sexta-feira, 29 de março de 2013

Papa pede padres próximos do povo

Francisco celebrou primeira missa crismal no Vaticano com cerca de 1600 membros do cleroCidade do Vaticano, 28 mar 2013 (Ecclesia) – O Papa Francisco presidiu hoje pela primeira vez à missa crismal no Vaticano, que reuniu cerca de 1600 membros do clero, e pediu que os padres estejam próximos do “povo”, em particular nas “periferias” humanas.
“É preciso experimentar a nossa unção, com o seu poder e a sua eficácia redentora: nas «periferias» onde não falta sofrimento, há sangue derramado, há cegueira que quer ver, há prisioneiros de tantos patrões maus”, disse, na homilia que proferiu na Basílica de São Pedro.
Segundo o Papa, é necessário que os padres estejam atentos às “situações extremas, ‘as periferias’ onde o povo fiel está mais exposto à invasão daqueles que querem saquear a sua fé”.
“Quando envergamos a nossa casula [veste litúrgica] humilde pode fazer-nos bem sentir sobre os ombros e no coração o peso e o rosto do nosso povo fiel, dos nossos santos e dos nossos mártires, que são tantos neste tempo”, acrescentou.
A cerimónia desta manhã, que se repete nas catedrais de todo o mundo, inclui a bênção dos óleos dos catecúmenos e dos enfermos e consagrado o óleo do crisma, utilizado na celebração de vários sacramentos.
“O bom sacerdote reconhece-se pelo modo como é ungido o seu povo, esta é uma prova clara. Nota-se quando o nosso povo é ungido com óleo da alegria; por exemplo, quando sai da Missa com o rosto de quem recebeu uma boa notícia”, observou.
Francisco partiu da simbologia dos óleos para sublinhar que a sua unção “é para os pobres, os presos, os doentes e quantos estão tristes e abandonados”.
“A unção não é para nos perfumarmos a nós mesmos, menos ainda para que a conservemos num frasco, pois o óleo tornar-se-ia rançoso e o coração amargo”, alertou.
O Papa argentino voltou a insistir na urgência de “sair” ao encontro dos outros e deixou um aviso aos padres: “Quem não sai de si mesmo, em vez de ser mediador, torna-se pouco a pouco um intermediário, um gestor”.
“A diferença é bem conhecida de todos: o intermediário e o gestor ‘já receberam a sua recompensa’. É que, não colocando em jogo a pele e o próprio coração, não recebem aquele agradecimento carinhoso que nasce do coração e daqui deriva precisamente a insatisfação de alguns, que acabam por viver tristes, padres tristes, e transformados numa espécie de colecionadores de antiguidades ou então de novidades”, assinalou.
A homilia papal comparou os sacerdotes católicos a pastores que devem ter o “cheiro das ovelhas” e estar “no meio do seu rebanho”.
“É verdade que a chamada crise de identidade sacerdotal nos ameaça a todos e vem juntar-se a uma crise de civilização; mas, se soubermos quebrar a sua onda, poderemos fazer-nos ao largo no nome do Senhor e lançar as redes”, declarou.
O Papa Francisco vai celebrar esta tarde a primeira missa do Tríduo Pascal num centro de detenção para menores, em Roma, celebração na qual lavará simbolicamente os pés a 12 jovens de várias nacionalidades e religiões.
OC
Fonte: http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=94969

Pela 1ª vez, Papa inclui mulheres na celebração da 5ª Feira Santa

Duas moças estavam entre pessoas que tiveram os pés lavados e beijados. Missa de Lava-Pés evoca gesto de humildade de Jesus com apóstolos.

Duas moças estavam entre as 12 pessoas que tiveram os pés lavados e beijados pelo Papa Francisco numa tradicional cerimônia da Quinta-Feira Santa, realizada num centro de detenção de menores infratores nos arredores de Roma. É a primeira vez que um Papa inclui mulheres no rito.
A Missa de Lava-Pés evoca um gesto de humildade de Jesus com seus apóstolos na véspera da crucificação. Um porta-voz do Vaticano disse ainda que das 12 pessoas que tiveram os pés lavados, 2 eram internos muçulmanos do centro de detenção, chamado Casal del Marmo.
O local da celebração também marca outro ineditismo por parte do novo Papa. Desde que há registros, a Missa de Lava-Pés sempre foi celebrada pelos Papas nas basílicas de São Pedro ou São João de Latrão. Francisco disse que escolheu o reformatório juvenil porque desejava estar perto dos sofredores.
Na época em que era arcebispo de Buenos Aires, o argentino Jorge Bergoglio - agora Papa Francisco - já havia incluído mulheres na celebração do Lava-Pés.
O Papa Francisco lava pé de detento nesta quinta-feira (28) em Roma (Foto: AFP)O Papa Francisco lava pé de detento nesta quinta-feira (28) em Roma (Foto: AFP)
Numa homilia breve e improvisada, o Papa disse aos jovens internos que todos, inclusive ele, precisavam estar a serviços dos outros.
"É o exemplo do Senhor. Ele era o mais importante, mas lavou os pés dos outros. O mais importante deve estar a serviço dos outros", disse ele.
Numa missa na manhã da quinta-feira no Vaticano, Francisco pediu aos padres católicos que se dediquem aos pobres e sofredores, em vez de se preocuparem em fazer carreira como "administradores" da Igreja.
Sua homilia na primeira cerimônia da Quinta-Feira Santa foi mais um sinal desde sua surpreendente eleição, há duas semanas, da sua determinação de colocar a Igreja mais perto dos pobres.
"Precisamos sair, então, a fim de experimentar nossa própria unção (como padres) ... até as periferias, onde há sofrimento, derramamento de sangue, a cegueira que anseia por visão, e prisioneiros servos de muitos senhores maus", disse ele em missa na Basílica de São Pedro.
O argentino de 76 anos assumiu a Igreja Católica após o escândalo resultante do vazamento de documentos que mostravam supostos casos de corrupção e disputas internas na Cúria Romana.
Na missa, que marca o início de quatro dias de intensa atividade até a Páscoa, Francisco disse que os padres não devem se acomodar na "introspecção".
"Aqueles que não saem por si mesmos, em vez de serem mediadores, gradualmente se tornam intermediários, gestores. Sabemos a diferença: o intermediário, o gestor ... não põe sua própria pele e seu próprio coração na linha de frente, nunca escuta uma palavra calorosa e compungida de agradecimento", disse.
Dirigindo-se aos cerca de 1.600 padres de Roma presentes à missa, o Papa disse que os que não vivem em humildade, perto do povo, correm o risco de se tornar "colecionadores de antiguidades ou novidades - ao invés de serem pastores vivendo com ‘o cheiro das ovelhas'".
Depois de eleito Papa, o cardeal Bergoglio assumiu o inédito nome de Francisco em homenagem a são Francisco de Assis, associado à austeridade, simplicidade, caridade e amor pela natureza. Em outras atitudes, ele já deixou claro que pretende tornar o papado e a Igreja mais humildes.
FONTE: G1

Sexta-Feira Santa. Paixão do Senhor

Qual é o poder deste crucificado? A atração irresistível da Verdade! Verdade que não vem juntar-se a “verdades”, ao que já existe no homem, mas que desvela o que nele, embora oculto, é capaz de torná-lo plenamente humano: o amor, pois amor e verdade se casam. Onipotência de um amor poderoso o bastante para renunciar ao poder e, amorosamente, ir ao encontro da fraqueza.
A reflexão é de Marcel Domergue, sacerdote jesuíta francês, publicada no sítio Croire, comentando as leituras da Sexta-Feira Santa (29 de março de 2013). A tradução é de Francisco O. Lara, João Bosco Lara e José J. Lara.
Eis o texto.
Referências bíblicas:
1ª leitura: Is 52,13-53,12
Salmo: Sl 30
2ª leitura: Hb 4,14-16.5,7-9
Evangelho: Jo 18,1 a 19,42

