sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Igreja da Inglaterra não aprova consagração episcopal de mulheres

Câmara laica do sínodo anglicano rejeita proposta.

A Igreja anglicana, em sessão do seu sínodo celebrada dia 21 novembro, rejeitou a ordenação episcopal de mulheres depois de anos de debate. A questão não poderá voltar a ser votada até o próximo sínodo.
O sínodo geral da Igreja da Inglaterra, reunido em Londres, rejeitou por seis votos de diferença uma proposta debatida há vinte anos, desde que a ordenação sacerdotal de mulheres foi permitida.
Hoje, um terço dos onze mil pastores anglicanos do Reino Unido são mulheres. A proposta não obteve os dois terços necessários na Câmara dos Laicos (há três câmaras: bispos, clero e leigos ou laicos). Foram 74 votos contra e 132 a favor. Entre os bispos, os votos favoráveis foram 44, com 3 contrários, e no clero houve 148 votos a favor e 45 votos contra. Até 2019 não poderá haver nova votação sobre o assunto... Leia mais - Clique aqui

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Os padres casados: invisíveis e integrados

Milhares de padres optaram por sua realização como seres humanos e renunciaram ao celibato. A maior parte deles continua com o compromisso comunitário que os levou a ser sacerdotes.
  Muitos milhares de sacerdotes em todo o mundo são casados, têm esposa e constituíram família, o que demonstra que a busca da realização plena das pessoas superou, faz tempo, a proibição da Igreja Católica, que mal conseguiu fechar o debate formal sobre o celibato, concordam os especialistas.
  Não é fácil encontrá-los e distingui-los a olho nu, porque eles são professores, sindicalistas, membros de grupos sociais, professores universitários ou pesquisadores que, na sua maioria, continuam com o compromisso comunitário que os levou a optarem pelo sacerdócio.
  "Eu não saí para casar. Saí do ministério porque eu era fiel ao projeto de Jesus de Nazaré, o que me levou a trabalhar pela realização plena do ser humano. Ao longo do caminho, eu escolhi ter uma companheira", disse Ruben Telam Dri, que era sacerdote do movimento para o terceiro mundo. no Chaco, e quando deixou o ministério, em 1976, resolveu partilhar a vida com sua esposa .
  A opção pelos pobres nasce da busca "da plena realização do homem, em que ter uma parceira e começar uma família é parte dessa liberdade, que não só não diminui a função sacerdotal, mas a engrandece", disse Dri, professor universitário, escritor e filósofo, que agora integra o grupo da Teologia da Libertação "Pichi Meisegeier".
  "Eu não concordo com a Igreja Católica, que, aos padres que constituíram família, nega a administração dos sacramentos, ao passo que aceita em suas fileiras um Christian Federico von Wernich , padre condenado por crimes contra a humanidade", afirma Dri.
  Também para a brasileira Maria das Dores Campos Machado, socióloga e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, "grande parte dos padres que trabalham juntos "pelo fim do celibato" continuaram a trabalhar em torno da "Santa Madre Igreja" ".
   "Eles são muito pouco visíveis, mas se integraram aos movimentos eclesiais de base, muitos com grande responsabilidade no campo editorial das comunidades de base do Brasil", disse ela em uma conversa com a agência Telam, há duas semanas, quando participava, do Encontro "Modernidade, Secularização e Religião ", no Centro Cultural Haroldo Conti, o ex-ESMA. 
   O argumento apresentado pela Igreja Católica "que, sob este papado se recusa a fazer do celibato uma opção", é baseado na "exclusividade do padre para exercer o seu sacerdócio" postura que, para Dri simplesmente tenta esconder a concepção "dualista" de Platão assumido pela teologia católica.
  Para Eduardo De la Serna, integrante do movimento "opção pelos pobres" (OPP), "hoje eu não acho que a hierarquia católica defende o celibato por motivos econômicos, já que os bens dos padres não são propriedade da instituição" e atribuiu essa posição conservadora " a uma atitude rígida em relação " ......
   "Se o celibato fosse opcional, disse De la Serna em diálogo com Télam, seria diferente do ponto de vista do"sinal" pois mostraria o padre celibatário como alguém que "optou por não se casar ', e isso sim fortaleceria o sinal ".
   De la Serna se pergunta se, em termos da "tão falada exclusividade, rabinos, imãs, pastores evangélicos de diversas confissões, não são totalmente dedicada a Deus e ao povo."
   Em muitas aldeias na Itália, Alemanha, Bolívia e Peru, entre outros países, se conhece a mulher do padre e ninguém estranha por isso, nem os bispos, se não se "ventilar demais", argumenta De la Serna.
   Revisar o celibato, afirmou ele, "aceleraria outro debate não se quer fazer: o papel do padre na comunidade, um padre sem poder, que trabalhe para se manter; um ministério aberto a todos, também precisaria de uma mudança de mentalidade no povo de Deus ".
 
