quinta-feira, 31 de março de 2016

Um Jesus revolucionário e um intelectual importante para hoje

Marcus Mello destaca a figura de Cristo retratada por Pasolini e o próprio cineasta como personagens que, pela trajetória, incitam e iluminam reflexões sobre os dias atuais
Páscoa sempre é um momento de recomeço e daí a analogia com a ressurreição do Cristo. Entretanto, muitas vezes, essa ressurreição é tomada apenas como milagre, algo só cabível a divindades. O Jesus humano muitas vezes fica inebriado na perspectiva da fé e a conexão com os dias de hoje, com os problemas que são pertinentes no agora, cada vez mais distante. A exibição e debate do filme “O Evangelho Segundo São Mateus” (1964), de Pier Paolo Pasolini, com o professor Marcus Mello, foi atrás desse movimento: aproximar a figura do filho de Deus com uma reflexão sobre o momento que se vive no Brasil e no mundo. “O Jesus retratado é um revolucionário. E é construído por um diretor ateu como Pasolini, que tem sua história de vida cheia de significados”, destaca o professor e crítico de cinema.

Direitos humanos e loteria biológica



Frei Betto
Adital
A questão dos direitos humanos se resume: aceito ou não que, ontologicamente, cada pessoa é dotada de radical dignidade? Como cristão, digo sacralidade.

Latuff

Imagine um mendigo na esquina da padaria. O Estado ignora aquele homem deitado no chão. Uma e outra pessoas passam e deixam-lhe um dinheirinho. Sobrevive dessa esmola. O Estado não lhe estende o braço administrativo.
Porém, se um dia ele não ganhou nenhuma esmola e, à noite, sentiu muita fome e não resistiu à tentação daquela vitrine maravilhosa, com pães, tortas e doces, e atirou uma pedra no vidro, imediatamente o outro braço do Estado, o repressivo, aparece.
Ao falar de política e direitos humanos, há que perguntar: isso que os nossos políticos propõem é para aumentar o lucro de uma minoria ou defender os direitos de todos? É para favorecer um pequeno segmento de produtores e especuladores ou para que toda a nação seja contemplada?
Não sejamos ingênuos. Direitos humanos e sistema capitalista são incompatíveis, porque o próprio sistema proclama que o direito prioritário é acumulação privada da riqueza. Por isso é chamado de sistema do capital.
O maior valor do sistema, a competitividade, é contrário a este que, na família, na escola, na Igreja, ensinamos - a solidariedade. O sistema faz isso ao influir na mídia e no material didático das escolas.
Nos livros didáticos, os revoltosos mineiros são chamados de inconfidentes. E o movimento, de Inconfidência Mineira. Receba o telefonema de um amigo que avisa: olha, fulano disse que não quer vê-lo nem pintado, porque você é muito inconfidente; contou-lhe um segredo e você saiu espalhando.
Inconfidente é o rótulo pejorativo, ofensivo, que a Coroa portuguesa pôs nos revoltosos, nos conjurados mineiros, para desmoralizá-los. Se fosse hoje, a Inconfidência Mineira seria chamada de Deduragem Mineira...
É diferente de delação premiada, que é o mínimo que deve acontecer nesse país. Lamento que tenha esse nome, mas é justa e necessária. Alguém precisa denunciar. Ainda mais que seja bandido denunciando bandido. É omissão cúmplice saber de um caso de corrupção e ficar calado.
Os grandes fatores ideológicos que destilam, hoje, o pior dos venenos à prática dos direitos humanos, são o preconceito e a discriminação. Não se pode ter preconceito e nem discriminar ninguém. Volto a dizer: todos somos filhos da loteria biológica. Eu poderia ter nascido na Síria, igual al-Assad; na África, como os etíopes que morrem de fome; na Guiné, contaminado pelo vírus ebola. E você também. Não dá para achar que somos superiores, melhores. Somos um sopro divino que dura poucos segundos nessa breve vida que temos. E tudo tem começo, meio e fim. Todos haveremos de morrer. E ficamos alimentando preconceito, discriminação, ressentimento...
Atribui-se a Shakespeare esta frase genial: o ódio é um veneno que você toma esperando que o outro morra.
Frei Betto é escritor, autor de "Felicidade foi-se embora?”, em parceria com Leonardo Boff e Mário Sérgio Cortella (Vozes). Favor não reproduzir sem autorização do autor. Você poderá receber todos os textos escritos por ele mediante assinatura anual. Informações mhgpal@gmail.com

http://site.adital.com.br/site/noticia.php?lang=PT&cod=88558

Frei Betto

Escritor e assessor de movimentos sociais
Twitter @freibetto
http://www.freibetto.org/

O Cristianismo como projeto civilizatório



Frei Betto
Adital
Conferência na Academia Brasileira de Letras – Colóquio "Sociedade e Espiritualidade” – 15 de março de 2016
O Brasil é um país de matriz cristã. Pergunte-se a um homem ou mulher do povo como é a sua visão de mundo e, certamente, se escutará uma resposta tecida em categorias religiosas.