“Eis o homem”
A ninguém passam despercebidas as semelhanças que existem entre a profecia do Servo (1ª leitura) e os relatos da Paixão. Os evangelistas tinham, com certeza, Isaías em mente, ao redigirem o texto. Tem-se a impressão de que Jesus segue um modelo pré-fabricado. Os exegetas se perguntam quem seria este Servo sofredor de Is 52-53. Seria Davi perseguido por Saul? Ou Jeremias, o profeta perseguido? Ou o povo de Israel, hostilizado pelos pagãos? É forçoso responder: são estes e muitos outros mais, ou seja, todos os que foram, são e serão um dia levados a bradar “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” (Mc 15,34). Jesus assume as dores e angústias de todos os perseguidos da história, de todos os que sofreram, sofrem e sofrerão por não importa qual motivo. “Eis o homem”, diz Pilatos: eis o homem todo e todos os homens! Em Isaías, à vista do estado miserável a que foi reduzido o Servo sofredor, as testemunhas o tomam primeiramente por um pecador castigado por Deus, um “leproso” a ser evitado. Mas, bruscamente (Is 53,4), elas se voltam em outra direção: o que ali vemos, somos nós mesmos! Este homem é a revelação do nosso mal, da nossa desgraça conhecida ou ignorada. Ele carrega o pecado do mundo e forçoso é voltarmos nosso olhar para aquele que trespassamos. Nele se manifestam todas as dimensões de nossa sempre disfarçada perversidade bem como “a largura, a altura e a profundidade do amor” de um Deus que quis ser até este extremo Emanuel, o “Deus-conosco”
Falência da justiça
A Paixão é um processo. A Bíblia está cheia de alusões ao processo que Deus move contra os homens: é o tema do julgamento. Aqui, porém, assistimos ao processo que os homens movem contra Deus. Aliás, um duplo processo: dos judeus (que O conhecem) e dos pagãos (que não sabem onde se encontra a verdade). Os dois inimigos, que materializam na Escritura o imemorial conflito entre homem e homem, participam agora da condenação à morte do Justo. Primeira conivência, primeiro acordo, compartilhamento perverso na injustiça. Esta primeira cumplicidade reverterá depois, tornando-se aliança no amor entre judeus e não judeus, por obra do Espírito que Jesus “emite” no momento mesmo de sua morte: “paredoken to pneuma” (Jo 19,30). Mas, antes disso, eis que a justiça é escarnecida pelos homens! Jesus prossegue em seu caminho… Renuncia também Ele à justiça: os culpados não serão punidos, mas salvos. Tudo é subvertido pela Paixão de Cristo. E nós ficamos definitivamente isentos do regime da justiça, em virtude da qual poderíamos ser condenados. A Paixão é sentença de absolvição para todos os pecadores!
Da justiça ao amor
Não é possível inventariar tudo o que nos revela a Paixão segundo S. João. No seio mesmo de sua humilhação, Jesus é nela Mestre e Senhor: no Jardim das Oliveiras, os guardas caem por terra ante a revelação de sua identidade (18,6); Ele não julga diretamente o guarda que o esbofeteia, mas convida-o a julgar-se a si próprio (18,23); avalia, pelo contrário, a falta de Pilatos, comparando-a à “de quem o entregou” (19,11). Eis como é exercido o julgamento cujo veredito é sempre de perdão: não se trata de ignorar a culpa, mas, sim, de absolvê-la! Desviar os olhos do que foi trespassado é passar ao largo do perdão. Jesus é Senhor e até mesmo Rei (18,23-38). Ora, todo Rei exerce o poder. Qual é o poder deste crucificado? A atração irresistível da Verdade! Verdade que não vem juntar-se a “verdades”, ao que já existe no homem, mas que desvela o que nele, embora oculto, é capaz de torná-lo plenamente humano: o amor, pois amor e verdade se casam. Onipotência de um amor poderoso o bastante para renunciar ao poder e, amorosamente, ir ao encontro da fraqueza. Retornamos assim ao início do relato de S. João: “Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (13,1).

quinta-feira, 28 de março de 2013

Lava-pés: colocar-se a serviço de modo humilde, dos mais humildes



RealAudioMP3 Cidade do Vaticano (RV) - Na tarde desta Quinta-Feira Santa, Papa Francisco celebra a Santa Missa da Ceia do Senhor no Instituto Penal para Menores de Casal del Marmo. Esta Missa é caracterizada pelo rito do Lava-pés.

Celebrando no Instituto Penal para Menores, Francisco dá assim continuidade a uma tradição que assumiu quando ainda sacerdote. Em Buenos Aires, Bergoglio costumava celebrar esta Missa em prisões ou casas para pobres e marginalizados.

Para uma reflexão sobre o significado deste gesto, nós contatamos o Bispo responsável pela Pastoral Carcerária, Dom Pedro Luiz Stringhini, Bispo de Mogi das Cruzes, em São Paulo:

A Semana Santa é um momento tão importante na vida da Igreja, um momento tão importante para a vida dos cristãos católicos. É um retiro espiritual, como se costuma dizer. Celebramos os principais mistérios das passagens da vida do Cristo e o mistério da salvação: a paixão, a morte e a ressurreição do Senhor – o tríduo pascal é assim a maior festa litúrgica da Igreja Católica durante o ano.

Na Quinta-feira Santa, o Evangelho traz o texto do Lava-pés, ou seja, no fundo é a Igreja querendo ensinar que quem entendeu o significado da eucaristia deixado por Jesus, memorial da Páscoa, da Nova Aliança, quem celebra a eucaristia tem que se colocar a serviço e a serviço de modo humilde, e a serviço dos humildes e dos pequenos. E aí que entra a proclamação do Evangelho de João, capítulo 13, que é o texto do lava-pés – esta passagem tão bonita de Jesus, que antes de entregar sua vida quis realizar este gesto. Gesto simples, mas ao mesmo tempo tão contundente a ponto de S. Pedro não entender. Ou seja, quem celebra a eucaristia tem que se colocar a serviço, a serviço do mais humilde.

Este ano, a Festa da Páscoa coincide com a chegada de Francisco. Este Papa que nos surpreendeu vindo da América Latina, nos surpreendeu pelo nome que escolheu – é a primeira vez que um Papa se chama Francisco, evocando a figura de S. Francisco de Assim, que mais do que ninguém foi o santo que lavou mesmo os pés: ele foi abraçar o leproso, foi ao encontro dos mais pobres. Então tudo coincide e mais ainda o fato de que o Papa Francisco escolheu lavar os pés de jovens que estão privados da liberdade, em recuperação. Isso será um gesto muito profético. Vamos aprender com tudo isso, vamos aprender com o gesto de Jesus, que se repete na Igreja, e ao qual todos nós, cristãos, somos chamados a realizar e que o Papa Francisco está evidenciando.

