quarta-feira, 19 de setembro de 2012

CARTA - SETEMBRO - 2012 - URGENTE!

Fortaleza, 18 de setembro de 2012.
       Caríssimos(as) amigos(as) do MFPC Ceará
       No dia 26 de agosto estivemos reunidos para a avaliação do Encontro 2012 e refletimos sobre os encaminhamentos pós-encontro. Foi um momento de Confraternização e comemoração pelo êxito de nosso XIX Encontro Nacional e participaram membros dos diversos grupos do MFPC Ceará: padres, esposas, filhos e viúvas(os). Tivemos um dia festivo: transporte para o local, lanche de acolhida, almoço com refrigerante (oferta do MFPC Nacional), lançamento do livro: “Uma Igreja à luz do Vaticano II – Pe. José Colaço Martins Dourado. Apresentamos nossos agradecimentos ao MFPC Nacional e ao casal Socorro e Dourado.
        A nossa próxima REUNIÃO será no dia 29 de setembro, na residência de nossos amigos LOURENÇO E CECÍLIA, que sempre estão dispostos a nos receber com alegria e amizade. Nesta reunião muitas decisões importantes para o futuro do MFPC Ceará serão tomadas, por isso a participação de todos é de suma importância.
   blog:  http://padrescasadosceara.blogspot.com.br/
PRÓXIMA REUNIÃO
Data: 29/09/2012 (sábado)                                                 Hora: 16:00
Residência: LOURENÇO E CECÍLIA
Endereço e Roteiro pelo fone: 32366296 / 88512804 (ELE) / 87770209 (ELA) 
       Parabéns aos queridos amigos aniversariantes do mês de SETEMBRO:    

1.       Talita – 01/09
2.      Aquiles Henn – 04/09
3.      Herbene Matias – 05/09
4.      Carlota Amorim – 07/09
5.      Lúcia Soares – 16/09
6.      Dina Maria – 16/09
7.      José Helio – 19/09
8.      Alberto – 20/09
9.      Davi Abreu – 23/09
10.  José Olavo – 24/09
11.  Rita de Cássia – 24/09
12.  Paulo Cabral – 27/09 (Falecido – para quem pedimos orações).
13.  Solange – 28/09




AGRADECEMOS O ACOLHIMENTO A ESTE NOSSO CONVITE:
Luciano e Homéria, Carlos e Rosa, Aroldo e Margarida - COORDENAÇAO - MFPC – CEARÁ
JORNAL DIARIO DO NORDESTE - 19 DE SETEMBRO DE 2012

Critérios cristãos para um voto limpo

As eleições municipais estão aí. Com elas, a oportunidade para o exercício da cidadania. A história mostra que os homens sempre tiveram dificuldades em relação aos detentores do poder. Quem está no poder não quer sair. Muitos que estão fora querem entrar. As democracias modernas criaram o voto como forma de todos poderem dar sua contribuição para a constituição das instâncias que irão governar o povo. A Doutrina Social da Igreja Católica apresenta critérios muito claros como orientações para a decisão na hora do voto. Eis alguns:
1.A pessoa vem antes do Estado e da sociedade. O Estado e a sociedade são constituídos em função da pessoa, e não o contrário. Têm o papel de promover o bem das pessoas na medida em que elas possuem uma dignidade a ser preservada e promovida. Essa dignidade provém do fato de cada um ser obra do Criador. Cada indivíduo é único, inconfundível e possuidor de direitos intransferíveis. Cabe ao gestor público empregar todas suas energias no respeito e promoção da vida, no serviço desinteressado à coletividade, na aplicação dos recursos públicos para o bem de todos. Candidato ou partido que fez ou prega o contrário não merece o voto.
2. A família é a célula geradora e formadora da sociedade. É lá que o indivíduo nasce, cresce, vive, incorpora princípios de conduta, assimila valores, se solidariza, aprende a servir, a amar, a cooperar, a perdoar, a ser cúmplice e solidário nos pequenos gestos de construção do bem e da comunhão entre as pessoas. Essa foi a proposta do Mestre aos seus e isso é do interesse de toda a sociedade. Candidato ou partido que fez ou prega o contrário não merece o voto.
3. A liberdade de educação. É afirmação da liberdade que os pais possuem de educarem seus filhos na visão que, a seu juízo, mais desenvolve a pessoa humana. Respalda-se no direito de ver seus filhos crescerem dentro da visão de vida e de mundo fundada na riqueza de princípios e valores culturais e de perspectivas de desenvolvimento que façam deles homens de bem, individualmente conscientes e socialmente responsáveis e que promova o verdadeiro pluralismo democrático.Trata-se da defesa da liberdade para todos. Candidato ou partido que já tenha feito ou proponha o contrário, não merece o voto.
4. A liberdade religiosa. A liberdade religiosa é expressão do reconhecimento de todas as outras liberdades. O Estado laico torna-se verdadeiramente democrático quando respeita todas as identidades religiosas. Quando essa liberdade é reconhecida, a pessoa é respeitada como prioridade. É um critério que garante à pessoa a possibilidade de seguir o caminho que considera mais oportuno para realizar seu destino. Grandes pensadores já discutem formas de preencher o vazio de ideais e valores que toma conta de adolescentes e jovens ante a falta de uma discussão em torno do sentido transcendente da existência. A ausência de grandes ideais e valores os deixa vulneráveis a propostas portadoras de destruição e de morte. Candidato ou partido que já usou a boa fé das pessoas para conseguir mandato político não merece o voto.
5. A solidariedade e a subsidiariedade. São critérios que fomentam a cultura da cooperação, na qual as pessoas, as famílias, as associações, o mercado e o Estado ficam atentos às demandas sociais que induzam ao desenvolvimento justo e equilibrado de toda a sociedade. Traduzem-se em criação de oportunidades de trabalho, emprego e renda. Propostas assistencialistas, sem prazo de validade, embrutecem a consciência e tornam os menos favorecidos subservientes aos governantes. As propostas devem induzir os indivíduos a conquistar sua própria autonomia. O poder público não pode substituir os indivíduos nas suas competências. Candidato que já fez ou propõe isso não merece o voto.
O Brasil que o cristão deseja é feito de cidadãos conscientes que buscam a justiça, a paz e a fraternidade. A eleição é um grande momento de promover a vida. De forma alguma, o cristão pode banalizar o voto. Há quem decide seu voto assim: ‘Voto em qualquer um, pois todos são iguais; voto só para cumprir o dever imposto pela lei; voto em candidato por questão de amizade; não voto em ninguém, pois todos são ladrões; não voto por cansaço e desesperança nas boas intenções de quem se envolve com política’. São muitas as justificativas. Votar ou deixar de fazê-lo tem consequências. Muitas frustrações coletivas poderiam ser evitadas se o cristão emitisse um voto limpo, sabendo exatamente o que faz. Por isso é importante acompanhar e conhecer a vida e as propostas do candidato em quem vota.
Antônio Frederico Zancanaro
Autor de: A Corrupção Político-Administrativa no Brasil

