sábado, 30 de julho de 2016

O Cristianismo como projeto civilizatório



Frei Betto
Adital
Conferência na Academia Brasileira de Letras – Colóquio "Sociedade e Espiritualidade” – 15 de março de 2016
O Brasil é um país de matriz cristã. Pergunte-se a um homem ou mulher do povo como é a sua visão de mundo e, certamente, se escutará uma resposta tecida em categorias religiosas.


O cristianismo, em sua versão católica, chegou ao nosso país de braços dados com o projeto colonizador português. Integrar-se à civilização, tal como a concebia a Península Ibérica, era tornar-se cristão. Esta a obsessão missionária de Anchieta: anular as convicções religiosas os povos originários da terra brasilis, consideradas idólatras, para introduzir o cristianismo segundo a teologia europeia ocidental, em uma agressão à cultura indígena.

Os refugiados e migrantes forçados da América Latina. 'Uma realidade difícil de discernir e de definir com códigos rígidos e definitivos'. Entrevista especial com Roberto Jaramillo

“A realidade do refúgio e da migração forçada nos abriu – à força – à necessidade de uma consciência nova na qual as fronteiras sejam lugares de encontro e trânsito, mais do que de limites e de restrições”, destaca o filósofo.
Imagem: História Livre
“Na América Latina somos vice-campeões em matéria de deslocamento violento e de migrações forçadas”, atrás apenas da Ásia, cujos refugiados se dirigem à Europa, destaca Roberto Jaramillo Bernal. Há no continente “gravíssimos e constantes fluxos de pessoas, sejam elas refugiadas ou migrantes forçados”, aponta em entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line.
Trata-se de pessoas que se veem obrigadas a procurar “refúgio e proteção em terras e nações que não são as suas”. Atualmente, há no continente diversas zonas de instabilidade, que podem agravar a situação, como em HondurasEl Salvador,GuatemalaHaitiColômbia e Venezuela, segundoJaramillo. Ele ressalta que “não se migra por hobby ou por condicionamentos genéticos, mas por falta de oportunidades para a realização pessoal e familiar”.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Criatividade pastoral em tempos de Francisco


IHU - Unisinos
Adital

"A criatividade mencionada pelo Papa Francisco não tem nada a ver com excentricidade ou afastamento das grandes linhas da Tradição, mas sim, com a capacidade profética de abrir novos horizontes, de saber adaptar a palavra consoladora do Evangelho às cruzes da hora, de criar novos modelos e formas de pastoral e de renovar a linguagem para anunciar aos homens do nosso tempo a Palavra que nunca passa (Mc 13,31), que não é outra coisa senão continuar a realizar a intuição claramente profética de João XXIII, com a ideia do ''aggiornamento”, o papa que retomou o otimismo evangélico, ou seja, o olhar de misericórdia sobre o mundo e sobre o tempo de hoje", escreve Michele Giulio Masciarelli, em artigo publicado por Settimana News. A tradução é de Ramiro Mincato.

“A certeza de que o Papa é considerado como uma rocha sólida está começando a ruir”. Entrevista com dom Georg Gänswein

O homem de confiança do Papa pede a reforma fiscal da Igreja alemã. Reconhece em Francisco “um clássico jesuíta da velha escola inaciana”.
O arcebispo da cúria, Georg Gänswein, é o prefeito da Casa Pontifícia e há muitos anos secretário e confidente doPapa emérito Bento XVI. Em uma entrevista exclusiva para o Schwäbische Zeitung o “servidor dos Papas” fala sobre os pontificados de Bento XVI e de seu sucessor, Francisco.
 
Fonte: http://bit.ly/2abP3ZL 
Ele esclarece a visão que se tem de Roma da Igreja alemã do ponto de vista interno. Explica porque considera que o sistema fiscal da Igreja alemã chegou a uma situação insustentável. Deplora a discrepância entre dioceses ricas e igrejas vazias. Fala sobre a rejeição que ele provoca na instituição eclesiástica na Alemanha. E revela por quem bate seu coração no futebol.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Literatura, Janela aberta para a realidade


Pe. Alfredo J. Gonçalves
Adital
As ciências sociais – tais como a sociologia, a história, a economia política, a antropologia, a filosofia, entre outras - são janelas abertas para a realidade de um determinado contexto social. Juntas, integradas e combinadas, de uma forma cada vez mais interdisciplinar, tais lentes ampliam nosso olhar crítico sobre o complexo mundo dos fatos e boatos da trajetória humana sobre a face da terra. Uma trajetória que, em sua versão multifacetada e poliédrica, se apresenta extremamente retorcida, tortuosa, labiríntica.

