quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Uma antropologia processual para pensar novos sujeitos e o comum. Entrevista especial com Sandro Chignola

“Um dos problemas que temos de pensar é o marco que qualifica nossa atualidade como sendo neoliberal. E, nesse sentido, o problema da filosofia política é pensar a liberdade à altura da razão governamental neoliberal. Para fazê-lo necessitamos fazer a história das transformações que são postas pela razão neoliberal como o horizonte atual da política global”, diz o filósofo.
Imagem: veredasdoinconsciente.blogspot.com.br
A produção filosófica de Sandro Chignola, que tem como base uma interpretação histórica da filosofia e recorre a recursos sociológicos, centra-se em trabalhar dois problemas filosóficos que, segundo ele, são centrais para compreender a realidade contemporânea: “Como pensar o sujeito hoje e como pensar o comum”.
Na entrevista a seguir, concedida à IHU On-Linepessoalmente, durante sua participação no XVII Simpósio Internacional IHU Saberes e Práticas na Constituição dos Sujeitos na Contemporaneidade, que ocorreu entre os dias 21 e 24-09-2015 na Unisinos, o filósofo italiano explica que “para pensar o comum” é preciso “pensar que há algo como um indivíduo subjetivado”, que não é mais um indivíduo burguês moderno, mas algo diferente, que “tem de ser pensado de outra maneira”.
Uma nova compreensão de “sujeito” e de “comum”, esclarece, deve ser pensada à luz do capitalismocontemporâneo e, nesse sentido, “temos de pensar mecanismos de êxodo, não de enfrentamento com o Estado, ou seja, temos de pensar novas formas de vida que não sejam simplesmente estatais ou institucionais, e pensar a antropologia de maneira processual para pensarmos algo completamente novo”.

O efeito Francisco. Artigo de Washington Uranga

“A verdade é que o Papa Jorge Bergoglio transformou-se em uma figura política de relevância internacional que participa ativamente da agenda política, introduz temas na mesma e fixa posições a partir de uma perspectiva católica, cristã, mas também humanista e inter-religiosa. Para isso, coloca o acento na defesa do homem e da vida, e muito especialmente no cuidado dos pobres, dos excluídos, dos deslocados de qualquer tipo. O ponto que conecta todas as preocupações é formado pelo cuidado das pessoas e seus direitos. E seu slogan político são os três T: teto, terra e trabalho.”
A análise é de Washington Uranga, em artigo publicado por Página/12, 27-09-2015. A tradução é de André Langer.
Eis o artigo.

Mídia e migrações: entre discursos e estereótipos


CSEM
Adital
Por Tuíla Botega e Brenda Knutsen
A revolução tecnológica consequência da globalização no século 21, com o advento dainternete a ampliação da possibilidade de acesso individual à informação, é marcadamente uma característica da sociedade contemporânea. Inevitavelmente, essa realidade também faz parte do panorama das migrações internacionais e do cotidiano dos migrantes na atualidade.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Pessoas em fuga


Selvino Heck
Adital
"Enquanto países se fecharam, o Brasil se abre. Isso é genial”, falou Renata Reis, do Médicos Sem Fronteira (MSF), em reunião da Comissão Permanente 2 – Desafios Nacionais e Macronacionais – do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA).

A arte de envelhecer



Marcelo Barros
Adital
A ONU consagra o 1ºde outubro como Dia Internacional de Proteção às Pessoas Idosas. No Brasil, nessa data, em 2003, foi assinado o Estatuto do Idoso. Nesse mesmo ano, a CNBB começou a Pastoral das Pessoas Idosas, com o objetivo de assegurar a dignidade e a valorização integral dos idosos na sociedade.

Qual destino para o Brasil: recolonização ou projeto próprio?



Leonardo Boff
Adital
Há uma indagação que se faz no Brasil mas também no exterior que se expressa por esta pergunta: qual o destino da sétima economia mundial e qual o futuro de sua incomensurável riqueza de bens naturais?