[Eleições Municipais] Embotamento ideológico

Manfredo Araújo de Oliveira
Doutor em Filosofia e professor da UFC. Presidente da Adital
Adital
 
Ouve-se muito as pessoas comentar que não veem grandes diferenças nas propostas apresentadas pelos candidatos dos mais diversos partidos e coligações na atual campanha eleitoral. De certo modo isso confirma a interpretação político-ideológica de vários analistas de nossa situação presente. O que caracteriza essa conjuntura para essa corrente de pensamento é o desaparecimento da contraposição radical de posturas: estaríamos em plena feira ideológico-político-partidária, um cenário que leva a justificar alianças absurdas que se apresentam como legítimas pelos resultados que o governo tem conseguido no campo das políticas sociais. Muitos insistem no fato fundamental de que hoje muitas famílias tenham saído da pobreza ou da miséria, tenham conseguido um emprego com todas as garantias trabalhistas e que as políticas de cotas tenham levado muitos jovens da periferia para o ensino superior.
O professor de filosofia na USP V. Safatle, por exemplo, considera nosso momento marcado por um conservadorismo que é filho bastardo do "lulismo” definido pela aliança de setores da esquerda brasileira e alas de políticos conservadores à busca de sobrevida. Essa aliança tornou possível tanto a constituição de um sistema de seguridade social até hoje inédito em nosso país quanto a ascensão econômica de grandes parcelas da população brasileira por meio sobretudo da ampliação do consumo. Para Safatle, tal ascensão foi capaz de gerar um sentimento de cidadania, mas não passou pelo acesso a serviços sociais ampliados e consolidados em sua qualidade. Essa ascensão significou, além de uma importante expansão das universidades federais, poder pagar escola privada, plano de saúde privado, celular, eletrodomésticos e frequentar universidade privada. Isso significa dizer que os direitos da cidadania foram interpretados como direitos do consumidor.
Defende-se, contudo, a ideia de que essas medidas, apesar de significativas, não são capazes de romper com as raízes mais profundas das desigualdades que historicamente têm marcado nossa formação social. É nesse sentido que hoje se costuma dizer que se acabou a diferença entre direita e esquerda. Aqui se pensa esquerda como uma postura ou movimento que luta por mudanças estruturais direcionadas para a igualdade e a justiça social e ecológica. A afirmação vai na direção de dizer que no Brasil de nossos dias todos se situam no centro com exceção dos pequenos partidos ideológicos que praticamente não pesam no cenário político.
Com isso ocorre, na realidade, um enorme encurtamento do horizonte da ação política o que a faz incapaz de responder ao grande desafio de nossa situação: a busca de instituições e mecanismos capazes de efetivar uma configuração nova da vida coletiva, uma sociedade em que todos os direitos sejam reconhecidos, promovidos e efetivados para todas as pessoas num mundo em que a terra tem o direito de manter-se com as energias que a fazem fonte de vida. Nessa perspectiva a democratização de nossa vida passa por mudanças profundas do atual sistema centralizado através de reformas estruturais abrangentes que realizem o objetivo básico estabelecido em nossa constituição: a construção de uma sociedade livre, justa e solidária.

MONSENHOR Afonso Queiroga - SAÚDE

O NOSSO AMIGO Pe ELMAS COMUNICA A TODOS QUE O MONSENHOR Afonso Queiroga, vigário geral da Diocese de Iguatu, FEZ UMA CIRURGIA DE APENDICITE, MAS SE ENCONTRA BEM (HOSPITALIZADO NO HOSPITAL DA UNIMED). AO SAIR DO HOSPITAL FICARÁ ALGUNS NA CASA DO Pe ELMAS PARA SE RECUPERAR. PEDIMOS ORAÇÕES DE TODOS!

