sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Mulheres migrantes: entre fronteiras físicas e sociais

Mulheres migrantes: entre fronteiras físicas e sociais

CSEM
Adital

Imagem: Angela Peres | Secom Acre


Por Tuíla Botega
Tradicionalmente as mulheres ocuparam um lugar de invisibilidade nos estudos migratórios, entretanto, nas análises MAIS recentes, e considerando o contexto atual de globalização, a participação feminina vem ganhando cada vez MAIS relevância.
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Mais do que aos aspectos quantitativos, tendo em vista que as mulheres representam mais da metade da população migrante do mundo, as implicações sociais, as questões de integração e tantos outros aspectos que marcam a VIDA e vivência das pessoas em diáspora, e que assumem uma especificidade própria no que diz respeito às mulheres, merecem a atenção.
O gênero, juntamente com outras categorias, se estabelece COMO um princípio classificatório que atravessa o movimento migratório e configura as oportunidades para homens e mulheres no decorrer desse processo, ou seja, desde o momento da partida, a escolha de quem vai migrar, os motivos da migração, a permanência ou o retorno ocorrem articulados numa rede de relações que envolvem gênero, parentesco e geração (ASSIS, 2011).
Além disso, tal princípio classificatório afeta também a inserção das mulheres migrantes no mercado de trabalho. Seguindo a divisão sexual do trabalho, geralmente cabe às mulheres aquelas ocupações tipicamente femininas, o que se traduz nas atividades relacionadas ao trabalho doméstico, ao trabalho sexual e ao cuidado de crianças e idosos.
Outro aspecto relevante no que diz respeito à participação das mulheres no fenômeno migratório consiste na necessidade de atualizarmos a visão clássica de que as mulheres migram apenas COMO acompanhantes de seus maridos e filhos. Na atualidade, elas se inserem na migração internacional como trabalhadoras, as quais contribuem ativamente no envio de remessas para o país de origem e para a composição da renda domiciliar. Isso implica em uma redefinição de sua posição nas relações familiares e de gênero, o que significa dizer que as mulheres são sujeitos ativos no processo migratório.
Como exemplo, citamos o caso das imigrantes haitianas que vêm grávidas para o BRASILbuscando dar condições mais favoráveis ao bebê que nascerá e deixam seus filhos e companheiros no país de origem. Num outro contexto, as refugiadas sírias que assumem a chefia familiar demonstram o grande desafio que essas mulheres enfrentam para conseguir manter sua dignidade e cuidar de suas famílias em um contexto de refúgio, marcado por conflitos e ameaças de violência ou exploração.
Dessa forma, não podemos perder de vista a dimensão do protagonismo que as mulheres, no geral, e as migrantes em específico têm. Por outro lado, não se pode negar que as vulnerabilidades que recaem sobre a população migrante se tornam mais intensas quando falamos de uma mulher migrante.No que diz respeito à população migrante em situação de fronteira temos uma série de particularidades no que diz respeito às mulheres que as tornam mais vulneráveis a abusos e violações de direitos do aos homens.
Sabemos que todo imigrante em situação irregular de documentação se torna vulnerável a uma série de violações de direitos, entretanto, no caso de ser uma mulher, isso tende a se intensificar. Nesse sentido, os abusos e casos de violência sexual que podem acontecer, seja no âmbito familiar, seja no mercado de trabalho, geralmente, tendem a ficar ocultos, haja vista o sentimento de vergonha, o temor perante a polícia e o medo da deportação.
Em suma, cabe o argumento de que as mulheres migrantes se deparam com duas fronteiras: uma física, que separa o local de origem e o local de destino, a qual elas podem atravessar; e outra social, que apesar de se concretizar na vivência cotidiana – por meio da discriminação, violência e abusos – muitas vezes ficam invisíveis e, por isso, se tornam impermeáveis.
Referências:
ASSIS, Gláucia de Oliveira. ―De Criciúma para o mundo: rearranjos familiares dos novos migrantes brasileiros‖. Florianópolis: Ed. Mulheres; 2011.
FONTE:http://site.adital.com.br/site/noticia.php?lang=PT&cod=83436

CSEM

Centro Scalabriniano de Estudo Migratórios

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