E quando se trata da situação dos presos, dentro daquele espírito do Evangelho de Mateus, ‘estive preso e me visitaste’ – quando se fala desta situação, estamos diante da situação social mais grave. Porque uma coisa é socorrermos uma criança indefesa, todos nós gostamos de fazer isso, outra coisa é ir ao encontro daqueles que um dia praticaram atos contra a sociedade e que vivem numa situação muito precária, muito desafiadora.
(BF)

Francisco na Missa do Crisma: “Ser pastor é sentir o cheiro das ovelhas”


Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco celebrou na manhã desta Quinta-feira Santa, que abre o Tríduo Pascal, a Missa do Crisma na Basílica Vaticana.

Em sua homilia, falou da simbologia dos ungidos, seja na forma, seja no conteúdo. A beleza de tudo o que é litúrgico, explicou, não se reduz ao adorno e bom gosto dos paramentos, mas é presença da glória do nosso Deus que resplandece no seu povo vivo e consolado.

“O óleo precioso, que unge a cabeça de Aarão, não se limita a perfumá-lo, mas se espalha e atinge «as periferias». O Senhor dirá claramente que a sua unção é para os pobres, os presos, os doentes e quantos estão tristes e abandonados. A unção não é para perfumar a nós mesmos, e menos ainda para que a conservemos num frasco, pois o óleo tornar-se-ia rançoso... e o coração amargo.”

Para Francisco, o bom sacerdote reconhece-se pelo modo como é ungido o seu povo: “Nota-se quando o povo é ungido com óleo da alegria; por exemplo, quando sai da Missa com o rosto de quem recebeu uma boa notícia. O nosso povo gosta do Evangelho quando é pregado com unção, quando o Evangelho que pregamos chega ao seu dia a dia, quando escorre como o óleo de Aarão até às bordas da realidade, quando ilumina as situações extremas, «as periferias» onde o povo fiel está mais exposto à invasão daqueles que querem saquear a sua fé”.

Ser sacerdote é estar nesta relação com Deus e com o seu povo, pois assim a graça passa através dele para ser mediador entre Deus e os homens. Esta graça, todavia, precisa ser reavivada, para intuir o desejo do povo de ser ungido e experimentar o seu poder e a sua eficácia redentora: “Nas «periferias» onde não falta sofrimento, há sangue derramado, há cegueira que quer ver, há prisioneiros de tantos patrões maus”.

Não é nas reiteradas introspecções que encontramos o Senhor, adverte o Pontífice, nem mesmo nos cursos de autoajuda. O poder da graça cresce na medida em que, com fé, saímos para nos dar a nós mesmos oferecendo o Evangelho aos outros, para dar a pouca unção que temos àqueles que nada têm.

“O sacerdote que sai pouco de si mesmo, que unge pouco, perde o melhor do nosso povo, aquilo que é capaz de ativar a parte mais profunda do seu coração presbiteral. Quem não sai de si mesmo, em vez de ser mediador, torna-se pouco a pouco um intermediário, um gestor. Daqui deriva precisamente a insatisfação de alguns, em vez de serem pastores com o «cheiro das ovelhas», pastores no meio do seu rebanho, e pescadores de homens.”

Para enfrentar a crise de identidade sacerdotal, que se soma à crise de civilização, Papa Francisco convida a lançar as redes em nome Daquele em que depositamos a nossa confiança: Jesus.

E conclui: “Amados fiéis, permanecei unidos aos vossos sacerdotes com o afeto e a oração, para que sejam sempre Pastores segundo o coração de Deus. Amados sacerdotes, Deus Pai renove em nós o Espírito de Santidade com que fomos ungidos, o renove no nosso coração de tal modo que a unção chegue a todos, mesmo nas «periferias» onde o nosso povo fiel mais a aguarda e aprecia”.
(BF)

Igreja deve sair de si mesma em direção às 'periferias existenciais'

O documento, publicado no site da Conferência Episcopal cubana, foi o discurso de Bergoglio na Congregação Geral do Vaticano
O novo papa Francisco ajudará a Igreja católica a "sair de si em direção às periferias existenciais", abandonando sua atual posição "autorreferencial", segundo um documento escrito pelo próprio pontífice antes de ser eleito, divulgado nesta quarta-feira, 28, em Havana.
"Pensando no próximo Papa: um homem que, a partir da contemplação de Jesus Cristo e da adoração de Jesus Cristo, ajude a Igreja a sair de si em direção às periferias existenciais, que a ajude a ser a mãe que vive da 'doce e confortadora alegria de evangelizar'", afirmou o então cardeal argentino Mario Bergoglio.
O documento, publicado no site da Conferência Episcopal cubana (iglesiacubana.org), foi o discurso de Bergoglio na Congregação Geral do Vaticano, realizado antes do conclave, e que o argentino entregou ao cardeal cubano, Jaime Ortega, com autorização para divulgá-lo.
"Evangelizar significa na Igreja a afirmação de sair de si mesma. A Igreja está convocada a sair de si mesma e a ir em direção às periferias, não apenas as geográficas, mas também as periferias existenciais: as do mistério do pecado, as da dor, as da injustiça, as da ignorância e da prescindência religiosa, as do pensamento, as de toda a miséria", acrescenta.
O atual Papa sustenta que "quando a Igreja não sai de si mesma para evangelizar torna-se autorreferencial e então adoece" e "tem a intenção de manter Jesus Cristo dentro de si e não o deixa sair".
"A Igreja, quando é autorreferencial, sem perceber, acredita que tem luz própria; deixa de ser o mysterium lunae e dá lugar a esse mal tão grave que é a mundanidade espiritual (segundo De Lubac, o pior mal que pode acontecer com a Igreja). Este viver para dar glória a uns e outros", acrescentou.
Simplificando, afirma Bergoglio, "há duas imagens da Igreja: a Igreja evangelizadora que sai de si; a Dei Verbum religiose audiens et fidenter proclamans, ou a Igreja mundana que vive em si, de si, para si. Isto deve lançar luz sobre as possíveis mudanças e reformas que precisam ser feitas para a salvação das almas".
AFP

NOSSA PÁSCOA

Os dias da Semana Santa nos oferecem uma boa oportunidade para refletirmos sobre o que sustenta nossa vida, dá sentido a nossa existência e abre perspectivas novas, baseadas numa profunda esperança.

             Qual o sentido da Quinta-Feira Santa? Chama nossa atenção para a humildade, que tem sua expressão mais evidente no serviço, quer dizer, no ato de sermos servidores uns dos outros. O lava-pés não poderá restringir-se a um belo ato litúrgico. Quando Jesus diz “Eu lavei os seus pés, por isso vocês devem lavar os pés uns dos outros” (J. 13, 14.15), Ele não está querendo instalar uma cerimônia, e sim deseja suscitar, entre os seus discípulos e todos os seus seguidores, uma nova maneira de ser, uma atitude de vida, o jeito de servir, que, por sua vez, vai sustentar a sobrevivência da vida da raça humana e de toda a criação.

            Qual o sentido da Sexta-Feira Santa? Chama nossa atenção para a entrega, a doação, que é o ato sublime do serviço. O serviço, prestado por Jesus à humanidade, mostra sua fidelidade irrestrita ao amor que doa a todo ser humano. Interessante é observar as três Marias (a mãe, Maria de Cléofas e Maria Madalena) que se encontram aos pés da cruz, junto com o discípulo predileto (cf. J. 19, 25-27). Estas quatro pessoas representam todos aqueles que são fiéis a Jesus, até o suplício. E ser fiel a Jesus só pode significar entregar-se ao outro sem restrições. Esta entrega, esta doação é o serviço que vai sustentar a sobrevivência da raça humana e de toda a criação.

