sábado, 8 de julho de 2017

MANFREDO ARAÚJO DE OLIVEIRA: "O GRAVE MOMENTO NACIONAL"

Manfredo Araújo de Oliveira  -  01/07/2017 manfredo.oliveira2012@gmail.com
Este é o título de uma declaração recente da presidência da CNBB quase desconhecida pela mídia nacional. A primeira afirmação é de que vivemos hoje num país perplexo diante de agentes públicos e privados que abandonaram princípios morais, o que se mostra numa relação promíscua entre interesses públicos e privados, a raiz primeira dos escândalos de corrupção. Estes princípios constituem a base indispensável de uma nação justa e fraterna. O texto mostra que não se compreendem princípios morais somente como critérios normativos de ações individuais, mas igualmente daquilo que os gregos chamaram de política: a normatividade relativa às instituições sociais que configuram a vida coletiva.


A normatividade ética, individual e social, constitui a condição irrecusável para que a sociedade possa lutar contra seus males evidentes: a violência contra a pessoa e a vida, contra a família, o tráfico de drogas e outros negócios ilícitos, excessos no uso da força policial, corrupção, sonegação fiscal, malversação dos bens públicos, abuso do poder econômico e político, poder discricionário dos meios de comunicação social, crimes ambientais. Neste contexto, o Estado Democrático de Direito, reconquistado com muitas lutas, corre riscos pela generalização do descrédito com a política e com os Poderes da República que têm demonstrado enorme distanciamento com as aspirações de grande parte da população.
Não tem futuro uma sociedade em que se dissolve a verdadeira fraternidade
Isso se mostra com clareza na esfera da economia que, hoje configurada pelo processo de globalização, tem sido um verdadeiro suplício para a maioria da população. Aqui se aponta a raiz profunda desta forma de organização da atividade econômica: “dá primazia ao mercado, em detrimento da pessoa humana, e ao capital em detrimento do trabalho”. Esta economia, como afirmou o papa Francisco, mata e revela que a raiz da crise que vivemos é antropológica: ela nega a primazia do ser humano sobre o capital. Quando o mercado governa, o Estado se torna fraco e o resultado é sua submissão a uma perversa lógica financista. As consequências desta tese são claras: o critério que dá legitimação às políticas econômicas é o desenvolvimento social, ou seja, que elas atendam à população especialmente a que é mais vulnerável. A insuficiência destas políticas se revela na exclusão e na violência que atingem milhões de brasileiros.
Os bispos enumeram os elementos catalisadores desta violência: a impunidade, os conflitos crescentes na cidade e no campo, o desemprego, a desigualdade social, a desconstrução dos direitos de comunidades tradicionais, a falta de reconhecimento e demarcação dos territórios indígenas e quilombolas, a degradação ambiental, a criminalização dos movimentos sociais, a situação deplorável do sistema carcerário. É também preocupante o crime organizado presente em diversos âmbitos da sociedade: nas cidades, atos de violência espalham terror, produzem muitas vítimas e causam danos ao patrimônio público e privado. Esta situação elimina perspectivas de futuro para as novas gerações.

Não tem futuro uma sociedade em que se dissolve a verdadeira fraternidade. Por isso, a superação deste grave momento nacional exige reformas profundas que visem garantir o direito e a justiça para todos.
ENVIADO POR: Geraldo Frenckengeraldof99@gmail.com

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