“O Brasil ideal não é um país do hemisfério norte. Temos que valorizar nosso dom de celebrar a vida

Poucos intelectuais brasileiros compatibilizam duas facetas que, ao menos para algumas pessoas, parecem ser antagônicas: a de um economista liberal atento à realidade política e econômica e a de um filósofo defensor das particularidades brasileiras. Eduardo Giannetti da Fonseca (Belo Horizonte, 1957) é um deles. Aos 59 anos e após uma etapa como assessor econômico da ex-senadora Marina Silva (Rede) durante a campanha presidencial de 2014, acaba de lançar o livro Trópicos Utópicos (Companhia das Letras). A obra, dividida em quatro partes e composta por aforismos, critica vários aspectos da vida humana e do ocidente em particular (economia, política, meio ambiente, religião, entre outros) para em sua parte final idealizar um Brasil que se apresenta como alternativa aos modelos já conhecidos; uma nação que percorre o caminho rumo ao desenvolvimento pautada pelos seus próprios valores. 

quarta-feira, 27 de julho de 2016

[ENTREVISTA ESPECIAL] Como viver a espiritualidade nos dias de hoje


Cristina Fontenele
Adital
Como viver a espiritualidade nos dias de hoje, diante de um contexto de intolerância religiosa? Em entrevista exclusiva à Adital, o teólogo jesuíta Pedro Trigo explica que ser cristão não é algo fundamentalmente religioso, mas uma experiência vivida nas relações, saindo para o mundo e não "ensimesmando-se”. Ele defende que a paz está associada a nos definirmos primeiramente como humanos, antes de qualquer outra categoria. Trigo, que é espanhol naturalizado venezuelano, destaca a "urgência do essencial”, que, para ele, significa viver como irmãos de todos, a partir de baixo.

Os desafios de Bergoglio na viagem à terra natal de Wojtyla

De 27 a 31 de julho em Cracovia, Czestochowa e Auschwitz  –  Asia News
Ele visitou a África Central apesar de os militares franceses desaconselharem-no; circulou pelo México de norte a sul e de leste a oeste, entre a desconfiança do governo Enrique Peña Nieto, o descontentamento dos narcotraficantes e as críticas de Donald Trumpfoi ao Congresso dos Estados Unidos para pedir acolhida aos migrantes e a abolição da pena de morte; em três anos de pontificado tocou as “periferias” mais problemáticas do globo, de Sarajevo à Armênia, do Equador à Albânia, da região das Filipinas atingida pelo tufão aos cantos mais remotos de Cuba, sobrevoou a China pela primeira vez na história dos papas e expressou o desejo de visitar oIraque.

Revoluções silenciosas: a convivialidade

Leonardo Boff – 23/07/2016  
“A convivialidade pretende ser uma resposta adequada à crise ecológica. Ela pode evitar um real crush planetário”,  escreve Leonardo Boff, escritor, teólogo e filósofo. 
Eis o artigo.
Com a queda do muro de Berlim em 1989 e com ele o socialismo que fazia o contraponto, (independentemente de seus graves erros internos), o capitalismo terminou ocupando todos os espaços na economia e na política. Com a chegada ao poder de Margareth Thatcher na Inglaterra e de Ronald Reagan nosUSA, a lógica capitalista ganhou livre curso: liberalização completa dos mercados com a ruptura de todos os controles, a introdução do estado mínimo, das privatizações e da concorrência sem fronteiras.

terça-feira, 26 de julho de 2016

PAPA FRANCISCO:

"dor e horror por ataque à igreja na França"

Polícia, bombeiros e ambulâncias nas proximidades da Igreja - AFP
26/07/2016 12:57
Rouen (RV) – Mais um episódio de violência imprevista e desconcertante esta manhã, na França: dois homens armados com facas entraram na igreja de Saint-Etienne de Rouvray, perto de Rouen, e tomaram como reféns o pároco, duas religiosas e dois fiéis durante a missa, por volta das 10h.

