terça-feira, 25 de julho de 2017

Jesus líquido

Eduardo Hoornaert 
O maior erro do conhecimento

consiste em confundir proposições

(Wittgenstein)

Em seu filme ‘Andrei Rublev’ (1966), o cineasta russo Tarkovski conta que Rublev (início do século XV), excelente pintor de ícones bizantinos, ao ser convidado pelo Patriarca de Moscou a pintar o quadro do Último Juízo para a Catedral da Anunciação no Kremlin, não consegue executar a obra. Não consegue pintar um Jesus a condenar os pecadores a um inferno sem fim. Um século depois, em Roma, Michelangelo não vê problema nisso. Convidado a pintar o mesmo quadro para a Capela Sistina no Vaticano, pinta um Jesus que, com um só gesto de seu poderoso braço, condena uma parcela da humanidade ao inferno, enquanto eleva a outra parte à eterna felicidade do céu. Ao contrário de Michelangelo, Rublev não suporta a imagem de um Jesus que condena ao inferno.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

A crise brasileira no contexto da nova guerra fria


 O problema fundamental da crise brasileira não está na corrupção que é endêmica e tolerada pelas instâncias oficiais, porque dela se beneficiam. Se fossem resgatados os milhões e milhões de reais que anualmente os grandes bancos e as empresas deixam de recolher ao INSS, tornaria supérflua uma reforma da Previdência.

O problema não é apenas Lula ou Dilma e muito menos Temer.  O centro da questão é a disputa no quadro da nova guerra-fria entre USA e China: quem vai controlar a sétima economia mundial e como alinhá-la à lógica do Império norte-americano, impedindo a penetração da China nos nossos países, especialmente no Brasil pois ela precisa manter seu crescimento com recursos que nós possuímos.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

DOM PEDRO CASALDÁLIGA CONVERSA COM DEUS SOBRE COMO TEMER FOI PARAR LÁ


BRASÍLIA: A SODOMA E GOMORRA DE PINDORAMA
Por José Ribamar Bessa, em seu site
No mesmo dia em que o Supremo Tribunal Federal (STF) soltou o deputado Rocha Loures (PMDB, vixe vixe) e negou o pedido de prisão do senador Aécio Neves (PSDB vixe vixe), o Criador do Universo, escoltado por um querubim e um serafim, apareceu a Dom Pedro Casaldáliga, de 89 anos. O bispo emérito de São Félix do Araguaia descansava às margens do rio Xingu, na área alagada da Cachoeira do Limão, debaixo da última árvore que sobreviveu ao desmatamento da Hidrelétrica de Belo Monte. Levantou os olhos e prostrou-se descalço sobre a terra vermelha diante da face divina:

sábado, 8 de julho de 2017

MANFREDO ARAÚJO DE OLIVEIRA: "O GRAVE MOMENTO NACIONAL"

Manfredo Araújo de Oliveira  -  01/07/2017 manfredo.oliveira2012@gmail.com
Este é o título de uma declaração recente da presidência da CNBB quase desconhecida pela mídia nacional. A primeira afirmação é de que vivemos hoje num país perplexo diante de agentes públicos e privados que abandonaram princípios morais, o que se mostra numa relação promíscua entre interesses públicos e privados, a raiz primeira dos escândalos de corrupção. Estes princípios constituem a base indispensável de uma nação justa e fraterna. O texto mostra que não se compreendem princípios morais somente como critérios normativos de ações individuais, mas igualmente daquilo que os gregos chamaram de política: a normatividade relativa às instituições sociais que configuram a vida coletiva.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Pell demonstra ao Colégio Cardinalício que os gostos conservadores e autoritários não devem bastar na escolha dos bispos. Também aqui, nesse Colégio, ele não vê a hora de que a primavera evangélica do Papa Francisco acabe.”

A opinião é do historiador italiano Alberto Melloni, professor da Universidade de Modena-Reggio Emilia e diretor da Fundação de Ciências Religiosas João XXIII, de Bolonha. O artigo foi publicado no jornal La Repubblica, 30-06-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

“É tolice e miopia fazer os idosos trabalhar enquanto os jovens estão desempregados”: o discurso do papa aos sindicalistas italianos

Santo Padre Francisco recebeu em audiência os delegados da Confederação Italiana dos Sindicatos dos Trabalhadores (CISL), por ocasião do XVIII Congresso Nacional sobre o tema: “Pela pessoa, pelo trabalho” (28 de junho a 1º de julho de 2017).

O discurso foi publicado por Sala de Imprensa da Santa Sé, 28-06-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Em busca de Jesus irônico

Eduardo Hoornaert.

Por vezes me pergunto por que os católicos se mostram tão desprovidos de ironia, eles que se dizem seguidores de Jesus, aquele judeu que costumava incomodar as autoridades de seu tempo por suas posturas irônicas. Então pensei em escrever algumas linhas sobre esse tema. Proponho que abordemos o tema em sete parágrafos. (1). No primeiro fazemos uma ingressão na nossa herança ancestral e nela descobrimos que a ironia é uma qualidade que temos em comum com diversas espécies de animais. (2). Acontece que o processo civilizador, em que estamos inseridos desde alguns milênios, não combina com ironia e costuma rejeitá-la. (3). De outro lado, as culturas criam, em contraposição com esse processo civilizador, movimentos que podemos chamar de ‘proféticos’, em que a ironia tem um lugar de destaque. (4). Verifica-se recorrentemente, nos evangelhos do profeta Jesus, a opção pela ironia, (5) como demonstram dez episódios aqui brevemente comentados. (6). Depois de perguntar por que temos tanta dificuldade em descobrir ironia nos evangelhos, (7) termino sugerindo a substituição da conhecida expressão ‘extra ecclesiam nulla salus’ por ‘extra ironiam nulla salus’ (fora da ironia não há salvação).