Padre Queiroga esteve nos últimos seis anos à frente da paróquia de São José em Catarina. Ontem (23), houve a despedida dele e a posse do novo pároco, padre italiano, João Paulo, 76 anos, que já trabalhou na diocese de Iguatu, depois foi para a região do Amazonas e retornou à Itália. Agora conseguiu voltar para a diocese de Iguatu.
         Padre Queiroga já chegou à idade de aposentadoria compulsória, que é de 75 anos, e no ano passado apresentou ao bispo, a carta de renúncia. Dom João Costa preferiu arquivar o documento e mantê-lo em atividade por apresentar disposição e boa saúde. Além disso, padre Queiroga é um dos padres mais queridos da diocese.

Como se formou o poder monárquico-absolutista dos Papas

Leonardo Boff – Teólogo, filósofo e escritor
Adital
Escrevíamos anteriormente neste espaço que a crise da Igreja-instituição-hierarquia se radica na absoluta concentração de poder na pessoa do Papa, poder exercido de forma absolutista e distanciado de qualquer participação dos cristãos, criando obstáculos praticamente intransponíveis para o diálogo
ecumênico com as outras Igrejas.Não foi assim no começo. A Igreja era uma comunidade fraternal. Não havia ainda a figura do Papa. Quem comandava na Igreja era o Imperador pois ele era o Sumo Pontífice (Pontifex Maximus) e não o bispo de Roma ou de Constantinopla, as duas capitais do Império. Assim o imperador Constantino convocou o Primeiro Concílio Ecumênico de Nicéia (325) para decidir a questão da divindade de Cristo. Ainda no século VI o imperador Justiniano que refez a união das duas partes do Império, a do Ocidente e a do Oriente, reclamou para si o primado de direito e não o do bispo de Roma.
No entanto, pelo fato de em Roma estarem as sepulturas de Pedro e de Paulo, a Igreja romana gozava de especial prestígio, bem como o seu bispo que diante dos outros tinha a “presidência no amor” e o “exercia o serviço de Pedro” o de “confirmar na fé” e não a supremacia de Pedro no mando.
Tudo mudou com o Papa Leão I (440-461), grande jurista e homem de Estado. Ele copiou a forma romana de poder que é o absolutismo e o autoritarismo do Imperador. Começou a interpretar em termos estritamente jurídicos os três textos do Novo Testamento atinentes a Pedro: Pedro como pedra sobre a qual se construiria a Igreja (Mt 16,18), Pedro, o confirmador da fé (Lc 22,32) e Pedro como Pastor que deve tomar conta das ovelhas (Jo 21,15). O sentido bíblico e jesuânico vai numa linha totalmente contrária: do amor, do serviço e da renúncia a toda supremacia. Mas predominou a leitura do direito romano absolutista. Consequentemente Leão I assumiu o título de Sumo Pontífice e de Papa em sentido próprio.
Logo após, os demais Papas começaram a usar as insígnias e a indumentária imperial (a púrpura), a mitra, o trono dourado, o báculo, as estolas, o pálio, a cobertura de ombros (mozeta), a formação dos palácios com sua corte e a introdução de hábitos palacianos que perduram até os dias de hoje nos cardeais e nos bispos, coisa que escandaliza não poucos cristãos que leem nos Evangelhos que Jesus era um operário pobre e sem aparato. Então começou a ficar claro que os hierarcas estão mais próximos do palácio de Herodes do que da gruta de Belém.
Mas há um fenômeno para nós de difícil compreensão: no afã de legitimar esta transformação e de garantir o poder absoluto do Papa, forjou-se uma série de documentos falsos. Primeiro, uma pretensa carta do Papa Clemente (+96), sucessor de Pedro em Roma, dirigida a Tiago, irmão do Senhor, o grande pastor de Jerusalém. Nela se dizia que Pedro, antes de morrer, determinara que ele, Clemente, seria o único e legítimo sucessor. E evidentemente os demais que viriam depois. Falsificação maior foi ainda a famosa Doação de Constantino, um documento forjado na época de Leão I segundo o qual Constantino teria dado ao Papa de Roma como doação todo Império Romano.
Mais tarde, nas disputas com os reis francos, se criou outra grande falsificação as Pseudodecretais de Isidoro que reuniam falsos documentos e cartas como se viessem dos primeiros séculos que reforçavam o primado jurídico do Papa de Roma. E tudo culminou com o Código de Graciano no século XIII tido como base do direito canônico, mas que se embasava em falsificações de leis e normas que reforçavam o poder central de Roma, não obstante, cânones verdadeiros que circulavam pelas igrejas.
Logicamente, tudo isso foi desmascarado mais tarde sem qualquer modificação no absolutismo dos Papas. Mas é lamentável e um cristão adulto deve conhecer os ardis usados e forjados para gestar um poder que está na contra mão dos ideais de Jesus e que obscurece o fascínio pela mensagem cristã, portadora de um novo tipo de exercício do poder, serviçal e participativo.
Verificou-se posteriormente um crescendo no poder dos Papas: Gregório VII (+1085) em seu Dictatus Papae (“a ditadura do Papa”) se autoproclamou senhor absoluto da Igreja e do mundo; Inocêncio III (+1216) se anunciou como vigário-representante de Cristo e por fim, Inocêncio IV(+1254) se arvorou em representante de Deus. Como tal, sob Pio IX em 1870, o Papa foi proclamado infalível em campo de doutrina e moral.
Curiosamente, todos estes excessos nunca foram retratados e corrigidos pela Igreja hierárquica. Eles continuam valendo para escândalo dos que ainda creem no Nazareno pobre, humilde artesão e camponês mediterrâneo, perseguido, executado na cruz e ressuscitado para se insurgir contra toda busca de poder e mais poder mesmo dentro da Igreja. Essa compreensão comete um esquecimento imperdoável: os verdadeiros vigários-representantes de Cristo, segundo o Evangelho (Mt 25,45) são os pobres, os sedentos e os famintos.
FONTE: http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=70558

