Olinda, procedemos à exumação dos restos mortais de D. Helder. Manhã fria e chuvosa de agosto.
Depois de praticamente treze anos sepultado no chão dessa igreja, seus restos mortais repousarão ao lado dos de D. Lamartine, bispo irmão que o auxiliou no pastoreio da Arquidiocese de Olinda e Recife e dos de Pe. Henrique, mártir da ditadura que se instalou no nosso país a partir de 1964.
Envolta em seu caixão ainda restava a bandeira do Movimento dos Sem Terra, intacta, na época, um símbolo da luta de camponeses em busca de um pedaço de terra para plantar e sobreviver com suas famílias. Lembro-me do dia do enterro.
Confesso que nutria em meu íntimo a esperança de que o corpo dele estivesse intacto também, tal qual a bandeira, pois no meu pensamento isso seria um sinal poderoso para a Igreja, de que o Dom é um santo e como tal, tudo que ele lutara e escrevera e sinalizara teria que ser aceito oficialmente.
Ledo engano. Mais uma vez o profeta surpreende! Mais uma vez ele nos mostra que os pobres é que são os profetas de Deus.
Lentamente ele nos vai ensinando sua última lição, ou seria a primeira na vida plena? Não importa, é uma lição importante, um ensinamento para nós e para nossa Igreja: tudo passa, prestígio, glória, cargos, poder. Tudo é pó e ao pó tudo retorna. Outro ensinamento: os pobres são os destinatários primeiros da boa nova do Ressuscitado, pois só Ele é quem saiu do túmulo com vida, e vida plena.
Pouco a pouco a morte vai mostrando aos olhos humanos o estrago que causa, mesmo nas pessoas mais especiais e queridas. O som lúgubre, oco, de saudade, destampa as lajes do chão da Sé. Outra surpresa, o Dom foi sepultado como os leigos o são, com a cabeça voltada para a porta, e não ao contrário, como os clérigos. O que o desgaste da morte não mostra é o que os olhos da fé iluminam, como uma luz vinda do alto a nos perguntar: por que procuram o vivo dentre os mortos?
A resposta veio-me algumas horas após. Saindo dali, deu-se à luz uma criança, nos meus braços, saudável, chorando forte a plenos pulmões, inspirando e expirando o sopro da vida, o pneuma que a tudo anima.
Certamente mais um sinal do Dom, ensinando que a vida é eterna.


Assuero Gomes

Fonte: http://blogformacaocristafortaleza.blogspot.com.br/2012/08/a-ultima-licao-de-d-helder.html

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

CATÓLICOS X ANGLICANOS

Brasil tem cerca de oito mil padres casados

Uma vez padre, sempre padre. Mesmo que, um dia, o religioso se case. “A gente continua padre, mesmo sem exercer o ministério”, explica Gerard Frencken, casado há 13 anos com a cearense Claudete da Silva Morais. O casal participou  do 19º Encontro das Famílias dos Padres Casados, evento bienal que reúne famílias de todo o Brasil.

Segundo Frencken, após o matrimônio não é mais permitido ao sacerdote guiar celebrações e sacramentos, como missas, casamentos e batismos.

A estimativa é que existam cerca de oito mil padres da Igreja Católica Romana que optaram por constituir família somente no Brasil, conforme a organização do Movimento das Famílias dos Padres Casados. A atuação desses padres varia de diocese para diocese. “Algumas dioceses são mais abertas e outras mais fechadas”, comenta Frencken.

Sem entender as restrições impostas pela Igreja, Claudete diz que o movimento atua de forma profética, denunciando a postura fechada da hierarquia e anunciando uma nova forma de vivenciar o cristianismo. “A comunidade não tem nenhuma restrição e recebe muito bem os padres casados”, conta Claudete. Para Frencken, existe um tabu em torno da existência dos padres casados. “A tática da hierarquia é silenciar o assunto”.

Vindos do Maranhão, o padre João Tavares e sua esposa, a teóloga Sofia da Graça, estão casados há 33 anos, tendo duas filhas e uma neta. Sofia aponta a exclusão como a principal dificuldade enfrentada pelo casal. “É como se fosse uma guerra fria”, conta. A teóloga diz ter o dom da evangelização, sem possuir vocação para ser freira. “O padre casado passa a ter uma companheira que comunga com os ideais cristãos dele”, afirma.

