sexta-feira, 3 de março de 2017

Um bispo chileno sustenta que os padres casados “são uma voz do nosso tempo que é preciso escutar”

Mons. Carlos Peregrini leva uma carta do coletivo dos padres casados do Chile para o Papa em fevereiro

Rufo González - 18/02/2017 -
Foto: Bispo de Chillán com Papa Francisco
 Em 19 de agosto, “por iniciativa” sua, o bispo reúne-se com os padres casados de  Chillán -Chile. Ele percebeu que os bispos e padres casados, muitos deles líderes de comunidades são uma “voz do nosso tempo” que é preciso escutar e valorizar “à luz da palavra de Deus” (GS 44). São uma parte muito significativa da Igreja pelo seu papel e pela sua preparação. Não os ouvir e não dar uma solução evangélica aos seus problemas é uma má notícia eclesial”


Padres casados, um desafio para a Igreja
Um bispo diocesano reúne-se com os padres casados da sua diocese. Esta boa notícia vem-nos  da América Latina (Chile), diocese de Chillán: 
“No dia 19 de agosto, por iniciativa do nosso bispo, tivemos uma reunião com os padres casados de Chillán -Chile. No total, fomos 10. Foi gratificante este encontro onde houve um diálogo aberto e transparente, onde se expuseram e discutiram  todas as nossas inquietudes: o celibato opcional e manter um diálogo permanente.
O nosso bispo, D. Carlos Peregrini, comprometeu-se a, na próxima visita Ad Limina que será em fevereiro próximo, entregar pessoalmente uma carta das inquietudes do nosso grupo ao Papa Francisco… “.  (A Visita Ad Limina, dos bispos do Chile, foi no mês de fevereiro. O encontro com o Papa, em 18/02 – NdR)

Os padres casados celebram a Misericórdia
A Comunidade de Padres Casados, junto com as nossas mulheres, da Diocese de Chillán, Chile, depois de ter um encontro nos dias 1 e 2 de outubro deste ano, em San Fabián de Alico, queremos compartilhar com vocês o seguinte:
Chamados pelo nosso Santo Padre Francisco, refletimos sobre o tema da Misericórdia, na nossa realidade de padres casados e desejosos de evangelizar como nos diz São Paulo na sua Primeira Carta aos Coríntios Sacerdotes: “Ai de mim se eu não evangelizar!”…
Considerando todas as reflexões apresentadas pelos participantes, podemos concluir o que a seguir detalhamos:
– Desejamos compartilhar uma mútua misericórdia com os nossos bispos e irmãos sacerdotes, perdoando-nos com humildade pelos erros cometidos por uns e por outros, pois o Pai Misericordioso nos convida a perdoar-nos e amar-nos.
– Este perdão e encontro misericordioso, nós desejamos e queremos que nos leve a um diálogo permanente sobre o tema do celibato.
– Esperamos que este diálogo seja misericordioso, generoso, responsável, autêntico, buscando a verdade e sem hipocrisias.
– Confiamos que o Espírito Santo nos ilumine, para que com os responsáveis da Igreja, com misericórdia e sem medos, se acabe com o celibato como uma obrigação e que seja uma opção, para o enriquecimento da amada Igreja.
Sebastián Cozar Gavira. (Tempo de falar. Tempo de agir. No. 147 P. 43. Moceop).

 Visita de Francisco a um grupo de Famílias de Padres casados, em Roma - Foto: Osservatore Romano

Melhor do que o Papa
Em 11 de novembro de 2016, Francisco visitou em Roma sete jovens padres casados. É um dos gestos do Papa nas “sextas-feiras da misericórdia” durante o Jubileu Extraordinário. Pepe Mallo me enviou este acertado comentário:
“O Jubileu da Misericórdia exige ‘tornar a dar dignidade a todos os que foram privados dela’” (Misericordiae Vultus 16). Mais uma vez nos deparamos com os fatos contradizendo as palavras.
Francisco acostumou-nos a gestos significativos; mas aqui acho que fez teatro. Em princípio, como bem dizes, a visita acontece nas “sextas-feiras da misericórdia”, dias em que Francisco “dá o seu coração aos miseráveis” (‘miseri cor dare’).
  • Daquela reunião com as freiras originou-se a Comissão para tratar do diaconato das mulheres;
  • das concentrações de Jovens a nível mundial surgiu a ideia do “Sínodo sobre jovens e vocação”, anunciado nos últimos dias.
  • Da visita de Francisco aos “sete jovens que deixaram o sacerdócio para se casar”, o que saiu?, resultará daí também um “algo” que devolva a dignidade àqueles que foram privados dela? Duvido.
“O Papa tem procurado oferecer um sinal de proximidade e de afeto”. Só isso. Nós lhe damos pena. Que pena!!”.