            Qual o sentido da Vigília Pascal? Chama nossa atenção para a perspectiva definitiva da vida. Como entender esta vida? Em outro momento, Jesus já se referiu a ela, falando em “vida em abundância” (J. 10, 10). Agora, esta vida em abundância só poderá se realizar, se estivermos dispostos a viver o serviço mútuo como entrega total ao outro e à outra. É desta sobrevivência da qual a raça humana e toda a criação devem ter sede.

Desta forma o círculo fechou: serviço em forma de doação para gerar vida.

 Aqui não se trata de uma pregação de igreja ou de uma ou outra forma de cristianismo, pois esses valores, para os quais Jesus chama a nossa atenção, são universais, atemporais, ultrapassando todos os limites, barreiras, infiltrando todas as culturas e pensamentos que propõem vida. Tratam, portanto, da maneira única da humanidade e de toda a criação garantirem seu futuro, tornando-se respiráveis e sobreviventes.

 Cremos que Páscoa seja isso. É só nesta Páscoa do Serviço e da Doação que a Paz vai invadir nossas vidas e todas as formas de vida em nosso planeta.

 Vivemos, nestes dias pascais, um momento bonito ao percebermos o jeito simples com o qual Papa Francisco se relaciona com as pessoas. Na medida em que está deixando de lado pompas e circunstâncias, ele se aproxima mais do jeito serviçal do qual fala o Evangelho. Embora não tenha participado do Concílio Vaticano II, o Papa Francisco, como cardeal-arcebispo de Buenos Aires, já vivia aquele mesmo espírito tão presente em bispos, como Dom Helder e Dom Fragoso, que passavam a morar em casas humildes, vestiam-se de forma mais simples, usavam transportes populares etc. ., testemunhando a virtude da simplicidade do Evangelho através de sua própria vida. O gesto deles fazia um bem tremendo à Igreja. O jeito de ser do Papa Francisco ajudará também, por certo, a Igreja tornar-se um pouco mais Igreja de Cristo.

Porém, não deixemos de ter a consciência de que a Igreja não se resume no Papa e que ele sozinho não vai conseguir dar outro rosto a ela, pois “uma andorinha só não faz verão”. Assumamos, cada um(a) no seu canto, a nossa responsabilidade, pois mudar a Igreja é um trabalho a ser realizado em mutirão!

 Mas, a esperança está viva e vida nova na Igreja é possível acontecer. A “primavera”, com a qual o Papa João XXIII tanto sonhava, poderá tornar-se realidade por um tempo bastante longo, se Deus quiser!

 Cremos que Páscoa também seja isso: viver a esperança, sempre!

 QUE A PÁSCOA DE TODAS E TODOS ESTEJA REPLETA

DE ESPERANÇA E VIDA!

                 Coordenação do Movimento das Famílias dos Padres Casados  (MFPC)– Ceará,
    Claudete e Geraldo, Rosa e Carlos, Margarida e Aroldo

Alegrai-vos no Senhor: É Páscoa

Dom Pedro Carlos Cipolini 
Bispo de Amparo (SP)
As mulheres afastaram-se depressa do sepulcro, cheias de medo e alegria, e correram para dar a notícia aos discípulos. Jesus saiu ao seu encontro e lhes disse: Alegrai-vos! Elas se aproximaram, abraçaram seus pés e se prostraram diante dele. Jesus lhes disse: Não temais; ide avisar meus irmãos que se dirijam á Galiléia, onde me verão”  ( Mt 28,8-10).
Com estas palavras do Evangelho desejo iniciar esta saudação de Páscoa a todos vocês, irmãos e irmãs, que são pedras vivas da construção de nossa Igreja Particular de Amparo. Feliz Páscoa a todos, pois o Senhor ressuscitou.
A história de Jesus, humanamente falando, sem a ressurreição é a história de um fracasso. Até mesmo no momento da última ceia, enquanto Jesus falava do amor e do serviço ao próximo, os discípulos discutiam quem seria o maior (cf Lc 22,24). No Horto das Oliveiras, enquanto Jesus rezava em agonia, eles dormiam. Jesus ensinou o perdão e a paz, mas Simão Pedro, pegando a espada fere um dos soldados que vieram prender Jesus (cf. Lc 22,50). Depois todos fogem. A multidão favorecida por Jesus com curas milagrosas e palavras de vida, exigem que Barrabás, seja solto no seu lugar e pedem que Jesus seja condenado á morte na cruz.
Porém, tudo o que Jesus fez foi por amor e o amor é mais forte que a morte, por isso, o Filho de Deus feito homem, ao defrontar-se com a morte, investe sobre ela com um amor infinito que a derrota. A vida vence a morte, o amor vence o ódio e a inveja. Jesus é o vencedor vencido. Ele tem o poder de dar a vida e retomá-la de novo.
A mensagem de Páscoa é uma mensagem de alegria. O próprio Jesus diz: alegrai-vos. Assim como no dia de seu nascimento os anjos convidavam os pastores para a alegria, agora na conclusão do Evangelho somos novamente convidados à alegria. Tudo terminou bem. A vitória veio pela cruz. A cruz, o amor venceu o inferno. Jesus não foi derrotano, pelo contrário ele derrotou a morte e continua derrotando-a nos seus membros que somos nós, continuadores de sua missão na história: vencendo vem Jesus!
A mensagem da Páscoa é uma mensagem de coragem: não tenham medo disse Jesus. O medo nos paralisa, acovarda e impede de seguir Jesus. O medo é o contrário da fé. Nas águas do batismo fomos consagrados a Jesus, saibamos que Ele estará sempre conosco.
A mensagem da Páscoa é uma mensagem de perdão. Jesus chama seus discípulos (que o abandonaram) de “irmãos”, dando-lhes assim o perdão e re-convocando-os para a missão. Ele se mostrará a eles na Galiléia e os enviará com a missão de anunciar a vitória da vida sobre a morte.
Alegria, coragem e perdão, estas palavras resumem o Páscoa e indicam para nós a nova criação que Deus inicia com a ressurreição de Jesus. Com a vitória de Jesus Cristo todos que o seguimos nos tornamos capazes de Nele, vencermos a morte dia após dia.
Termino com uma palavra de apreço à juventude. Uma das prioridades pastorais de nossa Diocese é a juventude -  para que sejam discípulos e missionários de Jesus. A juventude é sentinela do amanhã. Na companhia de Jesus, não se deixem enganar pelos ídolos e promessas de prazeres falsos e vida fácil. Jesus vos chama a uma vida de amor-serviço, porque o amor vencerá.
A todos os que lerem esta mensagem, em nome de Jesus, abençoo de coração e desejo uma feliz e santa páscoa.