"O psicólogo cristão"
Horacio Gallo constituiu família e é psicólogo, assim CONTINUA A OUVIR E a orientar HOMENS e mulheres, como quando era um padre católico, na sua tenda, um espaço aberto à religiosidade popular .
"Minha crise, não foi de vocação, mas afetiva. Por isso, hoje eu continuo a ouvir e orientar as pessoas que sofrem, tento trazer-lhes alívio; claro, agora com as ferramentas que me deram a psicologia, mas a minha missão é a mesma", diz Télam Gallo, 45 anos, que era sacerdote da diocese de Quilmes, entre 1996 e 2002, numa época em que Dom Jorge Novak era o bispo.
Hoje Horácio vive com sua esposa, uma professora de economia, de 42 anos, que está esperando seu primeiro filho, e já era mãe de dois filhos de um casamento anterior. Juntos estão construindo seu novo projeto de vida em uma casa, também em Florêncio Varela, a apenas quatro quadras da capela onde ele trabalhava como padre.
"Eu a conheci quando eu era pároco, mas voltamos a nos encontrar e formamos um casal vários anos depois que deixei o sacerdócio", explica ele, no consultório de psicólogo, localizado no andar superior de uma casa austera, mas ampla e bem iluminada.
Dez anos depois da decisão de deixar o ministério, Horácio confessa que sempre lhe custou pensar em "renunciar à paternidade."
"Quando eu percebi que, como padre, as visitas às casas de família me enchiam de alegria, o panorama da minha vida ficou mais claro. Eu estava com saudades de ver crianças brincando com seus pais, compartilhar uma mesa", lembra ele.
Na época, eu pude dar o passo que desejava dar. "Eu pedi permissão ao sucessor de Dom Novak (falecido um ano antes) para me afastar da função sacerdotal, com uma frase que ainda lembro: "se eu ficar, não vou ser um padre feliz", conta ele.
Em pouco tempo ele percebeu que sustentar sua vocação e ter uma família não eram incompatíveis. "Aqui estou eu: eu mudei o confessionário pelo divâ", brinca ele, com um sorriso franco, enquanto continua caminhando pelos bairros atendendo pacientes e organizando a realização de workshops "de honra" em paróquias ou escolas.
"Meu desejo de ser pai nasceu da experiência sacerdotal de ser Padre, tal como hoje algumas crianças e adultos da comunidade insistem em chamar-me", diz ele, e então: "Meu trabalho como sacerdote não era muito diferente do atual. Antes, as pessoas procuravam orientação sobre questões existenciais e domésticas. Agora também. Só que não posso mais ministrar os sacramentos ".
Para Gallo a vida parece não ter mudado muito: "Tudo o que eu fazia antes, por estar integrado na mesma comunidade, eu faço agora: se o vizinho tem que se mudar, todos juntos o ajudamos, se um parto se antecipou, lá vamos nós" , diz este homem que se considera "um psicólogo cristão que lança mão também dos conhecimentos da teologia", que fizeram parte de sua formação.
O celibato não é um dogma e só existe uma citação no evangelho que sugere sua prática. E em 2011 se difundiu um documento assinado até mesmo pelo papa atual, Bento VI, quando ele era um jovem padre de 42 anos, que pôs em dúvida o sentido de manter esta norma.
No entanto, "a hierarquia católica sustenta o argumento da suposta perda de eficácia na hora de administrar os sacramentos, atender a comunidade e cuidar de uma família, coisa que, em milhares de casos em todo o mundo, foi refutada", argumenta Gallo .
"A realidade da pobreza te coloca em outro lugar; vivendo em um bairro popular, além de dificuldades te dá uma oportunidade: sentir-te parte da comunidade", diz ele, e explica que "sua transformação também se deu em um contexto social, onde a relação com os sacerdotes é de mais proximidade. "
De vez em quando, ele e sua esposa também participam de celebrações ou atividades na capela de algum padre amigo, num ambiente afetivo, e um olhar inclusivo do mundo onde "ter uma família ou de ser celibatário deveria ser, para ambos, uma ato de liberdade ", conclui ele.
Por Cecilia Aldini - Telam

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

MENSAGEM NATALINA



Caros amigos sacerdotes, cunhadas e sobrinhos!
 É Natal!

Veio ao mundo o Salvador, menino pobre e pequenino...
Veio em nome do Pai anunciar a verdade a todos que desejarem...
Acolhamos em nossas famílias o menino Deus e com Ele celebremos o verdadeiro Natal..
O Natal da partilha do pão e da vida...e que continuemos nos fazendo presente na vida de quem mais precisa.
A todos vocês....votos de um verdadeiro Natal...aquele que só acontece no coração!

Com carinho
Edson & Lúcia
Casal Presidente Nacional do MFPC

Padre Cícero Romão Batista: um intelectual orgânico?

Por Joarez Virgolino Aires - PADRE CASADO

Em tese de doutorado, o Prof. Luitgade Olveira, em seu livro A Terra da Mãe de Deus, pela Editora Francisco Alves, identifica o movimento dos beatos e conselheiros do Brasil, a partir da matriz ideológica do padre Mestre Ibiapina. Aplicando a teoria de Antônio Gramsci, entende que estes líderes religiosos plasmaram e influenciaram um grupo social e, por isto, mesmo que analfabetos, entram na categoria de intelectuais orgânicos.
Depois de São Francisco de Sales, Padre Mestre Ibiapina foi o grande modelo na vida do padre Cícero como de todos os conselheiros e beatos da época.
Enquanto não recebe uma paróquia, o Padre Cícero colabora como professor de Latim no Colégio Venerá­vel Ibiapina, fundado e dirigido por José Marrocos e celebra nas capelas da região.
 

domingo, 25 de novembro de 2012

REVISTA ATITUDE ECUMÊNICA


Irmãos e irmãs no Cristo, acaba de nascer a revista eletrônica

Atitude Ecumênica. Juntamente com o blog Que Deus seja Tudo em Todos e nossa página no Facebook, ela entra em cena para auxiliar no diálogo entre os cristãos. Afinal nós, a Igreja, precisamos dar a devida atenção ao desejo de Jesus "... que todos sejam um" (Jo 17,21). Vale destacar que esta revista surge no momento em que celebramos os 50 anos do Concílio Ecumênico Vaticano II. As solenidades de celebração deste jubileu de ouro, no mundo inteiro, são uma oportunidade para refletirmos sobre os avanços e os limites do Concílio.
 