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Papa atrai multidões na Filadélfia, um território religioso hostil

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Com a aproximação da visita de Francisco à Filadélfia, cresceu a especulação sobre se o Papa manteria um bom relacionamento com o arcebispo da cidade, Charles Chaput. O pontífice tem uma visão reformista da Igreja católica. O arcebispo, entretanto, é um dos principais nomes da corrente mais conservadora do catolicismo norte-americano.

sábado, 26 de setembro de 2015

Teoria econômica e políticas econômicas


Theotonio dos Santos
Adital
Muitos governos eleitos se encontram subjugados aos seus Bancos Centrais, sob o pretexto de que são instituições independentes, acima das práticas "imorais” dos políticos. Por "política” deve-se entender eleições e participação dos povos que são os principais atingidos pelas decisões e ações "políticas” destes Bancos. É assim como interesses absolutamente minoritários da população comandam a economia mundial e conseguem obrigar as grandes maiorias a subjugar-se à ditadura tecnocrática chamada Bancos Centrais "independentes”. 

HOMILIA DO SANTO PADRE

Santuário da Virgem da Caridade do Cobre, Santiago de Cuba, 22 de Setembro de 2015
03O Evangelho que acabamos de escutar coloca-nos perante a dinâmica que o Senhor gera cada vez que nos visita: faz-nos sair de casa. São imagens que somos convidados repetidas vezes a contemplar. A presença de Deus na nossa vida nunca nos deixa tranquilos, sempre nos impele a mover-nos. Quando Deus visita, sempre nos tira para fora de casa: visitados para visitar, encontrados para encontrar, amados para amar.

''Até os jornais estão com o papa. Antes não era assim.'' Entrevista com Jude Winkler

"O Papa Francisco agrada os liberais porque é próximo deles sobre os temas sociais. Ele também agrada os conservadores porque, sobre as questões da vida, por exemplo sobre o não ao aborto, ele não dá descontos. Mas a verdade é que o papa não quer ser puxado para todos os lados e propõe a todos apenas e somente o Evangelho de Cristo."
A reportagem é de Paolo Rodari, publicada no jornal La Repubblica, 24-09-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

"Anticonformista e reformador: assim Bergoglio encanta os EUA." Entrevista com Gay Talese

Gay Talese está entusiasmado com a chegada do pontífice aos Estados Unidos: ele tem uma profunda admiração pelo Papa Francisco, mas nos diz que a chegada de um pontífice sempre representou um momento de meditação, central da sua experiência humana.

A reportagem é de Antonio Monda, publicada no jornal Corriere della Sera, 24-09-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

"Estou colado à TV", conta, "e, neste primeiro dia, já é muito emocionante: faz refletir o fato de que o presidente do 'país das oportunidades' diga ao papa: 'Santidade, o senhor é a esperança'."

O Papa entre Cuba e EUA


Frei Betto
Adital
HAVANA - A iniciativa de recorrer ao papa Francisco para que interviesse no reatamento de relações diplomáticas entre EUA e Cuba foi do senador estadunidense Patrick Leahy. Católico e amigo de Cuba, o democrata enviou carta ao papa, no ano passado, insistindo que aproveitasse o pouco tempo que resta a Obama no poder para lograr a reaproximação entre os dois países. 

Discurso de Francisco no Encontro da Famílias, em Santiago

 TERÇA-FEIRA, 22 DE SETEMBRO DE 2015
Estamos em família! E quando alguém está em família, sente-se em casa. Obrigado, famílias cubanas! Obrigado, cubanos, por me terdes feito sentir todos estes dias em família, por me terdes feito sentir em casa. Este encontro convosco é como «a cereja sobre o bolo». Concluir a minha visita vivendo este encontro em família é motivo para agradecer a Deus pelo «calor» que brota de gente que sabe receber, que sabe acolher, que sabe fazer sentir-se em casa. Obrigado!

