sábado, 29 de junho de 2013

Papa e bispos devem crescer em colegialidade, afirma Francisco na imposição do pálio

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco presidiu na manhã deste sábado à Santa Missa na Basílica Vaticana, por ocasião da Solenidade dos Apóstolos São Pedro e São Paulo (no Brasil será celebrada neste domingo, 30), padroeiros da Igreja de Roma.

A cerimônia teve início com o rito da imposição do pálio, símbolo de comunhão com o Bispo de Roma, a 34 novos Arcebispos metropolitanos, entre os quais três brasileiros: Dom Antônio Carlos Altieri, da Arquidiocese de Passo Fundo (RS), Dom Sérgio Eduardo Castriani, Arcebispo de Manaus (AM), e Dom Moacir Silva, Arcebispo de Ribeirão Preto (SP).

A presença de Bispos de todo o mundo, disse o Papa em sua homilia, torna esta festa ainda mais jubilosa, pois constitui uma enorme riqueza que faz reviver, de certa forma, o evento de Pentecostes: “Hoje, como então, a fé da Igreja fala em todas as línguas e quer unir os povos numa só família”.

O Pontífice desenvolveu três pensamentos sobre o ministério petrino, guiados pelo verbo “confirmar”. Em primeiro lugar, confirmar na fé. O Evangelho fala da confissão de Pedro: “Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo”, uma confissão que não nasce dele, mas do Pai celeste. É por causa desta confissão que Jesus diz: “Tu és Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja”. “O papel, o serviço eclesial de Pedro tem o seu fundamento na confissão de fé em Jesus, o Filho de Deus vivo, tornada possível por uma graça recebida do Alto”, explicou Francisco, que todavia advertiu para o perigo de pensar de forma mundana. 

“Quando deixamos prevalecer os nossos pensamentos, os nossos sentimentos, a lógica do poder humano e não nos deixamos instruir e guiar pela fé, por Deus, tornamo-nos pedra de tropeço. A fé em Cristo é a luz da nossa vida de cristãos e de ministros na Igreja!”

Em segundo lugar, o Bispo de Roma é chamado a confirmar no amor. Na segunda leitura, São Paulo diz: “Combati o bom combate, terminei a corrida, permaneci fiel”. O combate ao qual o Apóstolo se refere não é o das armas humanas, “que infelizmente ainda ensanguenta o mundo”, mas o combate do martírio. 

“São Paulo tem uma única arma: a mensagem de Cristo e o dom de toda a sua vida por Ele e pelos outros. (...) O Bispo de Roma é chamado a viver e confirmar neste amor por Cristo e por todos, sem distinção, limite ou barreira. E não só o Bispo de Roma: todos vocês, novos arcebispos e bispos, têm a mesma tarefa: deixar-se consumar pelo Evangelho. A tarefa de não se poupar, sair de si a serviço do santo povo fiel de Deus.”

Por fim, o Sucessor de Pedro deve confirmar na unidade. Francisco se dirigiu diretamente aos Arcebispos para falar que a presença deles nesta cerimônia é o sinal de que a comunhão da Igreja não significa uniformidade e não só, é preciso reforçar a colegialidade: “Devemos caminhar por esta estrada da sinodalidade, crescer em harmonia com o serviço do primado”. 

Na Igreja, disse o Papa, a variedade sempre se funde na harmonia da unidade, como um grande mosaico onde todos os ladrilhos concorrem para formar o único grande desígnio de Deus. “E isto deve impelir a superar sempre todo o conflito que possa ferir o corpo da Igreja. Unidos nas diferenças. Não há outra estrada católica para nos unir. Este é o espírito católico, este é o espírito cristão: unir-se nas diferenças. Este é o caminho de Jesus!” 

Como é tradição desde 1969, uma delegação do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla participou da celebração – presença que é retribuída por ocasião da Festa de Santo André, em 30 de novembro.

(BF)


Texto proveniente da página http://pt.radiovaticana.va/news/2013/06/29/papa_e_bispos_devem_crescer_em_colegialidade,_afirma_francisco_n/bra-705913
do site da Rádio Vaticano 

Saiba o que é o pálio

Cidade do Vaticano (RV) – No dia da Solenidade de São Pedro e São Paulo, padroeiros da Igreja de Roma, o Papa Francisco presidiu na Basílica Vaticana à celebração Eucarística. 

Como é tradição, nesta cerimônia se realiza a imposição do pálio aos novos metropolitas. No total, este ano eram 35, mas na Basília havia 34, já que o Arcebispo de Hue, no Vietnã, não pôde estar presente e o receberá em sua sede metropolitana. 

O rito de imposição do pálio foi feito conforme estabelecido por Bento XVI em 2012, ou seja, foi realizado no início da celebração. O novo Patriarca de Lisboa, Dom Manuel Clemente, leu a fórmula do juramento, Francisco abençoou os pálios e a seguir, um a um, os Arcebispos se ajoelharam diante do Papa para receber a faixa de lã sobre os ombros.

As informações exatas sobre a origem desta tradição não são precisas. Sabe-se, no entanto, que já no século IV o Papa usava este pálio. Provavelmente era uma insígnia imperial passada aos bispos. O pálio passa então a ser dado por Roma aos metropolitas, sobretudo na época de Gregório VII, logo após o ano mil, quando existia a necessidade de controlar a eleição de bispos. 

A partir daquele período, os metropolitas vinham a Roma receber o pálio. Posteriormente, ele passou a ser concedido também àqueles que não eram metropolitas, como um sinal de honra. Na década de 70, houve a reforma do pálio, desejada pelo Papa Paulo VI, por isso até hoje é concedido apenas aos metropolitas, no dia 29 de junho, Solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, justamente para evidenciar a ligação daqueles que carregam o pálio com a Sé Apostólica.