O diabo no espaço público brasileiro do tempo presente



Adital
O diabo é, na tradição cristã, a significativa encarnação do mal. O termo diz muito: diabolos, do grego, "aquele que divide". Nesse sentido, enquanto Deus age para unir, harmonizar, trazer paz, o diabo trabalha na oposição: divide, confunde, traz violência.

quarta-feira, 30 de março de 2016

[ENTREVISTA ESPECIAL] Martírio de Frei Tito contribuiu para conversão da Igreja, afirma frade dominicano


Jilwesley Almeida
Adital
"Ser o que se é. Falar o que se crê. Crer no que se prega. Viver o que se proclama até as últimas consequências" (Pedro Casaldáliga).
Neste ano de 2016, a Ordem dos Pregadores (dominicana) completa 800 anos de serviço no mundo, tendo como tema do seu ano jubilar "Enviados a pregar o Evangelho”. No Brasil, entre os dominicanos mais ilustres, podem ser citados o escritor e articulista da Adital, Frei Betto, e Frei Tito de Alencar Lima, ambos religiosos que foram presos e torturados lutando contra os abusos da ditadura civil-militar no paós [1964-1985]. Tito morreu anos depois, em exílio na França, atormentado pelas feridas que as torturas lhe imprimiram na alma.

Futuro econômico brasileiro: insistir no que deu errado ou mudar de rumo? Entrevista especial com Pedro Paulo Zahluth Bastos

“Temos uma desaceleração cíclica que foi agravada por uma política econômica completamente equivocada, pela Operação Lava Jato e pela queda do preço das commodities”, constata o economista. 
Foto: www.paraiba.com.br
Apesar de a crise econômica brasileira atual não ser “tão grave” quanto foram as das décadas de 1930, 1980 e 1990, ela “se agravou por conta de um conjunto de equívocos de política econômica e, agora, pelo enorme aprofundamento da incerteza política, que pode adiar a resolução da crise econômica”, avalia Pedro Paulo Zahluth Bastos, na entrevista a seguir, concedida por e-mail à IHU On-Line.
Um dos organizadores do livro recém-lançado,Austeridade para quem? Balanço e Perspectivas do Governo Dilma RousseffBastos ressalta que a “crise econômica não é consequência da crise política” e lembra que “Dilma Rousseff foi reeleita e tinha bons índices de popularidade, além de gozar de legitimidade e credibilidade antes de ser acusada de estelionato eleitoral”. As crises econômica e política, frisa, têm origens diferentes. “O principal motivo” da situação econômica “é interno” e resulta do “esgotamento de um ciclo longo de expansão do consumo das famílias e do investimento induzido pelo crescimento do mercado interno”. A crise política, por sua vez, “resulta da perda brusca de popularidade provocada pelo medo do desemprego e da falência, pelo sentimento da população de que foi enganada pelo discurso enganoso de Dilma nas eleições e pelas denúncias de corrupção”.

terça-feira, 29 de março de 2016

Proteger as florestas é garantir a água da América Latina e Caribe

reproducao

Adital
A América Latina e Caribe possuem uma enorme riqueza em recursos florestais e hídricos, que devem ser protegidos para se erradicar a fome e alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, assinalou a FAO [Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura], durante o Dia Internacional das Florestas, este 23 de março.

Marco Legal da Primeira Infância é sancionado pela presidenta Dilma Rousseff


Adital
A presidenta Dilma Rousseff [Partido dos Trabalhadores – PT] o PLC [Projeto de Lei Complementar] 14/2015, conhecido como Marco Legal da Primeira Infância. A nova lei estabelece princípios e diretrizes das políticas públicas para a primeira infância, período que vai da gestação aos seis anos de idade, com atenção às especificidades e relevância desse período para o desenvolvimento humano.