O fascismo vive em nós através do dispositivo do neoliberalismo. Entrevista especial com Rodrigo Karmy Bolton

"O fascismo, diríamos, é um humanismo. Para o fascismo, trata-se de salvar a ‘raça’ que serão os últimos propriamente ‘humanos’ que sobreviveram à invasão parasitária dos ‘outros’ (muçulmanos, judeus, índios, negros etc.)”, afirma o filósofo chileno.
Imagem: diarioliberdade.org
“Uma mutação radical da soberania moderna em uma definitiva inscrição biopolítica.” Assim o filósofo chileno Rodrigo Karmy caracterizaria o fascismoem nosso tempo em entrevista concedida à IHU On-Line, por email.
Um regime que não reconhece a lei, porém sua exceção permanente, “não conhece a técnica, senão como imperialismo; não sabe do outro mais do que como inimigo; não conhece o exército, senão como aparato policial; converte o silêncio em seu aliado mais forte, combinado com uma estetização completa da vida social; reduz a noção de progresso à extensão de suas rodovias e vislumbra o passado apenas como um mito que, tendo sido esquecido por muito tempo, é reeditado em e como presente”.
Contudo, Karmy adverte que é preciso problematizar não apenas o fascismo, mas também odiscurso humanista: “O fascismo, diríamos, é um humanismo. Para o fascismo, trata-se de salvar a ‘raça’ que será a última propriamente ‘humana’ que sobreviveu à invasão parasitária dos ‘outros’ (muçulmanos, judeus, índios, negros etc.)”. E acrescenta: “Somente como ‘humanismo’ o fascismo pode identificar o ‘outro’ como não ‘humano’ e fazer do fascista um ‘humano’ nesse mesmo ato de exclusão — de sacrifício”.
De acordo com Karmy, o fascismo vive em nossos corpos, “porque o ‘revés’ entre soberania e biopoder se aprofundou na cena capitalista contemporânea. Sob essa luz, o neoliberalismo seria o nome do fascismo feito dispositivo”, define. Sua consumação na sociedade contemporânea é um desdobramento da anarquia do capital como uma verdadeira e já explícita guerra civil global.

“Amoris Laetitia” em seu terceiro mês: a questão da Comunhão ainda está em debate

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Cindy Wooden
Três meses após a publicação da exortação do Papa Francisco sobre o matrimônio e a família, bispos e conferências episcopais de todo o mundo estão estudando maneiras concretas de aplicá-la. Alguns ainda discordam sobre o que exatamente o papa quis dizer. 
Reportagem de Cindy Wooden, no Catholic News Service, 07-07-2016

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Produção de alimentos é suficiente, mas, com a desigualdade de renda e o desperdício, ainda há fome no país

produção nacional de alimentos é suficiente para os mais de 204 milhões de brasileiros, mas a desigualdade de renda e o desperdício ainda fazem com que 7,2 milhões de pessoas sejam afetadas pelo problema da fome no país, revela estudo conduzido pelo professor Danilo Rolim Dias de Aguiar, pesquisador do Departamento de Economia do Campus Sorocaba da Universidade Federal de São Carlos.
A reportagem é de Elaine Patricia Cruz, publicada por Agência Brasil, 18-07-2016.

Tribunal popular: Buscam deter a mudança social no Brasil


Telesur
Adital

Testemunha disse que o julgamento político contra Dilma Rousseff não cumpre com garantias legais necessárias e previstas pela Convenção Americana sobre Direitos Humanos.
O advogado Geraldo Prado disse nesta quarta-feira (20) que o afastamento da presidenta brasileira Dilma Rousseff de seu cargo "não se sustenta em um ponto de vista legal”, durante o segundo dia de instalação do Tribunal Internacional pela Democracia nesta nação.

sábado, 23 de julho de 2016

As Comunidades Eclesiais de Base – CEBs e renovação paroquial


Pedro A. Ribeiro de Oliveira
Adital
O debate sobre renovação paroquial começou há mais de meio século. Era um tema muito estudado pela sociologia religiosa dos anos 1960, quando pesquisas sobre a urbanização colocavam em questão a eficácia pastoral da paróquia para cidades de médio e grande porte. O que estava em questão não era somente a relação entre o pequeno número de padres e o aumento demográfico da população, mas principalmente a inadequação daquela instituição herdada da cristandade ao estilo de vida contemporâneo. Nos anos seguintes a renovação pastoral impulsionada pelo Concílio Ecumênico de Vaticano II esvaziou aquele debate ao ensejar novas formas de organização eclesial marcadas pela participação ativa do laicato. O debate acabou saindo da pauta pastoral na medida em que ela se abria para o tema mais candente da relação Igreja e Mundo.

