quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

O CARNAVAL ESTÁ CHEGANDO


Alguns textos de Dom Helder
que falem do carnaval


 Meus queridos amigos,

     
   Um dia, em nosso programa, comentaremos as Canções mais cantadas neste Carnaval de 1978.

  


         Há sempre Canções novas e é claro que algumas pegam e ficam... Há Canções que não são esquecidas nunca. As vezes, vê, de longe, de Carnavais que já se foram...
        O Bal Masqué, salvo engano, abriu com “Máscara Negra”, o que não quer dizer que houvesse mais de mil Palhaços no salão...
        Ninguém esquece a “Jardineira”, “Sassaricando” e tantas outras músicas que atravessam os anos...
        Pode causar estranheza que, no meio de tanta gente, agrade tanto o Bloco da Solidão. É que ali, no meio da multidão, não falta quem se sinta só.





 “Angústia, solidão
  um triste adeus em cada mão
  lá vai meu bloco, vai
  só deste jeito é que ele sai.
  Na frente sigo eu
  levo o estandarte de um amor
  amor que se perdeu no Carnaval...
  Lá vai meu bloco e lá vou eu também
  mais uma vez sem ter ninguém
  no sábado e domingo, segunda e terça-feira
  e a 4ª feira vem e o ano inteiro é todo assim...
  Por isso quando eu passar
  batam palmas pra mim!
  Aplaudam quem sorri
  Trazendo lágrimas no olhar,
  merece uma homenagem
  quem tem força pra cantar
  tão grande é a minha dor
  pede passagem quando sai comigo só,
  lá vai meu bloco vai...

        Daqui bato palmas a todos os que, de modo aberto ou oculto, pertencem ao Bloco da Solidão, e sorriem trazendo lágrimas no olhar...

        Gosto muito do Porta-Estandarte, de Vandré:

   “Olha que a vida é tão linda
 e se perde em tristezas assim.
 Desce teu rancho cantando
 essa tua esperança sem fim.
 Deixa que a tua certeza
 se fala do Povo a canção
 pra que teu Povo cantando
 o teu canto não seja em vão.
               
 Eu vou levando minha vida, enfim,
 cantando e canto sim
 e não cantava se não fosse assim
 levando pra quem me ouvir
 certezas e esperanças
 pra trocar
 por dores e tristezas
 que, bem sei
 um dia que vem vindo
 e que eu vivo, pra cantar
 na avenida girando
 estandarte na mão pra anunciar!

Ah se eu pudesse!
O meu Povo não precisaria esfalfar-se nos 3 dias de Carnaval!
Virá o dia em que a alegria do Povo
não será ilusória e passageira como serpentina e confete.
Virá o dia em que não será mais preciso dizer:
       
“Tristeza não tem fim
felicidade, sim”.

A tristeza acabará...

                                                              
Dom Helder Camara,
dia 3 de fevereiro de 1978



Postado por Geraldo Frencken em 21-02-2017

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