Atlas da Violência: educação é escudo contra homicídios de jovens

ubesTatiana Félix  Adital
Quase 60 mil pessoas foram vítimas de homicídios, no Brasil, em 2014, principalmente, homens jovens entre 15 e 29 anos, revela o Atlas da Violência 2016, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O índice equivale a uma taxa de 29,1 homicídios por 100 mil habitantes, o maior número já registrado no país. "Trata-se de uma situação gravíssima, ainda mais quando notamos que mais de 10% dos homicídios do mundo acontecem em solo nacional”, expressa o texto do informe.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Paixão de Jesus Cristo segundo a multidão



Pe. Wander Torres Costa
Adital
Com certeza, muitos de nós, nesta semana, vamos acompanhar não só as celebrações litúrgicas, como também os desdobramentos da crise política que estamos imersos.
A semana santa deste ano acontece em meio a um momento profundamente crítico do nosso país. E, como cristãos e cristãs, não podemos fingir que nada está acontecendo enquanto celebramos nossa fé. Não dá para celebrar os grandes mistérios da fé cristã de modo alienado, como se estivéssemos em outro país ou em um momento de calmaria e tranquilidade. Isso não significa transformar o espaço das pregações litúrgicas em comícios políticos ou os púlpitos em palanques. Mas não podemos ignorar a complexidade do momento presente e nos posicionarmos ética e evangelicamente.

Concelebração e Ceia pascal de padres casados – Florianópolis – SC

Registro da reunião pascal dia 24.03.2016
Presenças – Giba e Aglésia, Júlio e Laureci, Celso e Iara, Luis e Hilariani.
No dia da Ceia do Senhor, 5ª feira santa, estiveram reunidos os membros da Coordenação do Encontro do MFPC.
Os 4 padres casados concelebraram a Eucaristia, em clima de muita partilha.
Após a celebração da missa foi servido um delicioso jantar, onde os presentes renovaram seus laços de amizade e comprometimento com os trabalhos do MFPC.

O Brasil está mais violento. Especialmente entre negros e em cidades do interior

<br>Fonte: http://www.redebrasilatual.com.br
Um a cada dez assassinatos cometidos no mundo acontece no Brasil. Só em 2014, quase 60 mil pessoas foram assassinadas no país. O número é recorde e coloca o Brasil na 11ª posição em um ranking de 157 países.

Os índices foram divulgados nesta terça-feira (22) no Atlas da Violência, organizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Assim como os seres vivos precisam de água para viver e o organismo depende de alimento para se reabastecer, as Igrejas e o mundo precisam de profetas. O termo é religioso, mas a função é a de pessoas críticas que ajudem a sociedade a pensar, a se rever e a mudar de itinerário. Assim, nos tempos bíblicos, para mostrar como o povo se situava diante de Deus, o profeta Isaías saiu nu pelas ruas. Jeremias que era de família sacerdotal assumiu uma canga e se vestiu de escravo.

No mundo atual, o fenômeno das migrações revela o fracasso da política que os Estados Unidos e países da Europa impõem aos povos do Oriente Médio e da África.

sábado, 26 de março de 2016

Semana Santa: o que falta para libertar quem ainda está crucificado?


"A vida não é só traição. O paradoxo se encontra no fato de o martírio e a morte, como aconteceu com Jesus Cristo, provarem a cada dia, que todos os Judas e Pilatos de ontem e de hoje, mesmo continuando a crucificar milhões de inocentes, traindo a vida, não conseguirem vencê-la", escreve Jacques Távora Alfonsin, procurador aposentado do estado do Rio Grande do Sul e membro da ONG Acesso, Cidadania e Direitos Humanos.

Dois gestos: Jesus lavando os pés e Judas como no atentado de Bruxelas


O Papa pede no centro de acolhida de refugiados que cada um, no seu idioma e religião, peça a Deus a paz e fraternidade

El Papa Celebra Entre Los Refugiados En Un Centro De Recepción De Roma (Foto CTV - Osservatore Romano)
O Santo Padre Francisco celebrou nesta quinta-feira pela tarde a Missa in Coena Domini em um centro de acolhida de imigrantes nas redondezas de Roma, onde estão 892 hóspedes de 26 nacionalidades, dos quais 554 são muçulmanos, 337 cristãos e 2 hindus.

“Semana Santa é o momento mais forte do ano litúrgico”, afirma dom Bucciol

Presidente da Comissão para a Liturgia explica sobre as celebrações que antecedem a Páscoa
O último domingo, 20 de março, abriu a Semana Santa, ocasião em que a Igreja recorda e celebra a paixão e a morte de Jesus. O bispo de Livramento de Nossa Senhora (BA) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Armando Bucciol, recorda que “a Semana Santa é o momento mais forte do ano litúrgico” e destaca a “presença amorosa, a misericórdia de Deus para com a humanidade que se concretizou, se manifestou na paixão e morte e ressurreição do Senhor”.