O simbolismo do pálio foi sendo enriquecido ao longo dos séculos. No início, ele teve um simbolismo sobretudo eclesial, isto é, em todo o primeiro milênio o pálio indicava a ovelha que estava perdida, e, portanto, significava o pastor que a carregava em seu ombro esquerdo. Está representado em toda a iconografia e em todos os mosaicos do primeiro milênio.

Posteriormente, ele mudou a forma: foi colocado ‘ad ipsilon’ sobre a pessoa que o usava e assumiu outro significado. As cruzes vermelhas (do Pontífice - os Arcebispos recebem com a cruz preta) assumiram o significado das chagas do Senhor. Os cravos assumiram o significado dos três pregos da crucificação. Assim, o pálio assumiu sobretudo um significado cristológico, do Cristo Bom Pastor. Hoje, há esses dois elementos juntos. 

O pálio é feito de lã, abençoada pelo Pontífice na festa de Santa Inês, e significa a ovelha perdida, leva os cravos e tem essas cruzes para significar que o Bom Pastor dá a sua vida pelas suas ovelhas. 

(JE/BF)



Texto proveniente da página http://pt.radiovaticana.va/news/2013/06/29/saiba_o_que_%C3%A9_o_p%C3%A1lio/bra-704846
do site da Rádio Vaticano 

Angelus: "A Igreja se fundamenta no martírio, não no poder"

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco rezou ao meio-dia com os fiéis reunidos na Praça S. Pedro a oração do Angelus, por ocasião da Solenidade dos Santos Pedro e Paulo, padroeiros da Igreja e da cidade de Roma.

Na alocução de precedeu a oração mariana, o Papa recordou que esta festa – que no Brasil é celebrada neste domingo, 30 – não é só da Igreja de Roma, mas de toda a Igreja, porque todo o povo de Deus deve aos dois Apóstolos o dom da fé.

Pedro foi o primeiro a confessar que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus. E Paulo propagou este anúncio no mundo greco-romano. A Providência quis que os dois viessem a Roma e derramassem seu sangue pela fé. “Por isso, a Igreja de Roma se tornou imediatamente e de modo espontâneo o ponto de referência para todas as Igrejas espalhadas no mundo. Não pelo poder do Império, mas pela força do martírio, do testemunho oferecido! No fundo, é sempre e somente o amor de Cristo que gera a fé e leva avante a Igreja.”

O Papa acrescentou: “Queridos irmãos, , que alegria acreditar num Deus que é completamente amor e graça! Esta é a fé que Pedro e Paulo receberam de Cristo e transmitiram à Igreja. Como eles, deixemo-nos conquistar por Cristo”. 

Por fim, Francisco agradeceu a presença em Roma da delegação do Patriarcado de Constantinopla, e guiou os presentes na oração do Ave-Maria na intenção do Patriarca Bartolomeu I e de sua Igreja. Também pediu orações pelos Arcebispos metropolitanos aos quais entregou momentos antes o pálio, símbolo de comunhão e de unidade.

Depois do Angelus, o Papa saudou os peregrinos que vieram de todo o mundo para festejar seus Arcebispos, entre eles o Arcebispo de Bangui, na República Centro-Africana, Dom Dieudonné Nzapalainga. De modo especial, encorajou o povo centro-africano, duramente provado pelo conflito civil, a caminhar com fé e esperança. 

Neste dia em que é feriado em Roma, concluiu com “uma boa festa e bom almoço a todos”. 

(BF)


Texto proveniente da página http://pt.radiovaticana.va/news/2013/06/29/angelus:_a_igreja_se_fundamenta_no_mart%C3%ADrio,_n%C3%A3o_no_poder_/bra-706002
do site da Rádio Vaticano 

JÔ EXPLICA OS R$ 0,20 CENTAVOS


O
 ministro Gilberto Carvalho, após reunião de governo, deu entrevista dizendo que não entende as razões das manifestações de protesto de ontem. 
O Jô Soares, mais tarde, se encarregou de explicar centavo por centavo as razões do surto da Galera. Será que agora perceberão !!!
JÔ Explica…. Pra quem não entendeu ainda: os vinte centavos, um por um:

00,01 – a corrupção
00,02 – a impunidade
00,03 – a violência urbana
00,04 – a ameaça da volta da inflação
00,05 – a quantidade de impostos que pagamos sem ter nada em troca
00,06 – o baixo salário dos professores e médicos do estado
00,07 – o alto salário dos políticos
00,08 – a falta de uma oposição ao governo
00,09 – a falta de vergonha na cara dos governantes
00,10 – as nossas escolas e a falta de educação
00,11 – os nossos hospitais e a falta de um sistema de saúde digno
00,12 – as nossas estradas e a ineficiência do transporte público
00,13 – a prática da troca de votos por cargos públicos nos centros de poder que causa distorções
00,14 – a troca de votos da população menos esclarecida por pequenas melhorias públicas (pagas com dinheiro público) que coloca sempre os mesmos nomes no poder
00,15 – políticos condenados pela justiça ainda na ativa
00,16 – os mensaleiros terem sido julgados, condenados e ainda estarem livres
00,17 – partidos que parecem quadrilhas
00,18 – o preço dos estádios para a copa do mundo, o superfaturamento e a má qualidade das obras públicas
00,19 – a mídia tendenciosa e vendida
00,20 – a percepção que não somos representados pelos nossos governantes 
Se precisarem tenho outros vinte centavos aqui, é só pedir.
 

