terça-feira, 31 de janeiro de 2017

O fascismo vive em nós através do dispositivo do neoliberalismo

Por: Márcia Junges | Tradução Moisés Sbardelotto
“Uma mutação radical da soberania moderna em uma definitiva inscrição biopolítica.” Assim o filósofo chileno Rodrigo Karmy caracterizaria o fascismo em nosso tempo. Um regime que não reconhece a lei, porém sua exceção permanente, “não conhece a técnica, senão como imperialismo; não sabe do outro mais do que como inimigo; não conhece o exército, senão como aparato policial; converte o silêncio em seu aliado mais forte, combinado com uma estetização completa da vida social; reduz a noção de progresso à extensão de suas rodovias e vislumbra o passado apenas como um mito que, tendo sido esquecido por muito tempo, é reeditado em e como presente”. Contudo, Karmy adverte que é preciso problematizar não apenas o fascismo, mas também o discurso humanista: “O fascismo, diríamos, é um humanismo. Para o fascismo, trata-se de salvar a ‘raça’ que serão os últimos propriamente ‘humanos’ que sobreviveram à invasão parasitária dos ‘outros’  (muçulmanos, judeus, índios, negros etc.)” E acrescenta: “Somente como ‘humanismo’ o fascismo pode identificar o ‘outro’ como não ‘humano’ e fazer do fascista um ‘humano’ nesse mesmo ato de exclusão – de sacrifício”.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Uma trilogia para repensar os consensos que paralisam a esquerda. Entrevista especial com Jean Tible

Num momento em que a esquerda se depara com mais uma crise interna, autores como Antonio Negri e Michael Hardt são referência para muitos grupos, porque “não se omitem em tratar de várias questões polêmicas e fundamentais para repensar a esquerda”, diz Jean Tible, professor do Departamento de Ciência Política da Universidade de São Paulo  USP, em entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line.
Para Tible, a trilogia de Negri e Hardt, composta pelas obras ImpérioMultidão Bem-Estar Comum, é “incontornável para pensar e fazer a esquerda hoje. Não se trata de concordar com as posições que são apresentadas nesses livros, mas eles colocam questões fundamentais e que muitas vezes não estavam colocadas dessa forma”.

sábado, 28 de janeiro de 2017

Divórcio e comunhão: as mulheres que a Igreja precisa ouvir

Neste domingo (22) o 3º Tempo Comum, católicos e católicas em todo mundo ouvirão Jesus convocar: “Segui-me!” (Mt 14,12-23).
Se a Igreja  quiser entender o que é seguir o Mestre nos dias de hoje, à luz da polêmica em torno da comunhão de divorciados recasados, precisa ouvir uma verdadeira homilia de cinco mulheres: Vanderleia, Laura, Claudilene, Marluce e Maria.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Padre Paulo: papados conservadores “destruíram Igreja inserida na vida dos pobres” no Brasil e AL

Mauro Lopes – 24 Janeiro 2017
Padre Paulo Sérgio Bezerra não cede um milímetro sequer no seguimento dos ensinamentos da Igreja à luz do Evangelho e da renovação do Concílio Vaticano II, como um dos protagonistas da Teologia da Libertação na periferia de São Paulo. Padre desde 1980, há 34 anos está na Paróquia Nossa Senhora do Carmo, na Diocese de São Miguel Paulista, em Itaquera, bairro pobre da zona leste da cidade.

O papa Francisco e a carne

Por que o papa Francisco é diferente? Por que às vezes gosta mais dos agnósticos e até dos ateus do que muitos católicos conservadores?
A resposta aparece na recente entrevista concedida a este jornal. Quem, como este jornalista, conheceu sete papas, pode notar a diferença entre Francisco e a maioria dos pontífices da era moderna.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Pode me chamar de Francisco

A nova série do Netflix “Pode me chamar de Francisco” é baseada em uma pesquisa de Martín Salinas sobre a vida de Jorge Bergoglio. Em matéria de livros isto seria uma “biografia autorizada”. Ou seja, que o protagonista da história, hoje Francisco, tomou conhecimento e aprovou em termos gerais o seu conteúdo.
A reportagem é de Aldo Duzdevich e publicada por Página/12, 25-01-2017. Aldo Duzdevich é autor de La Lealtad. Los montoneros que se quedaron con Perón (A lealdade. Os montoneros que permaneceram com Perón). A tradução é de André Langer.