Papa Francisco, em sua primeira Audiência Geral: "Na Semana Santa, abrir as portas do nosso coração"

PapaFrancisco27032013
Nesta quarta-feira, 27 de março, realizou-se a primeira Audiência Geral do Papa Francisco. A Praça S. Pedro estava cheia para ouvir as palavras do Pontífice, que dedicou sua catequese à Semana Santa. Depois da Páscoa, anunciou ele, retomará as catequeses sobre o Ano da Fé, como vinha fazendo seu predecessor.
“Mas que significa viver a Semana Santa para nós?” – questionou. É acompanhar Jesus no seu caminho rumo à Cruz e à Ressurreição. Em sua missão terrena, ele falou a todos, sem distinção, aos grandes e aos humildes, trouxe o perdão de Deus e sua misericórdia, ofereceu esperança; consolou e curou. Foi presença de amor. Na Semana Santa, vivemos o vértice desse caminhada de Jesus, que se entregou voluntariamente à morte para corresponder ao amor de Deus Pai, em perfeita união com sua vontade, para demonstrar o seu amor por nós”.
O Papa então perguntou: “Que tudo isso tem a ver conosco? Significa que esta é também a minha, a tua, a nossa caminhada. Viver a Semana Santa seguindo Jesus quer dizer aprender a sair de nós mesmos, ir ao encontro dos outros, ir às periferias da existência, encontrar sobretudo os mais distantes, os que mais necessitam de compreensão, de consolação, de ajuda”.
Viver a Semana Santa, diz Francisco, é entrar sempre mais na lógica de Deus, do Evangelho. A falta de tempo não é desculpa, disse o Papa. “Não podemos nos contentar com uma oração, uma Missa dominical distraída e não constante, de algum gesto de caridade, e não ter a coragem de ‘sair’ para levar Cristo”.
“A Semana Santa é um tempo de graça que o Senhor nos doa para abrir as portas do nosso coração, da nossa vida, das nossas paróquias, dos movimentos, das associações, e ‘sair’ ao encontro dos outros para levar a luz e a alegria da nossa fé, um raio de amor do Senhor. Sair sempre! E isso com o amor e a ternura de Deus, no respeito e na paciência.”
Após a catequese, como de costume, o Pontífice saudou os grupos presentes. Francisco não falou nas várias línguas, mas sim em italiano. A síntese da catequese e da saudação foi lida por um tradutor. Em português, foi feita pelo padre Bruno Lins:
“Queridos irmãos e irmãs, na Semana Santa, centro de todo o Ano Litúrgico, somos chamados a seguir Jesus pelo caminho do Calvário em direção à Cruz e Ressurreição. Este é também o nosso caminho. Ele entregou-se voluntariamente ao amor de Deus Pai, unido perfeitamente à sua vontade, para demonstrar o seu amor por nós: assim o vemos na Última Ceia, dando-nos o seu Corpo e o seu Sangue, para permanecer sempre conosco. Portanto, a lógica da Semana Santa é a lógica do amor e do dom de si mesmo, que exige deixar de lado as comodidades de uma fé cansada e rotineira para levar Cristo aos demais, abrindo as portas do nosso coração, da nossa vida, das nossas paróquias, movimentos, associações, levando a luz e a alegria da nossa fé. Viver a Semana Santa seguindo Jesus significa aprender a sair de nós mesmos para ir ao encontro dos demais, até as periferias da existência. Há uma necessidade imensa de levar a presença viva de Jesus misericordioso e rico de amor. Queridos peregrinos de língua portuguesa, particularmente os grupos de jovens vindos de Portugal e do Brasil: sede bem-vindos! Desejo-vos uma Semana Santa abençoada, seguindo o Senhor com coragem e levando a quantos encontrardes o testemunho luminoso do seu amor. A todos dou a Bênção Apostólica!”
 

segunda-feira, 25 de março de 2013

Fórum Social Mundial… hora zero


Sergio Ferrari
Colaborador de Adital na Suiça. Colaboração E-CHANGER
FONTE: Adital
Tradução: ADITAL
A "primavera” árabe convoca o movimiento altermundialista
Sergio Ferrari*, desde Túnis

Cartaz do FSM/Tunis. Foto: S. Ferrari
Nesse 26 de março, as mulheres darão o "pontapé oficial”, antecipando, com sua assembleia mundial, a abertura da 12ª edição do Fórum Social Mundial (FSM).
Horas depois, na tarde desta terça-feira, uma manifestação na capital tunesina marcará, como já é habitual nesses eventos, o começo do encontro altermundialista. A marcha se iniciará na Praça 14 de janeiro, data emblemática que recorda o início, em 2011, da Revolução dos Jasmins.
Mulheres em ação e mobilização nas ruas, no marco da transição democrática, ressaltam os aspectos essenciais desse primeiro FSM no Magreb, 12 anos após o evento de Porto Alegre 1.
Em um contexto politico complexo e desafiador, no qual, após a insurreição de 2011, que derrubou a Ben Ali, as tensões crescentes entre o islamismo radical no governo e forças democráticas opositoras monopolizam o cenário político desse país de dez milhões de habitantes.
O Fórum Social Mundial, com sua concorrência prevista de milhares de participantes –entre 30 e 50 mil, de 127 países diferentes, segundo estimativas dos organizadores- poderá significar uma golfada de ar fresco para o país. Apenas sete semanas após o assassinato do reconhecido dirigente opositor de esquerda, Chokri Belaid, ato criminoso que fez a cólera popular explodir.
"Esse encontro em Túnis reveste-se de importância capital. Pode ajudar-nos a romper a espiral de medo e servir de barreira de contenção extraordinária da violência”, enfatiza, em diálogo com esse correspondente, Basma Khalfaoui, militante feminista e viúva de Belaid [Foto: S. Ferrari].

Ela enfatiza que isso servirá para aprender de outras experiências; a inspirar-nos em outros processos. A intercambiar com as representantes de forças democráticas do mundo inteiro.
Uma forma concreta de abrir a dinâmica tunesina –e da região- à solidariedade internacional, em um momento de encruzilhadas, labirintos e saídas de difícil prognóstico.
Os esforços organizativos preparatórios do FSM têm sido impecáveis. E as quase 5 mil organizações inscritas –das quais uma boa parte nacionais- animarão mais de 1 mil atividades autogestionadas no enorme campus da Universidade El Manar. O programa das atividades era conhecido pela Internet há vários dias antes dessa edição do FSM. E a versão impressa do mesmo circulou sem demora.

Manifestação de oposição em Tunis. Foto: S. Ferrari

Por outro lado, nas últimas horas, o FSM começa a perfilar-se lentamente na capital. Com os cartazes nas ruas chamando ao "Fórum da Dignidade”; espaços midiáticos até agora não muito numerosos; uma chamativa carpa de informação e acreditação na cêntrica avenida Burguiba e a chegada dos primeiros participantes estrangeiros.
Três componentes serão decisivos para o êxito dessa 12ª edição: a capacidade real de convocatória dos movimentos sociais mais dinâmicos do país, em especial das Mulheres Democráticas, da União Geral de Trabalhadores e do Movimento de Diplomados Desempregados. A resposta da sociedade civil tunesina em geral e a participação da sociedade civil internacional.
É um desafio enorme para a militância democrática de Túnis e do Magreb, ressalta Fathi Chamkhi, professor universitário, membro de ATTAC e do Comitê pela Anulação da Dívida Externa/África e um dos dirigentes nacionais do opositor Frente Popular. E um exercício de solidariedade concreta, enfatiza, em uma conjuntura delicada da vida do país, na qual o processo popular que estourou com toda sua virulência, em janeiro de 2011, está em disputa, ameaçado e necessitando do apoio dos democratas do mundo inteiro, conclui.
[*Sergio Ferrari, colaboração de imprensa de E-CHANGER, ONG de cooperação solidária ativa no FSM].

Páscoa e socialismo


Marcelo Barros
Monge beneditino e escritor
Adital

A Páscoa é celebrada tanto pelas comunidades judaicas, como pelas Igrejas cristãs históricas. A origem dessa festa é muito antiga. Marcava o renascer da natureza na primavera. A ela se incorporou a memória da libertação dos escravos hebreus e sua saída do Egito. Os cristãos deram à festa um conteúdo novo ao celebrarem a morte e ressurreição de Jesus, mas essa páscoa de Cristo é protótipo de todo ser humano e inicio de uma sociedade nova e de um mundo restaurado. Então, não substitui e sim inclui e radicaliza ainda mais os conteúdos que a festa tinha na sua história anterior.