Santa Sé oferece plena colaboração à justiça italiana no caso Scarano

Cidade do Vaticano,  (Zenit.org) Redacao 


O pe. Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano, divulgou um comunicado sobre a detenção, na manhã de hoje, de dom Nunzio Scarano. A nota informa que o prelado foi suspenso do serviço da APSA (Administração do Patrimônio da Sé Apostólica) há mais de um mês. Apenas os superiores foram informados de que havia irregularidades pelas quais Scarano estava sendo investigado.
 
Em conformidade com o Regulamento da Cúria Romana, foi aplicada a suspensão cautelar que se aplica a todas as pessoas submetidas a ação penal.
A Santa Sé ainda não recebeu nenhuma solicitação sobre o assunto por parte das autoridades competentes italianas, mas confirma a sua disponibilidade para a plena colaboração, na linha das reformas iniciadas pelo papa Bento XVI e prosseguidas pelo papa Francisco.
 
A autoridade competente vaticana, a AIF (Autoridade de Informação Financeira), acompanha o caso para tomar as medidas de sua competência.
 
Em alguns meios de comunicação italianos, foi informado erroneamente que dom Nuncio Scarano era bispo de Salerno. O site da diocese publicou um comunicado para corrigir a notícia e recordar que o bispo de Salerno é dom Luigi Moretti.
 
Além da detenção de Scarano, foi decretada também a de Giovanni Maria Zito, ex-agente dos serviços secretos italianos, já destituído de seu cargo há alguns meses, e de Giovanni Carinzo, intermediário financeiro.
 

quinta-feira, 27 de junho de 2013

'Proselitismo católico não rende voto'

Lourival Sant’Anna - O Estado de S.Paulo

A presença avassaladora de deputados evangélicos engajados, em comparação com católicos e em contraste com o perfil religioso da população, não reflete só o crescimento do protestantismo no País, mas a diferença na atuação política dos dois grupos. É o que dizem os especialistas em relações entre política e religião ouvidos pelo Estado.

"A Igreja Católica proíbe a participação de sacerdotes na política partidária. Ela apenas orienta sobre o perfil dos candidatos", diz Ricardo Mariano, da PUC-RS. Em muitos templos evangélicos se faz campanha para candidatos, embora isso seja proibido por lei. Além disso, a presença católica está "naturalizada" no Brasil, o que facilita o lobby e a atuação de lideranças católicas em espaços públicos.

"Os católicos não precisam acionar sua identidade religiosa porque são maioria", analisa Maria das Dores Campos Machado, da UFRJ. "Não precisam bater na tecla de sua diferença, assim como brancos ou homens não precisam ficar lembrando o que são. Os minoritários é que dão visibilidade a seu caráter distintivo." Além do embate moralista com feministas, homossexuais e seculares em geral, observa, os evangélicos têm um incentivo a mais para se mobilizar: a concorrência entre as inúmeras correntes evangélicas, que disputam visibilidade, verbas, concessões públicas e benefícios que se buscam nos parlamentos.

Não que nenhum parlamentar católico atue de forma ostensiva. Antonio Augusto de Queiroz, do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar, lembra que, até a legislatura passada, havia uma frente carismática - corrente católica conservadora - no Congresso. Entretanto, ela se desfez. Hoje, há dois deputados federais padres, ambos petistas da ala "progressista": Padre João (MG), ligado aos sem terra, e Padre Ton (RO), vinculado aos direitos indígenas. Os carismáticos têm apelo limitado dentre os católicos, e foram "enquadrados pela cúpula da Igreja, que coibiu excessos na liturgia", recorda Mariano.

"Fazer proselitismo em favor da Igreja Católica não dá voto", diz Ronaldo Almeida, da Unicamp e do Cebrap. Além disso, dizem os especialistas, a Igreja Católica é capaz de influir em instituições importantes além do Congresso, como o Supremo Tribunal Federal, que decide sobre temas caros para religiosos conservadores. "Para que um ministro do STF seja indicado por evangélicos, é preciso mudar o País", diz Almeida.

Minorias. A concentração de forças evangélicas no Legislativo tem uma explicação. "Deputados podem se eleger exclusivamente com votos de evangélicos. Nas eleições majoritárias dependem de apoio mais amplo", diz Paul Freston, professor da Universidade Federal de São Carlos. A Frente Parlamentar Evangélica reúne 72 deputados federais (14% das cadeiras da Casa) e 4 senadores (5%).

Freston lembra que, em 2002, o hoje deputado Anthony Garotinho (PR-RJ) obteve votação expressiva na eleição presidencial - 18%, ficando em terceiro lugar. "Ele usou sua identidade evangélica para ficar mais conhecido nacionalmente. Mas, se tivesse ido para o segundo turno, teria de ter feito campanha diminuindo a ênfase de - não negando - sua identidade religiosa."

A senadora Marina Silva (AC) alcançou patamar semelhante - 19%, também terceiro lugar - em 2010, mas, embora sabidamente evangélica, não fez campanha calcada nessa identidade, "recebeu votação expressiva de outros setores da população e votos de evangélicos na média da população do País", conclui Freston.

Apresentados sem essas nuances, esses dados preocupam Christina Vital, pesquisadora do Instituto de Estudos da Religião. "Podem pensar que a presença católica na política está diminuída, e que os evangélicos são superpoderosos", adverte Christina, coautora do livro Religião e Política. Ela teme que, em face dessa percepção de poder, os governantes façam concessões em troca do apoio dos evangélicos, como fizeram o ex-presidente Lula com o PRB, da Igreja Universal, e agora o governador Geraldo Alckmin com o PSC, da Assembleia de Deus.
 