Todos os sons do silêncio de Deus. Artigo de Roberto Esposito

“Somente o homem pode decidir aquilo que, em uma determinada circunstância, é certo ou errado fazer. Nesse sentido, Deus se retirou no silêncio, evitando indicar-lhe o caminho, não para se afastar do homem, mas para encontrá-lo. Para lhe entregar toda a sua liberdade. Até mesmo a de ‘traí-Lo’.”

A opinião é do filósofo italiano Roberto Esposito, professor da Escola Normal Superior de Pisa e ex-vice-diretor do Instituto Italiano de Ciências Humanas. O artigo foi publicado no jornal La Repubblica, 24-01-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

«A abolição do celibato obrigatório poderia ajudar»

Entrevista com o teólogo e psicoterapeuta Wunibald Müller

  Christian Wölfel, em katholisch.de, 15-01-2017
Tradução: Moisés Sbardelotto
 De acordo com o teólogo e psicoterapeuta Wunibald Müller (na foto), os padres se sentem cada vez mais sozinhos. Por isso, é justo que eles possam viver em uma comunidade, se se quiser ajudá-los.
Numa carta aberta: que pode ser lida aqui: Sete orientações para o futuro dos padres e a reforma do sacerdócio. Carta aberta de padres alemães ordenados em 1967, alguns padres da diocese de Colónia, por ocasião do 50.º aniversário da sua ordenação presbiteral, põem em discussão a obrigatoriedade do celibato para o clero católico. Um dos motivos citados por eles é a solidão. O teólogo e psicoterapeuta Wunibald Müller acompanhou por 25 anos padres em crise na Recollectio-Haus, em Münsterschwarzach. Nesta entrevista, ele explica como os padres vivem a sua solidão e as suas consequências.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Achille Mbembe: “A era do humanismo está terminando”

Achille Mbembe 24 Janeiro 2017
“Outro longo e mortal jogo começou. O principal choque da primeira metade do século XXI não será entre religiões ou civilizações.
Será entre a democracia liberal e o capitalismo neoliberal, entre o governo das finanças e o governo do povo, entre o humanismo e o niilismo”, escreve Achille Mbembe. E faz um alerta: “A crescente bifurcação entre a democracia e o capital é a nova ameaça para a civilização”.
Achille Mbembe (1957, Camarões francês) é historiador, pensador pós-colonial e cientista político; estudou na França na década de 1980 e depois ensinou na África (África do Sul, Senegal) e Estados Unidos. Atualmente, ensina no Wits Institute for Social and Economic Research (Universidade de Witwatersrand, África do Sul).

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Mulheres serão as mais penalizadas na reforma trabalhista proposta por Temer. Entrevista especial com Rosa Maria Marques

governo Temer encaminhou uma proposta de reforma da Previdência Social para o Congresso Nacional no dia 5 de dezembro, estabelecendo, entre outros pontos, o tratamento igual entre homens e mulheres no que tange à idade mínima de 65 anos para aposentadoria. Isso desconsidera o fato de que no Brasil, de maneira geral, as mulheresseguem tendo jornada dupla, dividida entre trabalho fora de casa e afazeres domésticos. “Por isso, podemos dizer que as mulheres serão as mais penalizadas nessa reforma”, avalia a economista Rosa Maria Marques, em entrevista concedida por e-mail para a IHU On-Line.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

As quatro coisas que o Papa Francisco diz aos pobres

O papa definiu um projeto de vida que rechace o consumismo e recupere a solidariedade, o amor entre nós e o respeito à natureza como valores essenciais.