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

EVANGELHO DE MARCOS

Vamos analisar o mais simples dos evangelhos, talvez o primeiro deles a ser escrito, mas possivelmente o que mais tem ajudado tantos incrédulos a chegar a Jesus. É o mais conciso de todos os evangelhos, tendo apenas 16 capítulos. É fácil de  entender. Isso faz dele o livro mais indicado para se começar a estudar o Novo Testamento.
 
Sobre a autoria desse evangelho, Papias (115 d. C.) afirmou: “Marcos, tendo-se tornado intérprete de Pedro, escreveu acuradamente tudo quanto lembrou”. Irineu (185 d. C.) disse: “Agora, depois da morte de Pedro e Paulo, Marcos, o discípulo e intérprete de Pedro, também transmitiu-nos em escrito, o que Pedro pregou.”
Marcos apresenta o Evangelho de Jesus Cristo, no cap. 1: 15, como “o tempo está cumprido e o reino de Deus está próximo”. Vejamos como esse evangelista procura mostrar a pessoa de Jesus e sua mensagem.

I - CONHECENDO O AUTOR DO EVANGELHO
1 - Uma família temente a Deus - Sabe-se pouco acerca do autor do Evangelho. Entretanto, algumas passagens nos fornecem sugestões acerca de seus interesses e de sua personalidade. Costuma ser identificado como João Marcos, membro de uma família cristã de Jerusalém, ajudante e substituto de Paulo, Barnabé e Pedro, mencionado em At. 12: 12. Muitos acham que o anônimo jovem de Mc. 14: 51 foi o próprio Marcos.
Provavelmente seu lar fosse um centro de reuniões dos dirigentes cristãos em Jerusalém, pois foi a primeira casa que Pedro procurou quando foi livre da prisão, At. 12: 12. Nela também ficava o cenáculo, onde se celebrou a última ceia.
2 - Um jovem dedicado às missões - Marcos foi levado às missões por Barnabé e acompanhou-os a Chipre, depois a Perge, na Panfília, mas não prosseguiu até o final da primeira viagem missionária, At. 13: 15; 15: 38. Amadureceu no decorrer dos anos, como vemos no seu relacionamento com Barnabé e, depois, com Paulo.
3 - Discípulo de Pedro, amigo de Paulo - Depois do episódio de Atos 15, Marcos desaparece da narrativa e só voltou a ser citado 10 anos mais tarde, em Cl. 4: 10, quando esteve com Paulo em sua prisão, em Roma. Tempos depois, Paulo diz que ele lhe é útil no ministério, 2Tm. 4: 11. Também trabalhou junto com o apóstolo Pedro, 1Pe. 5: 13.

II - CONHECENDO COMO MARCOS APRESENTA JESUS
Marcos deve ter escrito particularmente para encorajar os cristãos romanos perseguidos, pois apresenta Cristo como um servo em ação, 10: 45, identificando-o com “o servo do Senhor” de Is. 42: 1. Os verbos e as narrativas mostram sempre Jesus agindo, fazendo milagres, curando, viajando, pregando, enfim, servindo.
a) Um servo a serviço do Pai - Para executar o plano  divino, Jesus submeteu-se, sem reservas, à vontade de Deus, Fp. 2: 6 e 7. No Getsêmani, Ele demonstra esta verdade, ao dizer: “não seja o que eu quero, e sim o que tu  queres”, 14: 36. Por causa dessa aceitação, Jesus cumpriu plenamente seu ministério, sofrendo todas as afrontas, mas chegou ao seu objetivo.
b) Um servo a serviço dos necessitados - Jesus não veio para ser servido, mas sim para servir e dar a sua vida em resgate por muitos, 10: 45. Através desse fato, Ele se identifica com os homens. Ao ler os evangelhos, vamos presenciá-lo sempre servindo: curando os enfermos, Lc. 5: 17, alimentando a multidão, Mt. 14: 19 e trazendo alegria, Mt. 8: 27 e Mc. 5: 42.
c) Um servo a serviço dos pecadores - A mensagem central de Marcos é a salvação através da morte expiatória de Jesus Cristo. Ele é apresentado como o “Filho do homem que não veio para ser servido, mas para servir e dar SUA VIDA em resgate por muitos”, 10: 45.

