quarta-feira, 30 de novembro de 2016

"Ter coragem e audácia profética." A íntegra do diálogo do Papa Francisco com os jesuítas reunidos na 36ª Congregação Geral

No dia 24 de outubro de 2016, o Papa Francisco se encontrou com os jesuítas reunidos na sua 36ª Congregação Geral. Alguns minutos antes das 9h, ele chegou a bordo de um carro popular. Depois de cumprimentar o Padre Geral e os outros que estavam com ele a esperá-lo, ele se dirigiu à Aula da Congregação, onde se recolheu em oração com todos os delegados. Em seguida, fez um discurso. Depois de uma pausa, permaneceu para um diálogo aberto e cordial com os delegados, que lhe fizeram espontaneamente algumas perguntas. O papa não quis que elas fossem previamente selecionadas, nem quis conhecê-las antes. Assim, deu origem a um encontro extremamente familiar, que durou cerca de uma hora e meia. No fim, Francisco cumprimentou um por um a todos os presentes.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Questionamentos após Medellin (III) : o sacerdócio

Eduardo Hoornaert – Julho de 2016
A partir da vida vivida e sem praticamente nenhuma teorização, a primitiva imagem do mestre reaparece nas CEBs.  É pela experiência que se percebe que a lógica da Comunidade de Base, expressão concreta da opção pelos pobres, não combina com o sacerdócio tal qual é vivido tradicionalmente. Em outras palavras, as comunidades postulam um ‘novo tipo’ de padre.

O diaconato feminino em estudo em Roma

Desejada pelo Papa Francisco em maio, a Comissão de estudo sobre o diaconato de mulheres reuniu-se pela primeira vez no Vaticano, na sexta-feira, 25 de novembro.

Marie Malzac – 27/11/2016 
Este debate, sensível e recorrente, remonta ao  Concílio Vaticano II que, ao restaurar o diaconado permanente para os homens, relançou a reflexão sobre o diaconato para as mulheres. Comissão Teológica Internacional (CTI) publicou em 2003 os resultados de seus trabalhos, ao longo de cinco anos, sobre a história e a teologia do diaconato, debruçando-se em particular sobre as diaconisas.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Questionamentos após Medellin (II): o ritualismo

Eduardo Hoornaert – 16/07-2016
“Na vida e no funcionamento da Igreja, a religião ocupa mais espaço e tem maior importância do que o evangelho. A religião é um fato cultural, enquanto o evangelho é um apelo à ação. Na cultura ocidental, a religião é mais determinante que o evangelho, que teria que ser a força de contestação e transformação da cultura do Ocidente, sobrecarregada de desigualdades, injustiças e violências.”

sábado, 26 de novembro de 2016

Questionamentos após Medellin (I): a Pobreza.

Eduardo Hoornaert – 16/07/2016
Em julho publicamos um artigo de Eduardo Hoornaert sobre O nascimento da Igreja Católica Latino-AmericanaDamos agora sequência, publicando, em dias consecutivos, outros três artigos em que o autor subdivide o Tema. Sob o título:  Questionamentos após MedellinHoje, o 1º:  a pobreza. Logo em seguida, virão:
  • Questionamentos após Medellin: o ritualismo;
  • Questionamentos após Medellin: o sacerdócio”. 

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

O papa rejeita as dúvidas dos cardeais: "Eles só sabem pensar em preto e branco"

Disputa sobre a carta de quatro purpurados antes do consistório: "Eles não me tiram o sono". "Uma bomba-relógio", definem alguns dos observadores mais atentos. E preveem, vistos os tons de contestação contra um pontífice acusado até mesmo de se desviar da fé: "Muito mais do que o Vatileaks".
A reportagem é de Marco Ansaldo, publicada no jornal La Repubblica, 19-11-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

"Eu não barateio a doutrina, eu sigo o Concílio." Entrevista com o Papa Francisco