Atualidade \ Geral

Milhões de crianças de até sete anos não conhecem nada além de conflitos

Criança de Bangui - ANSA

Nova Iorque (RV) - Uma pesquisa do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, revela que no mundo quase 87 milhões de crianças de até sete anos não conhecem nada além de conflitos.

BISPO DE QUIXADÁ:

Igreja ao encontro dos mais machucados

Panorâmica da cidade cearense de Quixadá e arredores - RV

Cidade do Vaticano (RV) - Amigo ouvinte, na edição de hoje do quadro “O Brasil na Missão Continental” concluímos a participação do bispo da Diocese de Quixadá, Dom Ângelo Pignoli, que nos trouxe um pouco, nestes dias, da realidade desta Igreja particular do Ceará também no que concerne a este projeto de animação missionária proposto pela Conferência de Aparecida.

sexta-feira, 25 de março de 2016

Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo

Padre Geovane Saraiva*
Na Semana Santa, os sacerdotes, ministros da Igreja, ficam cingidos com uma toalha na liturgia da quinta-feira, para lavar os pés de pessoas de suas comunidades. É claro que pode surgir a pergunta, que vale para todos: “Estamos dispostos a ser Cirineus, a ajudar alguém a carregar a Cruz? Queremos diminuir o preconceito e a intransigência diante da fraqueza do irmão?”.

A Legalidade ou o controverso ‘espírito das leis’


Ivone Gebara
Adital
Há os que dizem: a Lei do Evangelho é clara. "Há que amar a Deus e ao próximo como a si mesmo”. Mas, como fazer isso? E outros dizem: "não há outro caminho a não ser obedecer a Constituição do país!” E mais: "é evidente que a Lei nos diz que todos nós somos iguais perante a Ela e assim há de ser.” Mas, como viver isso? Como expressar essa igualdade? Outros ainda afirmam: "todos devem ser submissos às leis do país... Ninguém está nem acima e nem abaixo da Lei”. "Toda desobediência à lei deve ser punida”, gritam juízes e cidadãos comuns. Mas, quem de fato redigiu as leis e para quem?

'Tudo pode acontecer, até um sério conflito social', diz historiador sobre crise política

Um dos mais conhecidos historiadores brasileiros, em especial pela publicação, em 1987, de Os Bestializados: O Rio de Janeiro e a República que Não Foi (livro que fez uma análise crítica sobre o processo de Proclamação da República no Brasil), José Murilo de Carvalho oferece uma visão pessimista do atual momento político brasileiro. 
Em entrevista à BBC Brasil, 21-03-2016, por e-mail, o também cientista político mostra preocupação com a crise política - mais precisamente com o acirramento de ânimos desde as eleições de 2014.
Só não se mostra surpreso. Afinal, assim como outros colegas de profissão, Carvalhocita o longo histórico de revoltas e conflitos que marcam o Brasil República. Porém, diferentemente de outros analistas, o integrante da Academia Brasileira de Letras diz que a crise atual não pode ser meramente comparada a momentos anteriores de turbulência na história brasileira. Incluindo a constantemente citada crise de 1954, que culminou com o suicídio do presidente Getúlio Vargas.

quinta-feira, 24 de março de 2016

Aedes aegypti: a proliferação do mosquito e a falta de saneamento básico no país. Entrevista especial com Jáder da Cruz Cardoso

“O sucesso desses mosquitos é garantido, em grande parte, pelo crescimento e aglomeração populacional que urbaniza aceleradamente os municípios, pela pobreza, falta de saneamento nas cidades, descarte inadequado de resíduos sólidos (e pífios investimentos na reciclagem), modelo de desenvolvimento que prioriza o consumo de recursos naturais, mudanças do clima, falta de educação da população e falhas na fiscalização e gestão pública”, afirma o biólogo.
Foto :Gilberto-Winter / www.acquasolution.com
Sendo o Aedes aegypti um mosquito de “hábitos urbanos” e associado “às grandes aglomerações humanas”, tanto a população quanto o poder público têm responsabilidade no combate ao transmissor daDengue e do vírus da Zika, diz Jáder da Cruz Cardoso à IHU On-Line, em entrevista concedida por e-mail. “Se um proprietário deixa uma piscina ou calha sem manutenção ou acumula resíduos sólidos a céu aberto no seu quintal ou em terrenos baldios, isso é (ir)responsabilidade sua. (...) Por outro lado, o poder público também tem suas responsabilidades, oferecendo saneamento básico e infraestrutura adequada nas cidades e atuando de forma efetiva nas ações de controle vetorial, educação em saúde, vigilância e prevenção das doenças transmitidas por esses insetos”, frisa.