Padre Tavares diz não sentir raiva nem arrependimento de sua formação religiosa. “Fui ordenado sabendo muito bem o que era ser padre. Tinha 26 anos, não era uma criança. Foram anos muitos felizes. Saí porque quis. Não foi por falta de fé”, explica o padre, que casou aos 38 anos. Sem a autorização do Vaticano, o matrimônio se deu inicialmente no civil. A permissão para o casamento religioso só veio 13 anos depois, com diversas restrições. A cerimônia, por exemplo, não poderia ser pública e o casal deveria morar longe do local onde atuava como padre. “É um profundo desrespeito”, desabafa.

ENTENDA A NOTÍCIA

O Movimento das Famílias dos Padres Casados agrega familiares de padres da Igreja Católica Romana que optaram por constituir família. Após o matrimônio, o sacerdote não pode mais exercer o ministério.

Saiba mais

A função do Movimento das Famílias dos Padres Casados é orientar e acolher padres casados das novas gerações. “O movimento nasceu da necessidade de formar um grupo de mútua ajuda, de estar com nossos semelhantes. Alguns padres chegam até a passar fome, pois saem sem nada”, revela o padre João Tavares.

No entanto, ele esclarece que a maioria consegue se dar bem e manter um bom nível de vida. “Cada um tem que se empenhar de acordo com sua vocação para melhorar o mundo. Se precisarem de nós, estamos aqui”, avisa.

fonte: JORNAL O POVO

Governo equatoriano amplia disputa com velha mídia

Na Argentina, de há uns anos para cá e, agora, no Equador, trava-se um dura batalha contra o oligopólio da comunicação, nas mãos de poucas famílias que fazem delas não só um negócio muito rendoso, mas também um meio poderoso de moldar consciências no país e de difundir a ideologia neo-liberal, cujo maior valor é Mercado e o Lucro.
No Brasil talvez seja pior ainda, mas, em nome da governabilidade, nem Lula nem Dilma, pretensamente de esquerda, portanto mais afinados com os interesses do Povo, tiveram ainda a coragem de enfrentar estes fortíssimos feudos da comunicação, sobretudo Rádio e TV que, por sua natureza, são públicos, do Povo Brasileiro e, consequentemente, a serem usados para o Bem do Povo.
Infelizmente, também e talvez sobretudo no Brasil, a mídia tornou-se um feudo de pouquíssimos que a usam para tudo o que querem, inclusive para desestabilizar governos, espalhar mentiras, adormecerem a consciência crítica do Povo Brasileiro com intermináveis novelas melosas e fazedoras de princípios morais, cívicos, etc., segundo os critérios desses poucos donos.
Em nome da liberdade de expressão, o Povo Brasileiro está à mercê dos donos de jornais, revistas, Rádios e TVs que buscam sobretudo seus interesses comerciais. E com um instrumento do Povo (eles detêm concessões públicas, portanto têm de prestar contas ao CONCESSOR, o Povo Brasileiro, mediante o governo que o representa) eles se sentem no direito de dizerem e fazerem o que bem entendem, sem controle algum de qualquer autoridade.
Sou a favor da censura à Mídia?
Não, sou a favor de mecanismos democráticos que limitem a liberdade absoluta dos donos da Mídia. E do uso desses poderosíssimos meios para a educação e o lazer sadio e ético do Povo Brasileiro.
Porque não há ninguém acima da Lei e do Bem Comum do Povo Brasileiro. E a Mídia é importante demais para ficar, sem controle algum, nas mãos de um pequeno oligopólio cujos principais interesses são o DINHEIRO, o LUCRO e, sobretudo, a capacidade de manipular a verdade dos fatos e de deformar as cabeças dos brasileiros.
Não podemos esquecer como os Governos Federais, sobretudo de Sarney para cá, têm usado concessões de Rádio e TV  como moeda de troca a políticos, no intuito de, antecipando o monstruoso crime do MENSALÃO, só agora a ser julgado, conseguirem seu apoio no Congresso Nacional.

Por isso vejo com muita simpatia a renhida luta de Cristina Kirchner na Argentina e, agora, a de Rafael Correa no Equador, para que o imenso poder da Medida volte aos seu dono, o POVO ou, pelo menos, seja distribuída equitativamente entre as várias forças da nação, quebrando de vez o oligopólio nas mãos dos  pretensos "donos" do Povo.