Jubileu, ecumenismo, Concílio: uma entrevista com Francisco às vésperas do fechamento da Porta Santa. "A Igreja não é um time de futebol que procura torcedores."
A reportagem é de Stefania Falasca, publicada no jornal Avvenire, 17-11-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Consistório: Papa exorta a “descer do monte e ser misericordiosos”

Foto: Consistório Ordinário Público para a Criação de 17 novos Cardeais – Vaticano

terça-feira, 22 de novembro de 2016

"Temo os aduladores. Os detratores... não me preocupam." Entrevista com o Papa Francisco no canal Tv2000

Papa Francisco, por ocasião do encerramento do Jubileu da Misericórdia, concedeu uma longa entrevista (40 minutos) para o canal Tv2000 e InBlu Radio. O pontífice, na sua conversa com o diretor da rede, Paolo Ruffini, e o diretor de informação, Lucio Brunelli, reflete sobre os frutos do Ano Santo extraordinário (“Uma bênção do Senhor”); sobre como a Igreja deverá mudar, sobre o modo como a misericórdia interpela as consciências dos indivíduos e dos Estados, sobre a idolatria do dinheiro e sobre atenção aos mais pobres.

PROFECIA DA INTERCONGREGACIONALIDADE

José da Silva Vieira - 16/11/2016
“Hoje, há bastantes e lindas experiências de intercongregacionalidade.
A que melhor conheço é Solidariedade com o Sudão do Sul (na foto) que vi nascer: 30 pessoas (17 mulheres e 13 homens de 15 países dos cinco continentes, leigos e consagrados de 17 congregações), apoiadas por 260 congregações a nível de direção geral e umas 30 ONGs formam professores, enfermeiros, obstetras, agricultores e líderes comunitários no país mais jovem do mundo há oito anos, vivendo, trabalhando e celebrando juntos em quatro comunidades

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

“Os pobres me evangelizaram”

Filho de agricultores de Santa Maria, Antônio Cechin dedicou grande parte da sua vida à causa dos necessitados, lutando pelos movimentos populares no Rio Grande do Sul. “Antes de descer para os pobres eu olhava o mundo com olhos de bovinos. Eu não enxergava a vida, a realidade, o fundo dos fatos”, relata. Desde cedo, ele optou pela vida religiosa e aos 18 anos já lecionava no Colégio do Rosário, em Porto Alegre. Com o trabalho da Catequese Libertadora, incentivava os alunos a pensarem num mundo melhor. Com quase 80 anos, os quais serão completados no próximo domingo, 17-06-2007, e uma disposição imensa para viver, ele lamenta a falta de participação dos jovens nos movimentos sociais. No entanto, acredita “que o mundo vai caminhar para a direção de Deus”. E nos ensina que é necessário “viver acordados, alegremente e entusiasticamente”.

Centrais acertam pontos para ato no dia 25: Previdência e PEC no foco

Em reunião realizada nessa quarta-feira, dia 16, entidades buscam assuntos de convergência para reafirmar unidade e reforçar manifestações. Dirigentes também querem discutir terceirização no Senado e no STF.

sábado, 19 de novembro de 2016

Marxistas, comunistas, anarquistas: uma reflexão após a vitória de Trump nas eleições americanas.



Marxistas, comunistas, anarquistas.
(Reflexões após a vitória de Trump nas eleições americanas)

Eduardo Hoornaert.

14/11/2016.

1. Agora que Trump ganhou as eleições para presidente dos Estados Unidos, o quadro das referências políticas fica mais baralhado que nunca. Isso ficou claro na semana passada, quando dois ícones do pensamento da esquerda mundial, o americano Noam Chomsky e o esloveno Slavoj Zizek, divergiram em sua avaliação do significado político dessa eleição. O primeiro declarou que, qualquer que seja o resultado das urnas, Trump é ‘um perigo’. O segundo, pelo contrário, perguntado por quem votaria se fosse americano, respondeu sem pestanejar: ‘por Trump’. Chomsky vê no presidente eleito um perigo, enquanto Zizek vislumbra nele a possibilidade de algo novo, ‘um desafio’.  Como clarear isso?

