segunda-feira, 18 de agosto de 2014

A oração do Papa e dos jovens asiáticos pela unidade da Coreia

“Não existem duas Coreias, não é? Existe uma, é uma família dividida. Como unir a família? Primeiro, rezando”. Diante de mais de 6.000 jovens, o Papa surpreendeu, nesta sexta-feira, ao improvisar em inglês e italiano. E, ao responder a pergunta de uma jovem, convidou todos os presentes a elevar uma oração silenciosa pela  pela unidade da Coreia.
A reportagem é de Andrés Beltramo Álvarez, publicada porVatican Insider, 15-08-2014. A tradução é do Cepat.
O encontro de Francisco com os jovens asiáticos no Santuário de Solmoe começou com danças tradicionais e, em seguida, três jovens (Smey de Camboja, Marina da Coreia e Juan de Hong Kong) tomaram a palavra. O Pontífice acompanhou com atenção, por meio de um aparelho tradutor. Fez algumas anotações e, no momento de seu discurso, respondeu algumas das questões.
Falando em italiano, recordou a “dolorosa divisão entre os irmãos da Coreia” e respondeu com um conselho: “Rezar por nossos irmãos do norte. Dizer: Senhor, somos uma família, ajuda-nos na unidade, o Senhor pode estabelecê-la, que não existam vencedores e nem vencidos, apenas uma família, apenas irmãos”. Então, convidou a todos para elevar uma oração silenciosa.
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Após alguns segundos apontou: “Pensem nos irmãos do norte, eles falam a mesma língua, quando se fala a mesma língua em família, sempre existe esperança humana”.
Inicialmente, Jorge Mario Bergoglio pronunciou o discurso que tinha preparado em inglês. Esse foi um momento raro, porque o Papa dirigiu pouquíssimas mensagens públicas usando esse idioma. No entanto, notou-se que estava cômodo. Agradeceu pela calorosa acolhida e pelo entusiasmo dos jovens, alguns dos quais vestiam camisetas da seleção argentina de futebol.
“Hoje, Cristo chama à porta de seus corações. Ele lhes chama a estarem bem despertos e atentos, a ver as coisas que realmente importam na vida. E, mais ainda, pede para que vocês andem por caminhos e veredas deste mundo, chamando às portas dos corações dos outros, convidando para que o acolham em suas vidas”, disse.
A tradução foi simultânea. O Papa afirmou que a Igreja procura ser semente de unidade no planeta, mas sustentou que essa semente costuma ser sufocada pelo “espírito do mundo”, pelo egoísmo, pela hostilidade e a injustiça.
“Preocupa-nos a crescente desigualdade, em nossas sociedades, entre ricos e pobres. Vemos sinais de idolatria da riqueza, do poder e do prazer, obtidas a um preço altíssimo para a vida dos homens. Perto de nós, muitos de nossos amigos, ainda que em meio a uma grande prosperidade material, sofrem a pobreza espiritual, solidão e calada desesperança”, constatou.
E apontou: “É como se Deus tivesse sido eliminado deste mundo. E como se um deserto espiritual estivesse se propagando por todas as partes. Atinge aos jovens, roubando-lhes a esperança e, inclusive, a vida. Não obstante, é para este mundo que vocês são chamados a ir e dar testemunho do Evangelho da esperança, o Evangelho de Jesus Cristo”.
Em certo momento do discurso, Francisco fez uma pausa e – sempre em inglês – começou a improvisar. Alimentou um diálogo com o público. Esclareceu que prefere falar sem papéis, porque “para falar com os jovens é preciso improvisar” e acrescentou: “mas, faço isso de coração”.
Desse modo, arrancou o aplauso de todos. Então, pediu perdão pelas suas dificuldades. “Meu inglês é muito pobre”, justificou-se. Mas, recebeu uma unânime resposta: “Não”. Caso desejem, posso dizer outras coisas espontaneamente. Vocês estão cansados?”, perguntou. Mais uma vez: “Não”. “Posso continuar?”. “Sim”. Então, o Papa se voltou para um sacerdote em um ambão próximo e exclamou: “Você traduz… pois continuarei em italiano”.
Começou respondendo uma pergunta de Marina, uma das jovens que havia falado inicialmente. Porém, enquanto avançava em sua mensagem, desculpou-se: “Perdão, a pergunta foi feita por Smey, não por Marina”. Os jovens riram pela espontaneidade papal.
Afirmou também que não existe contradição entre a vida religiosa e a caridade, porque todos são chamados por Deus a ajudar aos demais. E repetiu à multidão, em voz alta, a frase: “Senhor, o que quer de minha vida?”.
Em seguida, afirmou que se ocupará pessoalmente, quando retornar, de saber por que não existe nenhum santo de Camboja reconhecido pela Igreja. “Prometo que quando voltar para casa, vou me ocupar disto. Irei falar com o encarregado disto, Angelo (Amato, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos do Vaticano), um homem bom. Pedirei a ele que faça uma investigação sobre isto”, comprometeu-se.
Referiu-se também à felicidade e à parábola do filho pródigo, que pouco antes alguns jovens haviam lembrado em forma de musical. E encerrou com três recomendações para todos: “Oração, eucaristia e caminhar com os demais”.

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