Reunião do MFPC em Florianópolis SC

Dia 26 de junho viajaram até Florianópolis, provindos de Guarapuava PR, Armando Holyszewski, padre casado, e sua esposa Altiva. Eles são o casal coordenador do XX Encontro Nacional do MFPC – Movimento das Famílias dos Padres Casados – do Brasil, que acontecerá em janeiro de 2015 em Curitiba PR. À sua espera estavam reunidos no apartamento de Pe. Gilberto Gonzaga e sua esposa Aglésia mais 8 pessoas: o casal anfitrião, Pe. Celso Rohling e esposa Iara, Pe. Júlio Wiggers e esposa Laureci, Pe. João Fachini e Clarisse Leal.
A agenda da reunião foi o preparativo remoto do XX Encontro de Curitiba. Armando apresentou a pesquisa realizada para achar o local do Encontro e um substancioso documentário sobre o tema previsto, bem como proposta turística e cultural para um dia dos quatro previstos como duração do evento.
A reunião, iniciada às 10h foi interrompida por delicioso almoço oferecido pelo casal Gilberto e Aglésia, e em seguida perdurou até às 15h.
Na foto constam os encontristas, que avaliaram a reunião como muito produtiva.
Foi programado um segundo encontro em SC para novembro e um terceiro para julho de 2013.
Autor: Gilberto Luiz Gonzagagilgon@terra.com.br
Comentário de Armando:
               Foi a segunda reunião, sendo que a primeira foi com casais de Curitiba e  estão sendo agendadas reuniões em Londrina, Brasília, Rio Grande do Sul e mais tarde Norte e Nordeste do Brasil.  Nas reuniões de Curitiba e Florianópolis trabalhou-se em torno de quatro questões:
                  1º.- debateu-se sobre o  local para o Encontro. Pretende-se que definir um local que ofereça  hospedagem,  alimentação e espaço para a realização de toda a programação.
                    2º. Analisou-se a duração do Encontro ficando inicialmente definido que a abertura seja numa quarta feira à noite e que o encerramento seja no domingo com o almoço. Uma duração menor não teria condições de oferecer tempo para trabalhar os conteúdos, para depoimentos, para eventos culturais, para a assembleia, para as celebrações e também para conhecer Curitiba e arredores.
                     3º. Finalizando, discutiu-se o conteúdo a partir do esboço de uma proposta inicial que pretende aprofundar dois aspectos:
a)      Retomar as Proposições da Conferência de Aparecida e tentar definir estratégias que possam por em prática a proposição que Aparecida faz às Igrejas Particulares de elas estabelecerem relações de fraternidade e mútua colaboração com os presbíteros que se desvincularam do ministério regulado pelo direito canônico.
b)      Estudar e definir pontos básicos para que os padres egressos do ministério canonico, casados ou não, revisitando o Vaticano II, as Conferências Latino Americanas e fundados numa teologia bíblica, de modo livre e espontâneo iniciem o caminho de uma espiritualidade forte e radical centrada na Bíblia com ênfase nos Evangelhos;  multipliquem encontros com pessoas, famílias e grupos como forma de presença presbiteral em todos os lugares onde vivem e estão inseridos. Este caminho de espiritualidade e ação necessariamente  se ancore na fé no Espirito que dirige a Igreja pelos seus dons e sempre está presente para que seus discípulos  possam atualizar a Vida de Jesus Cristo nas diversas circunstâncias da história.
               Ao final definiu-se um novo encontro com os casais de Santa Catarina, que será na Casa do João Fachinni, em fim de outubro ou começo de novembro. O objetivo é ir aprofundando  e detalhando o Encontro.   Esperamos poder logo mais voltar com mais informações e abrir espaço na internet aos que não podem participar destes encontros preparatórios e desta forma possam enviar sua colaboração. Um abraço aos leitores.
Armando Holyszewski e Altiva   -   armando_holyszewski@yahoo.com.br

PAPA FRANCISCO

Missa em Santa Marta: devemos ser cristãos da alegria Cidade do Vaticano (RV) – Papa Bergoglio celebrou, na manhã desta quinta-feira, na sua Capela da Casa Santa Marta, no Vaticano, uma Santa Missa, da qual participaram o Cardeal-arcebispo de Aparecida, Dom Raimundo Damasceno Assis, e outros bispos. Estavam presentes também os funcionários da Direção de Assistência da Saúde e Higiene do Vaticano. Como todos os dias, o Papa Francisco fez uma reflexão dando destaque ao “cristão, como portador da alegria”. E, comentando o Evangelho de Mateus, proposto pela Liturgia do dia, o Santo Padre disse: “Na história da Igreja sempre houve duas classes de cristãos: aqueles só de palavras, que dizem “Senhor, Senhor...” e aqueles de ação e da verdade. Sempre houve a tentação de viver o nosso cristianismo fora da rocha, que é Cristo, o único que nos dá liberdade e nos sustenta nos momentos mais difíceis”.Não devemos, disse o Santo Padre, ser cristãos separados da rocha, que é Cristo. Esses são cristãos só em palavras, como acontece hoje na Igreja. Existem dois tipos de cristãos: os “agnósticos”, que amam as palavras bonitas, e os “pelagianos”, que vivem um estilo de vida sério, até rígidos demais.
Trata-se de cristãos superficiais, afirmou o Papa, que acreditam em Deus de modo leviano. Logo, estes não são cristãos, mas mascarados de cristãos, que não têm alegria e o orgulho de verdadeiros cristãos.
E o Santo Padre concluiu: “Uns são escravos da superficialidade e outros escravos da rigidez e da não liberdade. Mas, é o Espírito Santo que nos dá a liberdade. E, hoje, o Senhor nos convida a construir a nossa vida na rocha, que é Ele: Ele nos dá a liberdade e nos envia o seu Espírito, para que possamos prosseguir a nosso caminho cristão com alegria”. (MT)

