quinta-feira, 31 de agosto de 2017

As “mulheres diácono” na era apostólica e subapostólica

Giancarlo Pani –  Agosto 2017
Santa Júnia – (Foto: Religión Digital)
“Não há dúvida de que no século V (cânon 15, Concílio de Calcedônia) a Igreja tinha diaconisas‘ordenadas’. Se tal ‘ordenação’ (cheirotonia) era considerada um sacramento (com a imposição das mãos, cheirothesia) ou apenas uma bênção ou um sacramental, é um problema que terá que ser esclarecido no futuro tendo também em conta a evolução e a precisão da mesma terminologia litúrgica”, escreve Giancarlo Pani, em artigo publicado por La Civiltà Cattolica, 24-08-2017.
E o historiador jesuíta acrescenta: “A palavra de esclarecimento pode vir do Magistério, intérprete autorizado da tradição. Em todo caso, nem sempre se pode recorrer ao passado, como se só nele houvesse indicações do Espírito. Também hoje o Senhor conduz a Igreja e sugere assumir com coragem novas perspectivas”.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Jesus líquido


Eduardo Hoornaert 



O maior erro do conhecimento

consiste em confundir proposições

(Wittgenstein)

Em seu filme ‘Andrei Rublev’ (1966), o cineasta russo Tarkovski conta que Rublev (início do século XV), excelente pintor de ícones bizantinos, ao ser convidado pelo Patriarca de Moscou a pintar o quadro do Último Juízo para a Catedral da Anunciação no Kremlin, não consegue executar a obra. Não consegue pintar um Jesus a condenar os pecadores a um inferno sem fim. Um século depois, em Roma, Michelangelo não vê problema nisso. Convidado a pintar o mesmo quadro para a Capela Sistina no Vaticano, pinta um Jesus que, com um só gesto de seu poderoso braço, condena uma parcela da humanidade ao inferno, enquanto eleva a outra parte à eterna felicidade do céu. Ao contrário de Michelangelo, Rublev não suporta a imagem de um Jesus que condena ao inferno.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Reflexões em torno de Comunidades de Base.


Eduardo Hoornaert.



Nesses dias caiu-me nas mãos um livro que revisita uma experiência de Comunidades de Base de trinta e sete anos atrás. O interesse do livro não está unicamente na qualidade dessa memória, mas igualmente nas considerações acerca das adaptações necessárias a serem feitas para adequar melhor as CEBs ao contexto que estamos vivendo hoje. Trata-se do livro CEBs, um facho iluminando a história, coordenado por Manoel Beserra Machado e Océlio Teixeira de Souza, publicado pela Imprensa da Universidade Regional do Cariri em Juazeiro do Norte, no ano 2016 (ISBN 978-85-65425-27-8). Resultado de um mutirão de pessoas interessadas nessa memória e que atuou desde 2012, este livro conta as peripécias de Comunidades católicas de Base (CEBs) que operavam na paróquia de Quitaiús, distrito do Município Lavras da Mangabeira, sul do Ceará, e em Grangeiro, município da região do Cariri, entre 1977 e 1980. A experiência foi bruscamente interrompida pela intervenção do Bispo em 1980 e, como se verifica ao longo da leitura do livro, é principalmente o trauma causado por essa intervenção que impulsionou as pesquisas e reflexões contidas neste livro. Daí um livro particularmente instigante, não só porque relata um projeto do passado por meio de depoimentos dos próprios participantes, mas porque descreve o método de trabalho seguido pelo Padre Machado, o principal protagonista da história. Apresentar o método significa elaborar um texto propositivo, voltado para o futuro, não um puro relato.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

O DOM CONTINUA VIVO ENTRE NÓS

 
Há dezoito anos, no dia 27 de agosto, despediu-se de nós
DOM HELDER CAMARA

Recordamos a sua infinita CONFIANÇA EM DEUS, que para ele significava “crer na aventura do amor, jogar nos homens, pular no escuro!”. Dom Helder se sustentava por uma profunda espiritualidade. Não uma espiritualidade supranatural e sim aquela que se baseia no Deus que “ouve o clamor e conhece os sofrimentos do povo e por isso desce para libertá-lo.” (cf. Êxodo 3). Essa espiritualidade parte da vida real do povo, principalmente dos empobrecidos e excluídos, que se revigora na sua infinita capacidade de levantar-se sempre, a fim de sair da situação de “sub-habitação, sub-trabalho, sub-diversão, sub-saúde, sub-vida” sub-habitação, sub-trabalho, sub-diversão, sub-saúde, sub-vida” (Sinfonia dos dois mundos de Dom Helder Camara). Espiritualidade esta, inspirada na e fortalecida por uma fé inabalável no Deus–Amor, deixando-se modular por este Deus-Pai carinhoso. Por isso e ao mesmo tempo, no centro do pensar, rezar, sonhar e agir do Dom  estava o ser humano com seus valores e que “ele olha em seu rosto, em especial no rosto dos mais pobres, gastos pela fome, esmagados pelas humilhações, descobrindo neles o rosto do Cristo Ressuscitado!” Aquele ser humano que ele gostava de abraçar para passar-lhe calor e proteção.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Intolerância, racismo às claras e fuzis à mostra: O que vi (e senti) no maior protesto movido pelo ódio em décadas nos EUA