Hoje, celebrar a páscoa da natureza é um desafio não só para judeus e cristãos. É dever de toda a humanidade deter a extinção de dezenas de espécies vivas que a cada dia se acabam. Só se a natureza renascer da destruição provocada pela sociedade vigente, a Páscoa será cósmica, como a Bíblia propõe. Quanto à sua dimensão social e política, a celebração pascal rememora a ação libertadora de Deus na ressurreição de Jesus e na vocação de todo ser humano para constituir uma sociedade nova, justa e feliz. Na Bíblia, profetas como Ezequiel usaram o termo ressurreição para anunciar a restauração social e política do povo como projeto divino (Ez 36- 37). Um discípulo de Isaías anunciou o projeto divino de criar um novo céu e nova terra, na qual toda a humanidade terá liberdade, saúde, paz e alegria (Is 65, 17 ss). Baseado nessas profecias, os evangelhos e Paulo falam da páscoa de Jesus como início de uma nova criação e fonte de vida nova para o ser humano e toda a sociedade.
No cristianismo primitivo, os discípulos e discípulas de Jesus se uniram em comunidades de entreajuda e solidariedade. Por isso, tomaram das cidades gregas o nome das assembleias de seus cidadãos (Igrejas)com a novidade de que nas assembleias cristãs, todos eram iguais e procuravam ter tudo em comum (At 2, 32 ss). Celebravam a ceia de Jesus como partilha do alimento e proposta de comunhão como forma de viver. Por isso, o império romano perseguiu judeus e cristãos. O império, tolerante para com as mais diversas religiões, não permitia associações de solidariedade entre os pobres. E as sinagogas e Igrejas eram isso. Só quando a Igreja renunciou à sua dimensão revolucionária, se tornou aceita pelo império e foi por ele absorvida. Hoje, para retomarmos o espírito original da Páscoa e o conteúdo verdadeiramente espiritual da caminhada eclesial temos de refazer a dimensão socialista da fé bíblica.
As características principais do verdadeiro Socialismo (não de um partido que se diz socialista e privatiza hospitais públicos e serviços de saúde) são 1º - a socialização da propriedade nas mãos das classes populares. 2º – o poder nas mãos do povo, o que significa a radicalização da democracia com instrumentos participativos 3º – o acesso de todos às necessidades básicas da vida, como alimento, saúde, moradia e educação. Evidentemente, não bastam essas três características para que se possa considerar um sistema político como socialista, mas sem esses elementos nenhum regime merece tal nome. A atual social democracia é apenas um disfarce do mesmo mecanismo de exploração e injustiça que faz do ser humano o lobo do outro humano. Só o socialismo ou como, na encíclica Mater et Magistra, João XXIII, o papa bom e santo, chamou de "socialização”, pode criar condições de uma vida justa e feliz. A celebração pascal deve ser sinal e instrumento dessa profecia socialista. A ressurreição de Jesus é o começo da transformação do mundo. Ser verdadeiramente revolucionário é em primeiro lugar um problema de fé e exige de nós uma espiritualidade pascal. Quem crê na ressurreição de Jesus trabalha pela ressurreição social e espiritual de todo o mundo. Testemunha a Deus que diz: "Faço novas todas as coisas” (Ap 21, 5).

FONTE: http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=74329

domingo, 24 de março de 2013



MFPC CEARÁ - NOVA COORDENAÇÃO - 2013-2015


NOVA COORDENAÇÃO ESTADUAL

 Passado dois anos, o movimento MFPC CEARÁ teve no sábado, 23 de março de 2013, a renovação de sua coordenação estadual. O Encontro foi realizado na casa do querido casal Aroldo e Margarida e contou com a presença de muitos casais de nosso movimento.

A nova coordenação irá trabalhar pelo fortalecimento do movimento no Ceará, tornando cada vez mais, o MFPC conhecido e integrado na sociedade em que vivemos, pois ninguém nasce para si próprio, a nossa vida só tem sentido quando nos colocamos a disposição dos outros.

NOVA COORDENAÇÃO MFPC CEARÁ (2013 – 2015):

 
 
Casal Presidente: Geraldo e Claudete.

 
 
 
 
Secretários: Carlos e Rosa.

 
 
 
 
Casal Tesoureiro: Aroldo e Margarida.

 Agradecemos a confiança depositada e esperamos contar com a participação e a colaboração de todos.
 Atenciosamente
Carlos e Rosa – Secretaria – MFPC - Ceará

Papa Francisco deve estender mudanças à Cúria

A espontaneidade do papa Francisco nos primeiros dias de pontificado está exigindo uma adaptação rápida do cerimonial, da diplomacia e da segurança do Vaticano a um comportamento informal e imprevisível. As surpresas deverão ser maiores a partir do momento em que ele mexer na estrutura das congregações, comissões, conselhos e outros órgãos menores da Cúria Romana, até agora sem alterações.
A reforma do governo central da Santa Sé é uma reivindicação dos cardeais, manifestada tanto em declarações públicas como nas sessões preparatórias do conclave. É certo que começará pela Secretaria de Estado, presidida pelo cardeal Tarcísio Bertone, que deverá ser substituído.
Ao contrário de Bento XVI, que anunciou a nomeação de novos auxiliares imediatamente após ter sido eleito, em 2005, Francisco preferiu manter interinamente toda a equipe do pontificado anterior, para depois fazer uma reestruturação em bloco. Os atuais prefeitos continuam nos cargos, mas sem saber se serão reaproveitados.
Daí o silêncio de alguns cardeais, enquanto não sai a reforma. O brasileiro João Braz de Aviz, prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica, crítico da Cúria nas reuniões pré-conclave, foi muito arredio à imprensa antes da eleição de Francisco e continuou discretíssimo depois, sob a alegação de que, nesse momento, era prudente nada falar.
Não se sabe como será a nova equipe de Francisco, mas pode-se imaginar que ele vá inovar, mesmo que convoque auxiliares de diferentes tendências. O cardeal-arcebispo de São Paulo, d. Odilo Scherer, que foi muito cotado nas apostas para a sucessão de Bento XVI, poderá ser chamado para assumir uma congregação.
Segurança
Os agentes responsáveis pela proteção do pontífice e a polícia italiana, que age em parceria com o esquema da Santa Sé, levaram já alguns sustos, quando o papa argentino fugiu das normas, exigindo deles uma reação improvisada. Por exemplo, na Igreja de Sant'Ana, onde Francisco saiu do ritual para cumprimentar os fiéis, que puderam abraçá-lo e conversar com ele. A segurança ficou aparentemente assustada, porque ainda sente o trauma do atentado sofrido por João Paulo II em 1981, enquanto ele percorria de papamóvel as passarelas da Praça São Pedro.
No plano pastoral, Francisco corresponde aos anseios daqueles que esperavam do conclave a escolha de um pastor. É comovente a decisão do papa de celebrar uma das cerimônias de Quinta-feira Santa lavando os pés de 12 internos, representando os apóstolos, numa casa de detenção de Roma.
Entre tantas novidades e surpresas, não se espere que Francisco altere normas da doutrina moral da Igreja. Questões como aborto, eutanásia, união de homossexuais, uso de contraceptivos e admissão à eucaristia de casais de segunda união continuarão intocáveis. Poderá haver, no entanto, maior elasticidade pastoral no acolhimento de católicos que enfrentam essas situações. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Semana Santa – das alianças malditas