III - A ESTRUTURA DO EVANGELHO DE MARCOS
Marcos esboçou seu Evangelho em cinco partes:
Introdução. Nos 13 primeiros versículos, há uma descrição da preparação de Jesus para o seu grande trabalho. Apresenta Jesus como Filho de Deus, através do testemunho de João Batista.
1 - Demonstração da autoridade de Jesus - 1: 14 ao cap. 5: 43. Nessa fase estão os primeiros relatos sobre o poder de Jesus para curar e para perdoar pecados: 2: 1-12. Surgem os primeiros debates com os fariseus e Jesus contesta as tradições vazias do judaísmo. Ele afirma que é senhor do sábado. Mostra sua divindade porque tem autoridade sobre os demônios, 3: 11 e 5: 1-20, sobre a natureza, 4: 35-41 e sobre a morte, como no caso da ressurreição da filha de Jairo, 5: 21-24 e 35-43.
2 - Preparação inicial dos discípulos - Nos capítulos 6 a 8, Jesus se preocupa em ensinar os discípulos, enviando-os a breves missões e concedendo-lhes poder, 6: 7. Cada falha ou conflito era motivo para uma aula do Mestre:  incredulidade de seus conterrâneos, 6: 6; execução de João Batista, 6: 27-29; perigo da popularidade, 7: 1-23; a cura de um surdo e gago, 7: 31-34.
3 - Retirada para a região Norte - Precisando de calma para aprofundar seus ensinos aos discípulos, Jesus afastou-se completamente das multidões, indo para Cesareia de Filipe, uma região fria, onde fica o monte da Transfiguração, Lc. 9: 28.
4 - A caminhada da cruz - A penúltima seção deste evangelho mostra Jesus voltando para Jerusalém, caps. 10 a 13. Aproximavam-se os dias da páscoa. No caminho, cura Bartimeu, 10: 46-52, e ensina que o Filho de Homem veio para dar a sua vida em resgate de muitos, 10: 45. 
5 - Últimos dias de Jesus - Do cap. 14 em diante, descreve a paixão e a ressurreição. É uma fase triste, quando Jesus é traído, preso e crucificado. Essa tragédia, entretanto, foi parte inevitável do seu serviço aos homens para a própria redenção deles. Vem, a seguir, a parte gloriosa. O túmulo vazio e o testemunho do anjo são provas do grande acontecimento: Jesus ressuscitou!

DEMOCRACIA? Eduardo Hoornaert*

No momento em que escrevo, último dia do mês de agosto, as máquinas de produzir prefeitos e vereadores pelo Brasil afora, estão funcionando a todo vapor. Vejo propagandas eleitorais sempre mais ‘terceirizadas’ e industrialmente produzidas. A tendência vai se acentuando com o correr dos anos. Penso que chegará o tempo em que o candidato não precisará mais nem sair de casa nem mesmo abrir a boca. Bastará fazer aparecer sua imagem, devidamente retocada, em todas as esquinas da cidade, repetir até a exaustão sua música e fazer com que o número de seu partido entre na mente de um número máximo de pessoas. Então o candidato em questão não terá mais nada a fazer a não ser pagar o preço que a empresa de propaganda lhe cobra.
Isso mostra que o problema da democracia é mais complicado do que se costuma pensar. Pode-se perguntar se as pessoas desejam realmente a democracia, se elas são efetivamente ‘democráticas’ e sintonizam com os políticos que afirmam, desde o século XVIII, que a democracia é o melhor sistema de governo. Inúmeros indícios na vida de cada dia mostram que a democracia não parece constituir uma referência para a grande maioria das pessoas.
 A impressão é que as pessoas não se sentem mal em ser manipuladas por grupos pequenos, formados por pessoas ricas ou poderosas. Hoje os manipuladores da opinião pública se sentem tão à vontade que não temem mais em mostrar suas caras. Os super-ricos e super-poderosos aparecem nas revistas, nos jornais, na TV e nos grandes eventos. A impressão geral é que as pessoas gostam dessas exibições, ou seja, gostam de serem enganadas. Aparecem imagens sempre mais fantásticas de formas de poder autoritário e essas imagens se repetem de mil maneiras na TV, nos livros, nos mega-eventos religiosos e nas igrejas em geral.
 Cada igreja hoje é (mais ou menos) carismática. Basta navegar pela Sky para ver como funciona o mundo de hoje na mente da grande maioria das pessoas: um mundo de fantasias em torno do poder e da manutenção da ordem. Se Machiavelli voltasse hoje, ele ficaria admirado ao ver como sua descrição da realidade política corresponde perfeitamente ao que acontece hoje. Realmente, mais do que nunca, ‘o homem é um ser disponível’. Quem estiver em condições de manipular o ser humano, terá inevitavelmente sucesso, pois o homem estará sempre ‘disponível’ para ser enganado.
 No mundo da grande comunicação não aparece de forma nenhuma a vontade de participação ou de democracia. O que aparece é o seguimento dos bem sucedidos, a vontade de imitar e de alcançar uma carreira de sucesso. Essa vontade do seguimento aparece de forma clara nos mega-eventos religiosos, hoje programados por praticamente todas as religiões. Sobressai a figura do papa, que encarna o poder total e pede que se siga cegamente o caminho que ele indica. 
Caro leitor, prezada leitora, quer fazer uma pequena pesquisa comigo? Que tal entrarmos, em imaginação, numa livraria? O que nos chama a atenção, logo na entrada, são os grandes best-sellers. Está aí ‘O senhor dos anéis’, de J.R.R. Tolkien, escrito em 1954, que passou recentemente a venda de 200 milhões de exemplares, um monte de livros capaz de encher uma sala de teatro. ‘O código Da Vinci’, de Dan Brown, vendeu 86 milhões em 2010. Vamos para os DVDs.
 A primeira edição do filme Matrix (1999) custou 65 milhões de dólares e rendeu 456 milhões. A segunda (Matrix reloaded) custou 127 e faturou 740. Foi o único filme, até agora, que arrecadou 100 milhões de dólares num único fim de semana. Só no Brasil 5 milhões de pessoas foram ver o filme. Isso já basta para que tiremos uma simples conclusão: o grande público gosta de ver e de ler histórias montadas sobre o mesmo esquema autoritário. Por meio de um caldo de imagens, filosofias, referências literárias e culturais aparece sempre a mesma ideia: o poder é conquistado por pessoas que se sacrificam inteiramente e que devem ser seguidas.
 Permeia essa produção uma nostalgia não confessada do tempo que tudo estava em ordem, numa sociedade organizada, segundo uma ordem clara e simples, enfim, uma sociedade baseada em obediência. A simplificação, o encanto da imagem e a força do som se juntam para expressar o que a maioria das pessoas é e quer ser: um rebanho de cordeiros que segue o pastor (sempre benevolente e corajoso). A alma generosa e corajosa do pastor domina os ‘cordeiros’ e as ovelhas, seguindo uma lei que parece provir da própria natureza. 
As imagens repetidas, em filmes, livros, revistas e programas de TV, acerca da manipulação oculta do mundo que só pode ser combatida por seres excepcionais, fazem com que as pessoas não percebam que elas mesmas estão sendo manipuladas por forças nada ocultas. Por trás dos best-sellers e dos filmes e programas televisionados de enorme sucesso existe a realidade do mundo em que vivemos. É um mundo onde se pratica a cada momento um ataque ao cérebro emocional das pessoas.
 Um ditado americano diz com clareza o que está acontecendo no mundo de hoje: ‘enquanto você dorme, eles criam sua realidade’. Quem são eles? Nos Estados Unidos, eles são bem conhecidos e se chamam NBC News; CNN; Fox News Channel; CBS News; ABC News; BBC World News. No Brasil, o nome deles é Globo, a TV Globo (Globo News etc.).
 Como é possível ficar sentado durante horas diante da TV e não perceber que a TV Globo tem o Brasil na mão e trabalha dia e noite para nos transformar em cordeirinhos e cordeirinhas, aparentemente inocentes, mas na realidade cruéis e insensíveis, ignorantes do que realmente se passa em nosso redor?
 * Eduardo Hoornaert é padre casado, belga, com mais de 5O anos de Brasil, historiador e teólogo, escritor com mais de 20 livros publicados. Mora em Salvador. Dedica-se agora ao estudo das origens do cristianismo.