A bondade de Deus chegou até mim também na forma de Maria Luiza e do pequeno Francisco (minha esposa e meu filho). Ao Senhor agradeço todos os dias por eles. Afinal, Deus, que já me havia feito feliz, trazendo-os para minha vida, ampliou imensamente essa felicidade. Contudo, por eu ter constituído família, a Santa Sé me faz exigências que, após longa e profunda reflexão, decidi não cumpri-las Assim, de modo sereno e nutrindo um grande amor e respeito pelo Bispo de Roma, o Santo Padre, tomei a atitude de desobedecer-lhe: continuarei a celebrar a Santa Missa e a ministrar os outros sacramentos, pois entendo ser isto proveitoso para o povo de Deus
"... que vive como ovelhas sem pastor" (Mt 9,36). Agindo desta forma uno meus esforços ao trabalho de dezenas de milhares de BISPOS e PADRES, espalhados pelo Brasil e pelo mundo, os quais, mesmo tendo contraído matrimônio, continuam católicos e evangelizando para que a Igreja cresça e seja sinal de Cristo no mundo. Gostaria de destacar que a tônica de minha ação pastoral concentrada no Piauí, Ceará e Rio de Janeiro é o ECUMENISMO. Em Cristo.
Pe. Francisco Antonio de Vasconcelos

A Atitude Ecumênica é a sua revista. Mande, então, seus artigos e informes. Será um prazer publicá-los. franciscoantonio_vasconcelos@yahoo.com.br

http://diocesepiaui.wordpress.com/

sábado, 24 de novembro de 2012

FÉLIX FILHO FALA DE SUA HISTÓRIA DE VIDA E DO SEU NOVO LIVRO


Padre FÉLIX FILHO (MFPC - RECIFE) FALA DE SUA HISTÓRIA DE VIDA E DO SEU NOVO LIVRO

No Conexão Beto Andrade Vamos conhecer um pouco trajetória de vida e sucesso do teólogo, jornalista, padre casado, atuante reverendo da Igreja Episcopal do Brasil, cineasta premiado, escritor que está lançando o seu mais nova livro “ALÉM DAS IDEIAS – histórias de vida de Dom Hélder Câmara”, o pernambucano Félix Batista Filho. http://www.youtube.com/watch?v=yUlWdJZsWts

Hoje (sábado 24/11), ao meio-dia, na Rádio Folha FM 96.7,do Recife, o programa Conexão Beto Andrade é totalmente dedicado ao lançamento do livro “Além das Ideias – Histórias de Vida de Dom Hélder Câmara.
Durante mais de uma hora vamos falar sobre minha vida de jornalista e de padre casado. Não percam. Conheçam um pouco da minha história e do livro que vou lançar dia 29.
Vocês de fora de Pernambuco, podem ouvir o programa AO VIVO acessando os seguintes endereços:



Um forte abraço,

Félix Batista Filho

Não é bom que o homem esteja sozinho (pesquisa com padres casados)

A Revista Ultimato enviou um questionário a 1.290 padres casados do Brasil. Recebemos 90 respostas (7%). Graças a essa bondosa acolhida, tivemos muita coisa para ler e examinar e fizemos preciosas amizades.

O padre casado mais idoso tem 87 anos e o mais jovem, 46. A idade média é de 67 anos.

Dois deles foram ordenados aos 18 anos. O que se ordenou em idade mais avançada tinha 45. A idade média da ordenação é de 29 anos....  

Quem são os padres casados?

Os padres casados estão em toda parte. Formam um exército de pelo menos 100 mil homens, 5% deles no Brasil. Não gostam de ser chamados de ex-padres, por causa da tradição de que “uma vez padre, sempre padre”, cuja origem alegam estar na passagem bíblica: “Você é sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedec” (Sl 110.4; Hb 5.6 e 7.17, EP). Por terem contraído matrimônio, com ou sem a necessária dispensa do compromisso do celibato concedida unicamente pelo papa, esses homens foram excluídos do ministério sacerdotal, não por vontade própria, mas por imposição de uma disciplina multissecular. São também chamados de egressos, especialmente quando antes vivam em clausura. Setores da Igreja Católica e o povo de um modo geral continuam a chamá-los de ex-padres. Eles abandonaram a batina, como se dizia antigamente, mas não abandonaram a Igreja, salvo raríssimas exceções. Por terem quebrado o voto do celibato, não são de forma alguma necessariamente homens promíscuos. Ao contrário, submeteram-se à disciplina de exclusão do sacerdócio para se relacionarem com uma mulher exclusivamente sob a proteção do matrimônio, o que não acontece com alguns de seus antigos colegas de ministério. “Não posso acreditar que todos os 100 mil sacerdotes casados ao redor do mundo são superficiais e inconseqüentes”, confessa dom Pedro Casaldaliga, bispo de São Félix, aqui no Brasil... LEIA MAIS - CLIQUE AQUI

ASSOCIAÇÃO PADRES CASADOS - LONDRINA - PARANÁ - ARQUIDIOCESE DE LONDRINA

Associação dos padres casados

Endereço e contatos do(a) COORDENADOR(A):

Geir Rodrigues da Silva
Rua Rio de Janeiro, 814 - Apto. 902
Londrina, PR, 86010-150
(43) 3322-5147
 

Portugal tem 600 a 700 padres casados

  Alguns padres pediram dispensa do exercício ministerial para poderem contrair casamento católico e continuar ligados à Igreja, enquanto outros optaram pelo casamento civil e por seguir uma vida leiga.
No entanto, "uma vez sacerdotes, nunca deixam de o ser", disse hoje à agência Lusa o presidente da Fraternitas Movimento de Padres Dispensados do Exercício Ministerial, José Serafim Sousa, para quem a imposição de celibato e a exclusão das mulheres do sacerdócio já "não fazem sentido".
A actualidade do tema levou a Fraternitas e o Movimento Nós Somos Igreja a promover um debate hoje, em Lisboa, para confrontar experiências de Portugal e do Brasil, onde existem 6000 a 7000 padres casados, segundo a mesma fonte.
Assim, estará em Lisboa, no Centro Nacional de Cultura, um casal brasileiro constituído por um padre português, que decidiu ir viver para o Brasil e dedicar-se ao ensino universitário, e uma teóloga.
"Nós não exercemos, estamos dispensados e isso parece que é uma coisa livre, mas não é. É imposta. Os bispos impõem-nos que estejamos dispensados", afirmou Serafim Sousa.
Nos últimos anos, referiu, pelo menos 50 a 100 padres terão pedido dispensa das ordens em Portugal.
Serafim Sousa concorda "cem por cento" com o sacerdócio no feminino apesar de, como diz, ser "filho de uma sociedade em que é tudo masculino" quando se fala de padres e sacerdócio.
Porém, nas igrejas, na assistência marcam presença essencialmente as mulheres: "Mais de 75 por cento das pessoas que hoje frequentam a Igreja e fazem todo o tipo de serviços, desde catequese, responsáveis de Crisma, de preparação para o matrimónio a
administração" são mulheres, observou.
Serafim Sousa indicou exemplos de outras igrejas: "Os protestantes já abriram o grau de presbiterado para as mulheres e os anglicanos também, só nós, na Igreja Católica, é que continuamos ligados a uma tradição obsoleta, a dizer que não e não".
A Fraternitas defende o sacerdócio para mulheres e padres casados, até porque, quando há uma boa relação com as paróquias, estes são chamados a desempenhar várias tarefas.
Podem dar catequese e a comunhão, ajudar em casamentos, baptizados e funerais, mas estás-lhes vedada a celebração eucarística.
"Isto é um contra-senso, mas a Igreja vive nisto, nesta ambiguidade, prefere viver assim e nós sentimos que isto é uma ferida que nos mágoa", lamentou.
O celibato actualmente, "com todas as falhas e solicitações, não faz sentido nenhum", acrescentou, defendendo que ainda há muitos jovens dedicados à Igreja para os quais o impedimento de contrair matrimónio e constituir família "é um obstáculo".
"Penso que se puserem o celibato facultativo resolvem os problemas, não todos, porque a vida de padre não é fácil, mas aquilo é uma missão. Ser padre não é uma profissão. Há vocações decididas a entregar-se a este trabalho de levar a luz de Cristo ao mundo, mas o celibato é um obstáculo, em muitas circunstâncias, a que tenhamos padres jovens", sustentou.
A Fraternitas é constituída por padres dispensados do exercício do Ministério, casados ou não, e suas esposas e viúvas.
 

