quinta-feira, 20 de março de 2014

Papa Francisco, ao estilo jesuíta


Adital
Um ano após sua assunção ao papado muito ainda se fala e se descobre sobre Jorge Mario Bergoglio, o Papa Francisco. Seu jeito simples, pouco formal e o hábito de quebrar protocolos ainda chamam atenção. Após completar 365 dias como sucessor de Pedro no dia 13 de março, teólogos e pessoas próximas destacaram a importância da atuação de Francisco e da "revolução do papado” que ele está promovendo.
Em entrevista a Andrés Beltramo Álvarez, publicada por Vatican Insider, o jesuíta argentino Humberto Miguel Yañez, amigo de Bergoglio, fez um balanço sobre os 365 dias de pontificado do Papa Francisco e revelou os pontos que o destacam.


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"O primeiro é o seu novo estilo, é um Papa original. Não tem o estilo formal dos Papas reis. Bergoglio não tem nada de rei. Nesse sentido, é uma grande mudança, pela qual muitos ainda estão impactados e custam aceitar. Por isso, não ocupa os aposentos pontifícios, vive na Casa Santa Marta para ter contato com as pessoas. Um estilo de vida mais dos religiosos. Essa é outra de suas características, é um Papa religioso depois de muitos séculos e o primeiro jesuíta. Tudo isso se percebe em seu modo de agir, de ser e de tratar as pessoas. Não ama em nada o protocolo. Um estilo simples, singelo, espontâneo, natural. Isso chama a atenção, que seja tão normal”, comenta.
Yañez também lembra que Bergoglio não perdeu suas características, ele é "profundamente jesuíta” e continua carregando o carisma eclesial da Companhia de Jesus, que tem como pontos fortes a abertura e o diálogo com todos.
Nas palavras do teólogo Leonardo Boff "Francisco está fazendo uma revolução de humanidade, a revolução do papado”. "Francisco é mais do que um nome, é um projeto de Igreja e de mundo: uma Igreja pobre, sem aparato de poder, uma Igreja do encontro, da misericórdia. Como ele disse, uma Igreja que faz a revolução da ternura”, destacou Boff em entrevista à Rádio del Plata.
O teólogo julga que a maior revolução que Francisco está fazendo é "a revolução do papado, que começou com ele próprio” e isto é possível ver, pois ele não se encaixou no perfil clássico do Papa, mas fez com que seu jeito de ser se impregnasse na figura do sumo pontífice e se transformasse em algo extremamente humano e próximo ao povo. "É uma revolução de humanidade que devolveu à Igreja sua dimensão, seu rosto humano, de compaixão, de abertura, de diálogo”, afirmou.
Como já foi largamente observado e Boff também lembrou, Francisco tem liberdade de espírito e é acessível para o povo, como nunca se viu antes com outros Papas. Para o teólogo, isso é possível porque Francisco vem da América Latina e possui experiência direta de contato corpo a corpo com o povo, com os pobres.
"Ele é alguém que não precisa de aparato de segurança, que pode tocar no povo e se deixar tocar, que não precisa se proteger porque se sente protegido por Deus. Há muitos que falam de forma burocrática ou em função de interesses, mas ele fala a partir do coração e diz coisas simples, claras, que todos podem entender”.
Entre os fatos que marcaram este primeiro ano de papado, o padre jesuíta e professor emérito da Universidade de Brasília (UnB), José Carlos Brandi Aleixo, destaca a viagem de Francisco à Ilha de Lampedusa, na Itália, a criação do grupo de oito cardeais para propor reformas na Santa Sé, os apelos contra a guerra na Síria e a exortação Evangelii Gaudium, em que o Papa falou sobre temas polêmicos como aborto, o sacerdócio e a igualdade de direitos entre homens e mulheres.


FONTE:http://site.adital.com.br/site/noticia.php?lang=PT&cod=79827

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