Fonte: Enviado por e-mail pelo autor

LIVRO PADRE ANTÔNIO BONIFÁCIO RODRIGUES DE SOUZA

A IGREJA À LUZ DO VATICANO II

I – INTRODUÇÃO / CONTEXTO TEOLÓGICO DA OBRA
 
 
A apresentação deste livro, A IGREJA À LUZ DO VATICANO II, é duplamente gratificante para mim:
Primeiramente, por se tratar de um livro do meu querido irmão José.
Em segundo lugar, porque a leitura da obra me fez voltar aos anos 60, quando, por 10 anos, vivi em Roma, vizinho ao Vaticano. Em Roma, acompanhei 3 das 4 partes do Concílio Ecumênico Vatinano II, que se realizou nos anos 62,63,64 e 65. Lá respirei o clima do desejo de renovação do Concílio Vatinano II, na Pontificia Universidade Gregoriana e na Pontífica Universidade Lateranense, onde fiz respectivamente mestrado em Teologia e Doutorado em Filosofia. Como estudante de teologia na Gregoriana, era obrigado pelos professores de quase todos as disciplinas a elaborar trabalhos, cujo ponto de referimento era sempre a doutrina conciliar, que estava no prelo ou tão logo vinha a lume. Clima de renovação, patente nos numerosos debates e palestras com os mais renomados teólogos do mundo, entre eles, Yves Congar, Hans Küng, Ratzinger e Rahner. O fato é que a leitura do livro de José lançou-me no nascedouro dos tempos eclesiológicos hodiernos, com suas angustias e tristezas, alegrias e esperanças.
A fim de ressaltar a adequação das fontes escolhidas pelo autor para as suas reflexões, ocorre-me estabelecer uma analogia entre a hierarquia do ordenamento jurídico civil e o adotado pela Igreja Católica.
No ordenamento civil temos: Constituição, Lei Complementar, Lei Ordinária, Decreto, Portaria... Os documentos conciliares apresentam, também, uma ordem hierárquica, a qual traduz a natureza, importância e autoridade destes documentos. Esta é a ordem: Contituição, Decreto e Declaração. O corpo doutrinário do Concílio Vaticano II comtempla: 4 Constituições, 9 Decretos e 3 Declarações. O autor foi haurir a doutrina de suas reflexões no conteúdo doutrinário e pastoral das duas fundamentais Constituições: Constituição Dogmática sobre a Igreja, intitulada Lumen Gentium e Constituição Pastoral Gaudium et Spes, sobre a Igreja no mundo atual
 