“Reformai” – o grito da igreja às vésperas dos 500 anos

O ponto de vista de um Pastor Presbiteriano sobre os 500 anos da Reforma Luterana  
 Pr. Luiz Fernando dos Santos – 24/10/2016
“Vivemos um tempo estranho, há crescimento numérico espantoso, novas comunidades e novas lideranças despontam a cada dia. Não há realidade humana onde a presença evangélica não chegue perto de ser maioria ou que possa passar desapercebida.
Da política à educação, das artes ao mundo virtual, há sempre uma presença evangélica, nem sempre bem-sucedida, nem sempre coerente e nem sempre sincera, mas que pode ser facilmente sentida.
Todavia, esse mesmo crescimento tem se revelado perverso”
“E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação de vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.2).

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

E se o Papa Francisco for anarquista? Considerações em torno da 'Teologia do Povo'.

E se o Papa Francisco for anarquista?
(Considerações em torno da ‘Teologia do Povo’).

Eduardo Hoornaert.

14/11/2016.

E se o Para for anarquista? Não anarquista no sentido que se costuma dar ao termo, mas no sentido de uma lucidez acerca do modo em que a sociedade promove o bem comum, não por simples ação do estado ou de pessoas que controlam os instrumentos do estado, mas por uma interação entre forças existentes na sociedade, impulsionada por movimentos de base. Desenvolvi esse tema num blog que publico hoje juntamente com este, e que tem como título ‘Marxistas, comunistas e anarquistas: uma reflexão após a vitória de Trump nas eleições americanas’. Se você ler os dois textos em conjunto, estará em condições de entender melhor o que pretendo dizer.

O Papa Francisco é mais que um nome, é um projeto de igreja

Foto: Bernardo Dantas/DP
Intelectual católico Leonardo Boff diz que o Papa Francisco é mais que um nome, é um projeto de igreja.
Um dos expoentes da Teologia da Libertação, Boff critica o impeachment da ex-presidente Dilma e fala sobre temas como o casamento gay.
Sobre dom Helder Câmara (1909-1999), Leonardo Boff afirma que é “a favor de sua canonização, o mais rápido possível”. 

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Em memória de Antônio Cechin: querido amigo, enfim chegando à Terra Sem Males!



Fonte: Cimi.

Em nota, o  Cimi, 16-11-2016, lamenta e presta homenagem ao marista AntônioCecchin, um dos criadores das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) no Rio Grande do Sul, falecido na manhã desta quarta-feira (16), em Porto Alegre (RS), aos 89 anos.


Stedile: Papa Francisco, um homem de muita coragem!

3° Encontro Mundial de Movimentos Populares em diálogo com o Papa Francisco ocorreu no Vaticano no início de novembro

João Pedro Stedile stedile_papa
Brasil de Fato| SP 
 Foto: Stedile com Francisco.
“Agora, no terceiro encontro, estava na pauta dos debates, novos temas  relacionados com os graves dilemas que a sociedade moderna está enfrentando em todo o mundo. O primeiro tema foi a questão do Estado e da democracia. Tivemos aqui a participação também do ex-presidente Pepe Mujica, do Uruguai, e de outros  dirigentes políticos progressistas que enviaram reflexões.”

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Em Novembro, estórias de amor e morte


terça-feira, 15 de novembro de 2016

No deserto da imaginação, o florescer da Primavera Secundarista

"Para quem só é capaz de ver o mundo por meio de institucionalidades, os secundaristas são assustadores e é bom que o sejam. O discurso que criminaliza os movimentos de ocupação, às vezes, assusta os estudantes, todavia não passa de erva daninha em meio às flores. E por mais que o sol do conservadorismo queira desertificar os jardins do pensamento livre, o máximo que conseguirão é acelerar a fotossíntese, afinal a Primavera Secundarista já foi plantada, o florescer desponta", escreve Ricardo Machado, jornalista e mestre em comunicação.