Renan diz que impeachment sem provas tem ‘outro nome’

Presidente do Senado sinalizou que é contra saída do PMDB do governo
por Cristiane Jungblut – 22/03/2016 
Foto: O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) – Ailton de Freitas / Agência O Globo
“É bom que as pessoas saibam – e a democracia exige que façamos essa advertência – que, para haver impeachment, tem que haver a caracterização do crime de responsabilidade da presidente da República. Quando o impeachment acontece sem essa caracterização, o nome sinceramente não é impeachment. É outro nome — disse Renan.

Igreja Povo de Deus em Movimento: sobre a situação do País (+vídeo: pronunciamento do Bispo de Crateús, Ceará)


DOCUMENTO
Adital

"Se calarem a voz dos profetas as pedras falarão”
Igreja Povo de Deus em Movimento, coletivo de paróquias, comunidades, leigos e leigas, religiosos e religiosas e padres, subscreve esta carta na dolorosa situação política que assola o país. Unidos ao espírito profético das notas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), do Conselho Latino Americano de Igrejas (CLAI), da Igreja Presbiteriana Unida (IPU), da Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IECLB) e da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) viemos a público manifestar a todo o povo brasileiro em especial a todas as comunidades de fé a importância da defesa da democracia. Para isso, conclamamos o povo: DIGA NÃO AO GOLPE!

quarta-feira, 23 de março de 2016

A opção que não transformou e que perdeu o fôlego. Entrevista especial com Raúl Zibechi

"Hoje, ainda que continuem existindo governos progressistas, o modo de governar é considerado conservador, como fica muito claro no Brasil", afirma o jornalista uruguaio.
Foto: http://www.pcdobrj.org.br/
Não há como fazer uma omelete sem quebrar os ovos. É mais ou menos na lógica desse ditado queRaúl Zibechi reflete sobre o que acontece com o governo — dito — progressista e de esquerda noBrasil. “Minha impressão é que se optou por uma forma de governo sem conflitos, nem com a direita, nem com os setores populares”, diz. Para ele, não é uma exclusividade brasileira, mas algo recorrente naAmérica Latina que não levou a profundas transformações sociais. “Ante os ricos, apresenta-se como aquele que pode apaziguar os de baixo. E ante os de baixo, apresenta-se como o grande beneficiário com diversas políticas sociais. Quando esse cenário é dissolvido, os governantes não sabem como se manter”, analisa, ao destacar o que ocorre quando o modelo chega a um limite.


Quatro sombras afligem a realidade brasileira


Em momentos de crise, assomam quatro sombras que estigmatizam nossa história cujos efeitos perduram até hoje.
A primeira sombra é nosso passado colonial. Todo processo colonialista é violento. Implica invadir terras, submeter os povos, obriga-los a falar a língua do invasor, assumir as formas políticas do outro e submeter-se totalmente a ele. A consequência no inconsciente coletivo do povo dominado: sempre baixar a cabeça e ser levado a pensar que somente o que é estrangeiro é bom.

A Páscoa do escravo

O Papa Francisco compreendeu que era preciso pôr a Igreja em ação 

terça-feira, 22 de março de 2016

Com licença, apenas uma palavra, e basta! A reflexão de um teólogo sobre a conjuntura política do País

"Um 'petismo' fanático é uma inconsequência, e até irresponsável; mas um 'antipetismo' agressivo, violento, como se tem visto, é ainda mais perigoso e danoso a toda sociedade e à nossa jovem democracia. Nessa luta (já chamo assim) todos já escolheram um lado. Ninguém está indiferente. Eu opto pela democracia e pelo caminhar do processo, mesmo que lá na frente eu tenha de mudar. Mas não se pode mudar na parcialidade ou no vazio das acusações e daqueles que querem fazer justiça com as próprias mãos. Se a intenção era ter mãos limpas, pode-se errar e torná-las sujas, se o caminho não for democrático", escreve Cesar Kuzma, doutor em Teologia e professor do Departamento de Teologia da PUC-Rio.
Eis o artigo.

Entidades católicas e protestantes pedem respeito à democracia no Brasil



Tatiana Félix
Adital
Diante do atual cenário de intensas manifestações e de polarização política no Brasil, instituições religiosas divulgam manifestos pedindo paz, diálogo e discernimento para a garantia do processo democrático no país. A Igreja Povo de Deus em Movimento (IPDM) ressalta a importância da defesa da democracia e conclama o povo a "repudiar qualquer ato de intolerância e ódio que está se espalhando sobre as nossas cidades, contra pessoas de movimentos sociais e da esquerda, por insuflar uma convulsão social e a barbárie”.