João Tavares

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Romeu T. Campos, padre casado, volta ao ministério sacerdotal

Romeu Teixeira Campos, padre casado de Minas Gerais, decide voltar ao ministério sacerdotal

MANIFESTO AOS PARENTES, CONTERRÂNEOS E AMIGOS

Há cerca de 5 anos, um grupo de de meia dúzia de casais de Brasília,também anunciou algo de parecido, mas, por motivos ainda não explicitados, não prosperou nessa ideia.
Esta é a primeira vez que, no MFPC, se tem notícia de alguém que toma publicamente esta resolução. Se bem que, no grupo do MFPC de Belo Horizonte, vários colegas, de maneira mais ou menos explícita, vêm celebrando missas e casamentos, inclusive de segunda união, há vários anos.
Podemos concordar ou discordar, mas antecipo que Romeu Campos é uma pessoa séria e muito bem bem preparada teológicamente, além de bom conhecedor do Direito canônico e do Concílio Vaticano II.
Para um MFPC que mostra dificuldades em tomar atitudes corajosas perante uma hierarquia que nos respeita, mas que, na prática, nos ignora, esta atitude de Romeu pode ser profética e anunciadora de novos possíveis CAMINHOS E RUMOS CONCRETOS, de atitude e de ação para o nosso Movimento que muito já falou e analisou, mas que pouco ainda realizou na linha de uma atitude e uma ação verdadeiramente profética no Povo de Deus qua caminha no Brasil do Monte Caburai (RR) ao Chuí e da Ponta de Seixas, PB, às nascentes do Rio Moa, no Acre.
Precisamos de Profetas como Romeu e de relembrar o forte apelo de Julio Pinillos, coordenador do MPC da Espanha, no Encontro Internacional de Brasília: “Precisamos fazer, fazer, fazer”.Precisamos ousar.
Está aí material para uma boa discussão e, quem sabe, para ajudar alguém, pessoas ou grupos, a tomarem atitudes concretas… Não necessariamente com o aval do MFPC como um todo, mas, com certeza, garantindo o respeito de todos
João Tavares
MANIFESTO AOS PARENTES, CONTERRÂNEOS E AMIGOS
(No dia 17 de março de 2012, foi dada a notícia inicial em algumas mesas em que comemorávamos o aniversário de Maria Amélia Câmara Campos. O anúncio se referia a um novo posicionamento cifrado no seguinte brevíssimo aviso: “Estou voltando às funções sacerdotais por própria conta, independente de autorização ou da aceitação  de alguma autoridade da Igreja Católica” .O clima festivo do momento não permitia outras explicações. Agora, sirvo-me do presente texto para o detalhamento da  notícia).
O encorajamento a essa declaração minha  se alinha com o movimento de desobediência que está em curso em alguns países do centro da Europa incluindo um número considerável de “leigos” católicos conscientes e de alguns sacerdotes também. O  Movimento Internacional “Nós Somos Igreja” parece ser  um parceiro importante e, no caso do Brasil,  ao que sabemos, nenhum grupo se declara partidário  da iniciativa de desobediência, a não ser o nosso pequeníssimo grupo denominado NUNSI,  cuja sede é nossa casa  aqui em Santa Luzia-MG. NUNSI  quer dizer Núcleo de Nós Somos Igreja.
Durante quarenta e quatro anos cumprimos o Rescrito Papal que nos impunha o afastamento de qualquer ato próprio das funções sacerdotais, tempo suficiente para que estudos teológicos nos convencessem da ilicitude e dainvalidade desse ato, nulo de pleno direito, além de altamente incoerente para quem sempre ensinou a indelebilidadedo caráter sacerdotal. A punição que cai sobre o sacerdote que opta pelo matrimônio não tem base em delito algum, pois o sacramento do matrimônio não pode ser visto como delito. O sujeito desse sacramento , como tal, não é  penalizável por isso, pois o matrimônio é um sacramento como os demais, não podendo, portanto, ser tratado como se tivesse a triste característica de coinquinar, manchar, sujar ou invalidar algum ato sagrado. O procedimento atual da cúpula eclesiástica para com seus sacerdotes parece obedecer aos comandos de uma heresia.
O procedimento da cúpula eclesiástica aqui qualificado, embora seja herético ou próximo disso, é, no entanto, seguido pela norma atual que tem sido aceita pelos bispos, padres e por todos os fieis acostumados a nada questionarem, nem mesmo as maiores injustiças. Por parte dessa facção surgirá , com certeza, grande resistência ao meu atual posicionamento e aos que se alinharem com ele.