Sintese do Manifesto convivialista


Por todas as partes do mundo buscam-se alternativas ao sistema econômico-financeiro vigente e mesmo, ao tipo de civilização que temos, pois o nosso modo de habitar o planeta e aproveitar de seus bens e serviços naturais chegaram a um ponto crítico. A Terra já não suporta o tipo de exploração  a que  a submetemos. Por todas as partes, estão emergindo revoluções silenciosas de grupos que ensaiam o novo e formas diferentes de produzir, de consumir, de repartir e de conviver. 

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Princípios fundamentais da doutrina social da Igreja


Dom Reginaldo Andrietta
Adital
Muitos sabem que a Igreja Católica possui uma Doutrina Social. Poucos, porém, a conhecem. Em que consiste? Ela contém seis princípios fundamentais: a dignidade da pessoa humana, a primazia do bem comum, a destinação universal dos bens, a primazia do trabalho sobre o capital, a subsidiariedade e a solidariedade.

A tradição judaico-cristã trata cada ser humano como filho e imagem de Deus, enfatizando sua infinita dignidade, da qual derivam direitos. Por isso, todas as instituições da sociedade devem colocar-se a serviço dos direitos de cada e de todas as pessoas, tratando-as com igualdade. Deste modo, uma sociedade só pode ser justa se respeitar a dignidade da pessoa humana. De igual maneira, a dignidade da pessoa humana só pode ser alcançada por meio de uma sociedade justa.

Leonardo Boff
Adital
O país, sob qualquer ângulo que o considerarmos, é contaminado por uma espantosa falta de ética. O bem é só bom quando é um bem para mim e para os outros; não é um valor buscado e vivido por si mesmo; mas o que predomina é a esperteza, o dar-se bem, o ser espertinho, o jeitinho e a lei de Gerson.
 A Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) realizou, de 11 a 15 de julho sua 24ª Assembleia Geral eletiva, que teve como tema “Vida Religiosa Consagrada em processo de transformação”, e lema “Vejam que estou fazendo uma coisa nova” (Is 43,19). O evento aconteceu no Colégio Madre Carmen Sallés, em Brasília/DF. 
Fruto do trabalho de uma equipe multidisciplinar, a recente publicação “Vida Religiosa em processo de transformação”, organizada pelo Dr. Luís Carlos Susin, trouxe os conteúdos que foram estudados e aprofundados pelas comunidades religiosas em preparação à Assembleia.
Ir. Inês (foto abaixo) foi  reeleita Presidente da CRB Nacional

quinta-feira, 21 de julho de 2016

IHU - Unisinos  - Adital
"Foi uma grande briga para chegar até o acordo de Paris, em 2015, e finalmente, pela primeira vez, todos os países, desenvolvidos ou em desenvolvimento, concordaram em fazer alguma coisa. Entretanto, embora esse tenha sido um grande avanço, ainda não é suficiente para chegar a uma temperatura bem abaixo dos 2ºC”, adverte o pesquisador.
Por Patricia Fachin
Apesar de a COP-21 ter representado avanços na elaboração de um acordo entre os países que participam da Conferência do Clima, a Contribuição Nacionalmente Determinada Pretendida – INDC, as conhecidas metas nacionais anunciadas por cada um dos membros este ano, não serão suficientes para garantir que a temperatura do clima se mantenha em 2ºC.

"O capitalismo darwinista não faz política social, quem faz política social é o Estado". Entrevista especial com Juliano Giassi Goularti

“A crítica ao Estado deve estar pautada por quem se apropria de suas ações. Nos últimos dez anos o governo federal transferiu aproximadamente 45% do PIB para o capital financeiro. Com esses recursos seria possível custear o Programa Bolsa Família por mais de 100 anos, ou, ainda custear a educação por mais de 35 anos”, adverte o economista.
Imagem: www.rb.am.br
intervenção do Estado na economia “deve ocorrer para corrigir as contradições do capitalismo” e “promover o estado de bem-estar social”, defendeJuliano Giassi Goularti em entrevista à IHU On-Line. Segundo ele, diante da crise e das contradições que envolvem a atuação do Estado no caso brasileiro, por exemplo, “a questão” que deve ser discutida neste momento “é como o Estado tem investido na economia e em favor de qual classe”.
Na entrevista a seguir, concedida por e-mail,Goularti avalia como se deu a intervenção do Estado na economia brasileira durante os governos Lula e Dilma e frisa que houve uma “mescla de ortodoxia e heterodoxia”, porque “ora a política foi conservadora, ora progressista”, mas o “capital foi o maior ganhador do sistema tributário construído nos governos FHC e Lula”.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Miriam de Magdala. Pregadora de uma nova fé e em pé de igualdade com os outros apóstolos. Entrevista especial com Katherine L. Jansen