FONTE: Texto proveniente da página http://pt.radiovaticana.va/news/2013/06/27/missa_em_santa_marta:_devemos_ser_cristãos_da_alegria/bra-705289 do site da Rádio Vaticano

Óbolo de São Pedro

Dom Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ
 
Todos os anos, por ocasião da Solenidade de São Pedro e de São Paulo, a Igreja Católica em todo o mundo comemora o Dia do Papa e, como um presente ao Sumo Pontífice, se une ao Santo Padre na tradicional coleta do óbolo de São Pedro. Neste ano as coletas serão realizadas nos dias 29 e 30 de junho, pois a solenidade dessas “colunas da Igreja” é transferida, no Brasil, para o final de semana. Ainda mais para nós que receberemos o Santo Padre no próximo mês, viver e celebrar o dia do Papa se reveste de uma alegria muito especial.
 
O “Óbolo de São Pedro” é a expressão mais emblemática da participação de todos os fiéis nas iniciativas de caridade do Bispo de Roma a bem da Igreja universal. “Trata-se de um gesto que se reveste de valor não apenas prático, mas também profundamente simbólico enquanto sinal de comunhão com o Papa e de atenção às necessidades dos irmãos; por isso, o vosso serviço possui um valor retintamente eclesial" (Discurso aos Sócios do Círculo de São Pedro, 25 de Fevereiro de 2006).
 
A Igreja Católica nunca poderá ser dispensada da prática da caridade enquanto atividade organizada dos crentes, como, aliás, nunca haverá uma situação onde não seja necessária a caridade de cada um dos indivíduos cristãos, porque o homem, além da justiça, tem e terá sempre necessidade de amor.  Trata-se de uma ajuda que é sempre animada pelo amor que vem de Deus. O programa do cristão – o programa do bom Samaritano, o programa de Jesus – “é um coração que vê”. Este coração vê onde há necessidade de amor e atua em consequência.
 
O Beato João Paulo II, tão querido dos brasileiros e que amava muito a Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, alertou, com propriedade, que a função de manutenção do trabalho do Papa é de todos os fiéis que, de maneira livre e generosa, ajudam na manutenção da obra evangelizadora: "A base primeira para a manutenção da Sé Apostólica deve ser constituída pelas ofertas dadas espontaneamente pelos católicos de todo o mundo, e eventualmente também por outras pessoas de boa vontade. Isto corresponde à tradição que tem origem no Evangelho (Lc 10,7) e nos ensinamentos dos Apóstolos (1 Cor 11,14)". (Carta de João Paulo II ao Cardeal Secretário de Estado, 20 de Novembro de 1982).
 
A primeira forma de contribuir é participar das celebrações em honra dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, dedicando suas orações pelo Santo Padre Francisco, por suas necessidades e por toda a Igreja de Cristo, sobretudo os mais necessitados da especial atenção, cuidados e auxílio fraterno do Sumo Pontífice, como disse o próprio Papa: "aqueles que vivem na periferia" e precisam da solicitude pastoral do Sumo Pontífice. Isso renova espiritualmente o vínculo de fé, de esperança e de amor que nos une em Cristo.
 
A segunda forma de contribuir é mais efetiva e nos compromete diretamente através da oferta material que se faz no ofertório da Santa Missa em todas as celebrações realizadas na Solenidade dos Santos Apóstolos. Nesse sentido, exorto o povo de Deus a colaborar generosamente com o "Óbolo de São Pedro", demonstrando assim nossa afetiva unidade com o serviço do Pastor Universal da Igreja de Cristo.
 
A terceira forma de contribuir é ajudar a divulgar o Óbolo de São Pedro, esclarecendo e orientando os que ainda não conhecem esta iniciativa e motivando os que já conhecem, mas não colaboram de modo efetivo. É dar ao Papa a possibilidade de ajudar as pessoas e situações de necessidade espalhadas pelo mundo.
 
O Papa João Paulo II lembrou que: “Conheceis as crescentes necessidades do apostolado, as carências das comunidades eclesiais especialmente em terras de missão, os pedidos de ajuda que chegam de populações, indivíduos e famílias que vivem em precárias condições. Muitos esperam da Sé Apostólica uma ajuda que, muitas vezes, não conseguem encontrar noutro lugar” (João Paulo II ao Círculo de São Pedro, 28 de Fevereiro de 2003).
 
O Papa Emérito Padre Bento XVI reafirmou que “a Igreja nunca poderá ser dispensada da prática da caridade enquanto atividade organizada dos fiéis. Por isso, é muito importante que a atividade caritativa da Igreja mantenha todo o seu esplendor e não se dissolva na organização assistencial comum” (Deus Caritas Est). As ofertas dos fiéis para o Santo Padre destinam-se, pois, a obras eclesiais, a iniciativas humanitárias e de promoção social, além da manutenção e sustento das atividades da Santa Sé Apostólica, da qual todos os batizados são corresponsáveis.
 
Sejamos, pois, generosos na Solenidade de São Pedro e São Paulo não só dando a nossa generosa oferta para as atividades do Santo Padre, mas fazendo um redobrado esforço para que os que não conhecem estas necessidades da Igreja colaborem com o Óbolo de São Pedro. Que os Apóstolos Pedro e Paulo recompensem todos os que, conscientemente, ajudam a missão do Sucessor do Apóstolo Pedro, Amém!
 

A plebe e a nobreza

Frei Betto - Adital

Foto: alagoas24horas.com.br
Era uma vez um reino governado por um rei despótico. Sua majestade oprimia os súditos e mandava prender, torturar, assassinar quem lhe fizesse oposição. O reino de terror prolongou-se por 21 anos.
 