Para Francisco, o chamado “desemprego natural” é uma “chantagem social”. Artigo de Andrea Terzi

“Vivemos um longo tempo em que pensávamos que, em uma sociedade, imperfeita por sua natureza, um pouco de desemprego era inevitável. Hoje, assoma-se outro modo de ver ainda mais traiçoeiro. É a convicção generalizada de que o progresso tecnológico e a robotização dos processos produtivos significam que o trabalho está desaparecendo.”

A opinião é do economista italiano Andrea Terzi, professor da Franklin University Switzerland, em artigo publicado por Avvenire, 29-06-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Economia populista é aquela voltada ao Bem-Estar Social. Entrevista especial com Fernando Nogueira da Costa


Por: João Vitor Santos | 01 Julho 2017

    Professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas - UnicampFernando Nogueira da Costa faz uma leitura do conceito de populismo de Ernesto Laclau desde o campo das Ciências Econômicas. Segundo Costa, esse fundamento político pode inspirar uma política econômica muito mais alinhada com interesses populares, do povo. “O populismo constitui o alerta de que os interesses dos defensores da Economia de Livre-Mercado não podem predominar acima dos interesses populares”, pontua. E explica: “a economia tem de estar voltada para alcançar um Bem-Estar Social e não, exclusivamente, para atender à ganância individualista. O instinto de proteção dos seres humanos deve superar o instinto de competição. A cooperação altruísta contribui mais para o desenvolvimento socioeconômico e humanista”.

    Sistemas de inteligência artificial - Desafios e perspectivas. Entrevista especial com Claudio Jung


    Por: Patricia Fachin | 30 Junho 2017
     
     

      A demarcação entre as atividades que poderiam ser solucionadas por uma máquina e por um humano eram claramente definidas há alguns anos, entretanto, hoje, essa diferença já não é tão evidente em algumas tarefas, diz Claudio Jung, especialista em sistemas de inteligência artificial de reconhecimento de imagem, à IHU On-Line, na entrevista a seguir, concedida por telefone. “Hoje, se colocarmos duas fotos, a de um círculo e a de um quadrado, com mais ou menos o mesmo tamanho, e perguntarmos a uma máquina e a um humano qual é maior, certamente a máquina vai responder com mais precisão a essa pergunta do que o humano. Então isso já é verdade numa classe de problemas”, relata.

      segunda-feira, 3 de julho de 2017

      Vida humana não tem um limite de tempo, apontam estudos

      Diversos cientistas acreditam que a idade máxima a qual uma pessoa pode chegar é 115 anos. No entanto, novas pesquisas indicam que, na verdade, pode não existir um limite de tempo para a vida de um ser humano.Essa foi a principal conclusão de grupos de pesquisadores de várias instituições internacionais que escreveram cinco artigos para a última edição da revista “Nature” nos quais explicam porque não acreditam que exista uma idade máxima para o corpo humano.
      Os estudiosos queriam com isso desmentir uma pesquisa divulgada no ano passado na mesma publicação na qual o geneticista molecular Jan Vijg, junto a sua equipe da Faculdade de Medicina Albert Einstein de Nova York, concluía que um ser humano poderia viver até 115 anos. Quando foi publicado, o estudo foi altamente criticado já que supostamente as conclusões não foram bem fundamentadas.

      Do Brasil dos escândalos ao Brasil da solidariedade

      Existe um Brasil de escândalos (nada menos do que três presidentes investigados) e um Brasil que se dedica a fazer o bem ao próximo com um número insuspeitado de samaritanos. “Além do bem. Um estudo sobre voluntariado e engajamento” traz à luz outro Brasil, aquele que participa em pequenas e grandes instituições de voluntariado.
      Descobrimos que quase um de cada cinco cidadãos brasileiros (37,5 milhões) desenvolve uma atividade deste tipo, conforme pesquisa realizada pela Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros em parceria com o Banco de América Merrill Lynch e o Programa de Voluntários das Nações Unidas (UNV) no Brasil.

      sábado, 1 de julho de 2017

      “VINDE A MIM, TODOS VÓS QUE ESTAIS CANSADOS E CARREGADOS DE FARDOS, E EU VOS DAREI DESCANSO.” (MT 11,28)


      Cansados e carregados de fardos: essas palavras nos sugerem a imagem de pessoas – homens e mulheres, jovens, crianças e anciãos – que de algum modo carregam pesos ao longo do caminho da vida e esperam que chegue o dia em que possam livrar-se deles.
      Neste trecho do Evangelho de Mateus, Jesus apresenta um convite: “Vinde a mim…”.
      Ele estava rodeado pela multidão que tinha vindo para vê-lo e ouvi-lo; muitos deles eram pessoas simples, pobres, com pouca instrução, incapazes de conhecer e respeitar todas as complexas prescrições religiosas da época. Além disso pesavam sobre eles os impostos e a administração romana como um peso muitas vezes impossível de suportar. Eles viviam preocupados e à procura de uma oferta de vida melhor.