Entrevista do Padre Casado João Tavares ao Jornal “O Estado do Maranhão”


O senhor falou que existem em São Luís pelo menos 25 padres casados e no Maranhão aproximadamente 30. Se eu não estiver errado, isso signfica quase 20% do número de sacerdotes da capital.
1. O que acontece para existir um número tão grande de padres que deixam de exercer sacramentos para levar uma vida de casado?
2. E outra, todos são maranhenses/ludovicenses ou apenas estavam trabalhando no Maranhão/São Luís?
João Tavares – Aconteceu que, a um certo momento da sua vida, o Padre não se sentiu bem e optou por deixar o Ministério sacerdotal e casar. A maioria pediu licença ao Papa para ser desobrigado dos compromissos que assumiu quando foi ordenado, inclusive o do celibato obrigatório....

LEITURA COMPLETA - CLIQUE AQUI

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

APRESENTAÇÃO DE UM AMIGO

 Caros amigos,
 Chamo-me Pe. Patrocínio Freire. Sou padre casado. Há 3 anos estou casado com Suzy. Deixei o exercício do ministério em jul de 2008. Fui ordenado na Congregação dos Salesianos de Dom Bosco. Hoje moro em Recife e estou terminando o meu doutoramento em Educação na UFPE.
É sempre mais fácil falar dos outros do que de nós mesmos. Mesmo que os outros sejam parâmetros do encontro do EU com o TU é sempre mais fácil falar daquilo que está além de nós do que propriamente daquilo que está junto, que está perto. Quem sou eu? Pergunta difícil e simples ao mesmo tempo. Difícil por ser um mistério. Fácil, por estar aqui, tão perto, sem distanciamentos, presente, único, em busca... É difícil dizer quem sou quando vejo que preciso trilhar caminhos além de mim, trilhas transcendentes, além do que propriamente possamos conceber. Sou, assim como todo humao, um mistério a ser desvendado em um TEMPO DE SER... Fácil de dizer quem sou por seu eu mesmo aqui: uma pessoa que ama a Deus. Que ante o desconhecido busco-O na sua inteireza, de joelhos, respeitando o tempo do mistério. Sou eu um sonhador. Um homem que casado com uma sonhadora, mulher forte, linda, divina: SUZY KARINA. É ela a minha força. É ela o meu sorriso gracioso de poder todos os dias persistir neste TEMPO DE SER... Sou eu, enfim, um homem que não perdeu a fé. Apaixonado pela educação e amante da Filosofia. Sou eu SENDO neste TEMPO DE SER...
Prof. Patrocínio Solon Freire.
 
 

“A EXPERIÊNCIA SOLITÁRIA DA MORTE”


Entrei na Igreja escura. Uma luz acesa, apenas uma: a fraca lâmpada do SS. Sacramento. Percorri alguns metros até A Sacristia e acendi a luz. Ali, na nave central, no mesmo lugar que um dia eu havia me ajoelhado e me prostrado para a ordenação diaconal, diante do altar que tantas vezes celebreI o Sacrifício, estava o Corpo do velho padre, do velho amigo, do meu velho confessor. Três coroas de rosas, velas apagadas, corpo revestido pela túnica simples que sempre esteve no seu guarda roupa. Sobre os ombros, a velha estola, a dele, que muitas vezes enxugou lágrimas e testemunhou a simplicidade. 
Olhei ao redor... um imenso espaço vazio, um silêncio ensurdecedor. No centro da igreja, aquele corpo, rosto sereno, pele sem rugas, os restos mortais de um grande homem. Ninguém ao redor, apenas os anjos e as preces que em vida aquele bom homem pode rezar. Os ecos de suas pregações em vida, naquele momento, estavam-lhe servindo de companhia. Sempre acreditei que as dádivas que partilhamos em vida não nos servem no momento que delas experienciamos. O que em vida fazemos serve para o júbilo na morte, ali, quando ninguém mais está ao nosso lado.
Um filme passou em minha memória: toquei o seu rosto, peguei a sua mão, beijei a sua testa. Ali, no corpo presente, a minha reação foi a reverência e o pranto calado, recaindo em forma de lágrimas gotejantes de existência.
Lembrei-me do primeiro encontro. Um homem bom. Quando no seminário chegou para ser o nosso confessor, me chamou ao canto e me disse palavras até hoje vivas em minha memória. Os ecos daquelas palavras e de tantas outras em confissão, me acompanham durante toda a minha vida.
Vivia de forma simples. Tinha sido um grande professor. Ensinou a ministros, secretários de Estado, bispos e muitas notórias personalidades. Era professor de Teologia na época em que o negro não podia ser ordenado padre e muito menos professor catedrático. Orgulhava-se do título de Bacharel em Teologia quando este tinha o Status de "Doutorado". Defendeu o seu trabalho final em latim e grego. Por todos admirado...
Era amigo de políticos. Tudo o que deles conseguia era para os pobres. Lembro-me que um dia, no seminário menor, tendo eu apenas um par de calças e um par de tênis, foi ele quem me ajudou. Ajudou os pobres por onde passou. 
No seu guarda roupa, algumas peças, uma simples túnica e duas estolas. A sua aposentadoria, toda investida em chocolates e bombons para distribuir às crianças, aos jovens, aos seminaristas. Ah... quantas vezes fui testemunha de momentos em que os superiores chamavam a sua atenção por ele cumprir tal gesto. O que era um salário mínimo na velhice diante de uma vida toda dedicada? Os olhos lacrimejavam e ele se recolhia. Nunca resmungou. Silenciava sempre diante do que para muitos era humilhação.
Sempre que eu entrava em seu quarto, estava ele escrevendo na sua velha máquina de escrever. "Estava compondo mais um livro", dizia ele. Orgulhava-se de ser padre. Orgulhava-se de ter o carisma da juventude.
A última vez que o vi foi no Hospital... Estava ele acompanhado por uma cuidadora...
Uma vida toda dedicada aos outros...No fim, de um lado e de outro, ninguém. Um homem que tanto acreditou que valia a pena dedicar toda a vida aos outros, incluindo a comunhão na vida religiosa, de repente, ali, sozinho, na frieza da madrugada ante o féretro da indiferença.