Os plebeus, inconformados, reagiram ao déspota. Provaram que ele estava nu, denunciaram suas atrocidades, ocuparam os caminhos e as praças do reino, até que o rei perdesse a coroa.
 
Vários ministros do rei deposto ocuparam sucessivamente o trono, sem que as condições econômicas dos súditos conhecessem melhoras. Decidiu-se inclusive mudar a moeda e batizar a nova com um título nobiliárquico: real.
 
Tal medida, se não trouxe benefícios expressivos à plebe, ao menos reduziu as turbulências que, com frequência, afetavam as finanças da corte.
 
Ainda insatisfeita, a plebe logrou conduzir ao trono um dos seus. Uma vez coroado, o rei plebeu tratou de combater a fome no reino, facilitar créditos aos súditos, desonerar produtos de primeira necessidade, ao mesmo tempo em que favorecia os negócios de duques, condes e barões, sem atender aos apelos dos servos que labutavam nas terras de extensos feudos e clamavam pelo direito de possuir a própria gleba.
 
O reino obteve, de fato, sucessivas melhoras com o rei plebeu. Este, porém, aos poucos deixou de dar ouvidos à vassalagem comum e cercou-se de nobres e senhores feudais, de quem escutava conselhos e beneficiava com recursos do tesouro real. Obras suntuosas foram erguidas, devastando matas, poluindo rios e, o mais grave, ameaçando a vida dos primitivos habitantes do reino.
 
Para assegurar-se no poder, a casa real fez um pacto com todas as estirpes de sangue azul, ainda que muitos tivessem os dedos multiplicados sobre o tesouro real.
 
Do lado de fora do castelo, os plebeus sentiam-se contemplados por melhorias de vida, viam a miséria se reduzir, tinham até acesso a créditos para adquirirem carruagens próprias.
 
Porém, uma insatisfação pairava no reino. Os vassalos eram conduzidos ao trabalho em carroças apertadas e pagavam caros reais pelo transporte precário. As escolas quase nada ensinavam além do beabá, e os cuidados com a saúde eram tão inacessíveis quanto as joias da coroa. Em caso de doença, os súditos padeciam, além das dores do mal que os afetava, o descaso da casa real e a inoperância de um SUStemaque, com frequência, matava na fila o paciente em busca de cura.
 
Os plebeus se queixavam. Mas a casa real não dava ouvidos, exceto aos aplausos refletidos nas pesquisas realizadas pelos arautos do reino.
 
O castelo isolou-se do clamor dos súditos, sobretudo depois que o rei abdicou em favor da rainha. Infestado de crocodilos o fosso em torno, as pontes levadiças foram recolhidas e as audiências com os representantes da plebe canceladas ou, quando muito, concedidas por um afável ministro que quase nenhum poder tinha para mudar o rumo das coisas.
 
Em meados do ano, a corte promoveu, com grande alarde, os jogos reais. Vieram atletas de todos os recantos do mundo. Arenas magníficas foram construídas em tempo recorde, e o tesouro real fez a alegria e a fortuna de muitos que orçavam um e embolsavam cem.
 
Foi então que o caldo entornou. A plebe, inconformada com o alto preço dos ingressos e o aumento dos bilhetes de transporte em carroças, ocupou caminhos e praças. Pesou ainda a indignação frente a impunidade dos corruptos e a tentativa de calar os defensores dos direitos dos súditos contra os abusos dos nobres.
 
A vassalagem queria mais: educação da qualidade à que se oferecia aos filhos da nobreza; saúde assegurada a todos; controle do dragão inflacionário cuja bocarra voltara a vomitar chamas ameaçadoras, capazes de calcinar, em poucos minutos, os parcos reais de que dispunha a plebe.
 
Então a casa real acordou! Archotes foram acesos no castelo. A rainha, perplexa, buscou conselhos junto ao rei que abdicara. Os preços dos bilhetes de carroças foram logo reduzidos.
 
Agora, o reino, em meio à turbulência, lembra que o povo existe e detém um poder invencível. O castelo promete abrir o diálogo com representantes da plebe. Príncipes hostis à rainha ameaçam tomar-lhe o trono. Paira no horizonte o perigo de algum déspota se valer do descontentamento popular para, de novo, impor ao reino o regime de terror.
 
A esperança é que se abram os canais entre a plebe e o trono, o clamor popular encontre ouvidos no castelo, as demandas sejam prontamente atendidas.
 
Sobretudo, dê a casa real ouvidos à voz dos jovens reinóis que ainda não sabem como transformar sua indignação e revolta em propostas e projetos de uma verdadeira democracia, para que não haja o risco de retornarem ao castelo déspotas corruptos e demagogos, lacaios dos senhores feudais e de casas reais estrangeiras.
[Frei Betto é escritor, autor de "Aldeia do silêncio” (Rocco), entre outros livros. http://www.freibetto.org/> twitter:@freibetto.