 

1. Páscoa ou férias da Páscoa? Para uma minoria cristã, a Semana Santa significa a celebração do processo de transformação espiritual da vida humana.Para os mais idosos, acorda recordações inesquecíveis de infância, diferentes, segundo as tradições de cada zona do país. Para os marcados pela secularização, o turismo ainda pode aconselhar a Semana Santa em Braga ou em Sevilha, mas as “fugas” dependem das modelizações da crise na vida de cada um e nas famílias. A fuga mais geral é ficar em casa.
Na Igreja Católica, embora sabendo que uma andorinha não faz a Primavera, vive-se um momento de esperança. A facilidade e a rapidez com que simples e breves sinais preanunciaram mudanças indispensáveis, mostram até que ponto estávamos e estamos saturados de “Inverno”. Dentro e fora Igreja, a urgência de um outro rumo global só a não deseja quem cresce à custa do afundamento dos outros. A miopia financeira nunca perceberá que não é o império do Dinheiro que salvará o mundo.
2. Os cristãos estão avisados, desde há dois mil anos: para evitar as mudanças de rumo na sociedade, no estado e na religião são possíveis as alianças mais contraditórias. São Lucas, depois de apresentar, no seu Evangelho, o desfecho do currículo de Jesus, escreveu um segundo volume, os Atos dos Apóstolos, para que a Igreja e o mundo não esqueçam o esquema de uma história exemplar: Verdadeiramente, coligaram-se nesta cidade contra o teu santo servo Jesus, que ungiste, Herodes e Pôncio Pilatos, com as nações pagãs e os povos de Israel (Act 4, 27).
Pedro, ao recolocar a verdade dos fatos diante do Sinédrio de Jerusalém não é um vencido, é um judeu atrevido: sabei, todos vós, assim como todo o povo de Israel, que é pelo nome de Jesus Cristo Nazareno, aquele que vós crucificastes e que Deus ressuscitou de entre os mortos, é pelo seu nome e por nenhum outro que este homem está curado diante de vós. É ele a pedra que vós, os construtores rejeitastes e que se tornou a pedra angular. Pois não há sob o céu outro nome pelo qual possamos ser salvos (Act 4, 8-12).
O que terá levado S. Pedro a esta afirmação aparentemente tão exclusivista? Antes de Cristo, ao lado de Cristo e depois de Cristo não aconteceu nada para a salvação do sentido da vida dos seres humanos? A verdadeira história só tem 2.000 anos?
Jesus é, de fato, uma particularidade histórica contingente, com data e lugar de nascimento e, como tal, não pode ser considerada uma realidade absoluta. O ser humano pode encontrar o caminho para Deus, sem passar por Jesus de Nazaré.
Na história humana nasceram muitas religiõe sem qualquer referência cristã. Deus é absoluto, mas nenhuma religião pode pretender ser absoluta. Todas têm fronteiras. Então, de onde viria o atrevimento de São Pedro, sempre preocupado em dar razão da sua esperança?
É importante desfazer um equívoco grave, para não se cair numa interpretação que nega o próprio sentido das narrativas e das cristologias do Novo Testamento. Supõe-se que esses textos foram escritos para afirmar privilégios e fundar um povo, uma Igreja de privilegiados: Cristo é único e é só nosso; se o quiserem encontrar têm de passar por nós!
O que é particular à pessoa de Jesus, a sua absoluta característica, não tem nada a ver com esse equívoco: Jesus, na sua prática histórica, remete para um Deus que não é propriedade privada nem Dele nem de ninguém. É o Deus do livre amor por todos os seres humanos, sem restrição. O Deus de Jesus também não pode ser privatizado nem sequer pelos cristãos. Por outro lado, Jesus, na sua prática histórica, surge polarizado por todos os seres humanos, sejam ou não povo de Israel. É a partir da periferia que caminha para o centro. Tudo e em tudo, dentro e fora das religiões, só tem sentido se fôr para o bem de toda a humanidade.
O itinerário de Jesus, testemunhado pelas narrativas evangélicas, é o de alguém que está, continuamente, voltado para o Deus de todos. Em Jesus não há rivalidade entre a dedicação a Deus e a entrega à libertação humana. É um Deus humanado.
3. No século XX não foi possível superar, inteiramente, um cristianismo dolorista. A alternativa seria um cristianismo burguês ou hedonista. Perante judeus e gregos, São Paulo não se cansou de repetir: Pois não quis saber outra coisa entre vós a não ser Jesus Cristo, e Jesus Cristo crucificado (1Cor 2, 2). Não haverá perguntas a fazer a esta declaração? Creio que sim.
Jesus não morreu nem de acidente, nem de doença nem de velho. Foi condenado à pena capital, à morte na cruz, que não desejava. A celebração da Semana Santa, as narrativas da Paixão tentam explicar porque é que o crime aconteceu. Se Jesus não amava o sofrimento, se detestava a cruz, porque é que Ele não fugiu, não renegou? A sua fidelidade à emancipação humana era maior que a sua dor.
O mais importante está, todavia, no que aconteceu na própria cruz. No momento em que é excluído da vida, Ele oferece futuro aos que lhe dão a morte. Ele morre com o mundo vivo no seu coração.
A aliança de Jesus é com todos os que são contra a morte.
Frei Bento Domingues, o. p.
24 de março 2013