Novamente o contemplo... 
faço minhas orações. 
Encomendo-lhe o corpo e peço a sua intercessão.
Cubro-lhe com o tule que o envolvia. 
Apago a luz.
Faço minha prece final. 
Retiro-me em silêncio. 
Em silêncio permaneci até em casa.
Ao chegar, minha esposa pergunta: "Muita gente no velório?".
Com vergonha e talvez com angústia eu lhe disse: "Apenas eu... o meu velho padre estava sozinho."
E fui tentar dormir...


Prof. Patrocínio Solon Freire.
www.patrofreire.blogspot.com
E-mail: patro.freire@yahoo.com.br

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

JORNAL RUMOS 228

Colega e amigo do blog do MFPC CEARÁ,
A versão eletrônica do JORNAL RUMOS já está disponível no link abaixo.
Boa leitura.
Críticas construtivas, sugestões e colaboração com artigos, são bem-vindos.
  • Se gostar do Jornal Rumos e desejar assinar:
1. Assinatura anual:
Assinatura anual: R$ 40,00 (quarenta reais)
Pagamento pelo BANCO ITAÚ AGÊNCIA: 4453; Nº DA CONTA: 07294-6

Envie o pagamento e a comunicação (cópia do recibo do depósito bancário), imediatamente, ao nosso tesoureiro José Colaço Martins Dourado por e-mail (trinusuva@ig.com.br), ou por carta: (José Colaço Martins Dourado, Rua Mário Mamede, 1209 - Aptº 602 - Bairro de Fátima CEP: 60415-000 Fortaleza-CE) ou telefone (85-8899-9287)
2. Caso queira se tornar Sócio da Associação Rumos:
Anuidade de sócio - 150,00 (138,00 + 12,00 para Fundo de mútua ajuda); Envie o pagamento e a comunicação (cópia do recibo do depósito bancário), como acima

CLIQUE AQUI PARA LER - JORNAL RUMOS - 2228

Entrevista com Luís Guerreiro, padre casado e escritor

Por Francisco Salatiel de Alencar Barbosa

Padre Luís Guerreiro Pinto Cacais - MPFC - BRASÍLIA – hoje escritor – nasceu em Gondarém, município de Vila Nova de Cerveira, noroeste de Portugal, em 8 de julho de 1929. Filho de Domingos Pinto Cacais, pedreiro, e de Maria da Purificação Guerreiro, mulher do campo. Era o mais velho de quatro irmãos, três irmãos e uma irmã, e é o único que resta. Antes de entrar no seminário, foi ajudante de pedreiro, de pintor e de mineiro. Ingressou no Seminário Menor Redentorista em 1943. Fez a profissão religiosa na Espanha, em 1959, e lá continuou com os estudos de Filosofia e Teologia. Ordenou-se em 1956. Regressando nesse ano a Portugal, foi, primeiro, professor do Seminário Menor, depois Reitor e Diretor, mais tarde, em 1964, Diretor do Seminário Maior. Em 1963, estudou em Roma: Pedagogia, curso de um ano, no Pontificio Ateneo Salesiano, e Meios de Comunicação Social na Pro Deo, Università degli Studi Sociali. Em 1967, foi enviado como Vice-Provincial às missões redentoristas de Angola, onde trabalhou até 1974, ano em que deixou o sacerdócio, vindo para o Brasil, Brasília. Em Brasília, formou-se ainda em Administração, trabalhou sete anos numa empresa de construção, foi tradutor autônomo e se aposentou, por fim, como administrador financeiro do Goethe-Intitut de Brasília, após dez anos de serviços. Salatiel lhe dirigiu algumas perguntas que ele respondeu por e-mail.
 
 

LUBRAPEX 2012 - PADRE CASADO PREMIADO!


     O Padre Ermínio Micheli (MFPC do Ceará) participou e foi premiado na LUBRAPEX 2012 - Exposição internacional de selos em São Paulo de 10 a 18 de novembro de 2012. As Exposições Filatélicas Luso-Brasileiras "LUBRAPEX" são realizadas de 3 em 3 anos, alternadamente no Brasil e em Portugal ou nos demais países soberanos de expressão oficial portuguesa. A Exposição é organizada por uma comissão que se denomina Comissão Organizadora e que é designada pela Federação Filatélica do país anfitrião, devendo da mesma participar os representantes necessários dessa Federação e da Empresa dos Correios.
      Sobre a 21ª LUBRAPEX - Mais tradicional evento filatélico binacional, a LUBRAPEX é realizada alternadamente pelo Brasil e por Portugal desde 1966. A partir de 1984, passou a integrar também os outros países lusófonos. Com o tema “A Força da Língua Portuguesa”, a 21ª edição do evento foi realizada no Prédio Histórico dos Correios, em São Paulo, de 10 a 18 de novembro.
    Nossos parabéns ao amigo filatelista ERMÍNIO MICHELE contemplado com Medalha de Bronze Prateada na TEMÁTICA 154 - 158 PINTURAS DO RENASCIMENTO ITALIANO CE Brasil!
 