Presidencia de la República Mexicana
Ignacio Ramonet – 09/01/2017
“É verdade que há pequenos grupos fundamentalistas em todos os lugares. Mas o terrorismo começa quando parte do desprezo à maravilha da Criação, do homem e da mulher, e prioriza o dinheiro. Toda a doutrina social da Igreja se rebela contra o ídolo dinheiro, que reina em lugar de servir, tiraniza e aterroriza a humanidade.
“Após os eventos de – Roma, em 2014 e Santa Cruz (Bolívia), – o III Encontro Mundial dos Movimentos Populares voltou à capital italiana para sua terceira edição, ocorrida entre 3 e 5 de novembro de 2016. Participaram do evento cerca de 200 ativistas, representantes de 92 organizações, provenientes de 65 países, dos cinco continentes, que representam os mais pobres da Terra:
  • vendedores ambulantes,
  • recicladores de lixo,
  • camponeses sem terra,
  • indígenas,
  • desempregados,
  • favelados,
  • organizações de sem teto, etc.

sábado, 14 de janeiro de 2017

“Bauman só podia estar de acordo com um papa como Francisco”. Entrevista com com Gianni Vattimo

(Foto: CartaCapital)“Para Zygmunt Bauman, a ética coincide com o colocar-se à disposição do outro, também – e sobretudo – fora das estruturas sociais ‘líquidas’. Uma visão bastante otimista da pessoa como ‘eu moral’ a serviço do próximo espoliado de todas as qualificações sociais. Na prática a sociedade líquida deveria ser aquela onde contam menos as pessoas e mais o ‘eu’, menos os papéis, as funções, mais o indivíduo”, reflete Gianni Vattimo, filósofo italiano, em entrevista de Stefano Caselli, publicada por il Fatto Quotidiano, 10-01-2017. A tradução é de IHU On-Line.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Redes sociais validam o ódio das pessoas, diz psicanalista

Nas redes sociais, é possível expressar o seu ódio, dar a ele uma dimensão pública, receber aplausos de seus amigos e seguidores e se sentir, de alguma forma, validado.
Além disso, a linha entre uma ameaça virtual e uma ação criminosa é tênue, como ocorreu no caso da chacina ocorrida em Campinas (SP) no começo do ano, quando um homem matou a ex-mulher, o filho e outras dez pessoas durante uma festa de Ano Novo.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Manutenção das três principais bacias hidrográficas do país depende da preservação do Cerrado. Entrevista especial com Fernando Tatagiba

Depois de quatro anos de negociação e da realização de estudos fundiáriossocioeconômicos e ambientais envolvendo o governo estadual de Goiás e o Ministério do Meio Ambiente – MMA, a comunidade que reside nas proximidades do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás, está na expectativa de que a área do parque seja ampliada de 65 mil hectares para 222 mil, no próximo mês.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

ESTÁ CHEGANDO: XXI ENCONTRO NACIONAL DAS FAMÍLIAS DOS PADRES CASADOS – MFPC

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Caros colegas do MFPC, pensando em vivermos um momento de congraçamento e fraternidade,  o grupo do MFPC/Brasília está organizando com muito carinho e dedicação, o XXI Encontro Nacional das Famílias dos Padres Casados.
Nos dias 18 a 22 de janeiro 2017, em Brasília, no Instituto Israel Pinheiro, à beira do Lago Paranoá.
 Tema:  Renovação e Esperança
Faltam menos de três meses para o nosso encontro. Ainda dispomos de vagas para as inscrições que devem ser efetivadas o mais tardar até o dia 20 de dezembro. Em tempo de crise, a temática proposta pela diretoria da Associação traduz-se em provocação e desafio. Talvez renovação devesse soar de modo mais ousado, pois se trata de verdadeira recriação do sentido da vida cristã à luz da esperança no Ressuscitado.