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quarta-feira, 26 de junho de 2013

Começa campanha por beatificação de Dom Helder Camara

 A proposta será debatida com o papa Francisco no próximo mês, no Rio de Janeiro, durante a sua viagem ao Brasil por ocasião da Jornada Mundial da Juventude. Desde o trabalho que realizou no Rio de Janeiro a partir dos nos 60, d. Helder foi considerado um “inimigo público número um” pela direita. O arcebispo emérito de Olinda e Recife, d. Helder Camara, poderá ser proclamado beato da Igreja Católica Romana se o papa aceitar as milhares de assinaturas que estão sendo recolhidas no Brasil e no exterior, com esse pedido.A proposta será debatida com o papa Francisco no próximo mês, no Rio de Janeiro, durante a sua viagem ao Brasil por ocasião da Jornada Mundial da Juventude. E conhecido o comentário, na Igreja Católica Romana, de que d. Elder já possuía em vida o título de cardeal in pectore, ou seja, um tipo de nomeação secreta feita pelo papa, no caso Paulo VI, a um dos seus colaboradores de estrita confiança. 
 A escolha de um novo santo não depende apenas do pontífice, por causa do poder da Cúria Romana na definição dos novos modelos de vivência cristã. O impacto da medida poderá, contudo, influir na escalada do indiferentismo religioso no continente latino-americano.
Outras propostas de beatificação continuam pendentes nas gavetas da ‘Congregação Para a Causa dos Santos do Vaticano’. Entre elas, incluem-se as do arcebispo espanhol Bartolomeu de lãs Casas, que condenou as crueldades dos colonizadores europeus contra os povos indígenas da América Latina e que é considerado como uma das principais referências da Teologia da Libertação. Esta também parado o processo de beatificação do arcebispo de San Salvador, em El Salvador, d. Oscar Arnulfo Romero . Ele foi assassinado a tiros por militares quando estava celebrando missa em sua igreja arquiepiscopal.

“Inimigo Publico”

Desde o trabalho que realizou no Rio de Janeiro a partir dos nos 60, d. Elder foi considerado um “inimigo público número um” pela direita. Assim que houve o golpe em 31 de março de 1964, d. Elder recebeu um mensageiro do dono das Organizações Globo, jornalista Roberto Marinho, com um texto em que d. Elder daria apoio a iniciativa golpista. O bispo recusou a proposta e rompeu relações com Marinho, de quem fora padrinho de casamento.

Transferido para Recife a 12 dias do golpe militar, dirigiu uma mensagem apresentando as prioridades do seu trabalho; “ninguém se escandalize quando me vir frequentando criaturas tidas como indignas e pecadoras. Quem não é pecador; Quem pode jogar a primeira pedra; Nosso Senhor, acusado de andar com publicanos e almoçar com pecadores, respondeu que justamente os doentes e que precisam de médico. Ninguém se espante me vendo com criaturas tidas como envolventes e perigosas, da esquerda ou da direita, da situação ou da oposição, ante reformistas ou reformistas, ante revolucionárias ou revolucionários, tidas como de boa ou de má-fé. Ninguém pretenda prender-me a um grupo, ligar-me a um partido, tendo como amigos os seus amigos e querendo que eu adote as suas inimizades. Minha porta e meu coração estarão abertos a todos, absolutamente a todos. Cristo morreu por todos os homens. A ninguém devo excluir do dialogo fraterno.”

A resposta dos golpistas veio de forma indireta; um dos mais próximos colaboradores de d. Helder, o padre Antonio Henrique Pereira Neto, foi sequestrado, humilhado e morto em 20 de maio de 1969 por policiais civis.

Na missa de sétimo dia, d. Helder afirmou que “da eternidade, de junto de Deus, o padre Antonio Henrique pede aos responsáveis pela ordem pública que, quanto antes, terminem as medidas de exceção que estão tornando impossível o uso de processos democráticos da parte dos cidadãos em geral e, especialmente, dos estudantes e dos trabalhadores. A situação presente cria clima propício a arbitrariedades e abusos, a crimes (e não seria difícil apontar casos, de que são tristes exemplos os esquadrões da morte) a situação presente impele os mais impacientes para a clandestinidade, a radicalização e a violência”.


O ódio da ditadura a d. Helder chegou ao máximo quando o arcebispo denunciou, em Paris, já nos anos 70, o uso sistemático da tortura contra os dissidentes políticos no Brasil. Os militares proibiram a publicação de qualquer entrevista de d. Helder pelos meios de comunicação. O segundo tema proibido pela censura era o dos direitos humanos.
Dermi Azevedo

Fonte: http://blogdofirmo.wordpress.com/2013/06/21/comeca-campanha-por-beatificacao-de-dom-helder-camara/

Que juventude é essa?

"Produziu-se uma massa de jovens escolarizados, com expectativas elevadas e incertezas quanto ao futuro, sem encontrar pleno reconhecimento no mercado de trabalho, nem tampouco na política. Ademais, detecta-se insatisfação com o individualismo exacerbado", escreve Marcelo Ridenti, professor titular de sociologia na Universidade Estadual de Campinas, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, 22-06-2013.

Eis o artigo.

De modo inesperado, tomaram as ruas os netos da Marcha da Família com Deus pela Liberdade de 1964 e da Passeata dos Cem Mil de 1968. Os filhos dos que apoiaram a eleição de Collor em 1982 e dos que se manifestaram por seu impeachment em 1992. Todos contraditoriamente juntos.

Claro, em outro contexto. Diversidade de insatisfações com sinais ideológicos misturados, que se expressam também nas várias interpretações, cada qual identificando no movimento a realização dos próprios desejos e tentando influenciá-lo.

Setores de esquerda encantaram-se com o que lhes pareceu o início de uma revolução espontânea, mas ficaram embasbacados com as hostilidades sofridas, não por parte da polícia, mas de alguns anticomunistas. Adeptos do PT, percebendo que o movimento redunda em questionamentos variados a seus governos, tendem a reduzi-lo ao caráter fascista de certos manifestantes.

Os conservadores --inclusive na imprensa, sobretudo televisiva-- ressaltam os protestos ordeiros contra a corrupção, tentando restringir o movimento a um aspecto pontual, como se todas as mazelas da ordem constituída se devessem à malversação das verbas públicas pelo PT.