Carlos e Rosa - Secretaria - MFPC - CEARÁ e BRASIL

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Vila São João, Apipucos


Um belo testemunho de nossos colegas e amigos Bernardo Eyre e Marta Isabel sobre sua Pastoral da Criança, em Vila São João, Apipucos, Recife

Como este, do Recife ao Acre e do Amapá ao Rio Grande do Sul, muitos casais do MPC estão empenhados em vários tipos de trabalhos concretos, direta ou indiretamente pastorais, de voluntariado, em escolas, institutos, ongs, etc.

Fotos de um trabalho pastoral que eu faço na comunidade Vila São João, Apipucos, Recife.

 Sou líder da Pastoral da Criança. Visito as famílias e uma vez por mês a gente faz a Celebração da Vida, onde as crianças são pesadas.
Como líder da Pastoral da Criança faço parte do grande exército de voluntários da Pastoral da Criança cujo número calcula-se em mais de 200.000 no Brasil.
Em Dezembro, preparamos as crianças para uma apresentação sobre o Nascimento de Jesus. Primeiro houve a dramatização do Nascimento de Jesus, em seguida pesamos as crianças e depois teve um pequeno lanche e cada criança recebeu um presente de Natal. (veja as fotos)
Acho muito importante o trabalho da Pastoral da Criança e de modo especial a visita domiciliar nas famílias que o líder deve fazer.
O povo da comunidade da Vila São João já me conhece como “O homem da pastoral”. Eu acho esse título maravilhoso porque eu me sinto alguém que está no mesmo nível deles e não como quando eu era conhecido antigamente como “O senhor vigário”, agora eu visito em nome de Jesus e não como represente da igreja institucional.
Sei que há muitos padres casados fazendo trabalhos pastorais, mas fazemos os trabalhos individualmente. Poderíamos divulgar nossos trabalhos pastorais, e assim todos poderiam saber da existência dos padres casados que têm um emprego para se sustentar e sustentar sua família e além disso, exercem um trabalho voluntário e que ele não é e não será uma despesa para a Igreja.
Se tivesse um outro modelo de padre além do modelo do padre celibatário quem sabe teria mais gente interessado em optar para essa vocação de servir. Por exemplo um padre casado inserido no mundo, com seu emprego e fazendo trabalhos pastorais.

Bernardo Eyre e Marta Isabel (MFPC Recife)

XIX Encontro dos ex-alunos do Ipiranga

Caros Giba e Tavares ….
Pelo terceiro ano consecutivo participei no dia 15/11 do XIX Encontro dos Amigos ( ex – alunos) do Ipiranga.Na oportunidade:
1) divulguei o nosso site dos padres casados;
2) divulguei o Jornal Rumos, comprometendo-me a enviar on line para todos. Fiz a ressalva que, se gostassem, a assinatura impressa era importante por conta das pessoas idosas. Sendo um jornal independente, além dos custos com impressão era desejo que fosse enviado gratuitamente para todos os bispos.
3) Divulguei o nossos próximo Encontro Nacional em Florianópolis.
4) Defendi a necessidade do ministério sacerdotal para as mulheres citando o Livro de D. Clemente Isnard.
Devo ressaltar que entre os ex-alunos estavam 02 bispos eméritos: D. Celso Queiroz ex-secretário geral da CNBB e D. Fernando Penteado de Jacarezinho- PR, muito abertos e acolhedores, que inclusive presidiram a celebração eucarística conforme a foto 1.
Lá estavam muitos padres casados que normalmente não participam dos nossos encontros mas demonstraram interesse sobretudo quando recordei o encontro de Recife com o palestrante Pe. Comblin.
Alguém da coordenação nacional do MFPC poderia agendar participação no XX encontro dos Amigos do Ipiranga que acontecerá em 15/11/2013
O Francisco Cordão, meu amigo e colega, contemporâneo ( 1964 a 1967) aposentado, consultor, ( o barbudo da foto 2 ), foi renomeado por Dilma como membro do Conselho Federal de Educação, é o coordenador deste evento. Disse-me que eu poderia levar quem quisesse. Excelente oportunidade de parceria, não acham ???
Abraços
Almir Simões

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

SITE ASSOCIAÇÃO RUMOS - NOTÍCIAS JOÃO TAVARES

Amigos,
 
Batemos novo Recorde relativo de acessos ao Site, o maior desde o XIX Congresso: 217 ontem, domingo. Depois de dois de cerca de 180, logo após minha primeira mensagem sobre o Site e de 110 na sexta. Pelos vistos temos de ser mais espertos e assíduos no marketing. Precisamos acordar nosso povo do MFPC, do Brasil e do fora.
Como dizima os Romanos: Verba volant, scripta manent (as palavras voam; os escritas ficam).
Parece que o mix dos artigos está agradando... Vamos trocando ideias...
Chamo a atenção para a boa iniciativa do Secretário Carlos Andrade, junto com a Diretoria em Fortaleza que criaram mais um blog e um Site para servir de repositório de obras e artigos do e sobre o MFPC.
Acho que essa ideia casa muito bem com a ideia de recolha, armazenamento e sistematização de dados para a elaboração, até fim de 2013, da História do MFPC. Agora oficialmente aceito e proposto pela Diretoria.
É a oportunidade que temos para buscar em nossos arquivos e enviar para o Carlos: livros, artigos, entrevistas, em geral assuntos do MFPC e sobre o MFPC. Nossos e de outros.
Abraço
João Tavares
 

ANO DA FÉ

Em meio às incertezas trazidas pela cultura pós-moderna, os católicos terão a oportunidade de refletir sobre suas crenças e convicções religiosas. O Papa Bento XVI instituiu o Ano da Fé, de outubro de 2012 a outubro de 2013, ocasião que deve incitar o redescobrimento da fé católica. Em uma paróquia de Montes Claros (MG), uma escola de formação foi criada para esclarecer e preparar os fiéis para este Ano.
 