Isto graças a Deus está surgindo na Igreja pelo fato de estarmos desenvolvendo nossa teologia mais de acordo com o Evangelho procurando sempre a revitalização de nossas práticas religiosas. Nós outros, no entanto, não queremos gerar conflitos internos. Assim como os projetos de revitalização de rios não propõem a sua extinção e sim cercá-los de condições que propiciem abundante vida e utilidade, assim também não propomos a destruição e a aniquilação do que aí está mas a sua depuração e a conversão de todos, inclusive da hierarquia, aos ditames apontados nos escritos do Novo Testamento. A nossa mensagem é para todos, inclusive os membros da hierarquia, chamando-os à conversão, por julgarmos se terem eles desviado do Evangelho em alguns pontos.    As cautelas que adotamos esclarecerão os nossos propósitos evitando qualquer possibilidade de radicalismos extremos de nossa parte. É sobre essas cautelas que a seguir esclarecemos.
CAUTELAS   E   RESSALVAS
Valorização das pessoas “leigas”  e  democracia na Igreja são, ao lado da Igreja Doméstica , os pontos-chave da Igreja do Futuro que queremos. Ao mesmo tempo em que ela vai sendo construída, seus construtores (que são o Povo de Deus) já antecipam seus benefícios e os usufruem..
1 -  Nossos esforços são sobretudo na área da Evangelização por julgarmos ser esta a área mais frágil da Igreja Católica que carregou na sacramentalização e nos aspectos exteriores  em detrimento da fundamentação das práticas religiosas centrada no conhecimento histórico e no entendimento bíblico, dois eixos descurados até agora.
2 – A revitalização das práticas religiosas será obra do grau de conscientização do próprio Povo de Deus e não obra de alguma lei baixada  por alguma autoridade e de  cima para baixo. Entendam bem uma coisa: dado o contentamento e o grau de poder que a obediência cega acarreta para as conveniências clericais, fica inviável a possibilidade de uma lei emanada da autoridade no sentido de depuração da prática religiosa. Essa depuração será obra do Povo de Deus, incluindo aí tanto os fieis ordenados quanto os não ordenados, ou não será.
O desafio que se impõe aos que abraçam a  revitalização é esse trabalho de conscientização e de evangelização. Aos não ordenados do  Povo de Deus, acordados do sono da passividade  e dispostos a assumir não só os seus deveres mas também os seus direitos, uma tarefa imensa e prolongada se anuncia e se impõe.
3 -  Já que os templos, as igrejas e os diversos recintos onde o povo se aglomera  não serão facultados aos que se entregam ao grande projeto de revitalização da Igreja Católica pelo fato de tais recintos  serem geridos pelos que exercem o poder religioso e preferirem manter-se na linha antiga, deveremos trabalhar no sentido de uma Igreja Doméstica. Os atos religiosos serão praticados nas casas particulares, em clubes ou espaços semelhantes cedidos,  até que apareçam bispos ou sacerdotes já convertidos que, abraçando os ideais da nova base religiosa,  disponibilizem suas igrejas e sedes.
4 – Inicialmente, porém, durante todo o período em que a ala conservadora mantiver o mesmo tipo de religiosidade, haverá, com certeza,  problemas  “cartoriais” já que se negarão a  registrar os atos praticados pela ala que trabalha para a revitalização, negando-lhes reconhecimento oficial. Em vista disso, os que presidem celebrações ou atos próprios por natureza ou por costume de pessoas “ordenadas”, fora ou dentro do  figurino canônico, deverão produzir relatórios do feito ou ata específica  para que possam ser transladadas para escritórios paroquiais em momentos futuros. Foi o que fizemos elaborando “Ata  Pró-Memória” entregue aos nubentes de Divinópolis no memorável dia 03 de junho próximo passado.
5 – A  Igreja Doméstica a que aludimos foi o modelo durante um bom tempo seguido pelos cristãos como atestam em vários tópicos os Atos dos Apóstolos. Além do mais, são muitos os teólogos e eclesiólogos a apontar a necessidade de um outro sistema eclesiástico diferente deste que, baseando-se em divisões territoriais  do antigo Império Romano ( dioceses, paróquias, etc.), mostram-se esgotados.