Uma provocação teológica

“Espanta-me que a Comissão de Estudo sobre o Diaconado Feminino seja tão exígua e de representatividade eclesial muito desnivelada, a nível dos ministérios ordenados. Seja qual for o resultado, nunca poderá ser invocada a sua ampla representatividade democrática. Se for uma provocação a multiplicar iniciativas no conjunto da Igreja, para detectar o sensus fidelium, bendita seja.”
1. Existe uma comissão nomeada pelo Papa Francisco para estudar a hipótese de as mulheres serem ordenadas diaconisas.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Dom Helder: poeta e sonhador

Jesus quer lucidez e responsabilidade por parte dos cristãos, além de fé e esperança. Como seria bom se a paz fosse um desejo de todos, fruto da vivência do Evangelho, e que, consequentemente, levasse as pessoas à conversão do coração! Mas, ao olharmos para o nosso o mundo hedonista, com ausência de compromisso em todos os sentidos e uma grande carência de heroísmo na fé, que supõe uma luta interior, saibamos olhar Dom Helder como fonte inspiradora, convictos de uma vida bem melhor aqui na terra, no sonho daquela mais elevada dignidade dos filhos de Deus.

sábado, 12 de novembro de 2016

"Arte de morrer bem" para vencer o tabu da morte

Londres (RV) – “A arte de morrer bem” é o novo site inaugurado pela Conferência Episcopal da Inglaterra e Gales que explica o segredo da boa morte, a que se vive em casa, circundados por parentes e amigos e acompanhados – se possível e para quem o deseja – por um sacerdote que encoraje, pois esta última viagem será o retorno ao Jesus que nos ama desde sempre.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

“Responder com amor, não com muros, ao terrorismo do dinheiro”

O Papa recebe pela terceira vez os movimentos populares e exorta-os a não ceder ao medo que sustenta um sistema iníquo e a combater a corrupção com a austeridade
Iacopo Scaramuzzi  VATICANO
Nenhum povo, nenhuma religião é terrorista. É verdade, existem pequenos grupos fundamentalistas em todos os lugares. Mas o terrorismo começa quando se expulsa a maravilha da criação, o homem e a mulher, e se coloca lá o dinheiro. Tal sistema é terrorista” – disse Francisco, que citou as denúncias de Pio XI e Paulo VI a respeito desta questão. “Nenhuma tirania – disse Francisco – se sustenta sem explorar os nossos medos.”

A esquerda e os evangélicos: o que aprender com a vitória de Crivella

“O valor do individualismo moral entre os pobres evangélicos, que fundamenta a expectativa de autonomia produtiva e financeira na esfera econômica, mas que se deixa combinar com formas muito intensas de solidariedade, não é mera ideologia neoliberal. É força moral própria, que pode assumir contornos transformadores ou reacionários, a depender da interpretação e da direção política que recebem. A esquerda deveria disputar o sentido político destes valores de autonomia individual – que podemos chamar de “liberalismo popular” –, pois eles possuem muito mais apelo transformador entre os pobres do que ideias abstratas do século XIX como socialismo e comunismo.A classe média projetou em Freixo a representação de seu sentimento de superioridade moral em relação aos pobres”, escreve Roberto Dutra, doutor em sociologia pela Universidade Humboldt de Berlim e professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf), em artigo publicado por El País, 07-11-2016.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

"Quem acumula dinheiro é doente. A riqueza complica a vida." Entrevista com José Mujica