A ESPOSA DE JESUS


Por que a descoberta de um papiro do século IV que sugere a existência de uma mulher de Cristo pode revolucionar o estudo dos primeiros séculos do cristianismo ...
 

E se Jesus tivesse sido casado?

Aí está uma pergunta recorrente: Jesus foi casado? Agora, de repente, pensou-se que se tinha encontrado a resposta definitiva, na sequência da investigação de Karen King, professora da Harvard Divinity School, Massachusetts, do fragmento de um papiro em copta, do século IV. Aí, lê-se:
“Jesus disse-lhes: a minha mulher… poderá ser minha discípula.”

sábado, 17 de novembro de 2012

Os padres casados da Igreja Católica

Sob as bênçãos do Vaticano, os diáconos assumem paróquias e celebram batizados e casamentos. Depois, voltam para casa, junto da mulher e dos filhos

Débora Rubin
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SAGRADA FAMÍLiA
Ailton em sua paróquia, em Santana (SP), com o filho Guilherme e a
mulher, Isabel: “Minha vocação é o matrimônio, mas como diácono posso
ajudar ainda mais a Igreja”
No dia 24 de abril, o professor de geografia Wainer Fracaro da Silva, 37 anos, casado e pai de três filhos, recebeu das mãos do cardealarcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer, em plena Catedral da Sé, a ordenação da Igreja Católica. A partir daquela data, teve autorização oficial para assumir uma paróquia, realizar batizados e casamentos, aconselhar fiéis e até usar batina. Não, não estamos diante do primeiro caso da história de homem casado que se tornou padre. Silva faz parte, sim, de um grupo ainda pouco conhecido que se avoluma pelo mundo e tem sido uma alternativa em tempos de crise de vocações e falta de pastores. Só para falar da mais amena das crises que a Igreja enfrenta no momento. Ao participarem do ritual em missa solene, após cinco anos de intensos estudos, homens como o professor paulistano tornam-se diáconos permanentes. Naquele mesmo sábado de abril, outros 12 fizeram seus votos. Em uma Igreja na qual o celibato é regra sempre questionada – ainda mais quando surgem casos polêmicos, como os de pedofilia, que tiram o sono do papa Bento XVI nos últimos meses –, ter um homem casado na hierarquia da instituição soa como um avanço. Mas, afinal, quem é e o que faz um diácono permanente? Eles são católicos praticantes comuns que se candidatam à vaga porque desejam servir ainda mais à sua religião, mas sem abrir mão do matrimônio e a união deve ter pelo menos dez anos. Uma vez casados e com família, devem conciliar suas funções na Igreja com a vida profissional e matrimonial, pois não recebem um tostão para servir a Santa Madre. Solteiros e viúvos também podem ser diáconos, desde que assumam o celibato. Casados que se tornam viúvos não podem se casar de novo. Mas podem se tornar padres, se assim o desejarem. “A Igreja ordena pessoas casadas, mas não casa pessoas ordenadas”, resume o engenheiro Odélcio Calligaris, 63 anos, presidente da Comissão Nacional de Diáconos (CND), casado há 30 anos, pai de dois filhos e religioso desde 1993.
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UNIÃO
Wainer, da igreja Menino Deus (SP), teve total
apoio da esposa, Edileuza, e dos três filhos:
Matheus, Esther e Deborah
Mas não basta ser temente a Deus e cumpridor dos deveres cristãos para se tornar um diácono. É preciso ter ao menos 35 anos, ser casado há dez, estudar teologia e fazer um curso em uma escola diaconal – a CND calcula que existam 90 centros desse tipo no País. O programa tem cinco anos de duração e abrange disciplinas de teologia e oficinas práticas de liturgia e caridade. A esposa do aspirante a diácono também precisa assinar uma carta de próprio punho ao bispo responsável autorizando a escolha. No momento da ordenação, ele faz o voto de obediência – pobreza e castidade ficam de fora por razões óbvias.
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No dia a dia da igreja, esses homens são quase padres. “Nós somos ordenados para a liturgia, para a palavra e para a caridade”, explica o corretor de seguros Ailton Machado Mendes, 48 anos, casado há 25 anos, dois filhos, que serve a igreja como tal desde 2005. Na prática, isso significa que podem fazer quase tudo o que um sacerdote faz, exceto a consagração da hóstia e absolvição dos pecados, os sacramentos da eucaristia e da confissão. O diaconato foi a maneira que o recém-ordenado Silva encontrou para atender a um chamado que apareceu ainda na adolescência. O professor de geografia chegou a considerar a possibilidade de ser padre. “Só que eu tinha também um forte desejo de me casar e constituir família”, diz. Como diácono, conseguiu suprir ambos os anseios. “O sacramento do matrimônio e da ordem não se anulam, pelo contrário, um fortalece o outro.” Mendes também vê dessa forma. “Minha vocação é o matrimônio, mas como diácono posso ajudar ainda mais a Igreja.” Calligaris tem uma boa definição sobre ser diácono. “Temos um pé no clero e outro no mundo, o que permite que façamos uma ponte entre Igreja e sociedade.”
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BÊNÇÃO NA CATEDRAL
Os 13 novos diáconos de São Paulo no
dia da ordenação
Apesar de o diaconato ter sido oficializado há menos de 50 anos, durante o Concílio Vaticano II (1962-65), reunião de bispos do mundo todo que modernizou vários setores da Igreja, os diáconos existem desde os primórdios do cristianismo. Estão lá, no Novo Testamento, em Atos 6, 1-6. Na passagem, são citados os sete primeiros, escolhidos pelos apóstolos para cuidar das viúvas abandonadas à própria sorte. Continuaram em ação até o século V, quando, por razão não conhecida, caíram no esquecimento. Só foram resgatados pelo papa Paulo VI, após o encontro episcopal. “Por pouco essa questão não passa no Concílio”, conta o padre José Oscar Beozzo, professor do Instituto Teológico de São Paulo (Itesp). “Existia um temor de que, ao abrir essa brecha, a Igreja acabaria cedendo demais.”
Talvez por isso foram necessárias algumas décadas até que o diácono virasse uma realidade nas paróquias brasileiras. “Vai de cada bispo o desejo de ter em sua diocese o diácono permanente”, explica Calligaris, da CND. Daí a função só ter sido liberada na cidade de São Paulo em 2000. Já em lugares como Jundiaí (SP) e Apucarana (PR), o diaconato já é considerado uma tradição.
O alto clero vê o crescimento desse grupo com bons olhos. “A retomada desse ministério é uma grande riqueza para nós”, diz dom Orani João Tempesta, rcebispo do Rio de Janeiro. “Afinal, a comunidade paroquial é fonte de vocações de homens que estão dispostos a uma doação mais radical e profunda pela causa do Evangelho.” Dom Sérgio da Rocha, arcebispo de Teresina (PI), lembra que o diácono é um evangelizador em potencial, já que está, como profissional, dentro das fábricas, universidades e empresas. “Ele é diácono 24 horas por dia. O jeito dele de ser e de viver é a sua forma de evangelizar.”
Com as bênçãos do Vaticano, o número de diáconos vem crescendo a cada ano. Existem cerca de 35 mil no mundo. No Brasil, são dois mil. Mas, apesar de significarem um sopro de renovação na milenar instituição religiosa, eles foram regulamentados com o cuidado de não infringir preceitos dos quais a Igreja não abre mão, como a exclusão das mulheres. “A Igreja continua excluindo os homens casados das funções mais importantes, impedindo-os de se tornar sacerdotes de fato, e segue deixando as mulheres de fora”, afirma a professora de sociologia da religião da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Maria José Rosado. Já o padre Beozzo acredita que o diaconato aponta para uma direção importante ao mostrar que a família não entra em conflito com o “servir a Igreja”. “Saúdo o Vaticano por ter resgatado o diaconato, mas espero que ele seja um ponto de partida e não de chegada.”
 

