quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Declarações do Papa em apoio aos mais pobres incomodam bilionário americano

Pragmatismo Político
Adital
O bilionário Kenneth Langone, fundador da Home Depot, empresa varejista estadunidense de produtos para casa, enviou um aviso ao Papa Francisco, durante uma entrevista no canal CNBC: pessoas "como ele” estão se sentindo ofendidas com as mensagens do Vaticano em apoio aos mais pobres.
Reprodução
Keneth Langone manda aviso ameaçador ao Papa Francisco

Para completar, disse que se o Pontífice continuasse a fazer declarações contra o capitalismo, ele iria parar com as doações que realiza. Em um discurso realizado no Brasil, em julho do ano passado, o Papa Francisco pediu para "aqueles que têm posse de grandes recursos” não pararem de lutar por um mundo mais justo e solidário. "Ninguém deve se manter insensível em relação à desigualdade que enfrentamos”, afirmou Francisco.
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Conservadores incomodados
 
Na Era Reagan [ex-presidente dos EUA, Ronald Reagan – 1981/1989], os republicanos conservadores sentiam que tinham no Papa João Paulo II um poderoso aliado, pois sua enérgica postura anticomunista e contra o aborto era levada a cabo na política americana.
 
Os conservadores de hoje estão apreensivos em relação ao Papa Francisco, que não modificou as doutrinas, mas modificou o tom e a cultura da Igreja Católica em menos de dois anos de pontificado. Ele enfatiza, com veemência e autenticidade, mais um compromisso com a pobreza e com a desigualdade de renda do que com as questões sociais que dominaram grande parte do debate católico nos EUA.
 
O Papa ajudou a intermediar o recente descongelamento das relações entre os EUA e Cuba, para consternação de conservadores, como o senador da Flórida, Marco Rubio. Francisco agora está decidido a fazer com que a mudança climática seja um imperativo moral para os 1,2 bilhão de católicos do mundo.
 
Isso não quer dizer que Francisco seja o papa dos sonhos dos democratas liberais: "Ele está desafiando todos”, disse Carr, que agora dirige a Initiative on Catholic Social Thought and Public Life, na Universidade de Georgetown. "A maioria dos democratas não falava sobre pobreza”.

Visita aos EUA
 
O Papa visitará os EUA em setembro. Ele irá a Filadélfia, a Nova York e, provavelmente, a Washington. Se assim for, ele pretende visitar a Casa Branca, e também algum refeitório popular ou algum outro lugar que atenda aos pobres. E poderia aceitar o convite do presidente da Câmara, John Boehner, para ser o primeiro pontífice a discursar em uma sessão conjunta do Congresso.
 
Em privado, alguns republicanos de direita resmungaram por causa desse convite, mas eles não podem fazer nada. Não é difícil imaginar o momento excepcional no Capitólio quando democratas que defendem o aborto se contorcerem ao ouvirem o Papa celebrar a santidade da vida e republicanos se remexerem ao ouvir o Sumo Pontífice falar de justiça social e da desigualdade de renda.

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