quarta-feira, 4 de março de 2015

Escalada Insensata




Valdemar Menezes
Adital

A expulsão do ex-ministro Guido Mantega e sua esposa de um hospital de São Paulo (http://bit.do/ZEfw) e as agressões físicas contra participantes de um ato em defesa da Petrobras, na Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no qual Lula foi um dos oradores (ver o discurso: http://bit.do/ZEkq) dão ideia da escalada de intolerância política no País, insuflada por extremistas de direita com o intuito - ao que tudo indica – de criar um clima de instabilidade que leve à derrubada do governo Dilma, por meio de algum artifício, repetindo tática empregada contra Getúlio Vargas e João Goulart, de manipulação da bandeira de combate à corrupção.

AMARRAS
Há quem concorde que uma das raízes longínquas dessa intolerância seria o acúmulo de frustrações causadas por uma longa transição (da ditadura para a democracia), cheia de amarras propositais, para impedir um processo efetivo de democratização. Isso teria prejudicado por demais a governança do País, gerando distorções e levando descrédito à política. No Brasil, historicamente, a democracia sempre foi apenas tolerada pelos segmentos tradicionais. Sua vigência, nos intervalos entre um golpe e outro, teve sempre como limite de duração a erupção de algum intento de mudança no status quo da camada privilegiada. Quando se aventa a possibilidade de modificação nesse esquema, a elite volta as costas à democracia e aposta no golpe. Agora, parece ter chegado, mais uma vez, um desses momentos.
ACOMODAÇÃO
O erro principal do PT ao chegar ao governo – segundo alguns de seus críticos - teria sido o de acomodar-se a essa estrutura institucional mal ajambrada. Não se empenhou pela regulamentação da democracia participativa, prevista na Constituição de 1988 - o modelo institucional mais sintonizado com a moderna sociedade da informação, uma vez que o cidadão contemporâneo tem acesso a instrumentos que lhe permitiriam ter participação ativa no controle da gestão pública e dos políticos. O cidadão quer ter direito não só de votar, mas, ter meios para cobrar dos políticos os compromissos assumidos, cassar o mandato de representantes corruptos, infiéis ou ineptos, através de plebiscitos revogatórios, ser consultado antes da tomada oficial de decisões, pelo poder público, que possam influenciar profundamente sua vida, bem como o direito de vetar leis que considere lesivas ao interesse público. Essa é a verdadeira reforma política desejada pelo povo, que poderia libertar o País do atual esquema de chantagem política.
ANGULAÇÃO
Vende-se a ideia de que o modelo de desenvolvimento inclusivo, dos últimos 12 anos, foi desastroso. Desastroso para quem? Não, certamente, para a grande maioria do povo brasileiro. Graças a ela, enquanto o mundo desenvolvido entrava em recessão e desempregava em massa, o Brasil criava mais de 20 milhões de empregos, retirava 40 milhões de pessoas da miséria e era excluído do Mapa da Fome. Simultaneamente, criava condições estruturais para ampliar seu mercado interno, fazia renascer a indústria naval e elevava a produção de petróleo a níveis jamais vistos, dentre outros avanços.
CORREÇÕES
Condições desfavoráveis surgidas nesse ínterim - tanto externas, como internas (como a de um empresariado mais interessado em especular na bolsa do que em produzir) - exigiram correções momentâneas para possibilitar uma nova retomada, até que por sua vez o arranjo venha a se esgotar, mais na frente, e se providenciem novas intervenções corretivas. Não há nada de estranho nisso, pois a economia não é ciência exata e dogmática (o dogma do tripé econômico é uma falácia, segundo corrente expressiva de economistas). A economia depende da capacidade inventiva do homem e das circunstâncias. Deve servir à coletividade e não apenas à reprodução do capital. Contudo, quem só vê a economia como um meio para enriquecer exclusivamente os segmentos que por razões históricas (muitas das vezes reprováveis) concentraram o capital em suas mãos, não pode gostar de um modelo econômico que privilegie o conjunto da sociedade e não apenas os capitalistas.
ENTREGUISMO
Enquanto a direita nacionalista grega e a francesa (em que pese sua abominável política antiimigrantes) declaram não aceitar fazer o jogo de potências estrangeiras contra suas pátrias, e chegam a denunciar os que se rendem ao capital financeiro apátrida e ao domínio do mundo por Washington (ver as declarações de Marine Le Pen nas páginas amarelas da Veja, e o apoio da direita grega ao Syriza por causa da questão nacional), a direita brasileira prefere entregar a Petrobras (o maior patrimônio da Nação) à Wall Street, ajudando o Departamento de Estado americano a enfraquecer o Brasil (http://bit.do/ZDZg).

Valdemar Menezes

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