Leonardo Boff em entrevista: “O Papa Francisco é um dos nossos”

 O brasileiro Leonardo Boff, nascido em 1938, é filho de imigrantes italianos. Em 1959 ele ingressou na ordem dos franciscanos e estudou durante 5 anos na Alemanha.

Joachim Frank – 06/01/2017Leonardo Boff beim Interview in Berlin
Foto: Markus Wächter
A entrevista é de Joachim Frank, publicada por Kölner Stadt Anzeiger, 25-12-2016. A tradução é de Walter O. Schlupp.
Nos anos 1980 Leonardo Boff, enquanto principal representante da teologia da libertação e em função da sua crítica à igreja oficial, entrou em conflito com o Vaticano e seu principal guardião da fé Joseph Ratzinger. Depois de, por duas vezes, o proibirem de publicar, deixou a ordem em 1992 e renunciou ao sacerdócio.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Papa Francisco: “A tragédia de Lampedusa fez-me sentir o dever de fazer viagens”

O Pontífice: não estava programado, mas era importante ir. Depois não parei mais: é cansativo, mas por aqueles sorrisos vale a pena


Andrea Tornielli 08/01/2017 – Cidade do Vaticano
Foto: Papa Franciso fez 80 anos em 17 de dezembro  –   LaPresse
Tradução: Orlando Almeida 
Na terça-feira, 10 de janeiro, estará nas livrarias o livro “In viaggio” [Em viagem] (edições PIEMME, pp. 348, 18 euros), o relato das viagens internacionais do Papa Francisco escrito por Andrea Tornielli, jornalista do diário’ La Stampa’ e coordenador do ‘site’ Vatican Insider.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

O novo rosto da Cúria Romana sob o comando do Papa Francisco

novo Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral começou a trabalhar no dia 1º de janeiro, marcando uma nova fase no processo de reforma do Vaticano.

A reportagem é de Nicolas Senèze, publicada por Crux, 03-01-2017. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Entre dos corredores da Cúria Romana, muitos estão felizes em descobrir um novo significado para o trabalho que desenvolvem aí desde que o Papa Francisco deu início às reformas. Outros, cujas funções foram rebaixadas, queixam-se de um papa que não se satisfaz com o a desculpa do “sempre fizemos deste jeito” ou com atitudes de quem diz “nunca fizemos isso antes”.

sábado, 7 de janeiro de 2017

Leonardo Boff em entrevista: “O Papa Francisco é um dos nossos”

O brasileiro Leonardo Boff, nascido em 1938, é filho de imigrantes italianos. Em 1959 ele ingressou na ordem dos franciscanos e estudou durante 5 anos na Alemanha.
A entrevista é de Joachim Frank, publicada por Kölner Stadt Anzeiger, 25-12-2016. A tradução é de Walter O. Schlupp.
Nos anos 1980 Leonardo Boff, enquanto principal representante da teologia da libertação e em função da sua crítica à igreja oficial, entrou em conflito com o Vaticano e seu principal guardião da fé Joseph Ratzinger. Depois de, por duas vezes, o proibirem de publicar, deixou a ordem em 1992 e renunciou ao sacerdócio.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

A questão do sacerdócio corporativo.

Eduardo Hoornaert.

Num determinado momento de sua navegação pelos séculos, o cristianismo oficial decidiu optar por uma organização interna da Igreja por meio do sacerdócio corporativo. Esse é um tema pouco discutido, mesmo nos círculos que se situam mais à esquerda do espectro eclesial, embora seja de fundamental importância. Importa saber se a opção pelo sacerdócio corporativo, que tem data, lugar e protagonistas, foi um desvio dos propósitos originários do movimento de Jesus ou uma evolução positiva. Para tal, proponho que façamos uma incursão pela história, em traços breves, pois aqui não se trata da defesa de uma tese acadêmica, mas de um convite à reflexão.