sábado, 23 de março de 2013

Busca de Equilíbrio sobre o papa Francisco

João Tavares
A meu ver temos de ficar atentos ao ôba! ôba! midiático sobre Francisco e ser capazes de manter nossa cabeça fria. Senão, vamos ser ingênuos e descambar para uma fácil e piegas papolatria, tão cultivada nos últimos 34 anos.
Mas precisamos também ficar atentos aos fortes ataques a ele, vindos sobretudo da Argentina onde ainda há muitas feridas não saradas. E, também, de setores conservadores da Igreja, que já devem estar bem preocupados até com o nome escolhido e, sobretudo, com seus primeiros passos, palavras e atitudes simples, simpáticas e abertas...
Ainda vão ser precisos meses, talvez anos, para uma catarse completa sobre esses anos de Bergoglio como Provincial dos jesuítas e sua atuação com os dois colegas ameaçados, devido ao seu trabalho entre os pobres, expulsos da Ordem por ele, e depois presos e torturados. Provavelmente esse vai ser um espinho na carne (2Cor 12, 7) com que Francisco vai ter de conviver. Como Pedro com sua negação de Jesus na noite da paixão...
Quase trinta anos se passaram, mas não houve boa digestão desses fatos e vai ser preciso dar tempo ao tempo.
Há defensores de peso, como Pérez Esquivel, Prêmio Nobel da Paz e há também acusadores de peso, como por exemplo, o jornalista Atilio Boron, que acaba de escrever em Página 12, um forte artigo contra Bergogoglio : DE BERGOGLIO A FRANCISCO . Seria Página 12 um jornal anticlerical, como afirma o porta-voz vaticano Pe. Lombardi? Não parece fácil provar isso...
Postamos há dias no nosso Site um artigo alertando que não está ainda na hora de santificar Francisco.
Mas digo agora: nem ainda de o condenar, pelas repetidas más notícias contra ele. Entendo que a melhor política é deixar rolar, dar tempo ao tempo até que a verdade toda venha à tona.
***
Atentos aos sinais dos tempos e ao soprar dos ventos, de olho cravado na mídia nacional e internacional, com nosso inconteste amor à Igreja de Jesus, devemos nos interrogar o que este mega-empenho midiático mundial em torno da eleição e tomada de posse de Francisco significa:
  • em termos de Argentina, com muitas e grandes feridas ainda não sanadas, com um exagerado relacionamento entre religião e política, com gravíssima omissão da maioria dos bispos durante a ditadura e a sanha assassina dos generais presidentes (desde a conivência aberta, à omissão dos bispos, em nome do perigo comunista), salvo poucas exceções;
  • em termos de mundo que, em gravíssima crise financeira, econômica e axiológica globalizada, de fanatismos exacerbados nos países muçulmanos, já à vista do ocaso e do malogro da esperança surgida com a Primavera Árabe, busca, onde os puder encontrar, sinais de esperança, táboas de salvação;
  • em termos de Igrejas, cada uma com vários e sérios problemas internos mal resolvidos e ariscas com o "ecumenismo" de Bento XVI e João Paulo II;
  • em termos de Igreja católica que:
  1. Após o inverno rigoroso trazido por João Paulo II e Bento XVI, na sua determinação clara e explícita de acabar com todas as esperanças suscitadas pelo Concílio Vaticano II, pelas Conferências de Medellin e Puebla, pela Teologia da Libertação e pelas Comunidades Eclesiais de Base: uma maneira nova de ser Igreja, a partir das bases que liam as Escrituras, olhavam a realidade concreta de pobreza, exploração e injustiça generalizadas, e se perguntavam: "o que Jesus faria nestas circunstâncias"?
  2. Após a onda clara e explícita de bispos escolhidos por João Paulo II e Bento XVI, cuja principal virtude deveria ser a obediência cega, surda e muda, não o profetismo e a responsabilidade por seu rebanho. E cuja principal missão deveria ser seguir à risca as ordens do Vaticano, sem as discutir: acabar com o Vaticano II e as CEBs;
  3. Após tantos escândalos de pedofilia e de homossexualidade em tantos países, tão bem guardados debaixo do tapete por Bento XVI, inclusive a escandalosa cobertura dada por João Paulo II ao criminoso Pe. Marcial Maciel, fundador do Legionários, hoje um dos grupos com forte poder no Vaticano, junto com o Opus Dei, Comunhão e Libertação, Caminho Neo-Catecumenal, etc.
  4. Após o aumento do segredismo suspeito que envolve o Banco do Vaticano (IOR) sobre o qual a Itália e a Europa lançam graves acusações de lavagem de dinheiro e de ligações com a máfia;
  5. A pós os desastres no relacionamento de Bento XVI com os discípulos de Lefèbvre (a quem tanto concedeu e dos quais nada conseguiu), com os muçulmanos e com os anglicanos com quem criou sérios atritos;
  6. Após todas as denúncias, vindas de dentro da Cúria, feitas nos livros: Via col Vento in Vaticano - (O Vaticano contra Cristo, na versão portuguesa); Sua Santidade; Vatileaks, etc.;
  7. Está perdendo visivelmente muitos fieis na Europa e na América Latina;
  8. Está com uma grave crise de vocações na Europa, onde a média de idade dos padres está acima de 65 anos, tendo, por isso de importar padres de vários continentes, num movimento missionário inverso;
  9. Está aumentando, por exemplo no Brasil, o número, mas não a qualidade intelectual, espiritual, pastoral e moral dos padres. Muitos deles orientados para os mega-shows, o mega-exposição midiática, a religiosidade sentimental, tipo carismático e outros semi-irracionais...
  10. Endureceu e parou o discurso sobre padres casados; católicos em segundas núpcias; sacerdócio para as mulheres, etc.
Visto tudo isso, é natural que a Renúncia de Bento e a eleição de Francisco, tenham suscitado um tsunami de esperanças... e ainda bastantes receios:
  • Será que vamos assistir uma nova Primavera, tipo João XXIII e Vaticano II, Comunidades Eclesiais de Base, Igreja com séria e sistemática opção preferencial pelos pobres?
  • Será que agora, como desejaram João Paulo I e talvez Bento XVI, (mas foram impedidos, o primeiro porque Deus o chamou ou alguém na Cúria resolveu despachá-lo antes do tempo,o segundo por um governo paralelo no Vaticano), agora vai haver um séria reforma na Cúria romana, acusada de ligações com a máfia e a maçonaria, ferinas guerras pelo poder, assassinato e sumiço do corpo da garota Emanuela Orlandi, filha de um funcionário vaticano que sabia demais, rede de homossexualidade já com chantagens a membros do clero vaticano, satanismo, fumaça do diabo pairando sobre o Vaticano, no dizer de Paulo VI, etc.?
  • Será que é agora que toda essa parafernália ridícula e antiquada dos adereços de papa, cardeais e bispos (o que Jesus diria disso tudo?) vai acabar: grandes cruzes e aneis de ouro, mitras, báculos, caudas de até 15 m., cores berrantes, palácios, etc.?
  • Será que a Cúria vai ser uma eficiente assessoria do papa para um bom governo do rebanho de Jesus, em vez de um saco da gatos em luta pelo poder?
  • Será que se vai acabar com a triste e falida figura do Núncio Apostólico e entregar essa função a um bispo escolhido pela Conferência episcopal de cada país?
  • Será que os bispos vão ser escolhidos pelo povo de Deus junto com o presbitério? Ou, pelo menos, pelas Conferências episcopais?
  • Será que o Povo de Deus vai ter voz ativa na formação dos seminaristas e na aceitação dos candidatos ao Sacerdócio e ao Diaconato permanente?
  • Será que o Catecismo de João Paulo II/Bento XVI e o Direito Canônico vão continuar a prevalecer sobre a Bíblia e o Vaticano II?
  • Será que os padres casados vão continuar a ser tratados como cristãos com menos direitos do que os leigos na Igreja?
  • Será que os católicos em segundas núpcias vão continuar a ser excluídos da Eucaristia, mesmo sendo já convidados a participarem da vida paroquial?
  • Será que mais de 50% da Igreja católica, as mulheres, vão continuar com menos direitos que os homens? Em base a quê, bíblica ou teologicamente?
  • Será que os cardeais, apelidados de "Príncipes da Igreja", figuras nada bíblicas, mas muito constantinianas e até pagãs, vão continuar, a ser os únicos eleitores do papa e seus mais diretos assessores? E por que não simplesmente leigos, religiosas, padres e bispos para isso delegados pelas igrejas nacionais?
  • Será que o papa vai continuar a ser um monarca absoluto, acima do Concílio e continuando a governar sem o Sínodo dos Bispos, ou outro órgão de governo colegiado da Igreja?
  • Será que a única Teologia possível é a romana, no máximo a europeia, o que leva facilmente a eliminar violentamente Teologias nascidas e desenvolvidas noutros continentes?
  • Será que o papa e a Cúria vão querer continuar a ter autoridade direta no governo das dioceses, anulando, na prática, a autoridade natural e sacramental de cada bispo diocesano, confundindo unidade da Igreja com uniformidade, pior como submissão automática e acrítica às normas vindas de Roma?
Que o Espírito Santo desça e cumule Francisco com todos os seus Dons, lhe dê força, coragem e visão prara levar a bom porto a barca de Pedro à deriva num mar tão agitado e a fazer água por tantos buracos. Vai mesmo precisar...
S. Luís - Maranhão, 22/03/2013
João Tavares
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