"Não desperdicem a vida no consumismo. Encontrem o tempo de viver para serem felizes", disse José "Pepe" Mujica aos estudantes que se encontraram com ele na última sexta-feira, em Roma. Oitenta e um anos, presidente do Uruguai de 2010 a 2015, Mujica está na Itália para uma série de conferências e para promover o livro de Andrés Danza e Ernesto TulbovitzUna pecora nera al potere [Uma ovelha negra no poder].
A reportagem é de Omero Ciai, publicada no jornal La Repubblica, 06-11-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Madre Teresa: da lixeira a padre, Emmanuel Leclercq: “Salvo por uma Santa”

https://4.bp.blogspot.com/-8aYYBw9mGU0/WCCtLVujpYI/AAAAAAAByNY/E5K0_eDDJzIrN-3IFoIFbA__uqkYHD7vwCLcB/s320/Emmanuel%2BLeclercq.JPGTV2000-7/11/2016
História do jovem seminarista com imagens e fotos
“Madre Teresa recuperou-me da lata do lixo. Nasci dia 9/091982 e vivi dez dias com os meus pais. Dia 19/09 minha mãe me jogou na lata de lixo em f/rente à casa das Irmãs da Caridade” de Amravati, uma favela de Bombaim.
Foi assim que Emmanuel Leclercq – nascido na Índia, adotado por uma família francesa e hoje seminarista da diocese de Avignon – contou, aos microfones da Tg2000 no telejornal da Tv2000, alguns detalhes inéditos de sua história incrível.

Discurso do Papa Francisco Papa aos Movimentos Populares – 2016: a corrupção não é um vício exclusivo da política

Neste sábado (05/11) o Papa Francisco participou na Sala Paulo VI da conclusão do III Encontro Mundial dos Movimentos 
Populares. Abaixo, o pronunciamento na íntegra:
 “Irmãs e irmãs, boa tarde!
Neste nosso terceiro encontro expressamos a mesma sede, a sede de justiça, o mesmo grito: terra, casa e trabalho para todos.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

A Igreja e a Política: que Igreja e que política? (3)

Ninguém pode exigir que se relegue a religião para a intimidade secreta das pessoas, sem qualquer influência na vida social e nacional

Como a Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, (A Alegria do Evangelho, 2013), do Papa Francisco, é muito incómoda, procura-se fazer de conta que é um desabafo irrelevante, sem consequências. Mas ele quis deixar escrito que se trata de um documento programático e de consequências importantes,dirigido a cada cristão.
Não se trata de uma vontade de poder, de auto-afirmação, de quem quer, pode e manda, apoiado na infalibilidade pontifícia. É precisamente essa mentalidade que ele procura desterrar. A Igreja é o NÓS de todos os cristãos e é precisamente isto que Bergoglio lembra, em todas as circunstâncias, a todas as pessoas e grupos, combatendo, sem tréguas, o clericalismo sempre renascente.
Sabe que é preciso um longo caminho para uma Igreja de saída dos seus hábitos inveterados. “Saiamos, saiamos para oferecer a todos a vida de Jesus Cristo! Repito aqui, para toda a igreja aquilo que muitas vezes disse aos sacerdotes e aos leigos de Buenos Aires: prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja doente, fechada, comodamente agarrada às próprias seguranças. Não quero uma Igreja preocupada em ser o centro. Acaba presa num emaranhado de obsessões e procedimentos.” [1]
Tem o cuidado de avisar que se alguém se sentir ofendido com as suas palavras “saiba que as exprimo com estima e com a melhor das intenções, longe de qualquer interesse pessoal ou ideologia política. A minha palavra não é a de um inimigo nem de um opositor. A mim interessa-me apenas procurar que quantos vivem escravizados por uma mentalidade individualista, indiferente e egoísta possam libertar-se dessas cadeias indignas e alcancem um estilo de vida e pensamento mais humanos, mais nobres, mais fecundos, que dignifiquem a sua passagem por esta terra.” [2]