II- A OBRA: NASCIMENTO. FINALIDADE. FONTES. PERSPECTIVA. CONTEÚDO MATERIAL
NASCIMENTO/FINALIDADE
Como todo agente age tendo em vista um fim,omnis agens agit propter finem, o surgimento de uma obra já, no seu nascedouro, traz em si o DNA da sua finalidade. A ideia da obra surgiu, diz-nos o autor, durante o XIX Encontro Nacional das Famílias dos Padres Casados – MFPC, em Fortaleza. Eis o que nos segreda o autor: " senti-me como que tocado pelo Espírito Santo de Deus, senti-me na obrigação moral de levar a todos a quem possa interessar a minha opinião sobre o bem do povo de Deus, em forma de instrumento de Evangelização, sob o título Uma Igreja à Luz do Vaticano II." O texto citado me remeteu, de pronto, a
uma confissão do Papa João XXIII, o qual, na abertura do Concícilo Ecumênico Vaticano II, declarou como surgiu a ideia de convocar o Concílio. In verbis, relata-nos ele: " foi algo inesperado: uma irradiação de luz sobrenatural, uma grande suavidade nos olhos e no coração. E, ao mesmo tempo, um fevor, um grande fervor que se despertou, de repente, em todo o mundo, na expectiva da celebração do Concílio" ( Gaudet Mater Ecclesia, Discurso de Abertura, Alegra-se a Mãe Igreja).
O Prefácio, a peça vestibular, intitulada a que venho, fala-nos, também, de outras motivações para a feitura da obra: a distância entre a eclesiologia do Vaticano II e a realidade pastoral; a omissão da Igreja no serviço à humanidade, a ausência de novos paradigmas de evangelização e de novos evangelizadores. Estes fatores, entre outros, levaram o autor a concluir que "não bastam esforços pastorais... Só uma reforma na estrutura do seu sistema poderá restituir à Igreja de Jesus aquela auréola de santidade que fascinou todos os homens de boa vontade, na sua história". Daí, conclui o autor, sua pretensão de "sem preocupação científica (formal) apresentar o modelo de Evangelização ao qual anseia o cristão do século XXI." Esta a finalidade declarada de sua obra.
FONTES
O Título da obra, A IGREJA À LUZ DO VATICANO II, explicita, meridianamente, o ponto focal, o marco de referimento das reflexões que compõem a obra, ou seja, a ECLESIOLOGIA exarada pelo Concílio Vaticano II. As duas citações preambulares da obra,
retiradas da Constituição Dogmática Lumen Gentium e da Constituição Pastoral Gaudium et Spes,
anunciam, com propriedade, as duas fontes, os 2 (dois) eixos estruturantes da obra que o autor traz a lume, por ocasião dos 50 anos de realização do Concílio Vaticano II. É oportuno, portanto, registrar, que o autor usou como fonte de suas benfazejas reflexões as duas constituições fundamentais da eclesiologia: a dogmática (a Lumen Gentium) e a Kerigmática ou pastoral (a Gaudium et Spes).
 
A PERSPECTIVA
Se as citações preambulares dizem das fontes e dos conteúdos, a citação da contracapa, de Karl Rahner, indica a pespectiva crítica (o objeto formal quod) aplicada pelo autor no tratamento das matérias sobre as quais, com profundidade e lógica, discorreu ao longo de sua obra. Ao Texto: "A postura crítica em relação a Igreja faz parte da missão evangelizadora". Ao leitor atento este aspecto crítico, qual leit-motiv, qual característica fundante, perpassa toda a obra:
crítica da Igreja relativamente ao mundo;
crítica do mundo relativamente à Igreja;
crítica da Igreja sobre si mesma, ou seja, autocrítica.
Aliás, esta pespectiva crítica e autocrítica foi assumida pelo próprio Concilio Vaticano II. Ouçamos o que o Papa João XXIII falou no Discurso de Abertura do Concílio Vaticano II " A Igreja sempre se opôs aos erros; muitas vezes até os condenou com maior severidade. Agora, porém, a esposa de Cristo prefere usar mais o remédio da misericordia  e o da severidade. Julga satisfazer melhor as necessidades de hoje mostrando a validez de sua doutrina do que renovando condenações".
CONTEÚDO MATERIAL
O livro do filósofo, teólogo e padagogo José Colaço Martins Dourado, na materialidade de suas 119 páginas, compreende: 9 Temas ou grandes capítulos
Igreja, Povo de Deus
Uma Igreja a serviço da humanidade
Nova Evangelização
Novos Evangelizadores
Renovação dos Instrumentos de Santificação
Opção preferencial pelos pobres
A Igreja à luz do Vaticano II/Movimento das famílias dos padres casados
O carnaval
Aforismos: a vivência dos princípios fundamentais da Fé e da Caridade Cristãs
Os 9 Temas e os 16 sub-temas aprofundam, detalham e enriquecem a dogmática e a Kerimagtica dos tempos hodiernos.
 