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

LIVRO - Pe FÉLIX FILHO - MFPC - RECIFE - PE

Livro revela Dom Hélder Câmara - através de pequenas histórias

 A Companhia Editora de Pernambuco – CEPE, lançará no próximo dia 29 de novembro, a partir das 19 horas, no Museu do Estado, na Avenida Rui Barbosa, o livro Além das Idéias – Histórias de vida de Dom Hélder, do jornalista e padre casado Félix Batista Filho, do Recife. Editado em parceria com o Instituto Dom Hélder Câmara, o livro apresenta o ex-arcebispo de Olinda e Recife de forma inovadora, através de pequenas histórias, no cotidiano de sua vida, nos relacionamentos com as pessoas, em gestos simples que encantam e relevam sabedoria, bom humor, simplicidade e fé.
O jornalista Félix Filho nos leva a conhecer Dom Helder na intimidade, revelando histórias só conhecidas dos amigos mais chegados. A originalidade da publicação é apresentar Dom Hélder para além das suas idéias. “É como reencontrá-lo a andar a pé nas ruas ou sentar-se ao seu lado na salinha da Igreja das Fronteiras” explica Félix, que conviveu com o arcebispo como padre na Arquidiocese de Olinda e Recife.
O autor reuniu diversas histórias que estavam guardadas na memória das pessoas que conviveram diretamente com Dom Hélder, ou mesmo espalhadas em livros publicados. “Meu compromisso foi o de pesquisar e escrever pequenas histórias que retratam como Dom Hélder vivia e agia. Fatos simples, corriqueiros, mas reveladores de uma personalidade impactante, de uma fé inabalável e, acima de tudo, de serviço ao Povo de Deus e amor aos pobres. Um São Francisco do nosso tempo”, afirma.
No prefácio, Dom Sebastião Armando Gameleira Soares, bispo da Diocese Anglicana do Recife (DAR) e biblista renomado, ressalta a forma como foi escrito o livro: “do jeito típico de a Bíblia fazer, contar histórias. Nas Santas Escrituras, história é “torah”, isto é, instrução e lei para viver”.
“Felix nos dá a oportunidade de conhecer Dom Helder para além das ideias, em seus comportamentos, nas relações com pessoas, em gestos que encantam ao brotarem espontâneos no dia a dia. É aí que o homem verdadeiramente se revela na verdade sem cálculos, no despojamento e na simplicidade de cenários que não são criados para o público. Ele nos introduz na intimidade de Dom Hélder e assim, de certo modo, nos dá de presente sentir-nos também nós íntimos dele” escreveu na apresentação do livro o bispo anglicano.
O jornalista Félix Filho conheceu bem de perto Dom Hélder. Foi ordenado padre por ele na Arquidiocese de Olinda e Recife, sendo designado para atuar na Paróquia de Nossa Senhora do Bom Conselho, em Ponte dos Carvalhos, no Cabo de Santo Agostinho. Trabalhou também no setor de comunicação social da Regional Nordeste II da CNBB. Atualmente é casado, pai de dois filhos, e já foi presidente nacional da Associação Rumos/Movimento Nacional das Famílias dos Padres Casados, entidade que reúne os mais de cinco mil padres católicos casados do Brasil. Hoje exerce o ministério sacerdotal na Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, na Diocese Anglicana do Recife – DAR, onde é membro do Conselho Diocesano.
Como jornalista profissional foi repórter do Diário de Pernambuco e das sucursais do Jornal do Brasil e Estado de São Paulo. Trabalhou também na TV Manchete e na TV Globo Recife, onde atuou por 15 anos como chefe de reportagem e editor-chefe do telejornal Bom Dia Pernambuco. Atualmente é gerente na Secretaria de Imprensa do Governo do Estado de Pernambuco.
 
FONTE:
 
Revdo. Félix Galvão Batista Filho - MFPC - RECIFE - PE

Diocese Anglicana do Recife

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