2. Ao partilhar as suas preocupações sobre a dimensão social do Evangelho, recorda que os ensinamentos da Igreja acerca de situações contingentes estão sujeitos a maiores ou novos desenvolvimentos e podem ser objecto de discussão.
Sem pretender entrar em pormenores, não pode evitar ser concreto e ficar, apenas, nos grandes princípios sociais, em meras generalidades que não interpelam ninguém. É preciso tirar consequências práticas, para que também possam incidir, com eficácia, nas complexas situações actuais.
Ninguém pode exigir que se relegue a religião para a intimidade secreta das pessoas, sem qualquer influência na vida social e nacional, despreocupada com a saúde das instituições da sociedade civil e sem se pronunciar sobre os acontecimentos que interessam os cidadãos. No entanto, Francisco sublinha que nem o Papa nem a Igreja possuem o monopólio da interpretação da realidade social ou da apresentação de soluções para os problemas contemporâneos [3].

3. Convém não se esquecer que a referida Exortação Apostólica se dirige aos membros da Igreja. Nesta, ninguém se pode manter longe dos pobres, em nome de outras incumbências, mas é a desculpa mais frequente nos meios académicos, empresariais e, até, eclesiais.
O capítulo dedicado à dimensão social da evangelização, não pode ser aqui resumido, mas o Papa quis ser muito concreto: não se pode continuar a confiar nas forças cegas e na mão invisível do mercado. O crescimento equitativo exige algo mais do que o crescimento económico, embora o pressuponha. Requer decisões, programas, mecanismos e processos especificamente orientados para uma melhor distribuição dos rendimentos, criando novas oportunidades de trabalho, que superem o mero assistencialismo.
Adverte que não propõe um populismo irresponsável, mas a economia não pode recorrer a remédios que sejam um novo veneno, como quando pretende aumentar a rentabilidade, reduzindo o mercado de trabalho e criando assim novos excluídos [4].
A proposta de Francisco é directamente política: peço a Deus que cresça o número de políticos capazes de entrar num autêntico diálogo que vise, efectivamente, sanar as raízes profundas e não a aparência dos males do nosso mundo.
A política, tão denegrida, é uma sublime vocação. É uma das formas mais preciosas da caridade, porque busca o bem-comum. Neste ponto, o Papa citava um documento dos Bispos franceses sobre a reabilitação da política (1999). Entretanto, muita coisa mudou em França e no mundo o que provocou outro documento sobre a urgência em reencontrar o próprio sentido da política. A laicidade francesa também está em evolução. O Conselho de Estado recomenda a autorização de Presépios nas Câmaras Municipais,não como culto, mas como cultura.
Poderá a reforma que Francisco propõe para a Igreja deixar a política indiferente?
[1] Cf. EG nº 49
[2] Cf.EG nº 208

 Frei_bento_domingues

Frei Bento Domingues

http://www.padrescasados.org/archives/51083/a-igreja-e-a-politica-que-igreja-e-que-politica-3/

sábado, 5 de novembro de 2016

“A direita encontra-se em posição de ataque em todos os cenários continentais”. Entrevista com Antonio Negri

O filósofo marxista Antonio Negri (Pádua, 1933), um pensadores de maior influência nos movimentos de esquerda ocidentais e referência da crítica à globalização, passou dias intensos em São Paulo na semana passada. Em três dias de concorridas conferências na cidade, o professor da Universidade de Pádua, que passou anos na prisão na Itália e no exílio na França, discutiu a potência e as contradições do que chama de "hegemonia do trabalho cognitivo na produção capitalista". O coautor de Multidão: guerra e democracia na era do império (2005), discutiu também a conjuntura brasileira e o momento de impulso da direita no mundo todo.