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Discurso do Papa aos bispos dos Estados Unidos

Catedral de São Mateus em Washington D.C –  23 de setembro de 2015
Queridos Irmãos no Episcopado!
Estou feliz por vos encontrar neste momento da missão apostólica que me trouxe ao vosso país e agradeço vivamente ao Cardeal Donald Wuerl e ao Arcebispo Joseph Edward Kurtz as amáveis palavras que me dirigiram em nome também de todos vós. Recebei os meus sentimentos de gratidão pela recepção e também pela generosa disponibilidade com que foi programada e organizada a minha estadia.

Papa Francisco: “Perguntam-me se eu sou católico? Se quiserem, posso recitar o Credo...”

“Perguntam-me se eu sou católico? Se quiserem, posso recitar o Credo...” O Papa Francisco falou com os jornalistas durante a viagem de Santiago de Cuba a Washington, para responder às acusações de quem o chama de “comunista” ou, até mesmo de “antipapa”.
A reportagem é de Andrea Tornielli e publicada por Vatican Insider, 22-09-2015. A tradução é de André Langer.
Eis a entrevista.
O que pensa sobre o embargo de Cuba? Falará sobre ele no Congresso?
O fim do embargo faz parte das negociações entre os Estados Unidos e Cuba. Os dois presidentes conversaram; espero que se chegue a um acordo que satisfaça a ambas as partes. Com respeito à postura da Santa Sé sobre os embargos, os Papas precedentes se manifestaram, e não apenas sobre este caso. Sobre isso fala a Doutrina Social da Igreja. No Congresso não farei alusão a isso de maneira específica, mas falarei em geral sobre os acordos como um sinal de progresso na convivência.

Francisco, "pontifex" entre Roma e América, e dentro da Igreja dos EUA. Artigo de Massimo Faggioli

A Igreja norte-americana é um teste importante para o papado, não só em vista do Sínodo dos Bispos, que se abre em duas semanas em Roma, mas também do futuro próximo do catolicismo global.
O comentário é do historiador italiano Massimo Faggioli, professor de história do cristianismo da University of St. Thomas, em Minnesota, nos EUA. O artigo foi publicado no sítio TheHuffingtonPost.it, 24-09-2015. A tradução é deMoisés Sbardelotto.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Papa os bispos dos EUA:

“O diálogo é o nosso método”

Francisco lamenta não ter tempo para cumprimentar cada um dos bispos presentes - AP
23/09/2015 18:15
Washington (RV) – O Papa Francisco encontrou-se com os bispos dos Estados Unidos na manhã desta quarta-feira (23/9), na Catedral de São Mateus, na capital estadunidense. Em um discurso aberto e acolhedor, Francisco disse que o “coração do Papa dilata-se para incluir a todos”.

Crise política e a desconstrução do país. Entrevista especial com Moysés Pinto Neto

“No ‘mundo real’ temos um governo que tem no seu ministério os bancos, as oligarquias políticas e os latifundiários, mas no ‘mundo discursivo’ ele supostamente seria o front de resistência atacado por tais sujeitos”, constata o pesquisador.
Foto: mundorama.net
O que se percebe, “para além do conflito político” atual, é que o “Brasil está em desconstrução”, diz Moysés Pinto Netoà IHU On-Line. Na entrevista a seguir, concedida por e-mail, ele enfatiza que “há duas maneiras de ler” a crise atual. A primeira, frisa, “mais comum”, tem como chave de leitura a relação entre “o empresariado, a grande mídia e o sistema político”, e a interpretação de que a crise econômica “devida aos altos gastos governamentais” exige “mudanças fiscais e contenção de despesa pública”. A segunda possibilidade de entender a crise, explica, está diretamente relacionada com mudanças que ocorreram a partir de 2013, quando o governo da presidente Dilma começou a ficar desgastado: “2013 marcou um evento traumático, um acontecimento que perturbou a política brasileira e deu início a um processo que cozinha em fogo baixo. Ele aponta para uma nova organização da política que circula entre a rua, as instituições e o mundo digital, que envolve um tipo de ativismo mais potente por parte da população, uma relação significativa entre a hiperconectividade do mundo atual - e o Brasil está em destaque no quesito - e uma hiperpolitização, seja para qual lado for”.