"Ela parece ter vindo de uma família relativamente abastada e que ela era solteira. Seu status econômico é indicado pelo fato de o Novo Testamento nos dizer que ela e as outras mulheres que seguiam Cristo lhe serviam com seus próprios recursos”, explica a teóloga.
Reprodução da obra Santa Maria Madalena, 
de Piero Cosimo
Talvez uma das únicas testemunhas da ressurreição de Jesus Cristo, Maria Madalena “foi a primeira a ver o Cristo ressuscitado e a primeira a relatar esse evento para os/as demais”, afirma a teóloga Katherine L. Jansen, em entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line. Especula-se que ela foi uma “das primeiras e uma dedicada discípula de Cristo, que apoiou financeiramente o seu ministério”.
A pesquisadora adverte que “não se deve cometer o erro de pensar que Maria Madalena fosse quer símbolo do pecado, quer símbolo de evangelização. Ela era pecadora antes de sua conversão, mas depois da Ascensão de Cristo, foi pregadora da nova fé”. Antes de Cristo nada se sabe acerca da vida de Maria de Madalena, “exceto que ela parece ter vindo de uma família relativamente abastada e que ela era solteira. Seu status econômico é indicado pelo fato de o Novo Testamento nos dizer que ela e as outras mulheres que seguiam Cristo lhe serviam com seus próprios recursos.”Jansen, cuja pesquisa fundamental é centrada em Maria Madalena, comemora que sua figura esteja, finalmente, “recebendo o devido reconhecimento, na Igreja moderna, ao menos na liturgia”. E acrescenta: “Estou muito contente em ver que o papa Francisco elevou o dia em que se festeja Maria Madalena de um dia memorial para um dia festivo em pé de igualdade com os outros apóstolos”.

Maria Madalena e as discípulas de Jesus. Protagonistas que resistem a um apagamento. Entrevista especial com Wanda Deifelt

“Durante os séculos iniciais do Cristianismo, o tom libertador e afirmador de igualdade entre homens e mulheres foi sendo paulatinamente abrandado, acomodando-se aos padrões discriminatórios da cultura e da sociedade”, analisa a teóloga.
Reprodução do quadro Trasporto di Gesù Cristo al 
Sepolcro, de Antonio Ciseri

É numa sociedade patriarcal que Jesus se insere e essa é uma das lógicas que tenta subverter. EsseCristo reformador quer mostrar que todos são iguais, elevando às mulheres atribuições que eram dedicadas apenas aos varões. Para a professora do departamento da Religião da Luther College, nosEUAWanda Deifelt, ainda está presente a essência do protagonismo das mulheres em Cristo. Mas, ressalta: “durante os séculos iniciais do Cristianismo, o tom libertador e afirmador de igualdade entre homens e mulheres foi sendo paulatinamente abrandado, acomodando-se aos padrões discriminatórios da cultura e da sociedade”.




terça-feira, 19 de julho de 2016

Dois Papas?

Anselmo Borges – 07/206

PEC 241/16: Uma afronta à saúde, aos direitos sociais e à Constituição. Entrevista com Grazielle David



IHU - Unisinos
Adital
"A PEC 241/16 é o congelamento e futura extinção dos direitos sociais previstos na Constituição. Isso acontece porque essa Proposta diz claramente que durante 20 anos não haverá ampliação do que será aplicado para a garantia de direitos sociais”, alerta a pesquisadora.
Por Leslie Chaves
O Sistema Único de Saúde – SUS, considerado uma das maiores conquistas das lutas populares implementadas na Constituição de 1988, ao longo de sua história tem passado por constantes e graves crises. Neste momento, certamente está enfrentando um dos períodos mais tensos por que já passou, pois está tendo sua integridade questionada.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

O nascimento da Igreja Católica Latino-Americana



“Para interessados(as) em temas eclesiais, informo que acabo de colocar em meublogwww.eduardohoornaert.blogspot.com quatro textos em torno da importância da Assembleia Episcopal de Medellin, 48 anos atrás. Sugiro ler na seguinte ordem:
  • O nascimento da Igreja Católica Latino-americana;
  • Questionamentos após Medellin: a pobreza;
  • Questionamentos após Medellin: o ritualismo;
  • Questionamentos após Medellin: o sacerdócio”. 
(Eduardo Hoornaert, apresentando os quatro artigos. Hoje publicamos o 1º – NdR)