"Durante quatro horas, homens com suásticas tatuadas no crânio e bandeiras confederadas (símbolo do grupo que lutou na guerra civil americana por manter a escravidão) trocavam socos, pauladas e cusparadas com jovens vestindo máscaras e carregando bastões de madeira e sprays de pimenta", relata em depoimento o jornalista Ricardo Senra para a BBC Brasil, 13-08-2017, sobre os acontecimentos em Charlottesville.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Populismo pós-estrutural de Laclau e Multidão de Negri-Hardt: caminhos para compreender o nosso tempo. Entrevista especial com Bruno Cava


Por: João Vitor Santos | 14 Agosto 2017
 
 

    Numa primeira incursão na teoria do argentino Ernesto Laclau, é possível associar algumas de suas perspectivas às do italiano Antonio Negri. Afinal, ambos se veem diante de movimentações políticas em que a mobilização de teorias existentes parece não dar mais conta de explicar. É uma associação possível, mas essa aproximação requer que seja feita com mais vagar, como recomenda Bruno Cava: “Máquina-Negri, Máquina-Laclau, operam diferente, fazem coisas diferentes, outros usos e funcionamentos”. Para ele, não é que não haja pontos em comum. “Em geral, dois filósofos são incompossíveis, não porque as respostas e soluções divirjam, mas porque colocam as suas perguntas de maneira diversa, têm inquietações e problemas qualitativamente diferentes”, explica.

    quarta-feira, 16 de agosto de 2017

    Bauman e Francisco, o caminho que leva o mundo globalizado de volta ao Evangelho. Artigo de Alberto Melloni

    “A análise de Bauman sobre a pós-modernidade serve a Francisco porque, nela, ele encontra a dramaticidade do próprio Evangelho.”

    A opinião é do historiador italiano Alberto Melloni, professor da Universidade de Modena-Reggio Emilia e diretor da Fundação de Ciências Religiosas João XXIII, de Bolonha.

    O verão de Bergoglio, lendo Bauman

    Paolo Rodari – 10 Agosto 2017 – Foto: www.newecclesia.it
    Os livros de Zygmunt Bauman acompanham o verão romano de Francisco. O papa, no calor de Roma, ciente das muitas pessoas que veem nele um guia espiritual e moral de autoridade, e entre elas muitos jovens, usa algumas horas livres que a suspensão dos compromissos públicos lhe concede para estudar os textos daquele que, melhor do que outros, segundo ele, pode ajudá-lo a entrar no coração da sociedade atual: Zygmunt Bauman.A reportagem é de Paolo Rodari, publicada por La Repubblica, 09-08-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

    terça-feira, 15 de agosto de 2017

    ENTREVISTA E LIVROS – PADRE LUÍS GUERREIRO

    Francisco Salatiel Alencar Barbosa – 20 de novembro de 2009
    “Quando do Vaticano II, eu era um padre jovem, estudei em Roma e deixei-me embalar, como tantos, com a perspectiva de uma Igreja diferente, renovada, mais viva, e isso não aconteceu. O paquiderme não sentiu ou ignorou a passagem da aragem do Espírito.
    Em vez de uma Igreja participativa, de irmãos, mais consentânea com o Evangelho, ela continuou submissa a um monarca absoluto, dogmático, infalível, monopolizador do Espírito.”
    Os fiéis são os que quase divinizaram o Papa e obedecem cegamente, como eternas crianças. Os bispos esqueceram-se de que são tão sucessores dos Apóstolos como o bispo de Roma e fazem o mesmo: calam-se e obedecem; sob pretexto de preservar a unidade, parecem não notar que o que está em causa muitas vezes é a verdade.
     

    segunda-feira, 14 de agosto de 2017

    Um bispo negro toma a frente e proclama: a homossexualidade é um dom de Deus


    Mauro Lopes – 07 Agosto 2017
    Um bispo negro, no sertão do Nordeste, com uma trajetória entre os pobres do RioMinas e São Paulo, nomeado em 2014 pelo Papa Francisco, chacoalhou a Igreja Católica, abriu os portões de ferro da falsidade e do preconceito e proclamou, profeticamente: a homossexualidade é um dom de Deus.
    Foi dom Antônio Carlos Cruz Santos, religioso da congregação dos Missionários do Sagrado Coração de Jesus, bispo de Caicó, no sertão do Rio Grande do Norte. Ele afirmou que o preconceito contra os homossexuais está em linha direta com o preconceito contra os negros e a escravidão e acusou os conservadores católicos de falta de misericórdia.

    sexta-feira, 11 de agosto de 2017

    O populismo segundo Ernesto Laclau. Conceito-chave para pensar a democracia radical e plural