“Não é humano fechar as portas aos refugiados, mas é preciso prudência para integrá-los bem”

ANDREA TORNIELLI - 11/2016
O Papa aos jornalistas no voo Malmö-Roma
A conferência de imprensa do papa Francisco durante o voo Malmö-Roma: “Paga-se politicamente a imprudência nos cálculos” sobre quantos receber, que não permite oferecer casa, escola e trabalho. O elogio aos oratórios e ao voluntariado na Itália, nascidos “do zelo apostólico dos párocos”. Reiterado o não à ordenação de mulheres
“Não é humano fechar as portas e o coração aos refugiados”, mas também é preciso prudência para acolher tantos quantos podem ser realmente integrados oferecendo a eles casa, escola e trabalho. Disse-o o papa Francisco dialogando com os jornalistas no voo de Malmö para Roma. “Gostaria de cumprimentá-los e agradecer pelo trabalho que fizeram – disse Francisco no início – pelo frio que pegaram. Mas saímos a tempo, dizem que hoje à noite [a temperatura] desce mais cinco graus”.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Os três ecumenismos do Papa Francisco. Artigo de Massimo Faggioli

"O ecumenismo do Papa Francisco é um dos aspectos mais complexos do pontificado, que custa a chamar a atenção como os pronunciamentos do papa sobre outras questões mais clássicas para a definição dos alinhamentos internos ao catolicismo e para as relações entre Igreja e mundo moderno."
A opinião é do historiador italiano Massimo Faggioli, professor da Villanova University, nos EUA, em artigo publicado no sítio L'Huffington Post, 01-11-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A Igreja e a Política: que Igreja e que política? (2)


1. Continuando, como prometemos, na temática do Domingo passado, lembro o que escreveu José M. Mardones[i]: depois das revoluções norte-americana e francesa, do século XVIII, marcos da modernidade, a religião abandonou o campo da política. Tinha deixado de ser necessária para legitimar o que podia ser perfeitamente legitimado pela razão humana.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Amar a misericórdia em Miquéias

Rio de Janeiro (RV) - A cada ano no Brasil, desde a década de 1970, a Igreja tem a graça de celebrar em setembro o Mês da Bíblia. O mês foi escolhido porque no dia 30 comemoramos o Dia de São Jerônimo. No domingo próximo a esse dia celebramos também o Dia Nacional da Bíblia. Neste mês ressaltamos ainda mais a importância da Sagrada Escritura em nossas vidas. Porém, as Sagradas Escrituras estão presentes em todas as celebrações, reuniões, leituras que fazemos a cada dia. Com a Tradição da Igreja podemos ler a Bíblia e encontrar nela o rosto da Palavra (Verbo) feita carne, Jesus Cristo, nosso Senhor.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Morte. Uma experiência cada vez mais hermética, abreviada e pasteurizada

No filme O Sétimo Selo (1959), de Ingmar Bergman, em meio ao cenário de dor e devastação causadas pela peste negra, um cavaleiro trava um embate com a morte. A partir desse enfrentamento, ele reelabora o sentido da vida. Essa perspectiva de Bergman suscita reflexões sobre a importância de se pensar na morte como caminho para entendimento sobre a vida. O contraditório é que nos tempos atuais a morte parece cada vez mais silenciada. Luto e ritos fúnebres e de memória são abreviados. Estes são alguns aspectos em debate na edição desta semana da revista IHU On-Line.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

3º Encontro Mundial de Movimentos Populares. “Os pobres devem ser protagonistas de uma mudança que lhes restitua seus direitos”

Dom Silvano Tomasi, do Pontifício Conselho Justiça e Paz, e o argentino Juan Grabois, cofundador do Movimento dos Trabalhadores Excluídos, apresentaram na última sexta-feira, no Vaticano, o 3º Encontro Mundial de Movimentos Populares.

"Não é possível ser católico e sectário." Entrevista com o Papa Francisco por ocasião da viagem apostólica à Suécia

Durante um encontro dos diretores das revistas culturais europeias da Companhia de Jesus, em meados de junho, eu expressei ao Pe. Antonio Spadaro, diretor da La Civiltà Cattolica, um desejo que tinha no meu coração há muito tempo: entrevistar o Papa Francisco às vésperas da sua viagem apostólica à Suécia, no dia 31 de outubro de 2016, para participar da comemoração ecumênica dos 500 anos da Reforma Luterana.