6 – “Paróquia virtual” é uma expressão que provisoriamente pode ser usada para nomear todas as pessoas que aderirem às  novas ideias de revitalização e reconhecerem um Coordenador que poderá funcionar, quem sabe, como um provedor religioso. Teremos, assim, duas casas onde nos congregarmos: a casa da Internet com nossos e-mails, nossos saites, nossos blogues, nossas redes sociais (Orkut, Facebook., etc.,etc.) e as casas onde se realizarem celebrações e ritos ( sacramentos, missas, casamentos, etc., etc.).
A Internet é um meio poderoso, cheio de vantagens, mas também de perigos. Devemos ter a sabedoria de anular os perigos e de aproveitar todas as vantagens. Entre essas está o anonimato. Pode-se estabelecer o mais estreito diálogo e exposição de dúvidas ou sugestões entre o solicitante e o “Provedor” ou  Coordenador, num raio de anonimato muito eficaz. Talvez alguns poderão freqüentar a “Paróquia Virtual” sem sair de sua casa e mesmo sem  o “desconforto” da exposição da própria imagem. Doutro lado, um “Provedor”, suponhamos, às vésperas dos  83 anos, como é o meu caso, já limitado por diversos motivos, sem sair de seu escritório e de sua mesa de trabalho, diante de seu computador, pode entrar em contato com milhões de pessoas no mundo inteiro. Dom Gaillot, na França, é um bom exemplo disso e mantém hoje contato com milhões de pessoas no mundo inteiro. Comigo, nos belos tempos de missionário, o máximo que já aconteceu foi o contato em praças públicas com mil, duas mil ou cinco mil pessoas. Isto acontecia de vez em quando. Hoje, pela Internet, pode acontecer todos os dias e durante todos os momentos do dia.
7 – Os  próprios “fieis” dessa “Paróquia Virtual”  ou os seguidores do Movimento Internacional Nós Somos Igreja poderão convidar um velho não de todo ainda gagá, a pregar um retiro, a dar uma palestra, a oficiar alguma cerimônia, a celebrar um evento de bodas ou semelhantes. Muitos ambientes poderão se mostrar próprios para tais eventos (clubes, chácaras, sítios, casas).
8 – Por fim, algo muitíssimo importante. Quando disse que eu estou voltando por conta própria, até mesmo a celebrar missa, se for preciso, eu quero dizer claramente que não estou buscando nenhum tipo de evidência semelhante à que tive no passado. Já há muito tempo defendo que, como no princípio da Igreja (com os primeiríssimos cristãos) quem deve autorizar  a celebração é a comunidade, é o povo. É o povo que deve indicar, em cada ocasião, quem é que vai presidir a Missa.  Aliás, muito bem diz a nossa Constituição Federal, no seu artigo primeiro, é do povo que emana todo poder. Acho também que isso é válido na área religiosa. Assim, não serei eu que convocarei o povo para esta ou aquela cerimônia (ou mesmo missa) mas o povo que me convocará. Então, se e somente se… ele me convocar, é que presidirei algum ofício religioso. “Punto e basta”.
9 – A valorização do “leigo” está por toda a parte nesse projeto ao qual aderi, incluindo o fim da hegemonia absoluta do clero que, com honrosas exceções, tem contrariado de cheio as  recomendações do nosso Divino Mestre em Mt  20,24-28; Lc 22,24-27; Mc 9,33-37; Jo  13,4-15  A leitura desses tópicos não deixa a menor dúvida sobre a causa de a Igreja Católica chegar ao ponto em que chegou: o desvio, por bem uns mil e setecentos anos, das recomendações do Divino Mestre. Nós, que lutamos pela revitalização e movimentos como o Movimento Internacional Nós Somos Igreja, queremos todos pôr em prática tais recomendações. É disso que a Igreja Católica precisa para ser a genuína instituição sonhada por Jesus Cristo.
10 – Dúvidas surgidas com a leitura desse Manifesto poderão ser perfeitamente sanadas se vocês começarem um diálogo comigo que sempre estou às ordens, principalmente pela Internet que é o meio mais apropriado. Qualquer tipo de pergunta terá uma resposta minha, pode estar certo.
Obrigado a todos vocês. Pensem no caso e, não deixem de tomar partido, mesmo contrariando minhas expectativas. Um grande abraço.
Nota Final:  Você, se quiser, pode me prestar um grande favor.  A divulgação do Manifesto é essencial em todos os pontos de vista. Por mais que eu me esforce para ter o maior número de e-mails, consigo muito pouco. Encaminhe, então, para todos os seus amigos e conhecidos ou mande os e-mails deles para mim para que  eu entre em contato. A meta para este ano é chegar a um milhão de “paroquianos virtuais”. E, de brinde, faça chegar a todos os meus blogues: www.http://consensonafe.blogspot.comasspop.hotmail.com