Para enxergar os “secundas” além do romantismo

"Num país ameaçado por múltiplos retrocessos, eles voltaram a ser, em 2016, um sinal de possível virada. Como chegaram a tanto? Quais seus limites? Que podem ensinar à esquerda histórica?", questiona Jean Tible, militante e professor de Ciência Política na Universidade de São Paulo, em artigo publicado por Outras Palavras, 23-12-2016.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

'É uma fábrica de tortura, que produz violência e cria monstros', diz padre que visitou presídio

Pessoas feridas, celas superlotadas e uma alimentação precária. Essas são as principais lembranças que o padre Valdir João Silveira, coordenador nacional da Pastoral Carcerária, tem das três visitas que fez ao Compaj (Complexo Penitenciário Anísio Jobim), em Manaus.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

IRMÃO FRANCISCO, PRECISAMOS DE MAIS CARDEAIS E DE OUTROS BISPOS

A mensagem do site dos jesuítas chilenos da Reflexão e Libertação: “Para que, quando tu faltares, não haja possibilidade de dar marcha à ré” 
pope-francis-and-cardinals
Alver Metalli 
Tradução: Orlando Almeida
Foto: Mais rápido…
O autor do artigo, Faustino Vilabrille Lina como “um padre do campo”, que passou quase toda a sua vida numa paróquia de Asturias, “formada por 8 povoados, nenhum dos quais têm água corrente nas casas”.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

O Brasil pode ter em breve padres casados

Padres casados 3
Christa Pongratz-Lippit – 30/12/2016
Tradução: Orlando Almeida
O Papa Francisco poderá atender brevemente o pedido especial dos bispos brasileiros de permitir que padres casados ​​retomem o seu ministério sacerdotal, disse o teólogo da libertação Leonardo Boff numa entrevista ao jornal alemão Kölner Stadt-Anzeiger, em 25 de dezembro.

O segredo de Francisco: tempo para o ócio silente

Deixo aqui os meus melhores votos para o novo ano, desejando a todos saúde, paz, realizações felicitantes e também o que me parece de suprema urgência: ao longo do ano todo, algum tempo para o ócio silente.
Anselmo Borges – 31/12/2016
O Papa Francisco, que, neste nosso mundo global, talvez seja o líder político-moral mais amado e é um dos mais influentes, levanta-se muito cedo todas as manhãs. Para quê? Para, no ócio silente e criador, antes de todas as suas tarefas, poder rezar, contemplar, encontrar-se consigo no mais profundo de si, lá onde se encontra com o mistério da Presença enquanto Fonte, Deus.
Este é o seu segredo: “Entrar no mistério significa capacidade de assombro, de contemplação; capacidade de escutar o silêncio e sentir e ouvir o sussurro desse fio de silêncio sonoro no qual Deus nos fala.”
Uma das características da nossa época, que causa estragos sem fim, é a agitação geral e frenética, consumista, que tudo devora. O nosso tempo não tem lugar para o ócio, aquele ócio de que fala a scholê grega. Vivemos, como dizia o grande bispo do Porto D. António Ferreira Gomes, na “agitação paralisante e na paralisia agitante”, isto é, não vivemos verdadeiramente. Porque o autenticamente humano está recalcado.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

A emergência de uma humanidade atravessada pela hospitalidade

Por: João Vitor Santos 
Tradução: Sandra Dall’Onder
O estado de crises em que o mundo parece mergulhado, de problemas humanitários a políticos e econômico-sociais, pode ser resumido como “crise global de hospitalidade”. É nesse sentido que vai a perspectiva do professor e teólogo italiano Marco Dal Corso. “Trata-se de uma crise cultural e, talvez, espiritual, antes de uma crise social e política. Se isso é verdade, precisamos repensar nossas categorias fundantes, pelo menos aquelas sobre as quais construímos a chamada cultura ocidental”, explica.