Por sua vez, os defensores de causas como a tarifa zero sonham que a multidão está envolvida numa nova democracia horizontal e plebiscitária, pacificamente movida a internet, mas também se assustaram com a ferocidade de alguns grupos.

Em todos os pontos de vista, há algo de verdade e mistificação. O enigma começa a ser resolvido com a pergunta: quem se lança às ruas? Ao que tudo indica até o momento, são principalmente setores da juventude, até há pouco tida como despolitizada, e que não deixa de expressar as contradições da sociedade.

Parece tratar-se de uma juventude sobretudo das camadas médias, beneficiadas por mudanças nos níveis de escolaridade, mas inseguras diante de suas consequências e com pouca formação política.

Dados do MEC apontam que há hoje cerca de 7 milhões de universitários. O acesso ao ensino superior praticamente dobrou em uma década. Em 2000, eram admitidos anualmente 900 mil calouros. Em 2011, quase 1,7 milhão. Dois terços no ensino privado.

A título de comparação, tome-se a década das manifestações estudantis. Em 1960, havia 35.909 vagas disponíveis no ensino superior, número que saltou para 57.342 em 1964, ano do golpe de Estado, chegando a 89.582 no tempo das revoltas de 1968, a maioria no ensino público. Em termos absolutos, a evolução foi enorme. Não obstante, apenas 15% dos brasileiros com idade para estar na faculdade cursam o ensino superior.

Quanto à origem dos universitários, muitos compõem a primeira geração familiar com acesso ao ensino superior. Outros são de famílias com capital cultural e/ou econômico elevado, atônitos com a ampliação do meio universitário.

No que se refere às expectativas, parece haver o temor de alguns de não poder manter o padrão de vida da família e de outros de não ver realizada sua esperada ascensão social.

Produziu-se uma massa de jovens escolarizados, com expectativas elevadas e incertezas quanto ao futuro, sem encontrar pleno reconhecimento no mercado de trabalho, nem tampouco na política. Ademais, detecta-se insatisfação com o individualismo exacerbado.

Em suma, um meio social efervescente em busca de causas na era da i(nc)lusão pelo consumo, em meio à degradação da vida urbana.

E por onde andam os 70% de jovens de 18 a 24 anos que não estão na escola? Alguns, no mercado de trabalho precarizado. Outros compõem o chamado "nem nem", nem escola, nem trabalho. Massa ressentida que em parte também integra as manifestações.

No ano que vem, completam-se os 50 anos do golpe de 1964, cuja bandeira ideológica era o combate aos políticos e à corrupção. O risco está dado novamente? Por sorte, as manifestações trazem também reivindicações por liberdades democráticas, busca de reconhecimento e respeito, tocando num aspecto central: a luta pelo investimento em transporte, saúde e educação, contra a apropriação privada do fundo público.

Chegaram ao limite as possibilidades de mudança dentro das estruturas sociais consolidadas no tempo da ditadura e que não foram tocadas após a redemocratização? Será possível aperfeiçoar a democracia política, também num sentido social? Abre-se um tempo de incertezas.

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/521318-que-juventude-e-essa

terça-feira, 25 de junho de 2013

PAPA FRANCISCO

Papa: "Ser cristão não é uma casualidade, mas um chamado de amor"



Cidade do Vaticano (RV) – Ser cristão é um chamado de amor, um chamado a se tornar filhos de Deus. Foi o que destacou o Papa Francisco na Missa desta manhã, na capela da Casa Santa Marta.

A Missa foi concelebrada pelos Cardeais Robert Sarah e Camillo Ruini e pelo Pe. José Gabriel Funes, Diretor da Specula Vaticana, entre outros.

Na homilia, o Papa se inspirou na primeira leitura, extraída do Livro do Gênesis, onde se narra a discussão entre Abraão e o primo Lot sobre a divisão da terra. “Quando eu leio essa passagem, penso no Oriente Médio e peço muito ao Senhor para que nos dê a todos a sabedoria. Não briguemos pela paz”, disse o Papa, que indicou Abraão como modelo do nosso percurso:

“Abraão parte da sua terra com uma promessa: todo o seu caminho é ir em direção a esta promessa. E o seu percurso é um modelo para o nosso. Deus chama Abraão, uma pessoa, e dessa pessoa faz um povo.”

No Livro do Gênesis, encontramos que Deus cria sempre no plural, as plantas, os animais, as estrelas. O homem, todavia, está no singular. Deus nos fala sempre no singular, porque nos criou à sua imagem e semelhança. Ele falou a Abraão e lhe fez uma promessa, convidando-o a sair de sua terra. “Nós cristãos somos chamados no singular: nenhum de nós é cristão por acaso. Ninguém!”

Deus nos chama por nome, com uma promessa, de que estará sempre conosco, inclusive nos momentos mais difíceis. Esta é a segurança do cristão, não é uma causalidade, é um chamado! Um chamado que nos faz prosseguir. Ser cristão é um chamado de amor, de amizade; um chamado a nos tornar filhos de Deus, irmão de Jesus. Existem muitos problemas, momentos difíceis: Jesus passou por isso, mas sempre com esta segurança de que o Senhor me chama e está comigo.

“Esta certeza do cristão nos fará bem. Que o Senhor nos dê, a todos nós, esta vontade de ir avante, a mesma que teve Abraão. Em meio aos problemas, prosseguir com a certeza de que Ele me chamou, que me prometeu tantas coisas belas e está comigo!”
(BF)


Texto proveniente da página http://pt.radiovaticana.va/news/2013/06/25 /papa:_ser_cristão_não_é_uma_casualidade,_mas_um_chamado_de_amor/bra-704619
do site da Rádio Vaticano