    A complexa Argentina que levou Perón à Casa Rosada não cabia nas categorias históricas do marxismo. Na tentativa de compreender o fenômeno, Ernesto Laclau(1935-2014) deu um passo adiante nos debates sobre a luta de classes e passou a construir um conceito que o tornou notável: o populismo. É justamente no contexto do peronismo que ele vê emergir um antagonismo pluralista em que os conflitos sociais convivem harmonicamente e, juntos, geram demandas comuns, sendo capazes de se insurgir como alternativa ao poder hegemônico instituído. Laclau passa a perceber na articulação do povo em sua multiplicidade, o desencadeamento de outra perspectiva de democracia. É da resistência e da rebelião, e não da exploração, que começa a política. Enfim, para Laclau, “o populismo é muito mais do que um estigma, uma anomalia, uma saída dos trilhos da normalidade; é um conceito-chave para pensar a política”, constata Myriam Southwell, aluna do sociólogo argentino.

    quinta-feira, 10 de agosto de 2017

    Revolução 4.0? A revelação da "iconomia": integração do conhecimento ao lado da terra, capital e trabalho na organização sócio-econômica. Entrevista especial com Gilson Schwartz

    Por: Ricardo Machado | Edição Patricia Fachin | 06 Agosto 2017
     

      Revolução 4.0” é mais uma expressão da moda, uma “buzzword”, “como já foi a ‘Web 2.0’, a ‘blogosfera’ ou a ‘gamificação’”, diz o economista e sociólogo Gilson Schwartz à IHU On-Line, na entrevista a seguir, concedida por e-mail. Segundo ele, todas as “revoluções”, incluindo as tecnológicas, “são momentos em que se criam expectativas generalizadas de mudança de etapa no ciclo ou até emergência de novos ciclos e horizontes, como ocorre atualmente, sem que se tenha nome ainda para o que vem por aí (A revolução 5.0? O fim da relação salarial? A psicobiologia pós-robótica?)”, questiona.

      quarta-feira, 9 de agosto de 2017

      Bispos das Pastorais Sociais divulgam mensagem após encontro

      Foto: CNBB  02/08/2017

      Os bispos que compõem a Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Social Transformadora e os referenciais das Pastorais Sociais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) publicaram uma mensagem ao final do encontro realizado em Brasília, nos dias 31 de julho e 1º de agosto.  Na ocasião, os prelados procuraram “luzes para a atuação da Igreja no Brasil frente aos novos desafios da nossa realidade”.
      “Clamam aos céus, hoje, as muitas situações angustiantes do Brasil, entre as quais o desemprego colossal, o rompimento da ordem democrática e o desmonte da legislação trabalhista e social”, lê-se no texto.

      terça-feira, 8 de agosto de 2017

      Tráfico de pessoas é “um tumor mundial”, diz dom José Luiz Azcona, bispo-emérito de Marajó (PA)

      CNBB – Assessoria de Imprensa – 02/08/2017

      O agostiniano recoleto, nascido em Navarra, na Espanha, Dom José Luiz Azcona, tem uma história de grande significado para a luta contra o tráfico humano de pessoas e a prostituição infantil, especialmente na Ilha do Marajó, no Pará. Nomeado bispo por São João Paulo II, em 1987, ele permaneceu na prelazia marajoara até a renúncia ao governo pastoral, no ano passado. Como bispo emérito, ele participou da reunião promovida pela Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Social Transformadora, em Brasília, encerrada nesta terça-feira, 01 de agosto. Dom Azcona está entre as pessoas ameaçadas de morte. Depois que se tornou emérito, dom Azcona continua morando no Marajó. Ele falou com a Assessoria de Imprensa da CNBB.

      segunda-feira, 7 de agosto de 2017

      O DRAMA DA ESCRAVIDÃO MODERNA NA AMAZÔNIA BRASILEIRA CHEGA À TV CULTURA

      Edmilson, trabalhador aliciado para o desmatamento na Amazônia, sofre em condições análogas à escravidão

      Forest Comunicação  – 3/08/2017
      Foto: Edmilson, sofre em condições de escravidão
      “A minissérie, com a participação especial de André de Biase e Patrícya Travassos, estreia às 24h30 do dia 6 de agosto na TV CulturaNo primeiro episódio, o público acompanha a jornada de Edmilson, aliciado para o desmatamento no meio da Floresta Amazônica. Vítima de condições degradantes, Edmilson conta com a sorte para salvar a sua vida.”

      Aos 90 anos, marceneiro que virou padre após ter 12 filhos e ficar viúvo celebra missas diárias


      Aline Albuquerque – 04/08/17
      José Brombal fala sobre reviravolta depois da morte da esposa em 1986 e vida em paróquia de Jundiaí (SP). É na Catedral Nossa Senhora do Desaterro em Jundiaí (SP) que o padre José Brombal celebra missas diariamente com muito carisma e disposição. Mas quem vê o pároco de 90 anos dominando os rituais da Igreja Católica, não tem ideia do quanto sua vida mudou quando decidiu largar a marcenaria para se dedicar ao seminário.
      No Dia do Pároco, celebrado na sexta-feira (4), o G1 reuniu histórias diferentes de padres na região de Sorocaba e Jundiaí. G1 reuniu outras histórias diferentes para comemorar Dia do Pároco.