Ciao! Abraço do servo
* Romeu Teixeira Campos, padre casado, três filhos, 82 anos, mora em Santa Luzia, MG. Ligado à instituição NÓS SOMOS IGREJA. Membro ativo, durante muitos anos do Movimento das Famílias dos Padres casados (MFPC) mineiro e um de seus animadores.
Estudioso de temas religiosos, licenciado em filosofia, graduado em teologia, bacharel em tradução, advogado aposentado.






comentários para Romeu T. Campos, padre casado, volta ao ministério sacerdotal

  • Márcia
    Nossa, que coragem!
    Acho que toda mudança acontece a partir de seres humanos corajosos como Pe Murialdo.
  • Almir Simões
    Parabenizo a coragem do Romeu que aos 83 anos adquiriu a independência necessária para re-assumir o seu sacerdocio em novas dimensões e fora das estruturas tradicionais de um clericalismo arcaico. O espirito sopra onde quer… e como quer… A sua atitude está plenamente de acordo com a última mensagem que escrevi para o RUMOS 226 sob o epígrafe: Encontro do MFPC – novo perfil e paradigma.Recordando Recife e a palestra de Comblim lembro que o nosso sacerdócio une-se ontologicamente a Cristo e não depende de nenhuma estrutura eclesiástica para funcionar.E o nosso encontro de Fortaleza deixou-nos ainda um maior convencimento de que as grandes reformas na vida da igreja são feitas instigadas pelas bases. A igreja é povo de Deus em marcha e não mais aquela sociedade perfeita em cima da montanha como muito bem explanaram os palestrantes.
    Romeu, as cautelas e resalvas por você elaboradas estão excelentes e com certeza são frutos de muita reflexão e maturidadede. Toque pra frente! Conte com a nossa solidariedade e nossas preces. Cada um que procure sentir as suas condições, limitações e oportunidades para fazer algo igual.
  • Joarez Virgolino Aires
    Estimado confrade, Romeu, concordo e aplaudo o cerne do seu gesto. Digo o cerne para excluir a péssima conotação do “estou voltando”. Voltar seria retomar um falso pedestal em que a Procuradora de Constantino tem insistido em sustentar uma casta clerical que tem infantilizado a Igreja por mais de mil anos. Entendo como grande mérito do nós somos Igreja exatamente a cassação deste espúrio sacerdocio herdeiro de Abiatar. Se, como declara, está se apresentando com o avental do serviço, para, se e apenas se for solicitado para conduzir um dos sacramentos oferecidos pela IGREJA, o amigo, na verdade, está apenas assumindo as prerrogativas que o sacramento do batismo já lhe conferiu. Agora se o amigo resolveu atar o seu avental e, como um promovido ao estado leigo decidiu servir, ótimo. Apenas rogo a Deus que seu gesto ou seu ânimo não esteja alimentado pelas saudades das cebolas do Egito.
  • Que beleza! pela manhã ao entrar neste site sugeri que os padres casado fizessem celebrções em capelas próprias para evangelizar. Mas pelo visto a atitude deste padre vai muito mais além. Igreja doméstica, que beleza! É uma nova concepção de igreja, possível para os padres casados. O ideal de Pe. Manoel da Nóbrga, de Dom Carlos Duarte Costa e de Dom Clement Isnard.
    Se eu tivesse condições convidaria este padre pra celebrar na minha casa. O seu exemplo deve servir para os outros padres jovens que tenham realmente vocação e para a hierarquia da Igreja, para como ele diz, ela se converta.
    Que Deus o abençõe nesta caminhada revolucionária.
  • Andrea Mancini
    Caro Romeu,
    Admiro a sua decisão bem como as suas atitudes. Espero que você seja o “ponta pé” para este longo jogo e que muitos padres possam se espelhar em você.
    Que Deus te ilumine nesta caminhada.
    Conte comigo, caso venha precisar. Não sei como, mas gostaria de ajudar de alguma forma.
    Atenciosamente,
    Andrea Mancini