Curas casados, un desafío para la Iglesia
In: http://www.periodistadigital.com/imagenes/2015/11/02/curas-casados-un-desafio-para-la-iglesia_270x250.jpg

O Bispo de Chillán, Carlos Peregrini, compromete-se
Está cumprindo o desejo de Paulo VI na encíclica “Sacerdotalis caelibatus” (24 de junho de 1967):
 “Estamos certos, veneráveis irmãos … que nunca perdereis  de vista os padres que deixaram a casa de Deus, que é a sua verdadeira casa, seja qual for o resultado da sua dolorosa aventura, porque eles continuam sendo  para sempre vossos filhos” (Sacerd. Caelib. n. 95).
 Em 19 de agosto, “por iniciativa” sua, o bispo reúne-se com os padres casados de  Chillán -Chile. Ele percebeu que os bispos e padres casados, muitos deles líderes de comunidades são uma “voz do nosso tempo” que é preciso escutar e valorizar “à luz da palavra de Deus” (GS 44). São uma parte muito significativa da Igreja pelo seu papel e pela sua preparação. Não os ouvir e não dar uma solução evangélica aos seus problemas é uma má notícia eclesial. Ou pior: uma injustiça chamativa e contraproducente, escândalo que induz á “ruína” eclesial e uma “ratoeira” para muitos. Carlos Peregrini comprometeu-se a entregar pessoalmente uma carta sobre as preocupações dos padres casados ao Papa Francisco na próxima visita ad Limina em fevereiro próximo.

Este bispo aviva a esperança
Eu não perco as esperanças no Espírito que guia a Igreja no meio de tantas liberdades, mediatizadas por tantos preconceitos, experiências negativas, legalismos e fundamentalismos.
Eu não posso fazer caso, amigo “Heart”, do teu comentário (quinta-feira 23 de julho de 2015, 10:35). Não sei quem és, mas tu te escondes numa palavra inglesa muito bela: “coração”. Suponho que és sacerdote pelo conhecimento inferido e pela experiência eclesial que demonstras:
“Desilude-te, Rufo.
À hierarquia eclesiástica todos os padres (tanto aqueles que ainda estão em atividade como os secularizados) não importam nada. Utilizam-nos enquanto podem e quando o sujeito não pode mais ou é suficientemente inteligente para perceber que está numa instituição sem mecanismos de controle e em que tudo são amizades interesseiras e invejas, e toma a decisão de sair, ele é marginalizado, qualificado como traidor, e deixado com uma mão na frente e outra atrás. Essa é a verdade. Por saírem, não os deixam nem mesmos dar aulas de religião, porque essas estão reservadas para os vários amiguinhos e apaniguados.
E os que ainda continuam em atividade percebem isso claramente, o que acontece é que, muitas vezes, não têm o valor nem a coragem suficientes para dar o passo. Há muitos padres que deixariam o hábito agora mesmo, mas perguntam: e o que vou fazer depois?. É isso. Além de tudo isto há os que estão tomando ansiolíticos e antidepressivos pelo resto da vida.
Tudo isso os bispos sabem-no de sobra e ficam calados. Transformaram o ministério em pouco menos que uma prisão, não respeitam as preocupações nem intelectuais nem pastorais dos padres. Tendo tão poucos padres e muitas paróquias vacantes, prioriza-se o provimento das paróquias sem saber se as qualidades do indivíduo servem para um determinado destino. E depois, evidentemente, os padres se queimam, porque, entre outras coisas, isso de que os padres são todo-terreno é uma falácia que os bispos inventaram para justificar o injustificável. Como se pode justificar que um padre cuide de 17 paróquias?. Vamos, homem.
Também sabem muito bem que muitos padres têm problemas psiquiátricos graves, muitos são alcoólatras e muitos outros homossexuais, mas aqui nada acontece contanto que se mantenha o negócio. A configuração do ministério sacerdotal tem que ser revisada de cabo a rabo. Ou isso ou o espera um futuro muito negro”
(Comentário  de Heart: Quinta-feira 23 julho de 2015, 10:35).

Completamente de acordo com isto:
“A configuração do ministério sacerdotal deve ser revisada de cabo a rabo”.
Nem tudo é negativo. Há muita coisa boa. Há muitos padres celibatários e casados que continuam a “reavivar o dom de Deus que receberam quando lhes impuseram as mãos” (2 Tim 1: 6).
Esperemos que o Espírito, com a permissão dos dirigentes da igreja, desobstrua o caminho para eliminar esta lei.

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Rufo Gonzales

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