Propostas para um Ajuste Fiscal Cidadão

"É possível equilibrar contas públicas sem atingir direitos sociais, como querem governo e direita. Veja como iniciar Reforma Tributária que obrigue ricos a pagar impostos", aposta Célio Turino, escritor, historiador e servidor público, em artigo publicado por Outras Palavras, 21-09-2015.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Padres casados pedem o fim do celibato para “salvar” a Igreja Católica

Eles recusam o título de ‘ex-padres’ e reivindicam o livre exercício do sacerdócio. Papa Francisco promete incluir o debate na agenda do Vaticano
Reportagem:Daniel Giovanaz
“Não existe ex-padre, e a própria Igreja sabe disso. Um sacra-mento não pode ser anulado”, defende Júlio Wiggers, neto de imigrantes alemães que precisou se afastar de sua paróquia em Morro da Fumaça-SC em 1968 para viver ao lado de Laureci Pereira, com quem teve três filhas. Eles estão juntos há 47 anos, e o padre reivindica desde então o direito de exercer as mesmas funções que desempenhava antes de oficializar sua união civil.

Novo Jornal Rumos 242

Prezados leitores e leitoras, com alegria lhes envio a edição 242 do nosso Jornal Rumos. Convido a lerem “de fio a pavio”. E depois me enviar apreciações e críticas construtivas.
Desde já agradeço. Gilberto editor (Giba), e-mail:  gilgon@terra.com.br                                                                         Clicar abaixo e aguardar um pouco até abrir.

Financeirização, o ácido que corrói a democracia. Entrevista especial com Michael Peters

"O neoliberalismo é o mecanismo de controle mais eficiente que, através da dívida, mantém sob controle a resistência por parte dos trabalhadores e estudantes" adverte o professor. 
Foto: www.galizacig.gal
Ao pensarmos a biopolítica devemos compreender as radicais mudanças entre o que o conceito representava na Grécia Antiga, depois na Modernidade com o renascimento e, contemporaneamente, em um espaço global marcado pelo neoliberalismo. “O nascimento da biopolítica assume uma forma mais radical com o neoliberalismo como racionalização do governo via meios econômicos, em que sujeitos com direitos são obrigados a ser livres, isto é, fazer opções dentro de um estado limitado onde o bem-estar é reduzido ou modificado a cada viravolta do mercado ou de arranjos semelhantes a mercado”, analisa o professor pesquisador Michael Peters, em entrevista por e-mail à IHU On-Line.
Disto decorre que a relação credor-devedor, longe de ser uma mera operação econômica, trata-se de um processo ético e político capaz de criar um “novo” tipo de sujeito social: o endividado. “Dívidatem prioridade sobre a troca, ao se passar a entender que o capitalismo financeiro e a economia da dívida neoliberal se baseiam e atuam por meio da produção moral de indivíduos endividados. O neoliberalismo é o mecanismo de controle mais eficiente que, através de dívida, mantém sob controle a resistência por parte dos trabalhadores e estudantes”, pondera o professor. “Afinanceirização é uma nova modalidade de subjetividade que cria normas e valores que estruturam a nossa vida diária. Um aspecto dominante é seu elemento especulativo, onde cada vez mais os cidadãos comuns ‘jogam nos mercados’”, avalia. Ao pensar a situação das populações da União Europeia – UEMichael Peters critica. “A política financeira e os interesses que impelem o processo financeiro muitas vezes são implementados por organismos não diretamente eleitos pelos cidadãos da UE, nem responsáveis perante eles. O pacto de crescimento, o pacto para o euro e os diferentes memorandos de entendimento parecem sacrificar a soberania fiscal, necessariamente comprometendo também a possibilidade de qualquer cosmopolitismo democrático.”

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

O Papa em Cuba


Frei Betto
Adital
O papa Francisco está em Cuba. Em seguida, desembarca nos EUA. Chega aos dois países acolhido pelo mérito de haver promovido a reaproximação entre eles, após mais de 50 anos de hostilidades.