A corrupção no Brasil: um olhar profético e teológico a partir de uma adaptação de Tiago cap. 5 e da releitura do profetismo do AT


Nelson Gervoni
Adital
O atual cenário político e econômico do país requer um olhar teológico que, bem apurado, interprete profeticamente a conjuntura e ofereça à Igreja e à sociedade em geral uma compreensão da ação de Deus nesse importante momento da história nacional. Afinal, é de se crer que Deus não esteja alheio a esse contexto. Outra contribuição desse olhar teológico é convencer importantes segmentos da Igreja que é seu papel ser "sal da terra" e "luz do mundo" (Mateus 5.13, 14) através de intervenções que, no mínimo, sejam portadoras do anúncio do Juízo Divino contra os causadores de todo esse mal. Isso porque tais segmentos, numa postura de conveniente acomodação, acredita - ou finge acreditar - que ser sal e luz se limite à pregação do púlpito e ao "evangelismo pessoal" e, quando muito, à ações assistencialistas que só fazem legitimar e perpetuar aquilo que se acredita combater.

Paulo Freire, ‘fome e sede’


Roberto Malvezzi, Gogó
Adital
Nem no túmulo Paulo Freire deixará seus inimigos em paz. Eles o veem pela janela, pelas palavras, no vento, no sol, nos sonhos e pesadelos, inclusive o governo aí posto.
Não é sem razão. A leitura de mundo que ele tanto defendia é radicalmente diferente do letramento. Ler a sociedade brasileira, sua construção histórica, o papel das classes, de cada etnia, o significado da cor no Brasil, traz efetivamente desconforto para muitas pessoas, inclusive para cada um de nós.

sábado, 16 de julho de 2016

Nada pessoal. A relação Macri e o Papa Francisco


Página/12
Adital
Por Washington Uranga
Dias atrás o jornalista Joaquín Morales Solá escreveu que o Papa lhe teria dito em uma entrevista privada que "Macri me parece uma pessoa bem nascida, uma pessoa nobre”. Será preciso dar crédito às palavras do colunista do jornal La Nación, embora ele mesmo sustente que não existe outro porta-voz de Francisco senão "a Sala de Imprensa do Vaticano” e que, portanto, estaria desautorizada qualquer pessoa que falar em nome do Papa ou anunciar algo que não foi dito oficialmente pelos meios que o Vaticano tem para tal fim. Pelo visto, Morales Solá entende que "todos” os que falam em nome do Papa têm que ser desautorizados. Mas ele mesmo não esta incluído no "todos”.

IHU - Unisinos
Adital
"Os movimentos sociais se inserem de modo contraditório nos terrenos cortantes das disputas do campo jurídico”, diz o pesquisador.
Por Patricia Fachin
A criminalização dos movimentos sociais "opera” no Brasil "através da deslegitimação de militantes, movimentos sociais e, em última instância, de suas pautas políticas”, e da "conversão narrativa de ‘militantes’ em ‘criminosos’ no sentido da produção de uma ilegitimidade para a participação democrática”, na qual "‘lutadores’ são redesenhados narrativamente como ‘criminosos’”, dizRoberto Efrem Filhoà IHU On-Line na entrevista a seguir, concedida por e-mail.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Segundo especialista, a narrativa religiosa do neoliberalismo coloca a fé no Mercado como única possibilidade de salvação e culpa os pobres por sua pobreza

Segundo especialista, a narrativa religiosa do neoliberalismo coloca a fé no Mercado como única possibilidade de salvação e culpa os pobres por sua pobreza
Tatiana Carlotti – 07/2016 – Copyleftreprodução
“Antes, quando as pessoas se sentiam pecadoras ou impuras, elas iam à Igreja para recuperar a humanidade e a pureza. Hoje, quando se sentem tristes, elas vão ao shopping. Verdadeiras catedrais modernas”, apontou. Não é de se estranhar, portanto, a forte semelhança arquitetônica entre as catedrais e os shopping centers (confiram a imagem acima).
Os aspectos religiosos do neoliberalismo e o proselitismo na comunicação foram temas debatidos pelos professores da Universidade Metodista, Jung Mo Sung (Ciências da Religião) e Magali Cunha (Comunicação).