II – O AUTOR
Vista de relance a obra, em seus grandes capítulos, cumpre fazer a sua metaleitura. É mister apontar, sobretudo, quem está por detrás da obra, vale dizer, cumpre desenhar o autor.
É sabença geral que escrever é escrever-se. Por trás de um livro há sempre um autor... Por trás de um bom livro, como é o caso, há sempre um grande autor; efetivamente, o talento sozinho não faz um escritor. "Deve haver um homem por trás do livro" (Emerson, em Göthe). Encontrar o homem na obra é o esforço da metaleitura. Porque,como, peremptorio, ensinou Buffon: le style c'est l'homme même: o estilo é o próprio homem. Portanto, sem impropriedade alguma, pode-se asseverar que a obra é o homem. Assim sendo, é o momento de perguntar: O que o autor diz de si mesmo? O que a obra nos desoculta sobre o autor?
A primeira orelha do livro dá-nos informações valiosas sobre o autor: ele é filósofo, teólogo e padagogo. E confessa que "Mesmo tradicional por formação, recém-ordenado, irrequieto ante a grandeza da seara que aguardava meu pastoreio, mergulhando fundo na vida do Povo de Deus, nos serviços pastorais que assumia, e auscultando os problemas vivenciais de ordem socio-religiosa, dos que me eram confiados, já percebia o tamanho do desafio que nossa Igreja estava prestes a enfrentar, à vista dos primeiros Sinais dos Tempos Pós-modernos".
 
O QUE A OBRA DIZ DO AUTOR ?
A metafísica nos ensina que todo efeito é proporcional à sua causa. A obra do José Colaço Martins Dourado, trazendo a lume temas da teologia dogmática e da teologia pastoral, diz-nos que o autor é um teólogo e um evangelizador.
UM TEÓLOGO
Atento à evolução teológica do corpo dogmático. Não é um teólogo postiço. É bem formado. Foi aluno brilhante de teologia e filosofia. Tira conclusões teologicamente certas dos dados revelados, no 1º e 2º Testamentos. Um teólogo com uma conotação fortemente profética. Como todo profeta conhece, vivencia e testemunha os mistérios de Deus. Ensina testemunhando... o que me reporta a Gandhi... certa mãe pediu-lhe que fizesse com que seu filho abandonasse o acuçar … mandou que a mãe lhe trouxesse o filho uma semana depois realizado o encontro com Gandhi, o filho mostrou-se curado. A mãe perguntou a Gandhi por que só falou com o filho depois de uma semana? Respondeu Gandhi: porque semana passada eu era como ele... O autor é da prosápia, da ascendência de Gandhi e de São Francisco de Assis, que recomendava a seus seguidores: " pregai, pregai sempre, quando for necessário usem de palavras"
Porque Teólogo-profeta, é um pensador socialmente engajado; pensa, anuncia e denuncia, na qualidade de cidadão comprometido com o bem-estar do povão, e de homem público compromisado com o desenvolvimento do País.
UM EVANGELIZADOR
O sub-título da obra, o anúncio do Evangelho ao homem, no século XXI, traduz a preocupação Kerigmática, pastoral do autor. O que nos faz lembrar de São Paulo aos Corintios, quando disse: "Ai de mim se não evangelizar ( 1. Cor. 9,16). Não dá para esquecer, também, o "contundente" apelo de Paulo a Timoteo (2 Tm 4,2) "prega a palavra, insiste a tempo e a contratempo, refuta, ameaça, exorta com incansável paciência e preocupação de instruir". É um evangelizador que, na esteira de Paulo, deseja tornar-se tudo para todos para salvar alguns; um evangelizador que deseja que transformemos, transmudemos em hostias as moedas dadas aos pobres.
De resto, na 2ª orelha do livro, do punho do próprio autor, encontramos a explicitação do carater da obra, que ele, modestamente, define como um ensaio. Confessa-nos ele que sua obra: "é um ensaio de carater evangelizador que visa exclusivamente, expressar os sentimentos, as angustias, as dúvidas, as vivências e as perspectivas do segmento Povo de Deus, que tem vindo, meio sem rumo, ansioso à procura de Deus - Jesus Cristo, o Deus -Amor".
A obra explicita, portanto, um evangelizador pedagogo, com a preocupação de instruir, que deseja levar a boa nova a todos, para que "Cristo seja tudo em todos."
Este, amigos e amigas, o perfil do teologo-evangelizador pedagogo José Dourado que a metaleitura da obra me transmitiu.
SENHORAS E SENHORES
Concluo esta modesta apresentação com um pensamento de Blaise Pascal (1623 – 1662). Com a autoridade que lhe cabe, na galeria dos Pensadores, como filósofo, matemático e físico, em Pensée, afirmou conclusivo:
Não há mais do que duas classes de pessoas que se possam chamar de razoáveis: as que servem a Deus de todo o coração, porque o conhecem, ou as que o buscam de todo o coração, porque, ainda, não o conhecem".
Aos dois tipos de pessoas razoáveis, dentro das quais nos encontramos, com sua obra, o autor, José Colaço Martins Dourado, teólogo, evangelizador-pedagogo, profeta, pensador engajado e cidadão comprometido, como o bom Pastor (Salmo 23/22) oferece alimento e moradia.
Finalmente, porque adequado, convém rememorar os versos de Castro Alves: O livro caindo na alma/É germe que faz a palma/ É chuva que faz o mar … Bendito quem semeia livros/ para o povo pensar.
O autor José Dourado é um desses benditos. Receba, portanto, o abraço fraterno e o bem-querer dos parentes e amigos aqui presentes!