quarta-feira, 10 de setembro de 2014

O “Efeito Francisco” foi bem entendido?


O “Efeito Francisco” foi bem entendido?
IHU - Unisinos
Adital
Por Juan Rubio
Dá-me medo quando começo a ouvir aqui e ali isso que estão chamando de "Efeito Francisco”. E mais ainda quando se refere à Espanha em geral e se fala do Episcopado espanhol em particular. Ocorre-me este decálogo de compartilhar com os leitores sobre o que NÃO É o "Efeito Francisco”. Com sensibilidade e aberto às correções, os exponho:
1. Falar continuamente dos "pobres” aqueles que antes só falavam da "ditadura do relativismo” e da "sociedade sem Deus”.
2. Questionar-se, antes de sair para as celebrações sem pregar sentado ou do púlpito; entrar em contato com a mitra ou retira-la; levar a cruz de madeira no peito em vez da de ouro ou de prata que se usava.
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3. Chamar de "periferias” a todos aqueles ambientes e realidades para as quais se tem medo de aproximar-se na cultura, no pensamento, na geografia ou nas margens da fé.


4. Dizer a Igreja é "Mãe” quando antes apenas diziam que era "Mestra”.
5. Ler Von Balthasar, Henry de Lubac ou Rhaner, quem antes só lia as obras completas de Ratzinger e a encíclica "Fides et Ratio” de João Paulo II.
6. Pregar as homilias sem ler, quem antes lia até dez páginas, com notas de rodapé incluídas, cada vez que pregavam.
7. Distanciar-se do poder político e transformar-se em consciência crítica dos poderosos que antes sempre diziam que Deus era "de direita”.
8. Viajar para a América Latina, mesmo que seja para visitar seus missionários, que antes só pensavam na velha Europa e em seu papel regenerador na geografia eclesial.
9. Ler o documento final de "Aparecida” aqueles que antes só olhavam às advertências teológicas aos teólogos rebeldes.
10. Atender e falar com agentes de outras religiões quem antes só os mandava para as portas de Cáritas ou do Mãos Unidas.
Quem atua assim acredita que já assumiu o estilo do Papa (foto), mas continuam acreditando, como mandamentos da santa Mãe Igreja, nestes cinco pontos:
1. O Bispo nunca se equivoca e seus colaboradores só tem que ser os alto-falantes de suas ideias. A Igreja particular é a Igreja local e cada diocese é uma simples sucursal de Roma.
2. A Igreja deve estar com os pobres, mas não deve ser pobre porque perderia sua influência no coração dos poderosos que são os quem deve ajudar o mundo no qual haja pobres.
3. Fora da Igreja não há salvação. Caso se tenha que falar com quem está no átrio, é apenas para convencê-los, não para compreendê-los.
4. A igreja é uma "sociedade perfeita” e deve fazer todo o possível para que sua palavra seja a que inspire os legisladores.
5. Os divorciados, os homossexuais, os dissidentes, os protestantes, os ateus e os agnósticos devem encontrar na Igreja um lugar para corrigir-se e modificar-se, mas não podem participar plenamente de sua comunhão.
O "Efeito Francisco” ainda está longe e apenas será visto quando se tiver entendido que "Isto é outra coisa; que a Igreja que deve ser restaurada não é a dos telhados, muros e altares, mas a de dentro, a do coração, a que sabe aproximar-se para curar as feridas da Humanidade dolorida no azeite do consolo e com o vinho da esperança”.
*O artigo é publicado por La Vanguardia, 03-09-2014. A tradução é do Cepat.
FONTE: http://site.adital.com.br/site/noticia.php?lang=PT&cod=82395

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